TOP10 SPOILER
1. Ratatouille
2. Paris, Te Amo
3. Treze Homens e um Novo Segredo
4. Harry Potter e a Ordem do Fênix
5. O Despertar de uma Paixão
6. Zodíaco
7. Lady Vingança
8. Shrek Terceiro
9. Ventos da Liberdade
10. Homem-Aranha 3

TOP3 JANEIRO
1. Babel
2. Apocalypto
3. Diamante de Sangue

TOP3 FEVEREIRO
1. Pecados Íntimos
2. Cartas de Iwo Jima
3. A Rainha

TOP3 MARÇO
1. Notas Sobre um Escândalo
2. O Cheiro do Ralo
3. 300

TOP3 ABRIL
1. Vermelho como o Céu
2. Ventos da Liberdade
3. Miss Potter

TOP3 MAIO
1. Lady Vingança
2. Homem-Aranha 3
3. Nome de Família

TOP3 JUNHO
1. O Despertar de uma Paixão
2. Zodíaco
3. 13 Homens e Outro Segredo


TOP10 CURTAS
1. O Nosso Livro
2. As Coisas que Moram nas Coisas
3. Alguma Coisa Assim
4. Balada das Duas Mocinhas de Botafogo
5. Yansan
6. Crisálidas
7. Tyger
8. Aquele Cara
9. Lady Christhiny
10. Meu Namorado é Michê

31.1.07

Spoiler Especial: 23º Festival de Cinema de Sundance 2007

Uma visão geral do Sundance Film Festival 2007


A 23ª edição do Sundance foi uma das mais ecléticas e politizadas dos últimos anos, a começar pelo tema dos filmes que abriram e encerraram o festival. "Chicago 10", de Brett Morgen, que deu partida ao festival independente no dia 18 de janeiro, aborda os acontecimentos ocorridos durante a Convenção do Partido Democrata em Chicago em 1968, quando os manifestantes, a polícia e a Guarda Nacional se bateram em violentos choques. Na ocasião, dez dos líderes das manifestações foram presos e condenados num julgamento de cartas marcadas, posteriormente anulado por cortes superiores. Entre os condenados, estavam o líder dos Panteras Negras Bobby Seal, e Abbie Hoffman, David Dellinger, Jerry Rubin e Tom Hayden (posteriormente casado com Jane Fonda), ativistas e ideólogos de diversas tendências da esquerda americana. O filme de encerramento no dia 28 trouxe o produtor e roteirista Nelson George apresentando seu último trabalho, "Life Support". Baseado numa história real, o também politizado filme de George é sobre uma comunidade afro-americana do Brooklyn em crise devido a uma epidemia de vírus da Aids. Outro fato a ser notado é que pela segunda vez um documentário abriu o Sundance, repetindo o ocorrido em 2002 com "Riding Giants", de Stacy Peralta.

O festival, que começou em 1981 como uma mostra regional sem maior importância, foi englobado em 1985 pelo Instituto Sundance, criado pelo ator e diretor Robert Redford e pelo diretor Sidney Pollack, entre outros. De lá para cá, transformou-se em um festival de enormes proporções e, a cada ano, o número de filmes inscritos bate novo recorde. Para esta edição foram submetidos 3287 longas, sendo 1.852 americanos e 1435 internacionais. É o maior festival americano e o mais importante evento de cinema independente do mundo. Na entrevista coletiva, que antecedeu à sessão de "Chicago 10", Redford lembrou que o festival é apenas mais uma iniciativa entre as muitas que o Sundance Institute promove e que o enorme crescimento que o festival teve ao longo dos anos é uma surpresa também para os organizadores. "Nas primeiras edições, aqui mesmo neste Egyptian (o cinema ícone do Sundance), nós ficávamos na porta convidando as pessoas para que entrassem e assistissem aos filmes e nenhum jornalista se deslocava para Park City. Hoje, vejo este cinema lotado pela imprensa especializada e acho isso ótimo", disse complementando que o espaço surgido com o crescimento do festival deve ser ocupado preferencialmente pelos documentários. "Tenho uma ligação muito próxima com o gênero desde menino. Quando vivia em Los Angeles, eu via os temas da guerra em filmes documentais e, através deles, ficava sabendo o que se passava no mundo", contou, afirmando que quem quiser saber como está a realidade atual, deve assistir aos docs. Por fim, Redford, foi ovacionado ao dar o tom do que seria a edição 2007: "Quando um filme pode mostrar e ilustrar como mentiram para nós e as conseqüências dessas mentiras, eu acho que adquirimos algum poder", declarou.

Por sinal, a realidade do cenário atual, à qual se referiu Redford, predominou nas mostras competitivas americanas, espelhando a crueza do mundo globalizado, suas guerras, violência, conflitos e desagregação política, racial e social. Na seção de documentários, por exemplo, foram destaques "Ghosts of Abu Ghraib", de Rory Kennedy, sobre os abusos ocorridos na prisão iraquiana no outono de 2003; "Everything´s Cool", de Judith Helfand e Daniel B. Gold, que faz um vigoroso alerta sobre o aquecimento global; e o assustador "Manufactured Landscapes", da canadense Jennifer Baichwal, que expõe a destruição do meio ambiente na China. Na competitiva de dramas não foi diferente e o mesmo pôde ser visto em bons filmes como: "Padre Nuestro", de Christopher Zalla, a história de Juan, um criminoso, transportando imigrantes ilegais do México para Nova York; e "Grace is Gone", de James C. Strouse, sobre um jovem pai cuja mulher foi morta no Iraque e que precisa encontrar coragem para avisar suas duas filhas. Muitos filmes ficcionais também trouxeram para as telas temas pesados ou muitas vezes adaptações de fatos reais, como foi o caso de "Ghosts", de Nick Broomfield (UK) que concorreu na Mostra Cinema Mundial. O filme é a história trágica de uma imigrante chinesa ilegal e sua luta impotente por uma vida melhor na Inglaterra. "Broomfield", mais conhecido por seus trabalhos documentais, esteve no Sundance 93 com o documentário "Aileen Woornos: The Selling of a Serial Killer". "Never Forever",de Gina Kim, com a ótima Vera Farmiga, por sua vez, é um excelente drama de conotações raciais.

Esta edição também incluiu temas que geraram debates acirrados, protestos e até ameaças de processos, como foi o caso de "Hounddog", de Deborah Kempmeier, que conta a história de Lewellen, uma menina que vivia no sul dos Estados Unidos, na década de 50, com uma avó prepotente e um pai com tendências incestuosas. Em sua vida vazia, ela somente encontra consolo nas canções de Elvis Presley, do qual é fã apaixonada. No desenrolar da história, Lewellen é estuprada por um entregador de leite de 20 anos, que a engana oferecendo uma entrada para um show de Elvis, que está na cidade. O alarde é que Lewellen é interpretada por Dakota Fanning, de apenas 13 anos, já bastante famosa com mais de 30 trabalhos na tevê, publicidade e cinema, onde já atuou com nomes importantes como Tom Cruise ("Guerra dos Mundos"), Sean Penn ("O Amigo Oculto") e outros.

Conservadores da direita americana, sobretudo religiosos, ameaçaram entrar na justiça com processos e a diretora tem sido questionada sobre as cenas de nudez e estupro. "As pessoas que estão contra o filme não o assistiram. As cenas foram todas coreografadas, feitas com muito cuidado e delicadeza e Dakota não sofreu nenhum tipo de constrangimento. O filme dá voz a muitas pessoas que, devido a inúmeros motivos, precisaram calar e não denunciaram os abusos e violências sexuais que sofreram", diz Kempmeier, que é apoiada pela RAINN (Rape, Abuse and Incest National Network) uma organização americana de defesa da infância e adolescência. De fato, a tão criticada cena do estupro leva menos de um minuto e nela aparece unicamente o rosto e as mãos crispadas de Dakota. A revelação do que está ocorrendo é transmitida aos espectadores apenas pela ótima interpretação da atriz, que expressa com perfeição todo o horror a que está sendo submetida.

Outro que também foi muito comentado e se tornou um cult foi "Teeth", de Mitchell Lichtenstein (filho do famoso e caríssimo pintor Roy Lichtenstein), que traz para as telas o mito greco-romano da vagina dentata. O filme ganhou até sessões extras na imprensa e de público tal o enorme número de pessoas que não conseguiram ingressos e queriam ver o filme. Por último, o documentário "Zoo", de Robinson Devor "não tanto pela polêmica, mas pelo inusitado do tema" aborda a zoofilia, narrando um episódio que foi publicado em vários tablóides sobre homens que mantinham relações sexuais com cavalos. Devor aborda o assunto de forma inteligente sem cair na exploração de um assunto tão escabroso, se fixando mais no drama psicológico das pessoas envolvidas.

O Brasil participou nas mostras competitivas Cinema Mundial com "O Cheiro do Ralo", de Heitor Dhalia; na Documentário Mundial, com "Acidente", de Cao Guimarães e Pablo Lobato; e na de curtas com "Beijo de Sal", de Fellipe Gamarano. Baseado no romance de Lourenço Mutarelli, "O Cheiro do Ralo" segue o sádico dono de uma loja de penhores que humilha seus clientes, se aproveitando da extrema fragilidade em que eles se encontram quando procuram sua loja para vender objetos usados. O filme concorreu na Mostra Cinema Mundial e embora não tenha levado o prêmio, o fato de ter sido escolhido já foi uma vitória, já que para a pré-seleção se inscreveram 929 longas e foram escolhidos apenas 16. Sem contar que o filme teve uma ótima receptividade da platéia, que participou ativamente do debate que se seguiu à projeção na sessão de gala do filme. "Até onde sei, "O Cheiro do Ralo" tem o perfil do Sundance e de um filme tipicamente independente. Por isso, eu tinha mesmo a expectativa que ele iria encontrar o seu público em Park City e funcionar como um barômetro para o lançamento fora do Brasil", declarou Dhalia.

Gamarano, que teve o seu "Beijo de Sal" recentemente mostrado no último Festival de Nova York, repetiu, na competitiva de curtas, o sucesso que teve em Sundance na edição passada, quando apresentou "La Muerte es Pequeña". O ótimo curta de Gamarano é a história de Rogério e sua tentativa de trazer de volta à boa vida de playboy um de seus amigos mais chegados, que havia arranjado uma nova namorada e ameaçava afastar-se do grupo. "Estou no maior orgulho de ter sido novamente selecionado pelo Sundance, ter tido a boa receptividade do público independente e tudo o mais que vem junto depois de uma participação em um festival que, sem dúvida, é uma chancela de qualidade", afirmou o diretor carioca que vai participar também de Clermont Ferrant em fevereiro próximo.

Já "Acidente", de Cao Guimarães e Pablo Lobato, proporcionou um dos momentos mais poéticos do Sundance. O filme participou da mostra competitiva Documentário Mundial e foi um dos 16 selecionados das 506 inscrições submetidas ao festival. Acidente é um registro poético de 20 cidades mineiras com imagens tomadas aleatoriamente de acordo com fatos que iam surgindo diante da câmera. Os diretores encantaram a platéia com seu filme e o jeitão mineiro totalmente descontraído. Sob muitos aplausos foram chamados ao palco pelo apresentador, que falou da proposta poética do filme. Guimarães agradeceu ao festival a seleção do filme e fez uma brincadeira entre a temperatura gelada de Park City e a receptividade calorosa do Sundance.

No debate com o público, responderam a muitas questões da platéia, curiosa por mais detalhes da inspiração para Acidente. Guimarães explicou que eles não fizeram nenhum roteiro prévio. "Tínhamos apenas o poema e com ele deixamos que tudo fosse acontecendo acidentalmente, como diz o título do filme", explicou. Depois fez a platéia rir muito quando respondeu que as muitas águas (rios, cachoeiras) em seus filmes levam à meditação e à reflexão. "Mas pode ser também saudades da placenta materna", brincou. Ao final, ambos estavam bastante satisfeitos com a receptividade a Acidente e o interesse demonstrado pelo público. "O nosso filme vai na contramão de grande parte do cinema realizado hoje, principalmente o americano, em cujos filmes predominam cenas de muita ação, carros explodindo, violência. Assim, havia uma preocupação nossa de que o público independente não gostasse ou não entendesse a proposta. Mas, ao contrário, as perguntas feitas demonstram que a platéia captou perfeitamente o espírito do filme", disse Guimarães.

O Brasil esteve ainda nas telas do Sundance, mas como tema central da produção americana Manda Bala. Longe do tom poético e belo de Acidente, o filme aborda a questão da segurança em São Paulo e da corrupção no Brasil. Através de depoimentos e entrevistas, Manda Bala mostra, de uma forma unilateral e extremamente negativa, um lado obscuro de um Brasil ligado a seqüestros, violência , roubo de dinheiro público e as conseqüências de tais males em todos os envolvidos. O diretor - que é novaiorquino filho de mãe brasileira - deixa nítida em seu filme a influência de Errol Morris, documentarista que o próprio Kohn diz ser seu mentor. O filme é fotografado pela documentarista curitibana Heloísa Passos, que acaba de lançar seu novo trabalho Caminho da Escola Paraná, sobre a jornada vivida por crianças moradoras da Serra do Mar.

Por Carlos Augusto Brandão - Almanaque Virtual




Na Cova das Serpentes


A terrível maldição do Oscar existe?


Eu sei que é uma lenda mas, como toda invenção, é inspirada em fatos reais. E tem tudo a ver...

Como qualquer vencedor do Oscar irá confirmar, não é fácil ganhar um prêmio. Junto com o sucesso e a notoriedade vêm a responsabilidade, as escolhas, as pressões, os problemas. E, obviamente, o lado negativo: Os erros, os fracassos. Para o resto da vida, aquele que foi indicado ao Oscar poderá usar junto com seu nome a frase: "Academy Award Nominee" ou "Academy Award Winner". E se morrer, com certeza esse será o título de seu obituário. Pensando bem, como a América é uma democracia com saudades da realeza britânica, o Oscar ou Prêmio da Academia, como formalmente eles gostam de chamar, é o que há de mais próximo de um título de Sir ou Dame ou mesmo Lord. É a realeza americana.

Diante de tanta responsabilidade, é normal as carreiras declinarem. O que levou as pessoas a falar numa chamada "maldição do Oscar", mais ou menos como existe a "maldição de Tutankamon"? Talvez não com consequencias tão drásticas, ou letais, a não ser a morte de uma carreira. Parece que, historicamente, a lenda começou quando a atriz Luise Rainer ganhou Oscars de Melhor Atriz em anos consecutivos, por "Ziegfeld, o Criador de Estrelas" e "Terra dos Deuses" (1936 e 1937). Dali em diante, sua carreira não apenas declinou como, praticamente, ela nunca mais fez um filme ao menos razoável, de forma que, a partir de 1938, praticamente largou o cinema e foi esquecida. O caso, porém é que Luise era também uma personalidade difícil, não queria o estrelato. Foi nas duas entregas do prêmio de má vontade, forçada pelo estúdio, que sabendo que ela ganharia foi buscá-la na última hora. Num dos casos ela foi até sem se maquiar! Também preferia o palco ao Cinema e quando ela ganhou, já irritada com Louise, depois que o padrinho dela, Thalberg, morreu, a MGM não se preocupou em lhe dar bons papéis, ou seja, alimentar sua fama, achando também que o fato de ser duplamente premiada já seria suficiente para atrair o público. "Os prêmios foram ruins para mim", chegou a declarar Luise, "as expectativas para o meu trabalho eram fora da realidade. Depois de ganhar o Oscar você não pode cometer erros", concluiu. Da mesma coisa se queixaram dois astros que ganharam Oscars duplos, Bette Davis e Spencer Tracy. Ambos tiveram que lutar mais do que nunca nos respectivos estúdios para conseguir bons papéis. E, embora tenham sido indicados novamente, nunca mais ganharam.

Culpa de quem? Sabe-se, hoje em dia, que muitos atores do cinema mudo tiveram suas carreiras sabotadas pelos estúdios na mudança para o cinema falado, não porque suas vozes fossem ruins, mas porque ganhavam demais, eram chatos e exigentes em excesso. Ou seja era mais barato livrar-se deles. Mas nesta época onde não há mais estúdios a quem culpar, onde ninguém é de ninguém, o fato é que parece mesmo existir tal maldição.

Os exemplos são muitos. É famosa a história de Susan Hayward, que lutou arduamente durante anos para ganhar um Oscar, tendo indicações seguidas até levar o prêmio em 1958 por "Quero Viver". E, deste então, nunca mais fez um grande trabalho, até sua aposentadoria e morre prematura. Talvez porque depois de tanto esforço tenha relaxado. Há também o exemplo de Louise Fletcher, Oscar de Melhor Atriz por "Um Estranho no Ninho". Dali em diante, voltou a ser coadjuvante, sem nunca conseguir firmar seu nome.

Parte da culpa é também da própria Academia, que por vezes gosta de premiar atores que vieram do teatro ou têm um tipo meio específico, díficil de escalar. Penso particularmente no inglês Paul Scofield ("O Homem que Não Vendeu sua Alma") ou em F. Murray Abraham ("Amadeus"), ambos com opções limitadas como tipo. Ou George Chakiris ("Amor, Sublime Amor"). Afinal o que fazer com um dançarino quando não se fazem mais musicais? E mais recentemente Roberto Begnini, que depois de "A Vida é Bela" insistiu em fazer "Pinochio", que foi massacrado pela crítica e fracassou nos EUA. O Mundo inteiro passou a classificá-lo de chato. Benicio del Toro estava com tudo quando ganhou como Coadjuvante por "Traffic", mas teve que ficar longo tempo parado quando sofreu um acidente, fraturando o pulso. Ou seja, perdeu seu momento.

A verdade, porém é que bons papéis são difíceis de encontrar, em particular para mulheres (vejam Helen Hunt, que desde "Melhor, Impossível" só fez escolhas erradas), sem esquecer que uma atriz, em particular uma estrela de cinema, não é uma pessoa fácil ou mesmo, diriámos, normal. Vejam o caso de Kim Basinger, que ficou com síndrome do pânico e teve problemas com o marido Alec Baldwin que ainda não foram bem explicados. De qualquer forma, fazer a mãe de Eminem em "8 Mile - Rua das Ilusões" não é propriamente um desafio e um ápice de carreira.

Certamente a categoria de Coadjuvante é a mais suscetível da maldição por sua própria definição. O que mais pode fazer Jim Broadbent, a não ser papeis de velho malandro? E para que adiantou o Oscar para Márcia Gay Harden ("Pollock"), se desde então sua produção mais importante foi fazer um filho (e interpretar um homem que virou travesti em "Procura-se um Amor em Barcelona"). E sem esquecer o caso de Marisa Tomei, já referido em outra parte, que passou anos com a vida infernizada, tentando provar que era mentira o boato de que Jack Palance errara o seu nome ao anunciá-la como vencedora por "Meu Primo Vinny".

Mas são muitos os casos de coadjuvantes e também de protagonistas cuja de carreira de tal maneira que as novas gerações nem sequer se lembram de muitos deles, Só por curiosidade, vamos fazer um levantamento rápido e não exaustivo:

  • O premio foi criado em 1936 e a Lista Negra do Macarthismo impediu vários coadjuvantes de trabalharem (Galé Sondergaard, Anne Revere, Kim Hunter);

  • Outras eram velhas e sumiram ou faleceram logo depois (Alice Brady, Josephine Hull), ou se conformaram em ser coadjuvante (Fay Bainter, Hattie McDaniel, Jane Darwell, Mary Astor, Katina Paixou - que voltou para a Grécia natal -, Celeste Holm, Claire Trevor, Jô Van Fleet, Shelley Winters, Rita Moreno, Cloris Leachman, Lee Grant, Dianne West);

  • Algumas nem ligaram para o premio porque já tinham o prestigio do palco (Ethel Barrymore, Wendy Hiller, Margaret Rutherford, Vanessa Redgrave, Maggie Smith, Peggy Ashcroft, Judi Dench);

  • Mas muitas simplesmente não deram certo ( (Mercedes McCambridge, Lila Kedrova, Eileen Heckart, Tatum O´Neal, Beatrice Straight, Mary Steenburgen, Maureen Stapleton - problemas de alcoolismo -, Linda Hunt, Olympia Dukakis, Mercedes Rhuel, Marlee Maltin);

  • Casos raros, poucas viraram estrelas (Anne Baxter, Sandy Dennis - apenas por um tempo para acabar esquecidas -, Goldie Hawn, Merly Streep, Anjelica Huston, Geena Davis, Emma Thompson);

  • Mais comum são as que eram estrelas e acabaram na TV ou pior (Loretta Young, Donna Reed, Gloria Grahame - que acabou esquecida -, Doroty Malone, Shirley Jones, Whopi Goldberg);

  • Outras morreram logo depois (Geraldine Page, Jéssica Tandy).

    Há também outros casos sintomáticos de premiadas que nunca mais conseguiram convencer ou mesmo ter um papel à altura de status. De Cher não se sabe nem o que dizer. Será que desistiu e resolveu apenas ser roqueira-techno? Mas o que dizer da esforçada Mira Sorvino, que foi para a Europa procurar papeis ambiciosos e nunca os encontrou? Pior ainda é Hilary Swank...

    Dentre os homens podemos lembrar dois casos extremos, o muito jovem Timoty Hutton, que ganhou logo na estréia, mas depois perdeu a juventude e o tipo. Agora sobrevive como pode, sem nada de marcante. O caso de Willian Hurt é mais triste porque, depois do Oscar pelo brasileiro "O Beijo da Mulher Aranha", parece ter virado um horrível canastrão, em geral agindo de forma impassível diante das câmeras. Sabe-se que tem problemas com alcoolismo (mais um) e já se conformou em virar coadjuvante (Vide, "Sinais" e "Marcas da Violência")



  • 30.1.07

    MUNDO OSCAR 2007: Melhor Filme de Animação

    Velozes e Furiosos


    "Carros" ou "Happy Feet"? "Happy Feet" ou "Carros"? O Oscar de animação é uma icógnita até agora. "Happy Feet" começou bem. Levou uma batelada de premios de crítica, mas no fim, perdeu os principais prêmios para "Carros". Entre eles o PGA e o Globo de Ouro. Eis os indicados ao Oscar de Melhor Filme de Animação em ordem de favoritismo:



    Pode ser que este novo filme de animação seja menos engraçado do que "Os Incríveis" mas é uma história extremamente bem contada, emocionante, com espetacular resultados técnicos (os fundos, as paisagens, a riqueza de detalhes são magníficos ). Fiquei absolutamente encantado com o filme (e olha que não tem maior envolvimento ou interesse por carros!). Outro problema: a história é conhecida, quase copiando o "Doutor Hollywood", de Michael J. Fox. Ou seja, a história de alguém pretensioso e ambicioso que acidentalmente vai parar numa cidadezinha do interior , onde fica preso por ter desobedecido a lei e acaba se encantado com aquela vida. Só que tudo isso é interpretado por carros! Ou seja, não há seres humanos. Apenas carros de tipos e tamanhos diferentes.

    Recentemente a produtora de fitas de animação, a Pixar, se fundiu com a Disney (depois de um longo processo que chegou a derrubar o Presidente das Organizações Disney, Michael Eisner). E seu maior nome, o diretor John Lasseter ("Toy Story") subiu ao cargo de chefe de toda a animação do estúdio. Pois este filme mais recente da Pixar já estava há algum tempo em produção. