TOP10 SPOILER
1. Ratatouille
2. Paris, Te Amo
3. Treze Homens e um Novo Segredo
4. Harry Potter e a Ordem do Fênix
5. O Despertar de uma Paixão
6. Zodíaco
7. Lady Vingança
8. Shrek Terceiro
9. Ventos da Liberdade
10. Homem-Aranha 3

TOP3 JANEIRO
1. Babel
2. Apocalypto
3. Diamante de Sangue

TOP3 FEVEREIRO
1. Pecados Íntimos
2. Cartas de Iwo Jima
3. A Rainha

TOP3 MARÇO
1. Notas Sobre um Escândalo
2. O Cheiro do Ralo
3. 300

TOP3 ABRIL
1. Vermelho como o Céu
2. Ventos da Liberdade
3. Miss Potter

TOP3 MAIO
1. Lady Vingança
2. Homem-Aranha 3
3. Nome de Família

TOP3 JUNHO
1. O Despertar de uma Paixão
2. Zodíaco
3. 13 Homens e Outro Segredo


TOP10 CURTAS
1. O Nosso Livro
2. As Coisas que Moram nas Coisas
3. Alguma Coisa Assim
4. Balada das Duas Mocinhas de Botafogo
5. Yansan
6. Crisálidas
7. Tyger
8. Aquele Cara
9. Lady Christhiny
10. Meu Namorado é Michê

28.5.07

SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

Às Palmas


O drama sobre o aborto "4 Luni, 3 Saptamini si 2 Zile" (4 meses, 3 semanas e 2 dias), terceiro longa do cineasta romeno Cristian Mungiu, 39, venceu ontem a Palma de Ouro do 60º Festival de Cannes. Ao receber o prêmio, das mãos da atriz norte-americana Jane Fonda, Mungiu disse que parecia estar vivendo "um conto de fadas", já que "há seis meses, não tinha o dinheiro para fazer esse filme".

O diretor expressou o desejo de que sua vitória sirva como estímulo "a pequenos cineastas, de pequenos países", por indicar que "não é necessário ter grandes orçamentos e grandes estrelas para contar uma história que seja ouvida". "4 Luni, 3 Saptamini si 2 Zile" foi eleito melhor filme também pelo júri da crítica.

A cineasta japonesa Naomi Kawase, ganhadora do Prêmio Especial do Júri por "Mogari No Mori" (a floresta do luto), fez um emocionado discurso sobre a capacidade humana de superar a dor e "avançar, com um ponto de apoio não necessariamente visível, como nossos antepassados".

O norte-americano Julian Schnabel foi premiado como melhor diretor pelo filme francês "Le Scaphandre et le Papillon" (o escafandro e a borboleta), baseado no livro homônimo que o jornalista Jean-Dominique Bauby ditou a uma intérprete, depois de sofrer um AVC que o deixou paralisado.

O excepcional Prêmio do 60º Aniversário de Cannes foi dado ao cineasta americano Gus van Sant, "por sua carreira e pelo filme "Paranoid Park'", que concorria à Palma de Ouro.

A trama do filme vencedor da Palma de Ouro, "4 Luni, 3 Saptamini si 2 Zile" (4 meses, 3 semanas e 2 dias), é baseada "numa experiência pessoal", segundo afirmou em Cannes seu diretor, Cristian Mungiu. A história se passa nos anos 80, quando, na Romênia sob a ditadura de Nicolau Ceaucescu, o aborto estava proibido. A jovem universitária Gabita (Laura Vasiliu) decide interromper uma gravidez. A gestação avança até o tempo referido no título do filme.

Para contornar as dificuldades impostas pela clandestinidade do ato, Gabita recorre à amiga Otilia (Anamaria Marinca), uma das cinco estudantes com quem divide o quarto na moradia estudantil. Embora a gravidez seja de Gabita, é Otilia quem protagoniza o filme. O espectador acompanha seus passos, um a um, no dia marcado para a operação clandestina.

Ela se desincumbe de tarefas como conseguir dinheiro emprestado, alugar o quarto de hotel onde Gabita fará o aborto e levar até lá o "profissional" contratado para a tarefa. A data da intervenção coincide com o aniversário da mãe de seu namorado, que, sem saber do compromisso de Otilia com a amiga, escolhe essa ocasião para apresentá-la à família.

O atraso de Otilia para a festa e um embaraço provocado por outro convidado à mesa elevam a tensão entre o casal. Mas o ponto máximo da tensão em "4 Luni, 3 Saptamini si 2 Zile" é trazido pelo personagem do médico, que, ao descobrir que a gravidez de Gabita está mais adiantada do que ela havia dito, impõe uma exigência adicional (e sórdida) como pagamento ao seu trabalho.

Além da carreira de Mungiu, a Palma de Ouro que o diretor recebeu ontem destaca a cinematografia de um país que, no início da década, havia deixado de existir para o cinema.

Em 2000, a Romênia não produziu nem sequer um longa-metragem. O renascimento -promovido à base da fusão entre investimentos privados, apoio financeiro estatal e co-produções com outros países- conduziu à cifra de dez filmes concluídos no ano passado. Os demais índices do cinema romeno também são incipientes -total de 110 cinemas em operação e 2,8 milhões de ingressos vendidos em 2006.

O Brasil, que tem população muito mais numerosa, mas está longe de ser uma potência cinematográfica, possui 2.045 salas, produz aproximadamente cem filmes por ano e vende cerca de 90 milhões de ingressos.

O festival já havia direcionado sua atenção para o ressurgimento do cinema romeno, premiando "A Morte de Dante Lazarescu", de Cristi Puiu, na mostra Um Certo Olhar de 2005 e dando a Caméra D'Or (dedicada ao melhor filme de estreante em longas) no ano passado para "A Leste de Bucareste", de Corneliu Proumboiu. Além da Palma de Ouro e do prêmio da crítica a "4 Luni, 3 Saptamini si 2 Zile", a Romênia venceu a mostra Um Certo Olhar, com "California Dreamin'", de Cristian Nemescu.

O filme é ambientado em 1999, quando, enviado pela Otan, um pelotão norte-americano transporta um carregamento de armas em direção a Kosovo, mas fica retido numa cidade do interior da Romênia, por uma autoridade local. É o primeiro longa de Nemescu e foi exibido em Cannes como uma obra inconcluída. O cineasta trabalhava na montagem do filme quando sofreu um acidente de carro fatal no ano passado. Ele tinha 26 anos.

Membro do júri presidido pelo diretor Stephen Frears, que definiu os vencedores da competição oficial, o escritor turco Orhan Pamuk, Nobel de Literatura, definiu "4 Luni, 3 Saptamini si 2 Zile" como "um filme econômico e extremamente bem feito, que se tem prazer de ver cada seqüência". Pamuk disse que havia "outros ótimos filmes" na disputa, mas que o júri não teve dificuldades de chegar ao veredito. "Aqui em Cannes, celebramos o cinema como arte", afirmou.

A cerimônia de premiação foi sucinta e conduzida num tom de austeridade pela atriz alemã Diane Krueger. Frears ateve-se a dizer apenas o nome do vencedor de cada categoria, sem comentários ou justificativas às escolhas. A exceção foi para o prêmio principal. "Tenho a honra de anunciar que o vencedor da Palma é "4 Luni, 3 Saptamini si 2 Zile"."

Dois convidados a entregar prêmios quebraram o protocolo. O ator Alain Delon, que se reconciliou neste ano com o Festival de Cannes, disse: "Entre meus defeitos, tenho o que vocês sabem de não fazer nada igual a todo mundo".

Em seguida, Delon pediu 25 segundos de aplausos para a atriz Romy Schneider (1938-82), com quem trabalhou e teve um romance. E foi atendido. O ator francês de origem argelina Jamel Debbouze fez um irônico discurso contrário ao presidente Nicolas Sarkozy, que terminou com um "Viva a República! Viva a França!".

Premiado pelo roteiro de "Auf Der Anderen Seite" (do outro lado), que também dirige, o alemão de origem turca Fatih Akin terminou seu agradecimento com uma "mensagem especial para a Turquia". Disse: "Precisamos ficar unidos ou tombaremos".

"Auf Der Anderen Seite" é uma sequência de "Contra a Parede", longa de ficção anterior de Akin, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim. O novo filme acompanha seis personagens lidando com o amor e a morte, em suas relações amorosas e de pais e filhos, entre a Turquia e a Alemanha.

A iraniana radicada na França Marjane Satrapi, cujo exílio pós-revolução islâmica é contado no longa de animação "Persepolis", dedicou o Premio do Júri que recebeu "a todos os iranianos, embora essa seja uma história universal". O mexicano Carlos Reygadas, que dividiu com "Persepolis" o prêmio do júri por "Stellet Licht" (luz silenciosa), em que aborda uma comunidade religiosa ortodoxa (menonita) vivendo no México, resumiu seu discurso a um "obrigado".

