![]() TOP10 SPOILER 1. Ratatouille 2. Paris, Te Amo 3. Treze Homens e um Novo Segredo 4. Harry Potter e a Ordem do Fênix 5. O Despertar de uma Paixão 6. Zodíaco 7. Lady Vingança 8. Shrek Terceiro 9. Ventos da Liberdade 10. Homem-Aranha 3 TOP3 JANEIRO 1. Babel 2. Apocalypto 3. Diamante de Sangue TOP3 FEVEREIRO 1. Pecados Íntimos 2. Cartas de Iwo Jima 3. A Rainha TOP3 MARÇO 1. Notas Sobre um Escândalo 2. O Cheiro do Ralo 3. 300 TOP3 ABRIL 1. Vermelho como o Céu 2. Ventos da Liberdade 3. Miss Potter TOP3 MAIO 1. Lady Vingança 2. Homem-Aranha 3 3. Nome de Família TOP3 JUNHO 1. O Despertar de uma Paixão 2. Zodíaco 3. 13 Homens e Outro Segredo TOP10 CURTAS 1. O Nosso Livro 2. As Coisas que Moram nas Coisas 3. Alguma Coisa Assim 4. Balada das Duas Mocinhas de Botafogo 5. Yansan 6. Crisálidas 7. Tyger 8. Aquele Cara 9. Lady Christhiny 10. Meu Namorado é Michê OS BONS COMPANHEIROS Casa com Design Devaneios da Linda Dios Mio! Espalhafatos Gandalf Impressões de Ontem Levando a Vida Mandamos Você... Mi Casa, Su Casa Necrosis Pernambaiano Primado do Opinante Ramsés Séc.XXI Sara Mello Sur Le Divan d´Amelie Poulain Tricotando Vindaloo With Out Trace CINEMA PARADISO Blog do Sergio Dávila Blog do Vinícius Pereira Caderno Cinemeiro Cine na Veia Cinefilo On-Line Cinema Mon Amour Cinematógrafo XXI Cool 2 Ra Epílogo Filmes do Chico Hollywoodiano Ilustrada Império Cinéfilo Laranja Digital Pasmos Filtrados Punch Drunk Movies Revista de Cinema Tarantino The Cave Under Pressure UM TIRO NO ESCURO Alguns Adendos Antenado Blog Kálido BrainStorm #9 Brasil! Brasil! Cabeça de Batata Cambalhota Caminhar Circulando Depósito do Calvin Diário Evolutivo El Collage Gisele Christensen Gorduchas Gostosas Mais dos Mesmos Obnubilado Pensar Enlouquece Pra Hoje Realidade Torta Sara Mello Sounds of Silence Tudo Vai Mudar... Verdes Verdades TERRA ESTRANGEIRA Sundance - Sundance film festival Berlinale - Internationale filmfestspiele Berlin Tribeca - Tribeca Film Festival It's all true - International Documentary Film Festival Cannes - Festival international du film Annecy - Festival international du film d´animation Animamundi Valência - Mostra de Valencia Cinema del Mediterrani Locarno - Festival Internazionale del Film Locarno Gramado - Festival de Cinema Brasileiro e Latino Curtas - Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo Saravejo - Sesti dan Saravejo Film Festivala Veneza - Mostra D'arte Cinematografica di Venezia Toronto - Toronto film festival São Sebastian - Festival Internacional de Cine Donostia San Sebastian Rio - Rio de Janeiro Int´l Film Festival Nova York - New York film festival São Paulo - Mostra BR de Cinema MONDO OSCAR Alfred - Liga dos Blogs Cinematógraficos Oscar - Acadêmia de artes e ciências de Hollywood Globo de Ouro - Hollywood foreign press association National Board of Review Independent Spirit Awards American Film Institute BAFTA - British Academy of Film and and Television Arts BFCA - Broadcast Film Critics Association |
25.3.07
Humor corrosivo domina filme romeno "Mais uma invenção de festivais e de críticos que adoram obscuridades!", podem exclamar alguns. O fato é que, depois de orientais, iranianos e argentinos, o cinema romeno tornou-se a mais recente coqueluche em festivais e revistas especializadas. Em parte, pode-se creditar tanta atenção à entrada recente do país na União Européia. A chegada ao circuito comercial brasileiro de "A Leste de Bucareste" permite, contudo, outra aproximação de uma produção que, apesar de limitada em quantidade, parece se pautar por ideais de provocação e de ruptura com códigos dominantes.
Um tom de crônica e uma estética do improviso, um humor niilista e uma mirada constante no espelho em busca de respostas à questão "quem somos?" reaparecem neste primeiro longa de Corneliu Porumboiu. Sinais semelhantes já haviam produzido sobressaltos e uma avalanche de elogios e de prêmios para "A Morte de Dante Lazarescu", de Cristi Puiu. É o ponto de vista periférico o que mais chama a atenção na estréia de Porumboiu. O diretor transforma em trunfo um orçamento limitadíssimo (180 mil) ao conceber um filme à margem sob muitos aspectos. Marginal à lógica das ricas co-produções européias, com poucos e desconhecidos atores, cenários exíguos e situações minimalistas, sob um título que reafirma esse "fora do lugar". Numa espécie de prólogo, Porumboiu nos apresenta os três personagens sobre os quais vai concentrar o núcleo do relato: Jederescu, improvisado apresentador de TV, Piscoce, um velhinho que sobrevive atuando como Papai Noel na época do Natal, e Manescu, um professor de história alcoólatra e mitômano. Feitas as apresentações de modo elíptico, Porumboiu se concentra no cenário da emissora onde se desenrola um debate sobre a queda do ditador Nicolau Ceausescu em 22 de dezembro de 1989. Para comemorar o aniversário desta "revolução", Jederescu levanta a questão sobre a presença popular às 12h08, hora-símbolo em que o casal Ceausescu abandonou a capital. O povo ocupou a praça antes ou depois? Respondê-la significa explicitar o lugar do povo naquela "revolução". Sob essa provocação, o que o filme de Porumboiu alcança, além da dimensão histórico-política da atuação dos romenos, é o status da verdade. Diante de imagens como as gravadas pela TV, a pergunta que se impõe é "existem fatos ou apenas versões?". "Aconteceu ou não?", questiona o título do filme no original ("A Fost Sau n-a Fost?"). Conduzido por um humor corrosivo que bebe diretamente na fonte do absurdo de Eugene Ionesco, "A Leste de Bucareste" reconduz o cinema a uma salutar margem, de onde se pode se enxergar com clareza como se destroem e constroem mitos. Por Cássio Starling Carlos - Folha de São Paulo 23.3.07
"O Cheiro do Ralo" é uma deliciosa ironia da sociedade A parceria entre o consagrado quadrinhista brasileiro Lourenço Mutarelli e o publicitário e cineasta Heitor Dhalia começou com o elogiado "Nina". No filme de 2004, o escritor e desenhista cuidou das viscerais passagens animadas. Agora, no longa "O cheiro do Ralo", atinge maior expressão, já que adapta para as telonas o primeiro romance de Mutarelli, que - veja só! - aproveita para debutar também como ator.
