![]() TOP10 SPOILER 1. Ratatouille 2. Paris, Te Amo 3. Treze Homens e um Novo Segredo 4. Harry Potter e a Ordem do Fênix 5. O Despertar de uma Paixão 6. Zodíaco 7. Lady Vingança 8. Shrek Terceiro 9. Ventos da Liberdade 10. Homem-Aranha 3 TOP3 JANEIRO 1. Babel 2. Apocalypto 3. Diamante de Sangue TOP3 FEVEREIRO 1. Pecados Íntimos 2. Cartas de Iwo Jima 3. A Rainha TOP3 MARÇO 1. Notas Sobre um Escândalo 2. O Cheiro do Ralo 3. 300 TOP3 ABRIL 1. Vermelho como o Céu 2. Ventos da Liberdade 3. Miss Potter TOP3 MAIO 1. Lady Vingança 2. Homem-Aranha 3 3. Nome de Família TOP3 JUNHO 1. O Despertar de uma Paixão 2. Zodíaco 3. 13 Homens e Outro Segredo TOP10 CURTAS 1. O Nosso Livro 2. As Coisas que Moram nas Coisas 3. Alguma Coisa Assim 4. Balada das Duas Mocinhas de Botafogo 5. Yansan 6. Crisálidas 7. Tyger 8. Aquele Cara 9. Lady Christhiny 10. Meu Namorado é Michê OS BONS COMPANHEIROS Casa com Design Devaneios da Linda Dios Mio! Espalhafatos Gandalf Impressões de Ontem Levando a Vida Mandamos Você... Mi Casa, Su Casa Necrosis Pernambaiano Primado do Opinante Ramsés Séc.XXI Sara Mello Sur Le Divan d´Amelie Poulain Tricotando Vindaloo With Out Trace CINEMA PARADISO Blog do Sergio Dávila Blog do Vinícius Pereira Caderno Cinemeiro Cine na Veia Cinefilo On-Line Cinema Mon Amour Cinematógrafo XXI Cool 2 Ra Epílogo Filmes do Chico Hollywoodiano Ilustrada Império Cinéfilo Laranja Digital Pasmos Filtrados Punch Drunk Movies Revista de Cinema Tarantino The Cave Under Pressure UM TIRO NO ESCURO Alguns Adendos Antenado Blog Kálido BrainStorm #9 Brasil! Brasil! Cabeça de Batata Cambalhota Caminhar Circulando Depósito do Calvin Diário Evolutivo El Collage Gisele Christensen Gorduchas Gostosas Mais dos Mesmos Obnubilado Pensar Enlouquece Pra Hoje Realidade Torta Sara Mello Sounds of Silence Tudo Vai Mudar... Verdes Verdades TERRA ESTRANGEIRA Sundance - Sundance film festival Berlinale - Internationale filmfestspiele Berlin Tribeca - Tribeca Film Festival It's all true - International Documentary Film Festival Cannes - Festival international du film Annecy - Festival international du film d´animation Animamundi Valência - Mostra de Valencia Cinema del Mediterrani Locarno - Festival Internazionale del Film Locarno Gramado - Festival de Cinema Brasileiro e Latino Curtas - Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo Saravejo - Sesti dan Saravejo Film Festivala Veneza - Mostra D'arte Cinematografica di Venezia Toronto - Toronto film festival São Sebastian - Festival Internacional de Cine Donostia San Sebastian Rio - Rio de Janeiro Int´l Film Festival Nova York - New York film festival São Paulo - Mostra BR de Cinema MONDO OSCAR Alfred - Liga dos Blogs Cinematógraficos Oscar - Acadêmia de artes e ciências de Hollywood Globo de Ouro - Hollywood foreign press association National Board of Review Independent Spirit Awards American Film Institute BAFTA - British Academy of Film and and Television Arts BFCA - Broadcast Film Critics Association |
27.4.07
SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007
Semana da Crítica de Cannes mostrará três produções brasileiras A Semana Internacional da Crítica (de 17 a 25 de maio) do Festival de Cannes deste ano contará com a participação de um longa e dois curtas-metragens brasileiros. Os filmes integrarão uma seleção de produções da América Latina.