Os Vencedores de Cannes 2007:
Palma de Ouro
4 MONTHS, 3 WEEKS AND 2 DAYS
Cristian MUNGIU (ROMENIA)

Grande Prêmio
THE MOURNING FOREST
Naomi KAWASE (JAPÃO)

Melhor Diretor
Julian SCHNABEL
por LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON (EUA/FRANÇA)

Prêmio do Júri
PERSEPOLIS
Marjane SATRAPI & Vincent PARONNAUD (IRÃ/FRANÇA)

SILENT LIGHT
Carlos REYGADAS (MÉXICO)

Melhor Atriz
Jeon Do-yeon
por SECRET SUNSHINE, de LEE Chang-dong (CÓREIA DO SUL)

Melhor Ator
Konstantin Lavronenko
por THE BANISHMENT, de Andreï ZVIAGUINTSEV (RÚSSIA)

Melhor Roteiro
THE EDGE OF HEAVEN
de Fatih AKIN (ALEMANHA)

Prêmio Especial
PARANOID PARK
de Gus VAN SANT (EUA)

Melhor Curta-Metragem
VER LLOVER
de Elisa MILLER (MÉXICO)

Câmera de Ouro
MEDUZOT
de Etgar KERET & Shira GEFFEN (ISRAEL)

Por Silvana Arantes - Folha de São Paulo




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

Em Cannes, o cineasta iraniano Abbas Kiarostami diz querer "dar um passo em direção aos profissionais"


Cannes não é apenas um lugar onde se assiste a filmes, como também um lugar onde os seus diretores os anunciam antes mesmo de tê-los rodado. Abbas Kiarostami, o mestre do neo-realismo iraniano, autor, entre outros, de "Close Up" (1990) e de "Gosto de Cereja", o qual foi contemplado com a Palma de ouro de melhor filme em 1997, apareceu brevemente no festival neste ano para anunciar um novo projeto, quatro anos depois de "10 On Ten", o seu último filme a ser distribuído no circuito comercial.

Acompanhado pelo produtor Marin Karmitz e pela atriz Juliette Binoche, Kiarostami falou do seu novo filme, que será dotado de um elenco internacional de atores consagrados - uma novidade para um diretor que se destacou por recorrer sempre a atores não-profissionais - e será rodado na Itália.

Spoiler: Qual é o tema do filme que o Sr. está anunciando?
Abbas Kiarostami: É uma história universal, a de um encontro entre um homem e uma mulher, numa pequena aldeia italiana, San Gimignano, perto de Florença. O homem é um escritor quinqüagenário de origem anglo-saxônica que chega para dar uma palestra, enquanto a mulher é uma francesa que dirige uma galeria. É um pouco a história de Adão e Eva.

Spoiler: Em quais circunstâncias o Sr. se encontrou com Juliette Binoche e a convenceu a estrelar este filme?
Kiarostami: Nós nos cruzamos já faz uma dezena de anos, entre outros por intermédio de Marin Karmitz, e Juliette Binoche acabou me visitando, recentemente, no Irã. Quando ela chegou, eu me perguntei como eu iria ocupar a minha convidada. Comecei contando-lhe esta história, que é de fato uma história verídica, com o meu inglês que deixa a desejar. Mas ela parecia gostar tanto do que eu estava narrando que acabei me empolgando; improvisei novos aspectos da história, conferindo-lhe uma nova dimensão, da qual eu mesmo fiquei surpreso. Ela me disse que ela achava que isso daria um belo filme, e tudo partiu de lá. Em três meses, escrevi um roteiro de cem páginas, e esta é uma história verídica que vai se tornar um filme.

Spoiler: Qual é ao certo esta história verídica que o inspirou?
Kiarostami: Não se deve prestar atenção a isso. É um pequeno núcleo, que deve permanecer oculto, e a partir do qual o filme vai germinar. É uma história banal, que pode acontecer com todo mundo e em qualquer lugar.

Spoiler: Ainda assim, o Sr. poderia nos dizer de qual maneira tomou conhecimento dela?
Kiarostami: É uma história que aconteceu comigo, durante uma estada na Itália.

Spoiler: O Sr. não se interessou em transpô-la no Irã?
Kiarostami: Não, porque é uma história que não pode acontecer neste país. Além disso, era importante encená-la no lugar onde ela aconteceu.

Spoiler: O que o Sr. deixa pressentir do filme entra um pouco em contradição com a sua maneira de trabalhar: desde o elenco, que terá atores profissionais, até a redação de um roteiro...
Kiarostami: É verdade. É a primeira vez que opto por escrever um roteiro, mas estou muito satisfeito com ele. Eu penso que, de um certo ponto de vista, isso vai facilitar as coisas para mim. Em geral, sou obrigado a exercer todas as funções, mas, aqui, o fato de trabalhar dentro de condições profissionais vai permitir que eu possa me concentrar na minha função de cineasta.

Spoiler: O Sr. não teme renunciar a esta liberdade estética que serve de fonte criativa para a sua obra?
Kiarostami: Não, eu estou dando um passo em direção aos profissionais, mas eu faço questão de que, em contrapartida, a equipe e os atores dêem por sua vez um passo em minha direção.

Spoiler: Muitos cineastas perdem misteriosamente a sua integridade artística ao filmarem longe do seu país. O Senhor chegou a pensar nisso ao preparar este projeto?
Kiarostami: Eu concordo plenamente com esta idéia. Os cineastas que não se perderam quando estavam em exílio, ao menos durante esses cinqüenta últimos anos, são muito raros. Mas eu penso que é preciso assumir riscos de vez em quando. No pior dos casos, eu serei mais um na lista daqueles que fracassaram; o que não seria tão grave assim, pois eu acredito que toda experiência vale a pena ser tentada e que o fracasso, caso ele vier mesmo a ocorrer, também faz parte da vida.

Spoiler: Quando o Sr. pretende começar a filmar?
Kiarostami: Em setembro, por oito semanas.

Spoiler: Quem será o parceiro de Juliette Binoche?
Kiarostami: Ainda estamos à procura dele...

Jacques Mandelbaum - Le Monde




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"L'Age des ténèbres", de Denys Arcand (CANADÁ)


Filme de Encerramento



Um filme de Denys Arcand, com Marc Labrèche & Diane Kruger

Cortesia: Télérama.fr




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

Em tempos de Cannes, o cinema francês é um nanico que quer conquistar o mundo


Exportar o cinema francês equivale a tentar seduzir 7,45 bilhões de espectadores em todo o mundo, saber que nada está conquistado de antemão em nenhum país, e ainda, enfrentar a hegemonia dos filmes americanos e dos cinemas nacionais.


No domingo, na parte da tarde, no Xin Jie Kou, o único cinema 'multiplex' -dotado de várias salas- de Nanquim, o cineasta francês Denis Dercourt sobe ao palco no final da projeção do seu filme, 'La Tourneuse de pages' (literalmente, 'a mulher que vira as páginas', apresentado no Brasil com o título "Ao Lado da Pianista").

No quadro do evento intitulado "Panorama do cinema francês", ele vai ao encontro de um público particular: uma promoção de estudantes da Academia de Polícia de Nanquim. São alunos formandos, destinados a se tornar guardas florestais, todos eles trajando um uniforme azul escuro com dragonas, e emblemas policiais costurados nas mangas.

Graças à erudição do seu professor de cinema, que lhes mostra um filme uma vez por mês, esses estudantes adquiriram gosto pela sétima arte. Para a maior parte dentre eles, esta é primeira vez que eles assistem a um filme numa sala comercial de cinema. A discussão é iniciada: "Por que tão poucos diálogos?", indaga um deles. "Quanto menos diálogos eu incluo, quanto melhor eu me sinto, pois eu sou acima de tudo um músico", explica Denis Dercourt. O roteiro? "Eu escrevo a história, e então vou apagando algumas partes. O espectador deve participar e tentar aproveitar as brechas que o roteiro oferece".

O cineasta é presenteado com cinco maços de flores. Alunos lhe pedem para retornar, para apresentar seus próximos filmes. Enquanto isso, numa outra sala ao lado, um outro cineasta, o mauritaniano Abderrahmane Sissako apresentou o seu longa-metragem, 'Bamako'. Mas o técnico de projeção confundiu-se com as fitas e projetou um outro filme. O diretor do cinema, constrangido, pediu desculpas friamente. E prometeu, para se fazer perdoar, acrescentar sessões suplementares.

Exportar o cinema francês equivale a bancar o globe-trotter. Os interessados devem tentar seduzir uma pequena parte dos 7,45 bilhões de espectadores repertoriados em todo o mundo em 2005; expor-se a vivenciar alegrias e sérias decepções; armar-se de uma modéstia de monge, saber que nada está conquistado de antemão em nenhum país, de tanto que os filmes franceses precisam lutar simultaneamente contra a hegemonia dos filmes americanos e a emergência dos cinemas nacionais.

Alguns números explicam a amplidão do problema: o cinema de Hollywood é o primeiro ou o segundo veículo de exportação de produtos americanos no mundo. Segundo a Motion Pictures Association of América (MPAA), uma entidade que defende os interesses das sete maiores distribuidoras nos Estados Unidos, as receitas dos filmes americanos fora do seu país representaram em 2006 um faturamento de US$ 16,33 bilhões (R$ 32,5 bilhões), ou seja, mais de 63% das receitas dos estúdios.

Neste contexto, a França não passa de um nanico. Estima-se que os filmes franceses contabilizaram 60 milhões de ingressos fora das suas fronteiras em 2006 -uma forma de lazer cujo número de adeptos tende a aumentar nos últimos dez anos-, o que corresponde a receitas internacionais de 322 milhões de euros (cerca de R$ 870 milhões). Cerca da metade dessas receitas provem dos países europeus.

Para defender e promover o cinema francês no exterior, a responsável da produção dos filmes de Eric Rohmer e de Michael Haneke, Margaret Menegoz, assumiu em 2003 a presidência da Unifrance -uma instituição encarregada de 'vender' os filmes franceses no exterior -isso depois do reinado flamejante de outro produtor, Daniel Toscan du Plantier, que fazia questão de priorizar "a arte antes do comércio". Ela impôs um estilo mais rígido a esta associação, dotada pelo poder público de um orçamento anual de 10 milhões de euros (R$ 27 milhões).

Pragmática, Margaret Menegoz sabe que "é preciso trabalhar, trabalhar e trabalhar sem descanso para passar de 1% do mercado mundial para 1,01%". Partidária da "terapia por meio do exemplo", ela envia pelo mundo afora -Nova York, Tóquio, Londres, Budapeste, Québec, México... - delegações de cineastas e de atores. Isso porque, com exceção de Jean Reno, Alain Delon e Brigitte Bardot, as nossas estrelas são pouco conhecidas no exterior. Diante disso, a Unifrance organiza um maior número de iniciativas mais comerciais: jornadas com distribuidoras mundiais, encontros bilaterais de profissionais ou ações em universidades americanas...

É dizer pouco que os sucessos franceses no exterior são ecléticos: entre eles, encontramos no primeiro lugar 'Bandidas' (com Selma Hayek e Penélope Cruz), de Joachim Roenning e Espen Sandberg, seguido por 'A Marcha dos Pingüins', de Luc Jacquet, 'Asterix e os Vikings', de Stefan Fjeldmark e Jesper Moeller. Mas isso não impede que cineastas tais como Benoît Jacquot consigam conquistar um público fiel nos Estados Unidos, e faz com que Margaret Menegoz possa assegurar que "o cinema de autor continua sendo objeto de um grande interesse".

"É preciso descobrir o que fazer em cada país", diz ela. No Japão, por exemplo, está havendo uma queda sensível de interesse: em três anos, os espectadores de filmes franceses praticamente 'sumiram', passando de 4 milhões para 1,5 milhão. Não há salas em quantidade suficiente, enquanto os filmes, mesmo os que foram comprados por distribuidoras nipônicas, podem ser exibidos um ou dois anos mais tarde. A concorrência provém do sucesso avassalador dos próprios filmes japoneses, além dos americanos e também dos filmes coreanos, que, incentivados por medidas protecionistas muito fortes, conseguiram avanços espantosos. O cineasta Philippe Lioret sugere uma solução radical, porém muito cara: comprar em Tóquio uma sala de cinema para nela projetar filmes franceses.

Na Rússia e nos países em desenvolvimento, a Unifrance está tentando experiências: o Festival de Moscou, que se revelou muito caro e deficitário, foi cancelado em proveito de uma nova tentativa visando a conquistar novos públicos nas cidades da província. Foi assim que o cineasta Bruno Dumont acabou aterrissando, em dezembro de 2006, numa região remota da Sibéria, em Novossibirsk: "Não dá para ir até lá na qualidade de turistas, para beber vodka. O objetivo é mesmo ir ao encontro do público. O estrangeiro, para mim, é o espectador ideal. Ele possui uma qualidade essencial: a real disponibilidade do seu olhar. A malevolência nacional torna-se uma benevolência em muitos outros lugares". Para Dumont, que também apresentou "Flandres" em Tóquio, os espectadores japoneses encarnam o seu "estrangeiro ideal": com o seu "senso do trágico e da epopéia", eles falam em "direção e encenação", lá onde os franceses evocam 'a moral'.

Em razão da importância do seu cinema nacional, a Coréia do Sul e, mais ainda, a Índia permanecem muito difíceis de conquistar. Na China, um país onde dez filmes franceses foram programados em salas no ano passado, dentro de uma quota de cinqüenta filmes estrangeiros, o cinema francês ganhou certa força e gera daqui para frente cerca de 3 milhões de espectadores. Jérôme Seydoux, o diretor-presidente da produtora Pathé, que liderou pelo terceiro ano consecutivo a delegação francesa da Unifrance na China, reuniu-se em 27 de abril com os representantes do ministério da cultura. Mas, neste país onde o número de salas conhece um boom sem precedente, as questões da abolição da censura ou da abertura do mercado permanecem tabus difíceis de remover. Isso é verdade tanto para os franceses quanto para os americanos.

Por Nicole Vulser - Le Monde



26.5.07

SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

Disputa por Palma está acirrada


Longas dos irmãos Coen e de diretores romeno e alemão despontam; novos longas de Fincher, Van Sant e Sokurov são bem cotados





Com as exibições de "Mogari no Mori" (a floresta de Mogari), da japonesa Naomi Kawase, e "Promise me This" (prometa-me isso), do sérvio Emir Kusturica, o Festival de Cannes encerra hoje a disputa pela Palma de Ouro desta 60ª edição, que será entregue amanhã. Kusturica é um dos seis únicos cineastas que já venceram duas vezes a Palma de Ouro -com "Underground" (1995) e "Quando Papai Saiu em Viagem de Negócios" (1985).

Os favoritos segundo o "Le Figaro"
1. LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON, de Julian SCHNABEL (EUA/FRANÇA)
2. PERSEPOLIS, de Marjane SATRAPI & Vincent PARONNAUD (IRÃ/FRANÇA)
3. THE EDGE OF HEAVEN, de Fatih AKIN (ALEMANHA)

Os 20 concorrentes apresentados até ontem conformaram uma disputa equilibrada. A crítica francesa e a dos demais países presentes ao festival não elegeram um favorito, mas sim um "pelotão de frente" de fortes candidatos. As preferências se dispersam principalmente entre o romeno "4 Luni, 3 Saptamini si 2 Zile" (4 meses, 3 semanas e 2 dias) -sobre duas amigas que tentam contornar a proibição do aborto, na ditadura de Nicolau Ceausescu-, o norte-americano "No Country for Old Men" (sem espaço para velhos), dos irmãos Joel e Ethan Coen -uma saga criminal no Oeste americano-, e "Auf Der Anderen Seite" (do outro lado), em que o turco-alemão Fatih Akin narra uma história de amor e morte com pano de fundo político, usando a fronteira entre os dois países.

Os favoritos segundo o "Liberation"
1. PERSEPOLIS, de Marjane SATRAPI & Vincent PARONNAUD (IRÃ/FRANÇA)
2. PARANOID PARK, de Gus VAN SANT (EUA)
3. NO COUNTRY FOR OLD MEN, de Joel COEN & Ethan COEN (EUA)

Também são vistos entre os melhores pela crítica os norte-americanos "Zodíaco" (David Fincher), "Paranoid Park" (Gus Van Sant) e o russo "Alexandra", de Alexander Sokurov, que, doente na Rússia, não compareceu ao festival. Um problema de saúde também impediu a viagem da atriz principal, a cantora lírica Galina Vishnevskaya. No filme, idosa e sentindo-se solitária, Alexandra (Vishnevskaya) faz um longo percurso até o acampamento de guerra para encontrar o neto, oficial do Exército.

Os favoritos segundo o "Télérama"
1. LES CHANSONS D'AMOUR, de Christophe HONORÉ (FRANÇA)
2. LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON, de Julian SCHNABEL (EUA/FRANÇA)
3. THE EDGE OF HEAVEN, de Fatih AKIN (ALEMANHA)

As preferências da crítica raramente coincidem com o resultado do júri. Neste ano, a própria crítica se dividiu em avaliações completamente opostas, em torno de um segundo grupo de filmes. Foram amados e odiados na mesma medida na Croisette os novos títulos do norte-americano Quentin Tarantino ("Death Proof"), do húngaro Béla Tarr ("The Man from London") e do mexicano Carlos Reygadas ("Stellet Licht").

Os favoritos segundo o "Le Monde"
1. PARANOID PARK, de Gus VAN SANT (EUA)
2. NO COUNTRY FOR OLD MEN, de Joel COEN & Ethan COEN (EUA)
3. ZODIAC, de David FINCHER (EUA)

Outro que teve rejeição de parte da crítica, mas deve ser lembrado pelo júri, é o sul-coreano "Secret Sunshine" (luz secreta), de Lee Chang-dong. Calcado num admirável desempenho da atriz Jeon Do-yeon, "Secret Sunshine" acompanha a trajetória de uma jovem viúva que, cuidando sozinha do filho pequeno, é alcançada por nova tragédia.

Os favoritos segundo o "L´Humanité"
1. PERSEPOLIS, de Marjane SATRAPI & Vincent PARONNAUD (IRÃ/FRANÇA)
2. LES CHANSONS D'AMOUR, de Christophe HONORÉ (FRANÇA)
3. THE EDGE OF HEAVEN, de Fatih AKIN (ALEMANHA)

Ontem, estreou o último dos três candidatos franceses à Palma de Ouro -"Une Vieille Maîtresse", de Catherine Breillat. Conhecida por filmes despudorados como "Romance", Breillat fez um contido relato de uma turbulenta relação de amantes no século 19. "Une Vieille..." foi recebido com aplausos. Um único filme foi vaiado nas sessões para a imprensa, o norte-americano "We Own the Night" (a noite é nossa), trama policial de James Gray, que envolve a máfia russa do narcotráfico em Nova York e um conflito familiar, com Mark Wahlberg e Joaquin Phoenix no elenco.

Os favoritos segundo o "Spoiler"
1. ALEXANDRA, de Alexander SOKUROV (RÚSSIA)
2. LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON, de Julian SCHNABEL (EUA/FRANÇA)
3. THE EDGE OF HEAVEN, de Fatih AKIN (ALEMANHA)

Confira a cotação do Júri da Crítica, composto pelos principais jornais franceses (*)


1. LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON, de Julian SCHNABEL (EUA/FRANÇA) - Nota: 8,3
2. PERSEPOLIS, de Marjane SATRAPI & Vincent PARONNAUD (IRÃ/FRANÇA) - Nota: 8,2
3. PARANOID PARK, de Gus VAN SANT (EUA) - Nota: 8,0
4. NO COUNTRY FOR OLD MEN, de Joel COEN & Ethan COEN (EUA) - Nota: 8,0
5. SECRET SUNSHINE, de LEE Chang-dong (CÓREIA DO SUL) - Nota: 8,0
6. THE MOURNING FOREST, de Naomi KAWASE (JAPÃO) - Nota: 8,0
7. LES CHANSONS D'AMOUR, de Christophe HONORÉ (FRANÇA) - Nota: 7,8
8. THE EDGE OF HEAVEN, de Fatih AKIN (ALEMANHA) - Nota: 7,8
9. ZODIAC, de David FINCHER (EUA) - Nota: 7,8
10. ALEXANDRA, de Alexander SOKUROV (RÚSSIA) - Nota: 7,4
11.DEATH PROOF, de Quentin TARANTINO (EUA) - Nota: 7,1
12. MY BLUEBERRY NIGHTS, de WONG Kar Wai (CHINA) - Nota: 6,8
13. 4 MONTHS, 3 WEEKS AND 2 DAYS, de Cristian MUNGIU (ROMENIA) - Nota: 6,5
14. WE OWN THE NIGHT, de James GRAY (EUA) - Nota: 6,5
15. TEHILIM, de Raphaël NADJARI (FRANÇA) - Nota: 6,3
16. THE BANISHMENT, de Andreï ZVIAGUINTSEV (RÚSSIA) - Nota: 6,0
17. UNE VIEILLE MAÎTRESSE, de Catherine BREILLAT (FRANÇA) - Nota: 6,0
18. PROMISE ME THIS, de Emir KUSTURICA (SÉRVIA) - Nota: 6,0
19. SILENT LIGHT, de Carlos REYGADAS (MÉXICO) - Nota: 5,8
20. IMPORT EXPORT, de Ulrich SEIDL (AUSTRIA) - Nota: 5,8
21. THE MAN FROM LONDON, de Béla TARR (HUNGRIA) - Nota: 5,8
22. BREATH, de KIM Ki-duk (CÓREIA DO SUL) - Nota: 5,4


Atrizes:
1. Jeon Do-yeon por SECRET SUNSHINE, de LEE Chang-dong (CÓREIA DO SUL)
2. Galina Vishveskaya por ALEXANDRA, de Alexander SOKUROV (RÚSSIA)
3. Anamaria Marinca por 4 MONTHS, 3 WEEKS AND 2 DAYS, de Cristian MUNGIU (ROMENIA)

Atores:
1. Mathieu Amalric por LE SCAPHANDRE ET LE PAPILLON, de Julian SCHNABEL (EUA/FRANÇA)
2. Javier Bardem por NO COUNTRY FOR OLD MEN, de Joel COEN & Ethan COEN (EUA)
3. Kurt Russell por DEATH PROOF, de Quentin TARANTINO (EUA)


(*)Avaliação feita pelos jornais Moyenne, Le Monde, Le Figaro, Libération, Télérama, TéléCinéObs, Figaroscope, Ouest France, Le Point & Paris Match até às 10hs do dia 27/05 - Sujeito à alterações conforme exibição de novos filmes.




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"Promise me This", de Emir Kusturica (SÉRVIA)


Competição Oficial - Palma de Ouro



Um filme de Emir Kusturica com Miki Manojlovic.

Cortesia: Télérama.fr



25.5.07

SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

A voz dissonante de Nicolas Klotz num mundo programado para dar certo


O tema é um dos mais fascinantes nas relações humanas. O departamento de recursos humanos, esse que seleciona, motiva e demite empregados em qualquer empresa, há tempos é objeto de estudos acadêmicos. O que ocorre é que muitos dos métodos empregados por departamentos de recursos humanos permanecem secretos e fazem parte dos arquivos confidenciais de grandes corporações.

São segredos assim que o filme francês "La Question Humaine", de Nicolas Klotz se dispõe a revelar. Klotz é o diretor dos filmes "Paria" (2000) e "La Blessure" (2004), ambos sobre a marginalidade que a estagnação econômica da França fez proliferar na última década. "La Question Humaine", diz Klotz, também conhecido do público da Mostra de São Paulo, encerra esta trilogia, mas agora com atenção voltada ao mundo dos ricos.

Nicolas Klotz segue dois caminhos paralelos nesta sua incursão no mundo programado para dar certo, de risco zero. Ele nos guia por dentro dos nervos da filial francesa de uma grande indústria petroquímica de origem alemã. A pedido do vice-presidente da companhia, o psicólogo responsável pela demissão e admissão de centenas de pessoas deve vasculhar a vida do seu próprio presidente com suspeita de insanidade mental.

O inquérito secreto revela a desenvoltura de dois grandes atores franceses - Mathieu Amalric como o psicólogo convencido de seu papel messiânico, e o veterano Michael Lonsdale como o patrão perturbado pelos fantasmas do passado.

É justamente esse passado que vem à tona com o inquérito encomendado. O passado da empresa tem ligações indeléveis com o regime nazista e mais uma vez a culpa alemã deixa escapar seus cadáveres mal sepultados. A trilha sonora do filme também representa seu papel inquisidor e perturbador. Ela vai dos clássicos de Schubert ao estranho cancioneiro sentimental espanhol, sem deixar de ser cúmplice com os novos ritmos, inclusive o techno. A 39ª Quinzena dos Realizadores, mesmo sendo ostensivamente protetora da produção francesa do ano, apresenta-nos importantes filmes como este de Nicolas Klotz.

Por Renata de Almeida e Leon Cakoff




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"We Own the Night, de James Grey (EUA)


Competição Oficial - Palma de Ouro



Um filme de James Gray, com Robert Duvall, Eva Mendes, Joaquin Phoenix, Mark Wahlberg & Christopher Walken.

Cortesia: Télérama.fr




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"Une vielle maîtresse" e "We Own the Night" frustram expectativas de críticos


Após várias produções terem fracassado ao tentar trazer inovações neste 60º Festival de Cannes, os filmes de hoje mudaram de estratégia e optaram por outra vertente, ficando à beira do ridículo.

"Une vielle maîtresse", da francesa Catherine Breillat, e o americano "We Own the Night", de James Gray, foram os filmes que tentaram enveredar por este viés - infelizmente.

Sobre a primeira produção, uma trama passional ambientada no século XIX e protagonizada por Asia Argento, o melhor que se pode dizer é que o resultado fica aquém do esperado, e isso escolhendo o adjetivo mais simpático em relação a Breillat.

Escritora com mais de 13 livros publicados e roteirista de filmes como "E la nave va", de Federico Fellini, Breillat se empenhou tanto para fazer este filme que nem o AVC que deixou todo um lado de seu corpo paralisado conseguiu impedi-la de concretizá-lo.

"Talvez seja um filme paraplégico", disse hoje com ironia e amargura Breillat (que nasceu em 1948), que ainda caminha com dificuldade, na entrevista coletiva após a exibição do filme, que foi pouco aplaudido.

Um aplauso que pode ser considerado também sinal de cortesia para a diretora, já que, durante toda a projeção, foram vistas pessoas saindo e outras gargalhando, sendo que todas estas reações ocorreram em momentos supostamente com alto teor dramático.

Breillat, que ganhou fama de tratar a sexualidade feminina a partir de um ponto de vista inovador nos 11 filmes feitos entre "Une vraie jeune fille" e "Une vieille maîtresse", não conseguiu, com a "velha amante" de 2007 chegar à altura da "jovem menina" de 1975.

Nesta história artificial, o único fator chocante foi Asia Argento, no papel de uma mulher fatal de Andaluzia - malaguenha, por alguns aspectos - que cumpre escrupulosamente todos os itens, como fumar cigarros à la Carmen e usar no cabelo pentes enfeitados e flores.

"Todos os cineastas tentam oferecer sua visão da mulher fatal, e esta é a minha", disse Breillat.

O ruim é que esta mulher fatal em questão, em uma cena de sexo, deixa que apareça uma tatuagem que Argento possui no cóccix e, em outra, dá asas à imaginação sobre se teria colocado implante de silicone nos seios, coisas pouco comuns no século XIX.

Como também é insólito que a imprensa do Festival de Cannes receba com vaias um filme por mais detestável que seja, como ocorreu na exibição de "We Own the Night", de James Gray.

Isso porque o filme do americano, que tenta vencer a Palma de Ouro pela segunda vez após concorrer em 2000 com "The Yards", tem um cenário correto, elementos de ambientação muito bonitos e algumas seqüências de ação interessantes.

No entanto, a história policial que trata das relações entre dois irmãos não traz nenhuma inovação frente aos outros filmes do gênero, pois desde a primeira cena é ridiculamente previsível o que ocorrerá em seguida.

O filme lembra bastante "Fuga para Odessa" (1994), a estréia de Gray, que falou hoje que, "se você tem sorte, faça o mesmo filme várias vezes", pelo menos quanto à temática.

"We Own the Night" é protagonizado pela espanhola Eva Mendes, pelo venerável Robert Duvall e por Joaquin Phoenix. Phoenix, aliás, apareceu hoje perante a imprensa hiperativo, fazendo caras e bocas, rindo descontroladamente e interrompendo com rápida verborragia seus companheiros, com o que parecia desempenhar ainda o papel do drogado que interpreta no início do filme.

"É um grande artista", disse Gray sobre o ator, assim que Phoenix o deixou falar mais de duas palavras em seqüência. "Foi assim todos os dias. Isso não era trabalhar, era lutar", acrescentou lacônico Duvall sobre seu colega de cena, que, entre gargalhadas, disse ser incapaz de levar a situação a sério.

O pior que pode acontecer é que ao público, o ator passou a mesma imagem que seu papel no filme.

Por Eliseo García Nieto - Agência EFE




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"Une Vieille Maîtresse", de Catherine Breillat (FRANÇA)


Competição Oficial - Palma de Ouro



Um filme de Catherine Breillat, com Asia Argento, Roxane Mesquida & Yolande Moreau

Cortesia: Télérama.fr




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"Secret Sunshine" estabelece um parâmetro espantoso de qualidade interpretativa


Coreana Jeon Do-yeon já é a dona antecipada do prêmio de melhor atriz ou o festival cometerá uma injustiça nessa categoria


Avisam as estatísticas que a maioria dos filmes vencedores da Palma de Ouro foi exibida na competição na quinta-feira anterior ao encerramento. Se a tendência se confirmar nesta 60a. edição do Festival de Cannes, o vencedor será "Secret Sunshine", do sul-coreano Lee Chang-dong, ou "Alexandra", do russo Alexander Sokurov, já que ambos têm suas sessões de gala nesta noite em Cannes.

Os dois títulos já foram exibidos para a imprensa e uma coisa precisa ser dita: ou a coreana Jeon Do-yeon já é a dona antecipada do prêmio de melhor atriz ou o festival cometerá uma injustiça nessa categoria. É fato que existem outras fortes candidatas, como Galina Vishveskaya, a Alexandra de Sokurov, e Anamaria Marinca, protagonista do romeno "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias".

Mas Jeon Do-yeon estabelece um parâmetro espantoso de qualidade interpretativa, para uma personagem (Lee Shin-ae) que sofre como poucas na historia do cinema. Depois de perder o marido num acidente de carro, Shin-ae decide se mudar com o filho pequeno de Seul para a cidade do interior onde o pai do garoto havia nascido e pretendia voltar. A "luz secreta" do titulo e o nome da cidade.

A chegada da forasteira aparentemente endinheirada desencadeia uma reação de cobiça e crueldade, responsável por outra tragédia na vida de Shin-ae. Em suma, Jeon Do-yeon passa o filme lidando com sentimentos que, segundo ela afirmou hoje aqui em Cannes, nunca sentiu nem sequer imaginou, antes de fazer o filme.

Lee Chang-Dong contou que está orgulhoso de ter seu filme na disputa, o que é um sentimento estranho para ele. A razão: "Sempre detestei competições, desde a escola. Tinha tanto medo de não ganhar, que preferia não concorrer."

"Secret Sunshine" tem um apoio (ou uma torcida) de peso. É o filme preferido de Pierre Rissient, que aconselhou os mais influentes jornalistas franceses a prestarem atenção no candidato sul-coreano. Pierre quem? Ele é "a personalidade mais desconhecida e mais influente do cinema internacional", segundo o Festival de Cannes, que exibiu nesta edição o documentário "Pierre Rissient - Homem de Cinema", dirigido pelo norte-americano Todd McCarthy.

Ainda segundo o perfil que o festival lhe dedica, Rissient foi assistente de Godard em "Acossado", descobridor para Cannes de Clint Eastwood e Jane Campion, além de muitos outros. "Figura-chave dos bastidores de Cannes durante mais de 40 anos, ele é também a única pessoa que circula pelo Palácio dos Festivais, a qualquer hora, vestindo camiseta." Os demais mortais, nas sessões noturnas de gala, só conseguem entrar no palácio se estiverem de smoking.

Por Silvana Arantes - Folha de São Paulo




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"13 Homens e um Novo Segredo", de Steven Soderbergh (EUA)


Seleção da Crítica



Um filme de Steven Soderbergh com Brad Pitt, George Clooney, Matt Damon e grande elenco

Cortesia: Télérama.fr



24.5.07

SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"Persépolis" mostra Irã em que ouvir Iron Maiden dá cadeia


Baseada na HQ de Marjane Satrapi, animação é a única concorrendo em Cannes. História acompanha menina adolescente que "briga" com Alá.


A única animação que concorre à Palma de Ouro, prêmio máximo do festival de Cannes, é "Persépolis", da quadrinista e agora cineasta iraniana Marjane Satrapi.

Autobiográfica, a história é baseada na graphic novel homônima da autora, que foi recentemente publicada no Brasil pela Companhia das Letras. Nascida no início dos anos 70, em uma família relativamente progressista, a pequena Marjane assistiu ao avanço Revolução Islâmica em seu país comandada pelo aiatolá Khomeini.

Os modos um tanto ocidentalizados com que foi criada passaram então a ser considerados crimes contra a pátria. Ouvir um "inocente" Iron Maden ou um cassete do Abba dava cadeia. Deixar uma mecha de cabelo cair sobre a testa, punição na certa.

Com ternura e humor, mas sem concessões, o filme narra a queda do xá Reza Pahlevi e a revolução que desembocou na tomada do poder pela hierarquia islâmica, vista pelos olhos de uma menina. Mais tarde, à medida que a personagem cresce, o olhar amadurece, para contar as esperanças de liberdade frustradas, a guerra, e a repressão ainda mais dura a que foram submetidas as mulheres no regime imperial. E, por fim, o exílio.

A seleção de "Persépolis" para Cannes gerou um protesto oficial das autoridades iranianas, que classificaram o filme de "quadro irreal das conseqüências e êxitos da revolução islâmica" e se perguntaram se não se tratava de um "ato político e mesmo anticultural". Marjane Satrapi se negou a comentar essa polêmica, limitando-se a dizer que considera que sua obra é "humanista e sem estereótipos" e que o público a julgará por si mesmo.

Marjane Satrapi procurou não dar importância excessiva aos protestos iranianos contra seu filme "Persepolis", pedindo que o público preste atenção a seus aspectos humanos, não aos políticos. "Acho que o público deve prestar atenção ao lado humano do filme", disse Satrapi, 37 anos, aos jornalistas numa coletiva de imprensa no festival.

As guerras e a briga pela exploração energética do país também têm destaque, mas a maior batalha da garotinha Marjane é contra Alá, deus que ela nem sempre entende. Por que ele permite que seu tio revolucionário seja executado se tudo o que ele quer é igualdade de direitos para o proletariado?

Marjane, à certa altura, manda seu deus passear. Mas quem vai embora é ela. Na adolescência, depois de quase ir presa por dizer à professora da escola que o "hijab" (o véu sagrado) não é garantia de respeito nenhum e que milhares de inocentes foram mortos durante uma guerra manipulada pelos ingleses, ela vai morar em Viena. É lá que, sem falar uma palavra de alemão, toma contato com o movimento punk, descobre o amor e, claro, leva o primeiro fora de sua vida. Contar mais é covardia. Contar menos é falar pouco desta tragicomédia iraniana - ainda sem previsão de estréia no Brasil.

Em todo o filme a personalidade da diretora é moldada pela guerra, pela falsidade do governo e a hegemonia cultural masculina. Os governantes iranianos são criticados, mas as democracias ocidentais também, por apoiarem o Xá e fornecer armas de guerra. Mas o objetivo principal de "Persepolis" é contar a história do amadurecimento de uma garota numa sociedade extremamente volátil.

Satrapi e o co-diretor Vincent Paronnaud usam um estilo divertido de animação e muito humor, acrescentando um toque leve a uma história que poderia ter sido um drama sombrio, segundo eles.

Estréia de Marjane e Vincen Paronnaud - que assina a co-direção - no cinema, "Persépolis" também concorre à Câmera de Ouro de Cannes, concedida à revelação do ano. Na animação, produzida com a técnica tradicional 2D, o preto-e-branco que predomina nas páginas da versão em quadrinhos ganha cores.

"Optamos por escolher contar os fatos do passado em tons p&b. E os do presente em cores. Isso dá o distanciamento necessário para que o leitor entenda o que está acontecendo", explica Paronnaud.

As vozes de Marjane e sua mãe no longa são feitas pelas também mãe e filha Catherine Deneuve e Chiara Mastroiani.

"Apesar de essa história não ter nada a ver com a minha realidade, me indentifiquei e me apaixonei pelo projeto. 'Persépolis' fala da vida de muitas garotas no mundo, não só das iranianas. E é uma historia belíssima e comovente", disse Catherine em entrevista coletiva em Cannes.

Os vencedores do festival só serão conhecidos no domingo, e é pouco provável que Marjane receba a Palma de Ouro. Mas só o fato de levar ao templo do glamour que é a Croisette o que passou uma adolescente iraniana nos anos 70 e 80 já é digno de todas as palmas.

Por Bob Tourtellotte (Reuters) & Flavia Guerra (Globo.com)




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"Auf der anderen Seite", de Fatih Akin (ALEMANHA)


Competição Oficial - Palma de Ouro



Um filme de Fatih Akin com Baki Davrak, Patrycia Ziolkowska & Hanna Schygulla

Cortesia: Télérama.fr




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

George Clooney aposta alto em "13 Homens e um Novo Segredo"


Os homens de "13 Homens e um Novo Segredo" -- Brad Pitt, George Clooney, Matt Damon e os outros -- chegaram a Cannes esta semana apostando nas chances de os críticos do festival, notoriamente intransigentes, darem a vitória a seu filme.

A sequência de "11 Homens" e "12 Homens", sobre um grupo de trapaceiros liderados por Danny Ocean (Clooney) e Rusty Ryan (Pitt) que enganam vilões para roubar seu dinheiro, fará sua estréia no maior festival de cinema do mundo nesta quinta e será lançado nos cinemas do mundo em junho.

Uma estréia em Cannes é um risco para uma grande produção de Hollywood, como "13 Homens", porque os críticos do festival tendem a apoiar filmes europeus, asiáticos e produções de arte americanas, relegando para o segundo plano os produtos de Hollywood.

Mas Pitt, Clooney e o restante da gangue defenderam "13 Homens," dizendo que é entretenimento puro e merece seu lugar em Cannes ao lado de trabalhos como "My Blueberry Nights", de Wong Kar Wai, que abriu o festival.

"Existem argumentos a favor de filmes profundos e que provocam reflexão e também a favor do entretenimento puro", disse Brad Pitt à Reuters.

Às vezes os críticos de Cannes se enganam ao interpretar o estado de ânimo do público, quando se trata de grandes produções hollywoodianas.

No ano passado, "O Código da Vinci" abriu o festival em meio a vaias em Cannes, resenhas negativas e manchetes que anunciavam sua recepção negativa.

Mas o filme acabou faturando 232 milhões de dólares em seu primeiro fim de semana em cartaz, após a estréia em Cannes, e ainda ocupa o quarto lugar no ranking das maiores estréias mundiais de todos os tempos.

Com anos de experiência, a equipe de "13 Homens" sabe muito bem que a máquina de marketing de Hollywood frequentemente é capaz de garantir grandes bilheterias, apesar de possíveis resenhas negativas em Cannes.

"13 Homens" não faz parte da competição principal em Cannes, logo não poderá concorrer à Palma de Ouro.

No filme, Danny Ocean reúne o grupo que inclui o intelectual Linus Caldwell (Matt Damon) e o ás mecânico Basher Tarr (Don Cheadle) para vingar-se do operador de um cassino em Las Vegas Willy Bank (Al Pacino).

Por Bob Tourtellotte (Reuters)




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"Sicko", de Michael Moore (EUA)


Competição Oficial - Palma de Ouro



Documentário de Michael Moore

Cortesia: Télérama.fr




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

Seqüência de "Contra a Parede" é bem recebida


"Auf Der Anderen Seite", que fala sobre a morte, se mostra forte candidato à Palma de Ouro


O 60º Festival de Cannes revelou ontem um forte candidato à Palma de Ouro, com a estréia de "Auf Der Anderen Seite" (do outro lado), do alemão de origem turca Fatih Akin, que teve a mais aplaudida sessão para a imprensa, desde o início da disputa, na última quarta.

"Auf Der Anderen Seite" ("O Outro Lado do Paraíso") é o segundo título da trilogia iniciada com "Contra a Parede", vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, em 2004. Enquanto o tema do primeiro filme era o amor, "visto não só no sentido da relação romântica, mas como sentimento de humanidade", como explica Fatih Akin, o novo longa trata da morte. O terceiro deverá abordar "o mal".

Dos seis protagonistas do filme, dois morrem, e o espectador sabe de antemão quais, porque o destino deles é anunciado num letreiro introdutório aos dois grandes "capítulos" em que o filme se divide.

A primeira parte do longa se passa na Alemanha e se concentra na história de um professor de literatura cujo pai, viúvo e idoso, decide se casar com uma imigrante que se tornou prostituta. Os três são de origem turca.

O foco seguinte, ambientado na Turquia, mostra as trajetórias da filha da prostituta -uma jovem ativista que vai presa sob acusação de terrorismo-, de sua namorada alemã, que se muda para Istambul para tentar ajudá-la, e da mãe desta última, interpretada pela atriz Hanna Schygulla.

"O que me atrai nesse roteiro é que os personagens que têm que digerir a morte do outro não ficam paralisados pela dor, mas seguem em frente, levando consigo os sonhos de quem se foi. Achei isso bonito, como um discurso contra a impotência", disse Schygulla.

A atriz diz que "a idéia de que vivemos rodeados não só pelos vivos mas também pelos mortos, que combina com Fassbinder, é rara num diretor tão jovem". Segundo Akin, "todos os personagens são partes" dele e de sua história.

A personagem ativista leva à trama o debate atual sobre o ingresso da Turquia na União Européia, como parte do cenário de conflitos político-econômicos do mundo globalizado. O impasse entre a Turquia e a União Européia foi citado pelo escritor turco Orhan Pamuk, vencedor do Nobel de literatura e membro do júri de Cannes, como uma questão que o deixa "triste e com raiva".

Para Akin, o êxito em Berlim, que fez dele um destaque da geração apontada como responsável pelo renascimento do cinema alemão, "abriu muitas portas, como a de Cannes, mas trouxe junto muita pressão".

O diretor diz estar consciente de que "havia a expectativa de que esse filme avançasse em relação ao anterior". E Cannes acolheu "Auf Der Anderen Seite" como o filme de seis personagens e um autor.

Por Silvana Arantes (Folha de São Paulo)




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"Go Go Tales", de Abel Ferrara (EUA)


Quinzena dos Realizadores



Um filme de Abel Ferrara com Willem Dafoe, Matthew Modine & Bob Hoskins

Cortesia: Télérama.fr



23.5.07

SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

Cannes ama Tarantino


Diretor norte-americano apresenta seu quinto filme, "Prova de Morte", e recebe tratamento de ídolo na Riviera francesa


Com seu quinto longa-metragem, "Prova de Morte", exibido na disputa pela Palma de Ouro, o diretor americano Quentin Tarantino voltou ontem, em grande estilo, ao berço de sua fama no cinema. Quando debutou no Festival de Cannes -com "Cães de Aluguel" (1992)- e quando venceu a Palma de Ouro -com o filme seguinte, "Pulp Fiction" (1994)-, era marca de Tarantino ser um liqüidificador de referências cinematográficas.

"Prova de Morte" sedimenta o caminho que o diretor seguiu desde então ("Jackie Brown" e os dois volumes de "Kill Bill"), transformando os filmes de Quentin Tarantino no gênero de um homem só. Como os demais filmes do autor, "Prova de Morte" é um pastiche de seus estilos, filmes e autores favoritos. E, como os demais, tem uma notória marca pessoal na forma da mistura.

Com gestos amplos, fala rápida e abundante e sorriso freqüente, Tarantino disse ontem em Cannes não acreditar num cinema feito para fãs de um único gênero de filmes.

"Não pretendo que meus filmes sejam melhores, mas quero que eles transcendam [os gêneros aos quais pertencem]. Tenho minha própria agenda."
Ele disse que o "ponto de partida" do novo filme foi a idéia de homenagear o "slasher movie", mas decidiu substituir a faca que rasga os personagens nesse tipo de filme pelo carro "à prova de morte" do título, que tem a bordo o vilão Stuntman Mike (Kurt Russel).

O modelo do carro só oferece imunidade ao motorista, e Mike se serve disso para se divertir matando mulheres, à custa de pé no acelerador e batidas, muitas batidas. De novo, Tarantino faz um filme seu jorrar sangue (tributo ao gênero "gore") e ainda aproveita para filmar uma alucinante perseguição de automóvel (ação pura).

"Prova de Morte" é a versão alongada -para 2h07, contra 1h35 original- da metade que Tarantino assina em "Grindhouse", já lançado nos EUA -com retorno de público abaixo do previsto. A outra metade é de Robert Rodriguez, que ficou fora de Cannes.

A escolha de repartir o filme e trazer apenas a parte de Tarantino a Cannes foi defendida pelo produtor Harvey Weinstein como "a decisão correta", para atrair atenção internacional a um projeto que, nos EUA, não saiu como o esperado.

A calorosa recepção que Tarantino teve em Cannes -com um expressivo número de jornalistas agindo como tietes, em busca de autógrafo e fotos- soa como um acerto de Weinstein.

"Tomara que o filme de Rodriguez vá para o Festival de Veneza, que está louco por ele", disse o produtor. Tarantino disse que "não é 100% correta" a idéia de que ele inovou o gênero de filme B em "Prova de Morte", ao lhe dar um traço feminista, com as mulheres na conquista do poder.

Para o diretor, o fato de as mulheres terem sido alijadas da vaga de heroínas na era do "exploitation" (60/70) diz respeito à história de Hollywood, mas não é comum ao resto do mundo do cinema.

"Prova de Morte", como "Grindhouse", é um filme de dupla face, interligado pela presença do vilão (Russel). No início, seu alvo é a DJ Jungle Julia (Sydney Tamiia Poitier, filha do ator Sidney Poitier) e a dupla de amigas com quem ela circula pela noite de Austin.

O jogo vira na segunda parte, quando Mike vai ao encalço de outro trio de garotas, agora no Tennessee, onde elas estão na folga das filmagens de um longa. Todas procuram se divertir com um elevado grau de aventura, já que uma delas é a dublê Zoe -de fato a profissional Zoe Bell, dublê de Uma Thurman em "Kill Bill".

O "papel" de Zoe não é o único aspecto em que "Prova de Morte" brinca com a filmografia de Tarantino. O cineasta lembrou que ser "auto-referente" é uma crítica que ouve sempre. "Desta vez decidi fazer um pouco mais disso, porque estávamos nos divertindo."

Os diálogos extensos e afiados, outra particularidade dos filmes de Tarantino, também estão em "Prova de Morte" e giram (abertamente) em torno das experiências sexuais das garotas, comentadas entre elas.

Tarantino escreveu palavra por palavra, e a atriz Tracie Thoms disse ter ficado pensando: "Como ele sabe que a gente conversa assim?". Tarantino e seu filme têm a torcida de parte da imprensa pela Palma. A que ele ganhou é "o maior orgulho" de sua carreira, diz. Mas, para ele, "só existe uma coisa mais seleta do que uma lista dos diretores que têm a Palma de Ouro: a lista dos que não têm".

Por Silvana Arantes - Folha de São Paulo




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"Persepolis", de Marjane Satrapi (IRÃ)


Competição Oficial - Palma de Ouro



Uma animação de Marjane Satrapi

Cortesia: Télérama.fr




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

Cannes aterroriza com filme de Barbet Schroeder


A Seleção "Un Certain Regard" é mais ou menos como o que o festival queria na sua seleção mas não cabe na competição. Bons filmes se destacam sempre nessa paralela do Festival de Cannes. Alguns são disputados igualmente pelas outras seleções, da "Quinzena dos Realizadores" e da "Semana da Crítica".

Mas "Un Certain Regard" parece sempre levar vantagem. Bastaria citar o explosivo e aterrorizante documentário de Barbet Schroeder, "The Terror´s Advocate". Em questão, o enigmático e perturbador papel histórico do advogado Jacques Vergès. Um ser estranho e de cinismo sofisticado que ganhou notoriedade ao defender no início da carreira a terrorista argelina Djamila Bouhired e a causa de libertação da Argélia da colonização francesa. Nessa época do pós-Segunda-Guerra, poucos argelinos, homens, mulheres ou crianças, tinham o privilégio de um julgamento como no caso de Djamila, que foi condenada a morrer na guilhotina. O filme de Schroeder lembra que em apenas uma repressão em Argel, as tropas francesas de ocupação devem ter matado perto de 40 mil civis.

Djamila, causa de manifestos e abaixo-assinados por todo o mundo, escapou da morte e se casou com este advogado. No rastro de Jacques Bergès há uma lacuna de sete anos. Seu desaparecimento é ligado a um período de colaboração com Pol Pot e seu sanguinário regime Kmer Vermelho.

Ao longo da carreira milionária o advogado parece ter mesmo vendido sua alma ao diabo. Defendeu indistintamente quase todos os ditadores africanos em tribunais internacionais e mais recentemente o "carrasco de Lyon", o nazista Klaus Barbie. Seus argumentos no filme por aceitar a defesa são de um cinismo revoltante. Ele não usa argumentos comuns de que todo mundo precisa de uma defesa. Ele atribui o seu gesto a uma oportunidade única de tirar do seu "cliente" confissões sobre o colaboracionismo dos militares franceses com as tropas de ocupação da Alemanha.

Mas antes de tudo isso teremos o advogado agindo com muita desenvoltura na defesa da causa palestina e de um nascente terrorismo que inundou a Europa de atentados nos anos 70 e 80, culminando por se tornar o advogado do terrorista mais procurado no mundo - Carlos, o Chacal, com suas ramificações no Oriente Médio, Alemanha Oriental e França. Segundo os arquivos secretos da competente espionagem da Alemanha Oriental, Jacques Vergès teria tido muitos encontros secretos com Carlos e vantagens de suas milionárias chantagens de extorsão com a Opep e outras organizações de estado e paraestatais.

Por Renata de Almeida e Leon Cakoff




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

O Furacão tarantino


CANNES: Depois do "Furacão Tarantino", e do seu Death Proof, na Competição Oficial de Cannes, nada ficará como antes! Há mesmo num determinado setor da crítica quem lhe atribuía já a Palma de Ouro, numa altura em que ainda faltam cerca de dez filmes para terminar a Competição.

O filme em si é um ensaio estilistico inspirado nos slashes movies dos anos 70 e, resume-se ao seguinte argumento: na primeira parte três sexys e formosas moças, primeiro num bar e depois num velho carro japonês dialogam longamente sobre temas de sexo, até que Mike, um paranóico ex-dublê de cinema (Ken Russel), com quem se tinham cruzado no bar, choca de frente e propositadamente contra elas na estrada, provocando uma sequência de cinema, ao nível mais extremo, com chapas, braços e pernas voando por todos os lados; na segunda parte outras três moças, agora mais radicais e menos ingenuas (entre elas Rosário Dawson e a neo-zelandeza Zoe Bell, que foi dupla de Uma Thurman em Kill Bill, e aparece agora como atriz, interpretando asi mesma), voltam aos diálogos sobre sexo, dentro de um Chevrolet Amarelo, parecido com o de Thurman em Kill Bill. Até que novamente o louco tenta atirá-las fora da estrada. Entretanto, numa extraordinária cena de perseguição de automóveis, o feitiço vira-se contra o feiticeiro e assim acaba o filme. Isto tudo com cortes bruscos na montagem, repetições, e uma cópia cheia de riscos, como é de praxe. O argumento é simples e minimalista, inspirado, sem ser demasiado revivalista nos filmes dos anos 70, - estão lá muitos filmes B, mas também, algo de "O Carro Assassino", de Steven Spielberg - sem um género especifico e com um toque de modernidade e uma trilha musical impecável, que o coloca mais no domínio de uma obra de arte contemporânea, do que do cinema, no seu lado artístico mais convencional. Gostando ou não, é impossível ficar indiferente à "Death Proof" que promete grandes cizões na crítica e no público.

Em relação aos filmes do dia, destaque para "Le Scaphandre et le Papillon", de Julian Schnabel (o realizador de "Antes do Amanhecer", sobre o escritor cubano Reinaldo Arenas), agora numa belíssima adapatação do livro autobiográfico de Jean-Dominique Bauby, um ex-diretor da revista Elle francesa e uma grande figura da moda, que repentinamente sofre um AVC, e fica paralizado e numa cadeira de rodas.É um filme duríssimo que nos mostra a perspectiva íntima de Bauby, a sua nova forma de ver o mundo, na sua situação de incapacitado, depois de uma vida cheia de experiências pessoais e profissionais. Le Scaphandre et le Papillon, e um filme pouco adequado aos mais impressionáveis, a todos os diretores de revista e a todos aqueles que lidam com deadlines e situações de stress diárias.

Da seção Un Certain Regard, chegou-nos Mister Lonely, de autoria de Harmonie Korine, o novo wonderboy do cinema norte-americano. É uma divertida história de um encontro de sósias de grandes íconos do cinema, e onde brilham dois jovens atores: Samatha Morton e Diego Luna. Para terminar uma referência para o regresso do realizador hungaro Bela Tárr e para a expectativa criada à volta desta adaptação cinematográfica algo convencional e já várias vezes tentada sem sucesso, de "O Homem de Londres" de George Simenon.

Por José Vieira Mendes (Premiere)




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

Atores dominam a temporada no 60.º Festival de Cannes


Além de Mathieu Amalric e Kurt Russell, os produtores DiCaprio e Brad Pitt


E no sétimo dia apareceu o melhor ator deste festival - o francês Mathieu Amalric, de L´Escaphandre et le Papillon, de Julian Schnabel. Mas poderia ser também o Kurt Russell de Death Proof, o novo Quentin Tarantino, por que não? Os atores dominaram a programação do 60.º Festival de Cannes nos últimos dias. No domingo, Leonardo DiCaprio veio aqui como produtor do documentário The 11th Hour. Na segunda, Brad Pitt também veio revelar seu lado de homem de negócios. Ele produz o novo filme de Michael Winterbottom, A Mighty Heart, interpretado por sua mulher, Angelina Jolie.

A 11ª Hora discute a ecologia, assunto com o qual Leo tem se comprometido nos últimos tempos - por isso ele apresentou o prêmio de documentário, na última entrega do Oscar, vencido por Uma Verdade Inconveniente, sobre a cruzada do ex-vice-presidente Al Gore contra o aquecimento da Terra. Brad vai diretamente à política - não que a ecologia não o seja -, mas A Mighty Heart trata do assassinato do jornalista americano Danny Pearl por jihadistas no Paquistão. O marido de Angelina Jolie foi sucinto - diz que quer produzir os filmes que tem certeza de que os diretores não o convidariam para fazer.

Atores, astros. Mathieu confessa que está parando com a carreira de ator para se concentrar na de diretor. Ainda bem que foi persuadido por Julian Schnabel a fazer O Escafandrista e a Borboleta. O filme baseia-se na história real do jornalista francês Jean-Dominique Bauby, ex-editor de Elle. Em 1995, Bauby sofreu um acidente cerebral e ficou privado da palavra e dos movimentos. Mathieu Amalric transmite a angústia desse homem prisioneiro do próprio corpo.

É fácil definir o filme de Schnabel como uma nova versão de Mar Adentro, de Alejandro Amenábar, com Javier Bardem. Fácil - mas não verdadeiro. No filme de Amenábar, o personagem luta pelo direito à morte, que vê como uma maneira de afirmar a vida. A luta de Bauby é por outra coisa. O extremo isolamento lhe dá uma outra percepção da vida. A família, o amor, tudo o que ele está perdendo passa a ocupar o primeiro plano. Sua luta, no limite, é pela linguagem, para se comunicar.

Mais do que Mar Adentro, O Escafandrista e a Borboleta talvez evoque o velho O Milagre de Anne Sullivan, de Arthur Penn, mas feito com outra preocupação. Bauby escreve, ou melhor, consegue ditar um livro, mas, até chegar lá, ele vive a metáfora do título. O escafandro, pesado, o puxa para o fundo do mar. Mas sua imaginação é uma borboleta querendo voar. Essa metáfora se aplica a Antes do Anoitecer, que Schnabel fez antes, com Javier Bardem como o escritor cubano Reynaldo Arenas.

O escafandro era lá outra coisa - o repressivo sistema político que discriminava duplamente Arenas, por ser gay e por ser contrário ao regime. Havia lá, também, uma borboleta querendo voar e isso não tem a ver necessariamente com a opção sexual do protagonista. O Escafandrista e a Borboleta é o melhor filme de Schnabel - melhor que Antes do Anoitecer. Aguarde - o filme será lançado no Brasil pela distribuidora Europa.

Coincidência, ou não, a Europa Filmes também deve distribuir Death Proof, que passa aqui em Cannes como Le Boulevard de la Mort. Tarantino conta a história desse sujeito bizarro, um dublê de cinema que mata mulheres com seu carro programado para destruir. O filme divide-se em duas partes. Na primeira, Russell caça - executa - quatro mulheres. Na segunda, o caçador vira caça, perseguido por outras três mulheres.

Death Proof integra um projeto de Tarantino e Robert Rodriguez para recuperar os programas duplos que, numa certa época, caracterizavam a produção B de Hollywood. Cada um fez o seu episódio e o filme, com o título de Grindhouse, foi um fiasco nos cinemas dos EUA. Para a competição de Cannes, o diretor de Pulp Fiction - Tempo de Violência ampliou a duração em mais de meia hora, até atingir 2h07.

A sessão de imprensa, rachou a platéia. Metade aplaudia, metade vaiava, no final. Pode ser uma coisa geracional. Os jovens adoraram o trash de Tarantino, a sua sensualidade, os longos diálogos. Os mais velhos acharam divertido, eventualmente, mas, no limite, uma bobagem e o feminismo do autor...? Francamente.

Kurt Russell, de qualquer maneira, está sensacional. Tarantino adora resgatar atores com o prestígio lá embaixo. Lembram-se de John Travolta, de Pam Grier, de David Carradine? O que Pulp Fiction, Jackie Brown e Kill Bill fizeram por eles, Death Proof poderá fazer por Russell.

Por Luis Carlos Merten - Estado de São Paulo




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

"Mister Lonely", de Harmony Korine (EUA)


Mostra "Um Certo Olhar"



Um filme de Harmony Korine, com Diego Luna, Denis Lavant & Samantha Morton

Cortesia: Télérama.fr



22.5.07

SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

Novo filme de Andrzej Wajda investiga o passado polonês e resgata a memória do próprio pai-herói


A Polônia está em guerra declarada ao seu passado e contra os colaboracionistas do antigo regime comunista. O cinema tenta acompanhar estes novos movimentos e já nos acena com pelo menos uma curiosa obra sobre estes novos tempos de revisionismo histórico. A novidade que se anuncia para o 60º Festival de Cannes, ainda em sessão privada para convidados, tem a assinatura do mestre Andrzej Wajda, justamente um dos nomes mais respeitáveis da inteligência polonesa que lutou com todos os seus meios e filmes contra o terror e a influência soviética em seu país.

"Post Mortem", produzido pela Televisão Polonesa, vai ser exibido uma única vez no mercado do festival de Cannes. Justifica-se a restrição porque o novo filme de Wajda ainda está em fase de finalização, de pós-produção. Este será o primeiro longa-metragem assinado pelo cineasta desde o Oscar honorário que recebeu da Academia de Hollywood em 2000.

Wajda é um dos principais nomes do cinema do leste europeu. É precursor do movimento semelhante ao nouvelle vague que ditou as tendências também do cinema francês nos anos 60. Ganhou notoriedade internacional com "Canal" (1957, Prêmio da Crítica no Festival de Cannes) e "Cinzas e Diamantes" (1958 - Prêmio da Crítica no Festival de Veneza). Em 1980 seu "O Maestro", sobre um músico em crise criativa frente às pressões e burocracias do socialismo foi o filme de abertura da 5ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, depois de vencer o Urso de Prata no Festival de Berlim.

No ano seguinte "O Homem de Ferro" venceu a Palma de Ouro em Cannes e revelou para o mundo o surgimento de um movimento sindical inédito em um país de regime comunista, nos estaleiros de Gdansk, liderado pela nova estrela da mídia mundial Lech Valessa.

Agora, com "Post Mortem" Wajda parece querer ir ainda mais fundo em denunciar abusos de autoritarismo no seu país, desde os tempos da invasão da Polônia pelos nazistas da Alemanha até a sua libertação e ocupação pelo exército soviético. O novo filme é parcialmente baseado na história de sua própria família e resgata a heróica memória de oficiais poloneses executados na floresta de Smolensk em 1940. Este vai ser o primeiro filme polonês a apresentar as provas históricas sobre a execução de milhares de vítimas inocentes, entre as quais o próprio pai de Wajda.

Segundo o material promocional do filme "Esta é uma história de patriotismo e de amor mais forte que o medo, uma história de bravos poloneses que arriscaram suas vidas para salvar uma nação, revelando para o mundo fatos desconhecidos depois de mais de 60 anos. Wajda colocou toda a sua paixão neste projeto e assistir ao filme vai significar um entendimento da dor que o acompanha por toda a sua vida."

"Deus deu para este diretor dois olhos", diz Wajda. "Um para olhar através da câmera, e outro para estar alerta sobre todas as coisas que estão acontecendo à sua volta". Esta é a mensagem inicial no seu sítio oficial http://www.wajda.pl que merece ser visitado.

Por Renata de Almeida & Leon Cakoff




SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007

Gus Van Sant retorna a Cannes com "Paranoid Park"


A preferência do diretor Gus Van Sant por atores jovens e amadores e as imagens oníricas de skatistas em ação definem seu filme mais recente, "Paranoid Park", em exibição no Festival de Cinema de Cannes.

O filme conta a história de Alex, um skatista de 16 anos que se esforça para encarar sua própria vida e a das pessoas que o cercam, depois de ele acidentalmente provocar a morte de um segurança.

"Paranoid Park" emprega sobretudo atores desconhecidos, incluindo muitos que nunca antes haviam atuado. Para escolher os atores, foram afixados cartazes em lojas de música e usados anúncios no site MySpace e em jornais locais.

"Gosto realmente de trabalhar com atores não profissionais porque desse modo experimento coisas que são naturais para eles e filmo esse lado deles, em lugar de começar a criar do nada", disse Van Sant após a sessão em que "Paranoid Park" foi exibido para a imprensa, na segunda-feira.

Alex (o novato Gabe Nevins), desliza pelo filme todo impassível, aparentemente fora de contato com sua namorada (Taylor Momsen) e um detetive (Dan Liu).

Depois de "Elefante", o filme de Van Sant sobre o tiroteio na escola Columbine que recebeu a Palma de Ouro em 2003, "Paranoid Park" lança uma luz muitas vezes onírica sobre as pistas de concreto para skate e os shopping centers frequentados por seus jovens protagonistas.

A ação é destacada por uma trilha sonora que inclui desde melodias de trilhas de filmes de Fellini até o que Van Sant descreve como a "música concreta" de uma rádio local.

Seu estilo caracteristicamente fluido, apoiado pela direção de fotografia de Christopher Doyle, ressalta os movimentos fluidos dos skatistas no parque, frequentemente em câmara lenta, destacando as emoções introvertidas e desapegadas de Alex e seus amigos.

Doyle, que ganhou fama por seu trabalho com o diretor chinês Wong Kar Wai, disse que ele e Van Sant procuraram uma maneira de retratar aproximadamente a experiência física e emocional da prática do skate.

Mas, além dos movimentos graciosos dos skatistas, Van Sant transmite um clima inquieto e perturbador que envolve uma juventude urbana que, com apenas uma exceção, parece estar voltada para longe do mundo externo e ser indiferente ao futuro.

Por James Mackenzie (Reuters)