O roteiro adaptado é do próprio Dhalia e Marçal Aquino (Crime delicado, O invasor), sujeito que dispensa apresentações. A dupla já trabalhou junta em Nina e retoma aqui a ótima colaboração, ao transportar a obra sem perder um grama sequer de sua deliciosa ironia. Na trama, Lourenço (Selton Mello), um comprador de objetos usados, vive enfurnado em um galpão, protegido dos fracassados do mundo por uma secretária (Martha Meola) e um segurança (o próprio Mutarelli, divertidíssimo). Os dois cuidam de filtrar os desesperados que podem entrar na sala do chefe e oferecer seus tesouros e tralhas a ele. Lourenço começa o filme quase normal. É noivo, come estrogonofe com batatinha ao lado da futura esposa, dirige uma Veraneio e leva a vida de forma comum. Porém, conforme aumenta o cheiro desagradável que vem do ralo do banheiro de seu caótico escritório, cresce também a sensação de poder dele, de domínio sobre aqueles desgraçados que ele "coisifica", catalogando-os em função de seus objetos. Começam também as obsessões... um olho de vidro, uma bunda continental... na mente de Lourenço, tudo está conectado. Dhalia leva com competência a obra marginal de Mutarelli às telas, enriquecendo a narrativa com pequenas pistas visuais sobre a questionável personalidade do personagem. Direção de arte, fotografia, figurino, tudo espelha o universo do comprador de velharias, que dá vida ao ambiente disparando engraçadíssimas frases de efeito com a mesma facilidade que respira e se afunda no ar fedido do banheirinho. Mas nem todo o talento cinematográfico do planeta teria êxito em levar à tela essa história, que depende quase que exclusivamente do personagem principal, se não houvesse um protagonista perfeito liderando o elenco. Selton Mello abraça a cria de Mutarelli e a arranca das páginas do livro com cínica perfeição. A voz rouca do ator e sua atitude blasé dão ao anti-herói trash sua carne e osso, mas é a genial desconfiança de Mutarelli sobre a sociedade responsável pela sua alma deliciosamente perturbada. Por Érico Borgo - Omelete 20.3.07
O que levou Jim Carrey a fazer "O Número 23" "A Derrocada de Jim Carrey" diz uma manchete na capa da última revista "Radar". Dentro dela há um artigo que propala a idéia de que a carreira de Carrey está em queda livre poque os estúdios arquivaram dois filmes de impacto de Carrey nos últimos meses.
Será que Carrey está em apuros? "Tenho certeza que muita gente gostaria de acreditar nisso", diz Carrey. "Mas não é isso o que acontece. Eu poderia fazer uma super-produção caríssima amanhã. Poderia pegar o telefone neste exato momento e dizer: "Estou dentro, vamos começar amanhã. Mas estou deixando que as escolhas signifiquem algo para mim." Carrey diz que um dos seus filmes - "Ripley's Believe It or Not" - receberá carta branca em 2008, e que Tim Burton permanecerá no cargo de diretor. O roteirista Steve Oedekerk, que trabalhou com Carrey em "Ace Ventura" e "Bruce Almighty", está trabalhando em um novo roteiro que se focalizará mais nas maravilhas e esquisitices reveladas por Robert Ripley. Carrey afirma: "Ripley chegou a um ponto no qual estamos prontos para dar início à produção, e eu disse: 'Esperem um minuto. Não estou certo de que contamos com tudo o que precisamos. E tenho algumas idéias. E essa idéias envolverão mudanças significativas'. Tim Burton foi conduzido para uma direção, que não era onde eu gostaria de estar. Falamos sobre isso e percebemos que precisávamos de mais tempo. Mas vai acontecer, e será um filme realmente legal." No entanto, o outro projeto caro de Carrey, o filme "Used Guy", está morto. A comédia sexual e ficção científica dirigida por Jay Roach contaria com Carrey e Ben Stiller fazendo o papel de "robôs provedores de prazer" ultrapassados buscando um novo objetivo na vida devido à rejeição feminina. Fox arquivou o projeto no verão passado, preocupado com o orçamento cada vez maior. Segundo Carrey, "Used Guys" era um dos roteiros mais divertidos de Hollywood. "Ele contava com um dos melhores diretores de comédia e com dois dos maiores astros comediantes. E eles falavam de um orçamento de US$ 150 milhões ¿o que nos dias de hoje não é muito. A maioria dos filmes de Tom Cruise custa US$ 200 milhões. Acredito que o retorno mundial seria de US$ 500 milhões. Assim sendo, em termos de negócios, a decisão não fez sentido para mim, a menos que eles estivessem tentando estabelecer alguma espécie de precedente. Mas isso é problema deles. E, honestamente, quando me sento e penso sobre isso, percebo que nunca estive totalmente dedicado à idéia daquele filme. E é assim que o universo funciona para mim. Assim sendo, à medida que nos envolvíamos mais com o filme, uma parte de mim questionava: 'Você quer realmente fazer esse filme? Será que isso é algo que eu não expressei antes? Ou será que é o velho par de sapatos com o qual me sinto confortável?'. A minha conclusão foi que não estava completamente entusiasmado com o projeto." "Eu lhe prometo. O que quer que ocorra comigo na minha carreira será provocado por algo de bom ¿ainda que aparentemente pareça ruim". Aparentemente, Jim Carrey tem enfrentado um período difícil recentemente com filmes de lançamento muito aguardado fracassando em meio a sussurros e demandas excessivas. Mas o ator de 44 anos parece estar indo muito bem, obrigado. Enquanto as entrevistas passadas registraram um ator meio angustiado, ele agora está relaxado, gracioso e mais feliz. O novo filme de Carrey, "The Number 23" ("O Número 23"), é um notável suspense psicológico sobre um homem cuja vida se resolve após eles se tornar obcecado pelo... sim... pelo número 23. É de se pensar que nos divertiríamos com Carrey, que brincaríamos com ele com perguntas como "John Lennon teve o seu 'Sonho Número Nove'; você tem algum sonho número 23". Coisas desse tipo. E foi o que fizemos, mas a conversa enveredou por outro rumo, e Carrey revelou a fonte atual do seu contentamento, uma espiritualidade focada no tempo presente que, segundo ele, bloqueou as pressões inerentes à carreira de Hollywood. "Nunca vi Jim mais feliz", afirma o diretor de "The Number 23", Joel Schumacher, que trabalhou com Carrey uma década atrás em "Batman Forever". E, pelo menos durante o período que passamos com ele, a amabilidade demonstrada por Carrey deu razão a Schumacher. Spoiler: Quando você tinha 23 anos, aquele foi um ano muito bom? Jim Carrey: Muita gente diz: "Gostaria de ser jovem". Pessoalmente, eu não desejaria retornar aos meus vinte e poucos anos. Foi uma época muito confusa. Algo como se Mr. Fear tivesse batido na porta e permanecesse até a década dos 30 aos 40 anos. Não sei como sobrevivi a esse período. Estou tão feliz por estar no ponto que estou. É um grande alívio! Spoiler: Se o um é o número mais solitário, o que caracteriza o 23? Carrey: Bem, não é um número solitário. Veja na Internet. As pessoas realmente gostam desse número! Spoiler: Por que? Será que o 13 e o 666 simplesmente perderam os seus atrativos? Carrey: Quando eu morava no Canadá, um amigo meu observava que números de placas de automóveis, as datas dos nossos aniversários e tudo o mais, quando somado, dava 23. E a coisa começou a surgir. A Terra gira com uma inclinação de 23,5 graus em torno do seu eixo. Cada pai dá ao filho 23 cromossomos. Esse número está por toda a parte, para o bem e para o mal. Para mim, isso é um jogo divertido desempenhado pelo universo. Spoiler: Aquele amigo do Canadá... Atualmente ele está em um hospício? Carrey: Não, não. Nem sempre o 23 é desastroso. Mas, pare e pense nisso, ele se tornou bastante obsessivo com o passar dos anos. Ele colecionou recortes de jornal. Não vou chegar a esse ponto. Para mim, trata-se de algo como um tapinha no ombro que me lembra que existe algo de mágico lá fora. Spoiler: O número como um código para um significado mais profundo? Carrey: Não acredito em homens brancos barbudos, mas a energia por detrás de tudo é totalmente nítida. É inegável que existe uma inteligência por trás disso. Spoiler: Você é um indivíduo religioso? Carrey: Sou um cara espiritual, mas não religioso. Acredito em retirar a verdade de qualquer fonte na qual ela seja encontrada, e se isso se encaixar bem como um par de sapatos velhos e se você sentir que sabia disso durante toda a vida ao se deparar com o fato, então essa é a sua verdade. Organizações... elas se tornam corruptas cedo ou tarde, e precisam proteger a si próprias para convencer as pessoas a acreditarem nelas. Spoiler: Eu sei. Assisti "O Código da Vinci". Carrey: Ah, está certo. Eu simplesmente sigo a minha vida. Uma das minhas paixões desde garotinho é aprender os segredos do universo. Assim leio várias filosofias diferentes, e pinço aquelas coisas que geralmente são comuns a todas elas. Spoiler: Algumas pessoas diriam que tal abordagem múltipla dilui a verdade. Carrey: Eu não diria isso. Quando se trata de Jesus, você sabe, ele disse uma série de coisas incrivelmente impactantes e maravilhosas que eram surpreendentes e, em sua maioria, completamente mal entendidas. Alguém pode não entender algo como "ninguém chega ao céu, a menos que seja através de mim". A pessoa pode entender isso de forma literal. Eu acredito que o enunciado signifique: "Amando como eu amo e perdoando como eu perdôo". Spoiler: Nem todos apontariam você como pessoa em busca de espiritualidade. Carrey: Eu adoro a espiritualidade. Estava um dia desses em Malibu, tomando um sorvete, e me deparei com um grupo de jovens de Pepperdine que estava estudando teologia. E acabei me metendo em um debate profundo sobre todas essas coisas da Bíblia, como o pecado original. É fascinante. Spoiler: A espiritualidade lhe proporciona algum refúgio das pressões de Hollywood? Carrey: Ela tem auxiliado incrivelmente. Eu costumava acreditar que os papéis que representei ou a fama me definiriam e, em algum dia, me completariam. Depois de um tempo, compreendi que essas coisas seriam descartadas da lista de fatores capazes de me completar. Desejo que todos tenham fama e fortuna de forma que possam retirar essas duas coisas da lista e partir para outra. Spoiler: Não é incomum que os homens se definam por meio do seu trabalho. Carrey: O seu ego lhe diz isso o tempo todo: Você precisa fazer algo de notável, cara. Realizar algo. Não deixe que eles se esqueçam de você. E o meu exemplo é: a Pirâmide de Gizé. Quem a construiu? Spoiler: Hum... Carrey: Exatamente. O maior monumento que já foi construído para a imortalidade. E, a menos que você assista ao Canal Discovery, não saberá quem a construiu. Spoiler: Então, a sua companhia de produção - JC23 - tem mais a ver com o 23º Salmo do que com a sua fascinação pelo número. Carrey: Um amigo me deu um livro a respeito do 23º Salmo, e eu pensei: "Essa é uma excelente maneira de olhar para a minha vida e para a minha carreira. Para fazer escolhas sem medo. Para saber que estão tomando conta de mim, que estou bem. E posso escolher destemidamente". E, em Hollywood, uma cena de um banquete em meio aos seus inimigos também não é algo de ruim. Faz com que você se sinta melhor. Spoiler: Tendo em vista todas as referências históricas e populares ao número 23 no filme, fiquei surpreso por você não ter usado o 11 de setembro (some os números em 11/09/2001 e o resultado será 23). Isso está no trailer. Carrey: É mesmo muito estranho. Sim, é esquisito. Mas não tenho medo disso. O calendário maia... se você pensar nisso, verá que é meio deprimente. Só nos restariam cinco anos. Spoiler: Você está brincando. Os maias previram um apocalipse? Carrey: Em 23 de dezembro de 2012. A data exata prevista pelo vidente Edgar Cayce, que disse que seremos atingidos por algo que alterará a inclinação de 23,5º do eixo da Terra, deslocará as placas tectônicas e causará gigantescos terremotos. Spoiler: Bem, isso vai modificar as minhas contribuições para o meu plano de aposentadoria. Carrey: Você sabe, eu acredito que só nos restam cinco anos, e será uma honra estar aqui quando as coisas acontecerem. Comprei uma cadeira de descanso. É chato que tenhamos que desaparecer, mas, uau... isso tem um significado. Por Glenn Whipp - Los Angeles Daily News 18.3.07
A Revolução do Gênero Épico Zack Snyder não tem medo dos nerds. Egresso do mercado publicitário e dos videoclipes, o cineasta logo de cara encarou as feras e refilmou um clássico do terror, O despertar dos mortos (Dawn of the Dead, 1978), e agradou crítica e público com o resultado. Agora repete a dose, adaptando outra obra cultuadíssima, 300 de Esparta, graphic novel de Frank Miller e dos melhores e mais elaborados trabalhos do autor.
A exemplo de Sin City - Cidade do Pecado - também uma adaptação da obra de Miller -, cada frame de 300 é arrancado das páginas dos quadrinhos e convertido em imagem em movimento. Traços e cores aquareladas fiel e lindamente emulados. Fãs do quadrinista não poderiam ficar mais satisfeitos - a transformação nas mãos do empolgado Snyder é praticamente literal, algo que só é possível porque Miller, que escreveu e ilustrou a obra original, pensa os quadrinhos muito diferente de outros profissionais da área. Enquanto um mestre como Will Eisner dava aos seus painéis uma perspectiva quase teatral, Miller tornou-se famoso por encarar o trabalho como se fosse um imenso storyboard de longa-metragem. Fica mais fácil então para um sujeito talentoso como Snyder - que domina recursos de estilo e tem extremo bom-gosto para saber quando empregá-los - carregar esse material base e torná-lo vivo nas telonas. O resultado é um alucinante balé de violência estilizada, atitude e design. Cada frase cuspida no cinema - muitas delas transcritas direto da obra do historiador grego Heródoto - estremece o cinema com uma macheza que não se via há décadas na tela grande. Aliás, o efeito de 300 no público só pode ser comparado ao que deve ter sido o dos grandes épicos do passado. Não há um filme recente do gênero comparável a este. Gladiador, talvez o que mais se aproxime, recuperou o gosto do público pelas sandálias e espadas, mas é 300 o filme que insere definitivamente o épico na era do iPod, Wireless e Plasma. E a revolução prometida por este "neo-épico" não pára por aí. Empregando com inteligência todo o potencial da computação gráfica, aliada a uma história poderosa - uma das mais célebres batalhas de todos os tempos -, cineasta e produtores conseguiram uma grandiosidade visual e narrativa inquietante. Tudo ali é pensado para provocar uma resposta emocional quase primitiva no público - dos corpos nus (a cena de sexo entre Leônidas e Gorgo é verossímil e sensual como poucas!) ao excelente "heavy metal medieval" de Tyler Bates (Seres rastejantes) na trilha sonora, passando por um enérgico banquete visual completo com câmeras lentas, aceleradas, pausas dramáticas, edição frenética... "Linguagem de videoclipe", reclamarão erroneamente os mais ranhetas e puristas. Mas há uma diferença crucial aqui, em 300 e na arte de Snyder. Enquanto esses recursos costumam ser empregados para esconder falhas, facilitar coreografias, abreviar movimentos, forçar um estilo onde muitas vezes não existe, nesta obra eles são usados para evidenciar a virtuose do diretor. Snyder, por exemplo, não explora apenas o primeiro plano - ele tem uma profundidade de campo notável. Não há figurantes em ação, apenas dublês e atores treinados, cada qual com sua relevância, sua própria coreografia, que inclui séries de movimentos sem cortes. É o corpo do balé citado acima rodeando a primeira-bailarina. E o que dizer da história? Difícil acreditar que Hollywood levou 40 anos para recontá-la nas telonas, desde Os 300 de Esparta (de Rudolph Maté, 1962). A resistência do rei espartano Leônidas (Gerard Butler, monstruoso no papel que deve colocá-lo na lista "A" dos astros), sua guarda de elite e uns poucos gregos livres nas Termópilas contra centenas de milhares de conquistadores persas do Imperador-Deus Xerxes (um imponente Rodrigo Santoro, com voz e estatura alteradas digitalmente), é inspiradora. Se o cinemão vive de histórias de sacrifício, honra e coragem, onde é que os 300 de Esparta estiveram enfiados? Talvez faltasse o romance, onipresente na Meca do Cinema do ocidente, mas isso Snyder e o co-roteirista Kurt Johnstad resolveram facilmente. Escolheram uns poucos quadros da HQ em que a bela e forte Rainha Gorgo (Lena Headey, lindíssima) aparece e seguiram a partir daí, criando uma história própria de sacrifício, honra e coragem para a regente, paralela à resistência de seu marido na Grécia Central. Em 300 cabe a ela convencer os velhotes e engessados políticos espartanos da necessidade de romper com a tradição (na época festiva-religiosa da Carnéia não se guerreava) e permitir que o exército ajude Leônidas em sua defesa do país. Mais ou menos o que Zack Snyder está fazendo com seu filme - arrebentando paradigmas. Reconheçamos, portanto, um revolucionário clássico na ocasião de seu lançamento. Por Érico Borgo - Omelete E mais... 16.3.07
De Niro faz bom filme sobre origens da CIA Homens de sobretudo carregando pastas na calada da noite, agentes duplos, encontros clandestinos, codinomes, ações de contra-espionagem, vazamentos de informação, mensagens em código, traições, erros de avaliação, vidas sacrificadas em nome de acertos de contas.
"O Bom Pastor" reúne tudo isso, como um pequeno compêndio (se "pequeno" for adequado para um filme de quase três horas) sobre a mitologia da espionagem no cinema. Qual espionagem? A altamente profissional, patrocinada pelo Estado, com fins supostamente nobres (a defesa dos interesses nacionais) a justificar meios duvidosos, quando não criminosos. Matt Damon como protagonista talvez sugira algo na linha da série inaugurada com "A Identidade Bourne" (2002), mas navega-se aqui por outros mares, também revoltos: a formação da CIA, a agência de inteligência dos EUA. A trama desdobra-se em dois tempos, ambos relacionados a Edward Wilson (Damon). Quando o conhecemos, em abril de 1961, ele tem a aparência burocrática de um funcionário público de carreira em Washington. Sua rotina resume-se a ir de casa para o escritório e vice-versa. De ônibus. O local de trabalho fica, simbolicamente, no subsolo de um prédio, nas entranhas do poder. O clima por ali está agitado graças à malograda tentativa de invasão de Cuba pelos EUA. O inexpressivo Wilson trabalha na CIA, mas não se sabe direito se apenas para a CIA. Enquanto cresce a tensão nos bastidores da crise, visitamos a juventude do personagem, a partir de 1939, quando estudava em Yale e foi convidado a participar de uma irmandade bem seletiva. As idas e vindas no tempo apresentam as circunstâncias de criação da CIA, mas se dedicam também à investigação da personalidade de Wilson, alma solitária, torturada pela perda de identidade e privacidade que as suas "irmandades" procuram lhe impor. Em seu segundo longa como diretor, Robert De Niro (que faz breves aparições, como um militar da comunidade norte-americana de informações) parece tão interessado pelo que se passa dentro de Wilson quanto pelo menino sob fogo cruzado de "Desafio no Bronx" (1993). "O Bom Pastor" desenha seu protagonista como rapaz arguto que, definido em parte por uma lembrança terrível da infância, teria provavelmente sido mais feliz como professor de poesia e marido de uma estudante surda, mas terminou casado com uma deusa (Angelina Jolie) a quem não dá atenção porque sua amante é a CIA. Experiente na costura de ficção com eventos e personagens verídicos, o roteirista Eric Roth -que ganhou o Oscar com "Forrest Gump" (1994) e escreveu "O Informante" (1999), "Ali" (2001) e "Munique" (2005)- faz parecer que tudo, em Wilson e na CIA do filme, é "inspirado em fatos reais", mas sua história sugere que preferiu flertar com um cruzamento entre os espiões do escritor inglês Graham Greene e os de Hollywood. Por Sérgio Rizzo - Folha de São Paulo 14.3.07
Filme testa limites do humor, perturba e propõe bons desafios ao espectador Além de ser engraçado, "Borat" propõe bons desafios ao espectador. Como reagir a uma comédia tão politicamente incorreta, que recorre aos piores clichês televisivos, como o falso documentário e a "pegadinha"?
A cartilha do multiculturalismo repudiaria a escolha da nacionalidade do repórter interpretado por Sasha Baron Cohen, o cazaque Borat Sagdyiev. Mas é evidente que Cohen transita pelo mesmo território de Peter Sellers em "Um Convidado Bem Trapalhão" (1968), em que o suposto atraso cultural do personagem é, na verdade, um dispositivo humorístico capaz de destilar profunda crítica à "superioridade" da cultura com a qual ele se depara. O total deslocamento do ator indiano vivido por Sellers, convidado por engano para uma festa da alta sociedade inglesa, faz desmoronar a pose dos convidados. Cohen usa a mesma estratégia ao encenar a visita de Borat aos EUA. As diferenças de comportamento do repórter, ficcionais e elaboradas para forjar situações conforme o desejo do humorista, mostram uma cultura americana nem tão diferente assim, pontuada por preconceitos e pensamentos reacionários. "Borat" recorre a formatos consagrados para subvertê-los sem piedade. O falso documentário televisivo, bastante explorado desde o sucesso da comédia belga "Aconteceu Perto de sua Casa" (1992), é renovado graças à opção por uma espécie de "embate com o real". Boa parte das situações do filme registra o encontro de Borat (que se passa por verdadeiro) com pessoas comuns. Não distinguir o que é e o que não é encenado faz parte da proposta. Cohen manipula esses elementos a favor de uma graça que não é "esperta", mas auto-reflexiva e politicamente demolidora. Uma das primeiras experiências de Borat nos EUA é uma "aula de piada". Cohen não discute só os preconceitos mas a forma de fazer humor. Assim como Borat cria problemas para quem está perto, gerando momentos perturbadoramente verdadeiros, Cohen e o diretor Larry Charles levam o humor aos seus limites sem oferecer respostas fáceis. Por Pedro Butcher - Folha de São Paulo 11.3.07
John Travolta faz travesti em nova versão de "Hairspray" Nas primeiras horas da manhã de sábado, nos estúdios de som da nova versão para o cinema de "Hairspray", a mulher gorda cantava. Ou pelo menos dublava uma trilha pré-gravada. Então tudo terminou para John Travolta. O astro de "Nos Tempos da Brilhantina" concluiu seu retorno aos musicais.
Travolta despediu-se da farta Edna Turnblad - o mesmo papel criado pela falecida travesti Divine no filme de John Waters de 1988 e pelo vencedor do Tony Harvey Fierstein no show de sucesso na Broadway. A versão de Travolta deverá chegar aos cinemas no próximo verão americano. "É bom", disse o ator exausto ao ver-se finalmente livre do corpo volumoso de Edna. "O efeito que causei é divertido, mas é muito trabalho, cara." Travolta, 52, passou a última semana filmando o "gran finale", "You Can't Stop the Beat", com Michelle Pfeiffer no papel de Velma Von Tussle, Christopher Walken como o marido Wilbur e a novata borbulhante Nikki Blonsky, 17, como a filha de Edna. Embora essa cena tenha concluído a participação de Travolta, a filmagem continua. Travolta quis fazer uma Edna mais sexy e real, e não um número "drag" brega. Isso exigiu quatro horas de preparação antes das oito horas atuando com enchimentos e próteses de silicone. "Parece que estou saindo de uma prisão. É um alívio sentir o ar novamente na pele e respirar", ele diz. É a primeira vez em sua longa carreira que ele interpreta uma mulher, exceto quando fez Barbara Streisand no programa "Saturday Night Live". Tornar-se Edna foi uma revelação. "Eu pensei: 'Meu Deus, como as mulheres fazem isso?' Sei que minha mãe usava cinta, sutiã etc., mas puxa! Como elas suportam meias e saltos altos? O nível de desconforto é surpreendente." "Quando você tem de dançar tanto e manter um padrão, simplesmente vai em frente e esquece as roupas. Mas quando o número termina você está sem fôlego." Travolta não está exatamente respirando fácil com seu próximo projeto, uma adaptação para o cinema do seriado de TV "Dallas", que começaria a ser filmada no mês que vem mas foi adiada para janeiro. Ele ainda vai interpretar o traiçoeiro J.R. Ewing. Mas outros autores antes elencados, como Jennifer Lopez no papel de Sue Ellen, Luke Wilson como o irmão Bobby e Shirley MacLaine como Miss Ellie, não mais. "Acho que fizeram uma pesquisa", explica o ator. "Gostaram de mim como J.R. e gostaram do título 'Dallas'. Mas querem me ver com comediantes ao meu redor, para garantir que seja uma comédia." A boa notícia é que o público ficou maluco com o trailer de "Wild Hogs", sua nova comédia co-estrelada por William H. Macy, Martin Lawrence e Tim Allen como motociclistas de cross-country. "A próxima atração foi a mais cara na história da Disney", disse Travolta. Por Susan Wloszczyna - USA Today 9.3.07
O'Toole brilha em filme britânico desigual Bioy Casares, o escritor argentino, notou, chegando a certa idade, que se tornara invisível para as mulheres. Elas passavam e era como se não existisse, ele disse. Adolfo Bioy Casares era conhecido em seu meio como homem bonito e sedutor. Bem menos, em todo caso, do que Peter O'Toole, que está para a Inglaterra como Mastroianni está para a Itália, como Alain Delon para a França.
Em "Vênus", no entanto, O'Toole chegou a essa idade a que se refere Bioy. Ele se chama Maurice e arrasta sua velhice com o amigo Ian (Leslie Phillips). Juntos, eles recordam momentos passados no palco -são atores-, vão ao teatro, contam tostões da aposentadoria. A rigor, esperam pela morte. Isso até que Jessie (Jodie Whittaker), sobrinha-neta de Ian, entra em cena para horror de Ian e alegria de Maurice. Maurice parece não se incomodar com os modos grosseiros de Jessie. Não é isso o que ele vê. Maurice vê nela uma beleza que talvez nem ela mesma consiga ver. Jessie afasta o velho para longe de si sem grande sutileza. Ele não se importa. Velho sedutor, busca seduzi-la, agradá-la. Tornar-se visível à jovem, em suma. O que ele deseja? Questão complicada. Maurice não é tolo e conhece o abismo etário que o separa da jovem. Isso não o impede de levá-la à National Gallery de Londres para ver a "Vênus" de Velásquez. Essa é a idéia que ele faz de Jessie. Até que ponto poderá ela permanecer indiferente a isso? Fiquemos por aqui, por um tempo. A primeira parte do filme é uma delícia. Seja pelo modo de vida dos velhos atores, pela discrepância em suas maneiras de ver o mundo (Ian, ao receber a sobrinha-neta, pede por eutanásia; Maurice se apaixona), pelo contraste entre os modos do velho e da jovem, pelos diálogos de humor cortante, à inglesa. A segunda parte tem como centro uma operação da próstata que torna Maurice impotente. E não só ele: o filme junto, na medida em que toda a ambigüidade, que até então se cria em torno das relações entretidas pelo velho com a moça, perde-se desde então. Talvez interessasse ao roteirista Hanif Kureishi (que escreveu os primeiros sucessos de Stephen Frears) notar que o desejo sobrevive à ereção -o que não é insignificante. Talvez isso não interessasse na mesma medida ao diretor Roger Michell (que é antes de mais nada um bom "faire valoir" de atores de primeira linha), ou, quem sabe, Michell não estivesse à altura desse desafio. O fato é que, na segunda parte, "Vênus" acumula meio ao acaso momentos significativos e outros (como a entrada em cena do namorado de Jessie) que parecem estar lá só para dar metragem ao filme. O mistério do desejo e sua ambigüidade, representados por Maurice, cedem lugar a um velho quase gagá em sua relação absurda com a garota. Apesar disso, mesmo nos momentos em que "Vênus" parece a ponto de perder sua força, em que a comédia dramática parece pronta a ceder lugar a um drama massudo e pouco apaixonante, Peter O'Toole continua a criar um personagem impecável. É ele, a rigor, seu presente e seu passado, sua beleza impecável, quase feminina, o começo e o fim, o fundamento de "Vênus". Ele é um espetáculo. O ano favorito de Peter O'Toole - ele fala sobre vaidade, romance e o OscarPeter O'Toole fez uma rara visita a Los Angeles nesta semana, de sua residência em Londres. Ele foi ovacionado de pé no almoço dos indicados ao Oscar, e provou, durante uma entrevista no dia seguinte, que os rumores de que não está bem são exageros. Com um aperto de mão de ferro e olhos azuis pálidos brilhando com travessura, o ator irlandês de 74 anos ofereceu muitas risadas, brincadeiras e entusiasmo enérgico enquanto falava de sua carreira e seu último filme, "Vênus", que lhe deu sua oitava indicação ao Oscar de melhor ator. Os outras foram "Lawrence da Arábia" (1962), "Becket" (1964), "O Leão no Inverno" (1968), "Adeus Mr. Chips" (1969), "A Classe Dominante" (1972), "O Substituto" (1980) e "Um Cara Muito Baratinado" (1982). O'Toole ainda não venceu uma estatueta, apesar de ter recebido um Oscar honorífico em 2003. Apesar de ninguém querer partir para o clichê de "Se houver justiça...", seu trabalho em "Vênus" talvez seja o mais rico, a mais completa caracterização que já fez em filme. Seu ator idoso Maurice, apesar de ter saúde frágil, exala uma sofisticação divertida, é apaixonado, irresponsavelmente centrado em si mesmo. Ele deseja a neta de um colega, interpretada pela novata talentosa Jodie Whittaker. Apesar de soar pervertido, O'Toole traz tamanha doçura, compreensão e hilaridade ao papel que você não consegue evitar ser cativado pelo velho safado. Mesmo assim, não se deve dizer que este filme é a conquista da vida do próprio O'Toole, também celebrada de forma indulgente no teatro e no cinema. Seria tolice dizer que está apenas começando. Ele não tem o menor problema em admitir as limitações da idade. Mas como disse quando lhe ofereceram pela primeira vez o Oscar honorífico, O'Toole ainda está no jogo, e seria ainda mais tolo apostar que não há grandes trabalhos adiante. Spoiler: Maurice é um personagem tão maravilhosamente detalhado. Estava tudo nas páginas, ou o senhor trouxe suas próprias idéias? Peter O'Toole: Para mim, hoje tanto quanto no início, tudo está no roteiro. Bons personagens fazem bons atores. Se você encontrar um bom personagem que também está em um bom roteiro, então você encontrou ouro, e precisa ser feito - da melhor forma possível. O fato que temos o mesmo trabalho, Maurice e eu, é quase tudo (que há de semelhança). Não há outras conexões que eu possa ver. Mas, na verdade, nunca vejo. Spoiler: Mesmo assim, muitas pessoas estão interpretando o filme como um resumo da vida e obra de Peter O'Toole. O'Toole: Bem, é inevitável. E fico deliciado que as pessoas o façam. Em minha opinião, nosso ramo é sobre esse tipo de farsa. Além das pessoas em minha profissão, quem saberia a diferença entre um personagem e eu, ou que os dois não são relacionados; não é esse o ponto da ficção? Quero dizer, é a vida imitando a arte e essas coisas. Spoiler: O senhor se imaginaria terminando como um ator que vai de papel em papel como Maurice, se David Lean não o tivesse convidado para fazer T.E. Lawrence? O'Toole: não. Eu estava me saindo muito bem, obrigado, antes de "Lawrence da Arábia". Fiz alguns filmes. Estava liderando a companhia de Stratford. Eu só tinha 27 anos - estava fazendo Shylock, Petruchio. Estava me saindo bem. E se isso soa negativo, não é minha intenção. "Lawrence da Arábia" foi uma experiência incrível, única na vida. Spoiler: Conte-me. O'Toole: Adorei, apesar de ter sido duro. E foi muito duro. Algumas vezes o calor doía. Mas nós éramos uma companhia maravilhosa - e nas condições mais duras possíveis. Filmamos na Arábia e estávamos em um ponto 650 km da água mais próxima, para você ter uma idéia. Mas David Lean tinha me dito no primeiro dia: "Bem, Pete, você está partindo para uma grande aventura". E eu não tinha feito tantos filmes, então para mim era realmente, e todas as dificuldades e durezas da filmagem no deserto tornaram-na uma aventura. Trabalhávamos entre o Mar Vermelho e o que eles chamavam de Estrada dos Reis, que passava pelo Oriente Médio - um lugar cheio de história. Não só a história dos cruzados, da Primeira Guerra. Eu enviei livros sobre a região da Inglaterra para o local da filmagem. Era incrível. E então, depois de agüentar nove meses no deserto, o resto foi fácil. Spoiler: Havia comentários na época sobre sua aparência. O senhor foi chamado de belo ao menos tão freqüentemente quanto de bonito. Uma foto do senhor jovem é até citada em "Vênus". Então como o senhor passa por isso tudo sem acabar totalmente vaidoso? O'Toole: Você já encontrou alguém que se achava bonito? Trabalhei com algumas das mulheres mais bonitas do mundo, e elas não têm a menor confiança em sua aparência. Apelidaram-me de Bubbles quando eu era menino, porque eu tinha cabelo cacheado. Eu era um chato quando tinha 16, 17, 18. Um saco! Mas eu fui para a Academia Real de Artes Dramáticas quando eu tinha 21, e havia muita gente bonita em volta, então... Muito obrigado mesmo! Meu figurinista fica louco porque eu nunca me olho no espelho, e sou descuidado. Ele sempre tem que tirar creme da minha bochecha enquanto estamos descendo pelo corredor. Spoiler: Em "Vênus", o senhor ficou com medo de fazer o papel de um idoso frágil que enfrenta a própria mortalidade? O'Toole: Pelo contrário, rejuvenesce. Um bom trabalho, fazer um bom trabalho - eu fiquei igual uma criança. "Vênus" não medita sobre a mortalidade, expressa-a; você a vê em ação. E outra coisa é que é terrivelmente engraçado. Spoiler: Perguntamos isso por causa dos boatos que dizem que o senhor tem estado doente demais para vir a Los Angeles para grande parte dos (eventos) absurdos da temporada de prêmios. O'Toole: Ah, estou bem. Eu estava exausto. Ouça, venho lendo os jornais sobre mim e é tudo lixo. O que aconteceu foi que eu estava absolutamente, de cima a baixo, exausto. Foram anos difíceis, por vários fatores. Mas não teve nada a ver com "Vênus". Spoiler: Sabemos que o senhor quebrou um quadril durante o intervalo da produção para o Natal de 2005. Mas o senhor obviamente está saudável o suficiente para se recuperar rapidamente. O'Toole: Foi muito engraçado, de fato. A cerca de 18 meses, um médico fez um discurso sobre cigarros e bebida -normal. Aí ele disse: "O que o senhor faz como exercício?" Bem, eu nunca fiz nenhum exercício na minha vida. Muitas vezes eu disse que o único exercício que eu faço é seguir os caixões dos amigos que faziam exercício. Então ele disse: "Bem, exercite-se." Então eu fui para uma escola de críquete e uni-me aos profissionais internacionais. Fiz as rotinas deles por seis semanas e saí me sentindo ótimo. De qualquer forma, estávamos filmando e chegou o dia após o Natal. Normalmente, nesse dia ou em qualquer dia em que não estou trabalhando - ou em qualquer dia mesmo - demoro muito para acordar. Um olho malvado se abre e olha para este mundo pouco amigável. Eu levo uma hora para tirar um pé das cobertas. Tenho uma tosse enorme, me sinto péssimo, depois lentamente me arrasto até o banheiro. Então, era a manhã após o Natal. Acordei e lembrei: "Ah, não estamos gravando, é Natal. Que bom!" Pulei da cama, tropecei nos sapatos, destruí meu quadril. Mas foi tudo bem. Estava andando em 48 horas. Spoiler: E agora você está em sua oitava disputa pelo Oscar. O senhor sente que provou algo, após receber aquele prêmio de honra para o qual o senhor se achou jovem demais? O'Toole: Bem, eu achei que era uma homenagem um pouco prematura. Mas não há sentido de vingança agora, de forma alguma. Ouça, houve uma confusão de mensagens, uma confusão que hoje é assumida como fato. Eu disse que ainda estava no jogo. Mas meus filhos me disseram que não havia honra maior no ramo do que receber um Prêmio de Honra da Academia. Então eu vim e adorei - adorei cada segundo. Depois veio isso, e - ha ha - aqui vamos nós! Spoiler: Quantas chances o senhor acha que tem? O'Toole: Bem, minhas expectativas são baixas, então não posso ficar desapontado demais. Aprendi da forma difícil. Spoiler: Já que estamos considerando as lições do passado, há alguma coisa que o senhor desejaria ter feito diferentemente? Ou não teria feito, talvez envolvendo bebida demais? O'Toole: Não. Veja, eu tenho essa coisa estranha que é condenável. Mas não me arrependo nem um pouco. As pessoas entendem mal, sabe. Elas acham que é uma espécie de vício triste, que passo as noites nos bares. Foi meramente um combustível para o que estava fazendo no momento. A bebida solitária não me interessa, nunca me interessou e nunca vai. Dê-me uma dança ou alguma diversão ou algo. Finalmente aprendi, porém, na minha sabedoria septuagenária, a me controlar. Ha ha ha ha! Spoiler: E as mulheres hoje em dia? Está saindo com alguém? O'Toole: Não, não estou. Estou livre. Spoiler: Então está no jogo? O'Toole: Se o campo se abrir na minha direção, talvez eu caminhe gentilmente pelos trevos. Spoiler: Além disso, há alguma coisa que o senhor não tenha realizado que gostaria, ou ainda fará? O'Toole: Quando eu era jovem, eu queria fazer Rei Lear. Mas o Rei Lear precisa de muito estofo, e você não faz esse papel antes dos 45, 50 anos, nunca vai conseguir. Mas acho que é a única coisa que queria fazer e não fiz. O resto? Ouça, eu fiz, e estou muito, muito satisfeito. Fui enormemente agraciado e apreciei grande parte. E continuo apreciando. Meus melhores anos ainda podem estar por vir! Por Inácio Araujo (Folha de São Paulo) & Bob Strauss (Los Angeles Daily News) 7.3.07
Bom elenco dá força a drama inglês É preciso assistir a "Notas sobre um Escândalo" com dois pés atrás. O primeiro: filmes em que os atores principais são anunciados como ""sir" Fulano de Tal" e "dame" Sicrana da Silva". Para a subserviente imprensa de entretenimento norte-americana, para a indústria do entretenimento dos EUA em geral, a Inglaterra representa não o ex-opressor cuja derrota inspiraria a criação desse país, mas uma idéia de nobreza perdida.
Daí o fato dos membros do Império Romano, os cavaleiros das Cruzadas e as entidades mais iluminadas do espaço sideral serem representados quase sempre por atores com sotaque britânico. Assim, seus títulos nobiliárquicos devem ser grudados aos nomes como o insuportável "Academy Award Winner Fulano de Tal" ou, mais comum, "Academy Award Nominee José das Couves", que os locutores de trailers falam com aquela voz rouca e falsamente animada antes de anunciar o elenco de tal e qual filme. Pois "Notas" tem tanto uma "Academy Award Nominee/ Winner" (Cate Blanchett, três vezes indicada, um Oscar) quanto uma "dame" que também é "Academy Award Nominee/Winner" (Judi Dench, seis vezes indicada, um Oscar). O segundo pé atrás é o livro de Zoë Heller no qual o filme se baseia, "Anotações sobre um Escândalo" ("What Was She Thinking - Notes on a Scandal", Record, 2006). Apesar de ser ficção, guarda uma incômoda semelhança com um caso real. Em 1997, a professora Mary Kay Letourneau, 34 anos, casada, com três filhos, se envolveu com um de seus alunos, Vili Fualaau, de 12, em Seattle, nos Estados Unidos. O caso foi coberto à exaustão pela imprensa, os dois se tornaram celebridades dos tablóides. Ela foi condenada, cumpriu sete anos e meio e, assim que foi solta, em 2005, se casou com o menino, hoje com 22 anos. Pois bem, não é essa a história do filme/livro. Mas é quase. A professora de artes Sheba (inglês para Sabá, como a rainha bíblica) se envolve sexualmente com um aluno menor de idade numa escola de Londres. É descoberta por Barbara, uma professora prestes a se aposentar que não assume sua homossexualidade, mas tem em sua história uma outra grande paixão por outra jovem professora. Solitária e observadora, usa o seu vasto tempo livre para escrever diários, nos quais conta detalhes da vida de sua gata velhinha e de tudo o que se passa ao seu redor. Quando descobre o caso da colega, percebe que o conhecimento da escapadela pode lhe dar o poder para tentar chantageá-la e, quem sabe, fazê-la se apaixonar por ela. Sheba faz como Barbara quer, promete o que ela pede, que o caso seja rompido, e até inicia uma amizade com a veterana. Mas está envolvida demais tanto com o garoto quanto com sua vida familiar, às voltas com a filha adolescente e um filho com síndrome de Down, e não atende a todos os pedidos da amiga na hora em que ela quer. Daí virá o tal escândalo. Pois o filme é bom. Muito bom. Principalmente por conta das interpretações da "ganhadora da academia" Cate Blanchett, como Sheba, e da dama Judi Dench, como Barbara. Some a isso o impecável Bill Nighy como o marido mais velho, e pronto. Nighy, aliás, não é "sir" nem "indicado a" ou "ganhador de Oscar", mas um dos melhores atores britânicos hoje, com uma paleta de interpretação que vai da suavidade de "The Girl in the Café" (2005), como o diplomata reprimido, à comicidade de "Simplesmente Amor" (2003), como o impagável roqueiro decadente Billy Mack. "Notas sobre um Escândalo" é dirigido por Richard Eyre, do ótimo "Iris", a história real da novelista Iris Murdoch e de seu marido, o também escritor John Bayley, e a luta do casal contra o Alzheimer, que acaba por tomar completamente a escritora. A interpretá-la está ela, a dama, Judi Dench. Zoë Heller desaprova Barbara "maligna"A jornalista e escritora inglesa Zoë Heller já havia deixado claro que preferia que o roteirista Patrick Marber e o diretor Richard Eyre fizessem um "artefato completamente novo e interessante", em vez de tentar uma adaptação "dita fiel" do seu romance, "Anotações Sobre um Escândalo", lançado originalmente em 2003 na Inglaterra e que foi finalista do Booker Prize, mais importante prêmio literário britânico, no ano seguinte. "O que quer que eles façam, meu livro continuará a existir como meu livro. Não tenho um sentimento de propriedade sobre o filme", disse a autora à Folha, quando seu livro foi publicado no Brasil, no ano passado. "Patrick Marber tem sido extremamente solícito e encantador ao longo de todo o processo. Nós nos encontramos várias vezes e tivemos conversas muito agradáveis e interessantes sobre o que ele estava fazendo." Heller, no entanto, que chama a atenção para o fato de pertencer a uma "família de roteiristas", e que não teria estabelecido condições à adaptação, diz agora que tem sido um tanto difícil para ela se "conformar" com a versão de Marber e Eyre para Barbara, personagem vivida no filme por Judi Dench. "Ela é infinitamente mais maligna e predatória do que a minha Barbara", reclama a escritora, que já se sentia "decepcionada" quando encontrava leitores que não tinham qualquer "simpatia" ou solidariedade com a personagem, cujas atitudes ambíguas provocam a reviravolta na trama. "Num certo ponto, tem-se uma sensação desconfortável de como a verdade está sendo filtrada pela perspectiva excêntrica de Barbara", ressalta Heller, defendendo as várias facetas da personagem. "Pessoalmente tenho muito carinho por ela. Barbara é uma mulher muito solitária, amarga, rude e bem maluca. Mas que também deveria soar engraçada." Nem tudo parece errado, porém, na adaptação que ora chega às telas. Heller acredita que, no fim das contas, a Barbara criada por Marber "realmente funciona". E que os desempenhos de Dench e Cate Blanchett são "enormemente talentosos". "Eu não diria que elas são completamente fiéis aos personagens que escrevi. Mas são interpretações inteligentes e interessantes. Então estou perfeitamente contente." Ressalvas feitas, Heller faz também alguns elogios a acréscimos que Marber fez à sua história. A escritora conta que gosta muito de algumas cenas inventadas pelo roteirista: "Como a briga entre Sheba e o marido depois que ele descobre sua infidelidade, por exemplo. E também a passagem em quem Stephen aparece na casa de Barbara no dia de Natal. São cenas que enriquecem a dramaticidade da trama original." Por Sérgio Dávila & Eduardo Simões - Folha de São Paulo 4.3.07
Os Simpsons... maiores do que nunca Contando os dias em que Homer, Marge, Bart e Lisa apareceram em curtas de animação no programa "The Tracey Ullman Show", "Os Simpsons" já estão na televisão gratuitamente há quase 20 anos.
Assim, é fácil entender por que os criadores da série, Matt Groening e James L. Brooks, estão relutantes em revelar muito sobre "Simpsons - O Filme", que será lançado nos cinemas americanos em julho. Eles precisam dar aos fãs um motivo para desembolsarem US$ 10 pelo ingresso. "Eu direi que temos coisas no filme que não podemos fazer na TV", disse Groening. "Pode haver alguma nudez. Pode ser de pessoas que você queira ver nuas. Pode ser pessoas que você NÃO queira ver nuas. Mas você verá coisas que nunca viu antes." Enquanto a mente fica zonza diante da pequena revelação de Groening (um nu frontal do Comic Book Guy -o sujeito da loja de quadrinhos- meu Deus, não!), deve ser notado que "Os Simpsons -O Filme" terá classificação PG-13 ("nós esperamos", brinca Groening, se referindo à classificação que permite que menores de 13 só possam assistir acompanhados de pai ou responsável), exibe todos os personagens do vasto universo de Springfield (até mesmo o Comichão & Cocadinha e o Homem-Abelha) e tenta obter um equilíbrio entre a estupidez pastelão de Homer e o humor de personagem. Avaliando apenas pelos trailers e pelas pequenas cenas inacabadas exibidas na Comic-Con (a convenção de quadrinhos de San Diego) no ano passado, seria possível imaginar que o filme se apóia bastantes nas "gags" de Homer.(Groening confirma que o elenco convidado incluirá Albert Brooks, juntamente com "algumas boas surpresas".) Em uma cena, Homer é perseguido por uma turba furiosa que inclui o dr. Hibbert, que grita: "Eu vou matar você, seu filho da puta!" Outro clipe, presente na recém-lançada caixa de DVDs "Os Simpsons -9ª Temporada", exibe Marge exigindo que Homer se livre do silo gigante de dejetos de porco encontrado no quintal deles. Será que a fúria da cidade contra Homer tem algo a ver com seu método para se livrar dos dejetos de porco? "Nós apresentamos algumas histórias falsas", disse Brooks. "Antigamente as comédias nunca colocavam suas melhores piadas nos trailers. Agora, com o marketing mandando, você começa o trailer com a melhor piada. Nós estamos tentando chegar a um equilíbrio entre os dois." Groening acrescentou: "Mas pode levar a sério o descarte de dejetos de porco. Pisar na bola nisto poderia realmente estragar o dia de alguém." A equipe criativa por trás de "Os Simpsons" tem discutido idéias para um filme desde 1992, quando se pensou em esticar o episódio "Acampamento Krusty" para o tamanho de um longa metragem. Mas produzir uma série de televisão, um empreendimento que toma o ano todo, impediu qualquer tipo de ação. Outro fator: a Fox queria opinar na criação do filme. Assim que o estúdio desistiu, disse Brooks, o filme começou a avançar e rápido. Groening descreve o encontro inicial de um grupo de astros roteiristas de "Os Simpsons", onde a trama básica foi acertada em duas horas. "É claro que foram necessários 15 anos para se chegar aí", disse Groening. Será que estão alguns anos atrasados? É uma pergunta feita por muitos antigos fãs que acreditam que a série, atualmente em sua 18ª temporada e que exibirá o 400º episódio em maio, perdeu o rumo, sem contar sua originalidade. Adam Wolf, que mantém o site dedicado à série "Last Exit to Springield" (última saída para Springfield www.lardlad.com), duvida que o filme possa "recapturar a magia dos primeiros anos aos intermediários". "A série está completamente diferente agora", disse Wolf. "Retornar aos anos de glória a esta altura seria um feito espetacular, mas que também levaria à pergunta sobre o motivo dos episódios não serem tão bons quanto o filme." As críticas de Wolf: gags demais às custas da história, Homer demais (o que anda de mãos dadas com a primeira queixa, porque Homer geralmente é a fonte do pastelão da série). O veterano dos "Simpsons", Al Jean, que comanda a série desde a 13ª temporada, respondeu às críticas: "Surpreender as pessoas após 18 anos é difícil. Mas a verdade é que lido com tal sensação desde a segunda temporada. Não é nova." Groening acrescentou: "Todo episódio é o melhor que já fizemos? Não. Mas ainda somos consistentemente engraçados e surpreendentes. Você pode se queixar de que há Homer demais. Você também poderia se queixar de que há Pernalonga demais. Mas eu ainda quero ver o Pernalonga e não o Pepe Lê Gambá, e eu gosto do Pepe Le Gambá!" As expectativas dos fãs incomodam este pessoal? Jean disse no ano passado que se sentisse alguma pressão adicional, ele viraria um diamante. Brooks disse que os roteiristas, que são 11, se preocuparam tanto no início que foi necessário a todos quase um ano para "sentirem que não nos importávamos". "Era preciso um espírito descontraído para fazer este filme", disse Brooks. "Nós conseguimos, mas levou um ano." "O que é ótimo sobre 'Os Simpsons'", ele acrescentou, "é que você pode ir em várias direções diferentes de comédia rasteira, alta comédia, comédia romântica, ação e fazer com que tudo funcione no mesmo filme. Pessoas diferentes riem de coisas diferentes. Eu acho que o filme cobre todas as bases." "Eu vou ficar decepcionado se as pessoas não sentirem alguma emoção real", disse Groening. "Mas eu também ficaria decepcionado se algo grande e pesado não caísse no Homer." Por Glenn Whipp - Los Angeles Daily News |