Os representantes brasileiros são o longa "A Via Láctea", de Lina Chamie, e os curtas "Um Ramo", de Juliana Rojas e Marco Dutra, e "Saliva", de Esmir Filho. Mostra paralela do Festival de Cannes, a Semana da Crítica tem como "embaixador" de sua 46ª edição o ator mexicano Gael García Bernal. No entanto, "o tom latino-americano da programação da Semana neste ano não se deve ao convite a Gael para ser embaixador", mas o contrário, declarou Jean-Christophe Berjon, delegado geral da Semana, pouco após o anúncio da seleção. "A Semana escolhe seus filmes mediante um comitê em que todos os membros têm o mesmo peso. Eu não decido sozinho. E neste ano a primeira escolha de cada um deles continha vários filmes latinos. Para ser honesto, poderíamos ter feito uma seleção exclusivamente latina", porque o "cinema jovem na América Latina está em plena ebulição" e a qualidade das obras recebidas "nos deixou surpresos e convencidos". "Uma vez que vimos que a edição seria latina, a proposta de Gael como embaixador ficou mais forte", acrescentou. "Déficit", primeiro filme dirigido por Gael García Bernal, faz parte da homenagem ao ator mexicano. Diante da qualidade do cinema latino-americano, "pode parecer paradoxal que na seleção oficial no concurso do Festival de Cannes só tenha um único filme da região ("Luz Silenciosa", do mexicano Carlos Reygadas), mas a contradição é só aparente", afirmou Berjon, que mencionou problemas de calendário dos cineastas confirmados após uma forte presença no ano passado. "Quanto aos diretores jovens, a Semana lhes fornece um espaço ideal para que se conheçam. Nós acreditamos que temos aqui uma geração que tem algo a dizer", comentou. Berjon falou com entusiasmo de cada um dos filmes selecionados, em que o tema da identidade é recorrente. "A Via Láctea", da brasileira Lina Chamié, é um filme "totalmente diferente de qualquer outro", um "fogo de artifício cinematográfico que pode desconcertar o espectador, mas também entusiasmá-lo". "Párpados Azules", do mexicano Ernesto Contreras, é um "filme desesperado sobre a identidade de pessoas que se sentem mal, mas não é uma obra dura e sim agridoce". "XXY", da argentina Lucía Puenzo, trata "de um caso clínico narrado de forma original e novelesca". Mas, "em outro nível, é uma parábola magnífica sobre a identidade no momento de passagem para a idade adulta". "O Assaltante", do argentino Pablo Fendrik, um "exercício de estilo impressionante, mas não gratuito", em que o espectador "é apanhado pelo personagem", foi um verdadeiro "impacto" para os selecionadores. "Malos Hábitos", do mexicano Simón Bross, é um filme "brilhante e singular". A presença latino-americana na Semana se completa com os dois curtas brasileiros: "Um Ramo", de Juliana Rojas e Marco Dutra, e "Saliva", de Esmir Filho. O delegado geral da Semana elogiou dois filmes espanhóis da seleção: "El Orfanato", de Juan Antonio Bayona, e "Yo", de Rafa Cortés. Com duas exceções, todas as obras selecionadas este ano são trabalhos de iniciantes, o que confirma a vocação para descobrir novos talentos da Semana da Crítica, a sessão paralela mais antiga do Festival de Cannes.Entre os diretores que a Semana revelou, estão o mexicano Alejandro González Iñárritu, com o filme "Amores Brutos", com García Bernal como protagonista, selecionado e premiado em 2000. Muitos outros diretores hoje considerados grandes cineastas foram descobertos nesta mostra, entre eles Bernardo Bertolucci, Barbet Schroeder, Ken Loach, François Ozon e Wong Kar Wai. Seleção da Semana da Crítica do Festival de Cannes"Heros", de Bruno Merle (França) "Expired", de Cecilia Miniucchi (EUA) "A Via Láctea", de Lina Chamie (Brasil) "Párpados Azules", de Ernesto Contreras (México) "XXY", de Lucía Puenzo (Argentina/França/Espanha) "Meduzot", de Etgar Keret e Shira Geffen (Israel/França) "Voleurs de Chevaux", de Micha Wald (Bélgica/França) "Nos Retrouvailles", de David Oelhoffen (França) "Funukedomo, Kanashimi No Ai Wo Misero", de Daihachi Yoshida (Japão) "Malos hábitos", de Simón Bross (México) "Déficit", de Gael García Bernal (México) "El Asaltante", de Pablo Fendrik (Argentina) "El Orfanato", de Juan Antonio Bayona (Espanha) "A l'Intérieur", de Julien Maury e Alexandre Bustillo (França) "The Mosquito Problem and Other Stories", de Andrey Paunov (Bulgária), documentário "Yo" de Rafa Cortés (Espanha) "Ezra", de Newton Aduaka (França/Áustria/Nigéria) Da Agência AFP 24.4.07
SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007
Cannes anuncia 22 filmes em competiçãoWong Kar-wai, que ganhou o prêmio de diretor em 1997, abre a disputa. Brasil fica fora da corrida pela Palma de Ouro e norte-americanos têm presença forte; novo filme de Michael Moore é "hors-concours" Foi divulgado na semana passada, a lista completa com os 22 filmes escolhidos para competir pela Palma de Ouro do 60º Festival Internacional de Cinema de Cannes, que acontece de 16 a 27 de maio na cidade francesa.
Para a noite de abertura, o presidente do júri deste ano, Stephen Frears, escolheu "My Blueberry Nights", do presidente do júri do ano passado, Wong Kar Wai. Este é o primeiro projeto do cineasta chinês feito em língua inglesa e tem no papel principal a cantora Norah Jones, como uma jovem que sai pelos Estados Unidos à procura das respostas para o seu coração. Estão no elenco ainda astros como Jude Law, Tim Roth, Natalie Portman, Ed Harris e Rachel Weisz. Outros destaques da competição são os novos de David Fincher ("Zodíaco"), irmãos Coen ("No Country for Old Men"), Tarantino ("Death Proof"), Gus Van Sant ("Paranoid Park") e ainda "Persépolis", que adapta para a sétima arte os quadrinhos da iraniana Marjane Satrapi. O documentarista Michael Moore, vencedor da Palma com "Fahrenheit 11 de Setembro", exibe fora de competição "Sicko", a respeito da assistência médica nos Estados Unidos. Também fora de competição estão "13 Homens e um Novo Segredo" (Steven Soderbergh), e "A Mighty Heart" ("Um Coração Forte"), do inglês Michael Winterbottom, em que Angelina Jolie vive a viúva do jornalista norte-americano Daniel Pearl, decapitado por terroristas islâmicos no Paquistão.O filme de encerramento será "L'âge des ténèbres" de Denys Arcand, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por "As Invasões Bárbaras". Na seção paralela "Um Certo Olhar" está "El Baño del Papa" ("O Banheiro do Papa"), produção da brasileira O2 Filmes, de Fernando Meirelles, rodada no Uruguai, pelo brasileiro-uruguaio Cesar Charlone e por Enrique Fernandez. A competição de curtas da Cinéfondation, dedicada a filmes de estudantes, tem "Saba", de Thereza Menezes e Gregório Graziosi, inscrito pela Faap, de São Paulo. O norte-americano de origem brasileira Antonio Campos, que já venceu pela Cinéfondation, está na competição oficial de curtas com "The Last 15" ("Os Últimos 15"). O júri, presidido pelo cineasta britânico Stephen Frears, terá as atrizes Maggie Cheung (chinesa), Toni Collette (australiana), Maria de Medeiros (portuguesa) e Sarah Polley (canadense), o francês Michel Piccoli, os cineastas Marco Belocchio (italiano) e Abderrahmane Sissako (mauritano) e o escritor turco Orhan Pamuk. O pôster deste ano é uma composição de fotos tiradas por Alex Majoli e montada por Christophe Renard. Estão pulando: Pedro Almodóvar, Juliette Binoche, Jane Campion, Souleymane Cissé, Penelope Cruz, Gérard Depardieu, Samuel L. Jackson, Bruce Willis e Wong Kar Wai. Filmes em Competição"My Blueberry Nights", do chinês Wong Kar-wai "Auf Der Anderen Seite", do alemão Faith Akin "Une Vieille Maîtresse", da francesa Catherine Breillat "No Country for Old Men", dos norte-americanos Joel e Ethan Coen "Zodiaco", do norte-americano David Fincher "We Own the Night", do americano James Gray "Les Chansons d'Amour", do francês Christophe Honoré "Mogari No Mori", da japonesa Naomi Kawase "Breath", do sul-coreano Kim Ki Duk "Promise me This", do sérvio Emir Kusturica "Secret Sunshine", do sul-coreano Chang-dong Lee "4 Luni, 3 Saptamini Si 2 Zile", do romeno Cristian Mungiu "Tehilim",do francês Raphaël Nadjari "Stellet Licht", do mexicano Carlos Reygadas "Persépolis", dos iranianos Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi "Le Scaphandre et le Papillon", do norte-americano Julian Schnabel "Import Export", do austríaco Ulrich Seidl "Alexandra", do russo Alexander Sokurov "Prova de Morte, do norte-americano Quentin Tarantino "The Man from London", do húngaro Béla Tarr "Paranoid Park", do norte-americano Gus Van Sant "Izghnanie", do russo Andrey Zvyagintsev Por Marcelo Forlani (Omelete) & Redação da Folha de São Paulo 15.4.07
SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007
A Palma de LoachGrande vencedor de Cannes, maior festival de cinema do mundo, estréia o político "Ventos da Liberdade" Num encontro social de realizadores com os júris do Festival de Cannes do ano passado, Ken Loach estava mais interessado em falar sobre a crise do mensalão do que sobre seu filme "The Wind That Shakes the Barley", que agora estréia no Brasil, quase um ano depois, com o título de "Ventos da Liberdade". Em dois ou três festivais anteriores (Berlim e Cannes), Loach já estava interessado no Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva. Para um autor com seu perfil de esquerda, o Brasil virara um laboratório a ser examinado com toda atenção. Em maio do ano passado, a preocupação era mais que justificada. Loach queria saber se Lula ainda tinha base popular e se a crise não era forjada pela imprensa 'burguesa'. Mas ele estava feliz com a acolhida a "Ventos da Liberdade".
Foi o primeiro filme da competição, exibido na primeira sessão para a imprensa. No fim, "Ventos da Liberdade" ganhou a Palma de Ouro que Loach vinha perseguindo havia anos. 'Foi um filme que ficou conosco e ao qual voltávamos sempre, não apenas por sua alta qualidade como cinema, mas pelo grau de comprometimento social e político', justificou o presidente do júri, Wong Kar-wai, autor do visceral "Felizes Juntos" e dos elegantes "Amor à Flor da Pele" e "2046", filmes que, aparentemente, não têm nada a ver com a estética engajada de Loach. "Ventos da Liberdade" foi o filme que Loach quis fazer durante dez anos. Situa-se na Irlanda, nos anos 20. Em 1990, ele já havia lançado uma verdadeira bomba na Croisette, ao apresentar Agenda Secreta, sobre as mirabolantes atividades dos serviços secretos britânicos na Irlanda do Norte. O alvo de Agenda Secreta era o thatcherismo - Loach, como Stephen Frears, via na Dama de Ferro, a conservadora Margaret Thatcher, uma inimiga da liberdade disfarçada de heroína da economia de mercado. O objetivo, agora, é outro. Loach, por linhas tortas, quer falar sobre Tony Blair, que também já recebeu uma sutil farpa de Stephen Frears em "A Rainha". Lembram-se? Ao salvar a monarquia britânica, Blair, no filme de Frears, goza de uma popularidade excepcional, mas a rainha (Helen Mirren) lhe diz que se prepare para o gosto amargo da rejeição do público, que veio agora, e por outro motivo. A crítica, tanto de Loach quanto de Frears, vale destacar, é ao poder, mais do que a conservadores ou trabalhistas. Ventos da Liberdade conta a história deste jovem, Damien, que integra uma brigada de combate aos ocupantes britânicos. É interpretado por Cillian Murphy, ator que também está presente em outra estréia de hoje nos cinemas brasileiros, Sunshine - Alerta Solar, de Danny Boyle. Como toda guerra, a da Irlanda foi marcada por todo tipo de atrocidades. Uma guerra fratricida, que terminou por lançar irmão contra irmão. Após a violência dos combates, que tipo de diálogo é possível desenvolver com os opressores? Como e o que negociar. Ken Loach repetiu diversas vezes em Cannes que não quis fazer um filme antibritânico e sim, um filme crítico ao imperialismo de Sua Majestade. Como ele disse, 'se discutirmos os erros da administração que gerenciou aquela crise no passado, talvez possamos discutir, também, os erros da atual, no gerenciamento desta outra crise'. E dê-lhe pancada no premier Tony Blair, o trabalhista que salvou a monarquia em nome da preservação das instituições e, mais recentemente, provocou polêmica ao se alinhar ao presidente George W. Bush, na questão do Iraque. O último ano não melhorou nada a situação na região e Blair enfrentou há pouco a crise dos britânicos presos no Irã - e que admitiram, depois, estar em missão de espionagem. 'A luta de um país pela liberdade se tornou um tema recorrente nas telas', explicou o veterano Loach, 71 anos de idade e 39 de carreira no cinema, iniciada por A Lágrima Secreta (Poor Cow), em 1968. 'É sempre oportuno tratar do assunto porque volta e meia exércitos de ocupação estão se instalando nos mais variados países, sob os mais variados pretextos, e provocam a reação das populações.' Em maio de 2006, ele foi incisivo - 'Não preciso dizer em que lugar a Grã-Bretanha tem hoje, e ilegalmente, um exército de ocupação.' Para Loach, a guerra da Irlanda do Norte, que originou filmes como O Delator, de John Ford, e A Filha de Ryan, de David Lean, é um assunto que ainda não está resolvido no imaginário coletivo dos britânicos. Como disse o ator Cillian Murphy, 'este não é apenas mais um filme. Acho que as famílias de todos os envolvidos na produção e na realização tinham laços com essa história. Todos nós temos um avô, ou bisavô, que lutou ou foi morto na Irlanda.' E Loach acrescentou - 'As autoridades, em qualquer época, sempre tentaram nos fazer crer que o assunto é indesejado, mas eu acho que é uma história excepcional, que nos permite tirar conclusões sobre outras guerras de ocupação.' Esse mesmo mal-entendido, ou má-fé, costuma ser aplicado(a) a seu cinema. 'Porque fico falando de revolução e utopia, também querem, muita gente, fazer crer que é um cinema anacrônico, principalmente neste mundo globalizado em que vivemos.' Bem mais tarde, ao agradecer pela Palma de Ouro, Loach falou de sua felicidade de estar recebendo o prêmio mais importante da maior festa de cinema do mundo. 'Espero que nosso filme seja um pequeno passo no sentido de levar os britânicos a acertar contas com seu passado imperialista. Se nós ousaremos encarar a verdade sobre o passado, talvez tenhamos a força de encarar a verdade também sobre o presente.' Ken Loach vai (novamente) à guerraEra a oitava vez que Loach, 70, competia pela Palma de Ouro. Foi a primeira em que venceu. O retrospecto do cineasta em Cannes evidencia algumas de suas características - Loach produz com regularidade, desfruta de prestígio internacional e é adepto da abordagem dos grandes temas pela perspectiva do drama individual. Em "Terra e Liberdade" (1995), que recebeu o prêmio da crítica, Loach já se havia debruçado sobre uma guerra civil -a espanhola. No discurso de agradecimento à Palma de Ouro por "Ventos da Liberdade", ele acentuou o principal aspecto de sua obra - que é o de ser indissociável de sua visão política, à esquerda. "Esperamos que nosso filme signifique um pequeno passo na relação dos britânicos com seu passado imperialista. Se ousarmos dizer a verdade sobre o passado, talvez ousemos dizer a verdade sobre o presente". Na entrevista a seguir, feita por telefone, de Londres, Loach volta a falar do "império britânico" e de seu filme. Spoiler: O sr. é tido como um cineasta engajado. Com "Ventos da Liberdade", quis relatar um fato histórico para chamar à reflexão sobre o momento atual? Ken Loach: Não é bem assim, porque senão o filme seria uma peça de propaganda. O que tentei fazer foi narrar o que aconteceu e tentar captar a experiência das pessoas que viveram isso, o tipo de escolhas que tiveram de fazer, levando em conta o heroísmo que demonstraram, para lutar por seu país. Spoiler: Por que decidiu contar essa história pela perspectiva de uma relação familiar, entre dois irmãos? Loach: Os grandes dramas são usualmente histórias de família. Falar da guerra civil numa família me pareceu a maneira mais curta de contar a história e de torná-la dolorosa. Instintivamente, achávamos que precisávamos tratar de uma relação muito próxima que seria rompida pela guerra civil. Quer dizer, eles poderiam ter sido grandes amigos, se tivessem sido irmãos em outro tempo. Outra coisa que eu quis foi que os dois fossem homens íntegros, que não houvesse um bom e um mau. Acho que os dois tinham razão, a seu modo. Spoiler: Há um paralelo possível entre a guerra civil irlandesa e a Guerra do Iraque? Loach: Há muitos aspectos diferentes entre elas, mas um similar: o fato de haver uma ocupação do exército frontalmente contrária ao desejo do povo. Logo, há uma espiral de violência, porque o exército é atacado e reage com ainda mais violência. Tudo se torna cada vez pior. Uma lição que deveríamos ter aprendido é que uma ocupação militar num país estrangeiro vai ser um desastre. Outro aspecto é que os ingleses estavam na Irlanda como parte do império. A Irlanda era colônia britânica. Americanos e ingleses estão no Iraque como parte do império americano. Spoiler: O sr. assinou um documento de apoio ao governo Lula... Loach: [Interrompendo] No começo, sim. Acho que houve problemas [no governo]. Não houve? Mas não posso falar como se fosse um especialista, estando no outro lado do mundo. Spoiler: Qual sua expectativa para o segundo mandato de Lula? Loach: O que posso dizer é que ficamos todos muito felizes no começo, quando Lula ganhou, pela vitória do Partido dos Trabalhadores. E, depois, bastante tristes, com as cisões no partido. Imagino que seja muito difícil resistir à agenda neoliberal, aos EUA, aos grandes bancos. Sempre temos esperança de que, quando a esquerda vença, ela continue com uma política de esquerda. Parece que houve problemas nesse sentido. Pensando na História para entender o mundoPor que se dedicar a filmes políticos e/ou históricos hoje em dia? Deve ser essa a pergunta feita sempre que o britânico Ken Loach prepara um novo projeto. De alguma forma, ele deve respondê-la de maneira satisfatória aos seus produtores porque, a cada vez, lá vem ele com esse mesmo tipo de temática tida como ultrapassada pela moda do cinema (há, sim, uma moda cinematográfica, como existe moda nas roupas, na literatura, na música, na culinária, quem sabe até na sexualidade). E lá vem Ken Loach com seus assuntos estranhos: os problemas da classe operária britânica, a Guerra Civil Espanhola, a guerrilha da Nicarágua, os ferroviários sem emprego, faxineiras latinas em apuros nos Estados Unidos, etc. Quem se interessa? Muita gente, a julgar pela coerência da carreira desse inglês nascido em 1936 e que se empenha em fazer um cinema social como se acreditasse em cada filme seu como modesta contribuição para a mudança de um mundo do qual ele não gosta. E, se continuou fazendo esses filmes sob Margareth Thatcher, por que não continuaria a fazê-los sob Tony Blair, o aliado automático de Bush? Neste Ventos da Liberdade (no original The Wind that Shakes the Barley), Loach e seu roteirista de sempre, Paul Laverty, retornam aos anos 1920, na Irlanda, quando começa a luta armada contra a ocupação inglesa no país. Por um lado, existe a multiplicidade de personagens, pois o que importa é a ação social e nem tanto o indivíduo. Por outro, o drama pode também ser descrito a partir de dois irmãos, um deles já engajado na resistência aos ingleses, o outro um estudante de medicina que deseja apenas cuidar da própria vida e da saúde alheia. Pelo menos até o momento em que testemunha um ato de barbárie e tortura do invasor inglês e resolve então se engajar na resistência e pegar em armas. Temos aqui uma técnica de superposição do destino individual e do coletivo que funciona muito bem do ponto de vista da dramaturgia. O que significa dizer que o filme não apenas se propõe como analítico, de um ponto de vista histórico, como emocionante, do ângulo individual. Jogando na reflexão como na dramaticidade, Ventos da Liberdade mostra como o opressor se vale da divisão interna entre os resistentes para se impor. É um belo e denso trabalho, que, claro, pode ser interpretado de várias maneiras mesmo porque não se propõe como parábola exemplar. Na primeira leitura, talvez seu sentido mais urgente seja este: a necessidade de identificar aliados e não confundi-los com o outro lado. Loach, um cineasta de esquerda, enxerga a sociedade estruturada por seus conflitos e não por uma suposta harmonia entre contradições, essa ficção liberal dos nossos tempos. Para ele, na Irlanda dos anos 20, como em qualquer outra parte nos dias de hoje, trata-se de buscar alianças para avançar em terreno dividido. Isso é política. Preste Atenção...... na forma como o diretor Loach e seu roteirista Paul Laverty chegam ao coletivo por meio do individual e ao público por meio do privado. É uma história de camaradagem e heroísmo contra um fundo de guerra. Dois irmãos lutam lado a lado e, no final, estão em campos opostos. É simples e, ao mesmo tempo, terrivelmente complexo. ... na violência do filme, maior que a habitual no cinema de Ken Loach. Como disse o roteirista Laverty, a opção do diretor foi clara - 'Ken não quis mostrar a violência de forma romantizada. Quis mostrar como ela afeta a psicologia dos personagens. Não houve como fugir a uma descrição realista e brutal.' ... na forma como o diretor, fiel a seu método de trabalho, usa atores profissionais e não profissionais em cenas de grande intensidade. Quando ele tem dois profissionais em cena, como no confronto final entre os irmãos, um ator tinha o texto escrito e outro improvisava sobre suas falas. Loach filmou duas versões da cena, com improvisação de cada um deles. Na montagem, escolheu a que lhe pareceu melhor. ... no papel das mulheres na história. Elas dão todo apoio e sustentação aos homens, mas quando eles chegam ao poder apenas substituem os opressores britânicos e elas continuam marginalizadas. Loach diz que teria de fazer um filme só sobre essas mulheres, heroínas anônimas. ...no ambiente. A vila de Cork, onde Cillian Murphy nasceu e parte da produção foi rodada, é cheia de histórias de famílias enlutadas pela guerra. Os figurantes reviviam histórias ancestrais de família e isso aumenta a potência dramática. Por Silvana Arantes (Folha de São Paulo), Luis Carlos Merten & Luiz Zanin Orocchio (Estado de São Paulo) 12.4.07
SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007
Brasil busca um lugar em CannesTítulos nacionais disputam vaga na seleção oficial do mais importante festival de cinema do mundo. Hector Babenco, Paulo Morelli e José Padilha têm boas chances; produtora do cineasta Fernando Meirelles apresentou três títulos O norte-americano Martin Scorsese (convidado de honra) e o britânico Stephen Frears (presidente do júri) são os únicos cineastas estrangeiros oficialmente confirmados até agora no 60º Festival de Cannes, no próximo mês de maio. Diversos diretores brasileiros tentam incluir seus nomes na lista de competidores à Palma de Ouro, o grande prêmio da mostra. Pelo menos três deles têm boas chances de ser selecionados - Paulo Morelli, com "Cidade dos Homens"; José Padilha, com "Tropa de Elite", e Hector Babenco, com "O Passado", todos inéditos. Mas, pela lógica (geopolítica) da disputa, só deverá haver lugar para um filme do Brasil. Se houver.
A seleção oficial sairá no próximo dia 19. Até lá, montanhas de apostas e especulações serão feitas. A revista "Variety", por exemplo, dá como certa a presença dos norte-americanos "Death Proof", de Quentin Tarantino, vencedor da Palma de Ouro com "Pulp Fiction" (1994) , e "13 Homens e um Novo Segredo", de Steven Soderbergh, ganhador com "Sexo, Mentiras e Videotape" (1989). A mostra tem, em geral, entre 20 e 22 competidores à Palma. No caso dos aspirantes brasileiros, cada um tem vantagens competitivas, além das qualidades intrínsecas dos filmes. "Cidade dos Homens" está sendo encarado como uma seqüência de "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, com quem Cannes tem uma "dívida". Em 2002, faltou coragem ao diretor-geral do festival, Gilles Jacob, para escalar na disputa o filme de Meirelles, então um cineasta desconhecido. "Cidade de Deus" foi exibido fora de competição, e Cannes perdeu a chance de premiar o filme que fez de Meirelles um importante nome no mercado internacional e um divisor de águas em seu país. Questionado se "Cidade dos Homens" é a oportunidade para Jacob se redimir com ele, Meirelles diz: "Não sei se a culpa do Jacob é suficiente para aceitarem "Cidade dos Homens". O filme está muito bom. Boto mais fé nesta razão". A O2 Filmes, produtora de Meirelles e Morelli, submeteu ao festival mais dois filmes: "Não Por Acaso", de Philippe Barcinski, e "O Banheiro do Papa", de Cesar Charlone, rodado no Uruguai. "Não Por Acaso", uma história de amor e perdas, tem o hoje astro internacional Rodrigo Santoro no elenco. É o primeiro longa de Barcinski, que tem o trunfo de haver participado do festival em 2003, com o curta "A Janela Aberta". Enquanto "Cidade dos Homens" tem na guerra do tráfico no Rio de Janeiro um elemento lateral de sua trama, centrada nos dilemas que o tema da paternidade impõe aos personagens Laranjinha (Darlan Cunha) e Acerola (Douglas Silva), "Tropa de Elite" aborda a questão por um ângulo inusual na ficção brasileira -o da polícia, mais especificamente, o do Bope, o Batalhão de Operações Especiais especializado na repressão ao tráfico nas favelas. Autor de "Ônibus 174", Padilha é premiado internacionalmente como documentarista. Em "Tropa de Elite", ele tem o suporte, na distribuição, da grife Bob e Harvey Weinstein, os irmãos que se tornaram lendários no mercado internacional à frente do estúdio Miramax. Hoje, os Weinstein comandam um selo próprio e voltaram ao estilo de produção e marketing arrojados com o projeto "Grindhouse", dirigido por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, com 195 minutos de duração, estreado no último fim de semana nos EUA. "Death Proof", que é dado como certo em Cannes, seria uma versão alongada do episódio de Tarantino em "Grindhouse". Hector Babenco já competiu três vezes em Cannes, sendo a mais recente com "Carandiru", em 2003. Com "O Passado", ele retorna às histórias de amor e à Argentina, onde nasceu, num drama romântico estrelado por Gael García Bernal. Essa combinação dá ao filme um perfil interessante, por reunir a Argentina, país que se tornou coqueluche nos festivais de cinema europeus, um cineasta brasileiro (sim, Babenco é um cineasta brasileiro) cuja trajetória inclui uma bem-sucedida passagem por Hollywood e o mais disputado jovem ator latino do momento, o mexicano Bernal, revelado em Cannes com "Amores Brutos". Além de "Cidade dos Homens", "Tropa de Elite", "O Passado" e "Não Por Acaso", outros longas brasileiros estão sendo submetidos por seus produtores à seleção do Festival de Cannes. Mas, nesses casos, a ambição é menor. Tentam uma vaga nas mostras paralelas -Um Certo Olhar, Quinzena dos Realizadores e Semana da Crítica. Festival age como um indicador de tendências e diretores mundiaisNão é à toa que a Palma de Ouro é tão cobiçada. Um prêmio no Festival de Cannes -ou a simples seleção pelo evento- é capaz de definir a carreira de um filme e de um diretor. Mas nem sempre positivamente. Um exemplo negativo: o massacre da crítica imposto a "The Brown Bunny", do norte-americano Vincent Gallo, na edição de 2003 do festival, cassou as chances do filme no mercado norte-americano. Gallo não voltou a dirigir. O diretor-artístico do festival, Thierry Frémaux, fez mais tarde um mea-culpa sobre o episódio. Disse que Cannes expôs Gallo a um risco excessivo, ao escalar seu filme para a competição pela Palma de Ouro, cujos candidatos são em geral julgados na base do tudo ou nada. O fato é que, acompanhado a cada ano, febrilmente, por milhares de profissionais do mercado de cinema e jornalistas, o festival transforma a Croisette, a beira-mar do balneário francês, na capital mundial do cinema, a cada mês de maio. Enquanto a disputa pelos prêmios acontece no Palácio do Festival, o Mercado do Filme, realizado nos arredores, ferve em negócios. Filmes são comprados e vendidos; acordos de co-produção saem do papel. Muitos, com a atuação direta do festival. Neste ano, Cannes selecionou 15 projetos cuja produção quer impulsionar. Não há brasileiros entre eles. Mais do que caixa de ressonância de tendências da produção mundial, Cannes cultiva o perfil de ponta-de-lança. E já revelou inúmeros cineastas. Por Silvana Arantes - Folha de São Paulo 6.4.07
SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007
Seleção de Cannes agita corrida para o OSCAR 2008 "Cidade dos Homens", de Paulo Morelli, está na seleta lista de candidatos a candidatos à Palma de Ouro em Cannes. O filme brasileiro junta-se a "Cassandra´s Dreams", de Woody Allen, "Paranoid Park", de Gus Van Sant, "I´m Not Here", de Todd Haynes, "There Will be Blood", de Paul Thomas Anderson, "A Mighty Heart", de Michael Winterbottom ( o novo de Angelina Jolie ) e "My Blueberry Nights", de Won Kar Wai como títulos sendo seriamente considerados para a competição, este ano, juntamente com os documentarios "Maradona - The Hand of God",de Marco Risi e "Sicko", de Michael Moore. Dois outros documentários, ambos totalmente rock 'n roll, serão exibidos fora de competição: o de Martin Scorsese com os Rolling Stones, e o de Catherine Owens e Mark Pellington com o U2.
O que já se sabe: "Death Proof", o filme de Quentin Tarantino na dobradinha "Grindhouse", será exibido fora de competição, e Robert Rodriguez apresentará o seu "Planet Terror" como um midnight movie. "Ocean's 13", de Steve Soderbergh, e "Zodiac", de David Fincher, também estarão em sessões especiais, provavelmente como a abertura e o encerramento do festival. Em eventos paralelos, a New Line vai levar uma prévia do esperado "A Bússola Dourada", e a Fox fará o lançamento internacional do novo "Duro de Matar" (que, pela longevidade, é mesmo duro de matar...) Stephen Frears irá liderar o júri do festival de CannesO diretor britânico Stephen Frears, cujo filme mais recente, "A Rainha", fala sobre a família real e a morte da princesa Diana, irá presidir o júri do Festival de Cinema de Cannes deste ano, informaram os organizadores na quinta-feira. "Claro que é uma honra, mas também uma alegria por poder ver filmes incríveis de todo o mundo", disse Frears em um comunicado. Frears chamou atenção da mídia pela primeira vez com seu trabalho de 1985, "Minha Adorável Lavanderia", sucesso seguido por "O Amor Não Tem Sexo" e "Ligações Perigosas". A 60a edição do festival acontecerá entre 16 e 27 de maio. No ano passado, o presidente foi o cineasta Wong Kar-Wai, primeiro chinês a liderar o júri do festival. Scorsese vai a CannesMartin Scorsese, que tem um carinho todo especial pelo Festival de Cannes ¿ foi ali que a sorte do seu dificílimo "Taxi Driver" virou, graças a uma Palma de Ouro ¿ estará na Croisette este ano para em missão tripla. No dia 27 de maio Marty vai entregar a Palma ao filme vencedor, três dias antes ele dará uma MasterClass em cinema para um grupo sortudíssimo de estudantes e cinéfilos; e , numa data ainda não confirmada, anunciar oficialmente a criação de um antigo sonho, a World Cinema Foundation, dedicada à sua paixão, a preservação e restauro de filmes. Em 1998 Scorsese foi o presidente do júri que deu a Palma ao grego A Eternidade e um Dia. Por Ana Maria Bahiana 1.4.07
SPOILER ESPECIAL: Cannes 2007
"GrindHouse" vai para Cannes Quentin Tarantino está mesmo na etapa final de negociação para levar seu "Grindhouse" para Cannes. Mas não todo o filme: apenas o seu episódio, "Death Proof", numa versão mais longa. A mesma que será vista fora dos EUA (inclusive no Brasil), onde "Grindhouse" será exibido como dois filmes independentes "Death Proof", de Tarantino, e "Planet Terror", de Robert Rodriguez- com datas de estréia separadas por uma semana. O filme originalmente deveria ser um longa-metragem dividido em dois médias, um dirigido por cada diretor. Como eles não são conhecidos pelo minimalismo, "Planet Terror", de Rodriguez, acabou ficando com 80 minutos, enquanto "Death Proof", de Tarantino, fechou com 90. É tudo parte da estratégia dos Weinstein, que produziram e estão distribuindo o filme, e que compreendem como poucos o valor de uma presença em Cannes na largada comercial de um filme - ainda mais com a assinatura de um quindim do Palais como Tarantino.
Mas não chore por Robert Rodriguez, Brasil: ele também planeja levar a versão longa de "Planet Terror" para Cannes. O drama para a côrte de Gilles Jacob, agora, é definir de que modo os dois filmes serão exibidos, se dentro ou fora da competição...ou um sim e outro não... O filme de maníaco de Tarantino, Death Proof, tem no elenco Kurt Russell, Zoe Bell, Rosario Dawson, Vanessa Ferlito, Jordan Ladd, Rose McGowan, Sydney Tamiia Poitier, Marley Shelton, Tracie Thoms e Mary Elizabeth Winstead. Devem aparecer na tela também Roth, Michael Bacall (CSI: Crime Scene Investigation), Bruce Willis e o estreante Omar Doom. O média de Rodriguez, Planet Terror, horror futurista com zumbis, tem no elenco Rose McGowan, Freddy Rodriguez, Naveen Andrews, Marley Shelton, mais Josh Brolin, Michael Biehn, Jeff Fahey, Michael Parks e Stacy Ferguson, também conhecida como a Fergie do Black Eyed Peas. Tarantino e Rodriguez falam de Grind HouseO jornal The New York Times conversou com Quentin Tarantino (Kill Bill) e Robert Rodriguez (Sin City). Eles falaram de "Grind House". E, como sempre, os cineastas são os mais empolgados com os seus projetos. "Acredito que ninguém nunca pensou nisso antes", começou Rodriguez, a respeito da já famosa prótese em forma de metralhadora que Rose McGowan usa em "Planet Terror", o seu média-metragem. "A sua mente vai até as idéias mais loucas para arrastar as pessoas ao cinema, e daí o resto você roteiriza a partir desses elementos." Rodriguez aproveitou para dizer que o média já virou longa. Ficou, ao fim, com 80 minutos de duração. O verborrágico Tarantino, claro, não ficaria atrás: o seu "ex-média", "Death Proof", terminou com 90 minutos. Para ligar um ao outro, são quatro os trailers falsos: um ainda sem título dirigido por Edgar Wright, diretor de Todo Mundo quase Morto; outro por Eli Roth (Cabana do Inferno, O Albergue), intitulado Thanksgiving; o terceiro de Rob Zombie (A casa dos 1000 corpos, Rejeitados pelo Diabo), Werewolf Women of the SS; e o último de Rodriguez, Machette, protagonizado por seu ator-fetiche, sempre cercado de armas brancas, Danny Trejo. Como parte da brincadeira, os dois "envelheceram" os filmes, para deixar com cara de produção B, típica das chamadas grindhouses, cinemas de subúrbio nos anos 70 com sessões duplas. "Ficou parecendo um filme popular que já foi exibido várias vezes, tem riscos na película, a textura é de filme velho, como se você estivesse assistindo algo que não devesse", disse Tarantino. Como nos velhos grindhouses alguns filmes eram exibidos com rolos faltando, ele decidiu brincar com a nova geração: seu filme terá, literalmente, lacunas no meio. "Eu garanto, quando aparecer na tela 'Rolo Faltando' o cinema inteiro vai surtar." Ao que parece, Rodriguez não usará do mesmo recurso. "Meu filme é muito parecido com os clássicos de John Carpenter. Tudo acontece à noite, coisas bizarras acontecem, mas tudo é interpretado com seriedade. Mesmo que ela esteja armada com uma prótese-metralhadora, isso não é pra ser uma piada", completou. Tarantino emenda: "A idéia do meu filme é algo que eu tinha há tempos na cabeça: um dublê reforça seu carro a ponto dele ficar indestrutível. Você pode dirigir a 100 milhas por hora e bater numa parede só pra ver o que acontece". "Death Proof terá uma das maiores perseguições de carro, senão a maior, jamais feita. Pego Top 3 com certeza. E esse filme tem alguns dos melhores diálogos que eu já escrevi na vida. Quando terminei o roteiro até mandei para Bob Dylan. Achei que ele fosse apreciar a linguagem", concluiu. Até agora Dylan não respondeu. Trailers falsos têm de Fu Manchu a Dia de Ação de Graças "Grind House", novo filme de Quentin Tarantino ("Kill Bill") e Robert Rodriguez ("Sin City"), continua a ser notícia por conta dos trailers falsos que serão exibidos entre os filmes de Tarantino e Rodriguez. Eli Roth e Nicolas Cage agora comentam as suas participações nos trailers.
Em entrevista ao ComingSoon, Roth fala do seu. "Quentin veio falar comigo do filme e começamos a comentar como todo ano tem um slasher movie [filme de maníaco assassino] com feriados diferentes, My Bloody Valentine [Dia dos Namorados], Halloween, Silent Night, Deadly Night [Natal]... Daí eu disse 'Como que nunca inventaram um filme passado no Dia de Ação de Graças?'. Então Quentin disse que eu deveria fazer um trailer de Thanksgiving. Esse vai ser meu slasher movie de 1981, homenagem aos filmes daquela década, coisa que quero fazer há anos", disse. "Enquanto eu rodava Hostel: Part II, escrevi o trailer. Daí pegamos dois dias de filmagens, recolhemos umas cabeças decapitadas, partes de corpos, reciclamos tudo e jogamos no trailer. Foi divertido demais! Só nojeira, nudez, sem continuidade nenhuma, atuação canastrona, tudo. E daí que tem luz entrando na cena? É Grind House! Foi libertador fazer aquilo só pela diversão, sem compromisso. Preciso fazer algo assim no meu próximo filme, só insanidade, tipo um filme velho do Woody Allen, pra desencanar um pouco", completou. Já Cage fez uma ponta no trailer de Zombie como Fu Manchu, clássico estereótipo do vilão chinês, magrelo e com o bigode fino caindo pelos cantos da boca. "Fiz como um favor a meu velho amigo Rob Zombie, combinamos num jantar outro dia. Não rolou cachê nem nada. Rob disse que estava fazendo Werewolf Women of the SS e perguntou se eu queria fazer um nazi. Eu disse que não ficava muito confortável no papel. Daí ele quis saber se eu interpretaria o Fu Manchu. 'Isso eu posso fazer', respondi." "Mas falei que não queria usar nenhuma maquiagem grudenta asiática. Eu tinha minhas próprias idéias de como Fu Manchu deveria ser feito. Daí cheguei no set de "Grind House" depois e Bob Weinstein queria que eu fizesse divulgação do filme e tal. Falei 'opa, calma aí, fiz isso por Rob, de diversão, nada mais'. Não queria levar as pessoas a entender que eu tinha um papel grande. Sou só o Fu Manchu, e ninguém vai conseguir entender uma palavra do que eu estou dizendo", completou. Conheça a trilha sonora de "Death Proof"Metade da diversão nos filmes de Quentin Tarantino é a seleção da trilha sonora. Os CDs de "Pulp Fiction", "Cães de Aluguel" e "Kill Bill" estão entre os mais legais do gênero e inspiram sonoplastas e festas mundo afora. "Death Proof", metade do longa-metragem "Grind House", não deve ser diferente. A Maverick Records lançará o disco dia 3 de abril lá fora - três dias antes do lançamento da produção nos cinemas - que inclui clássicos dos anos 1960 e 70, bem ao gosto de Tarantino. Entre elas estão "Jeepster" da banda britânica T Rex, "Down in Mexico" do Coasters, "Good Love, Bad Love" de Eddie Floyd, tudo intercalado com diálogos do filme. "Paranoia Prima", uma canção do lendário Ennio Morricone, que ganhou um Oscar no domingo passado pelo conjunto da obra, completa o pacote. E a música tem importância fundamental à trama. Nela, a DJ mais famosa de Austin, Texas, Jungle Julia (Sydney Tamiia Poitier), sai para farrear com suas amigas Shanna (Jordan Ladd) e Arlene (Vanessa Ferlito). O que elas não sabem é que estão sendo seguidas pelo perigoso Stuntman Mike (Kurt Russell) e seu possante veículo. Confira a lista das faixas: Da Redação do Omelete, Hollywood Watch e NYTimes E mais... |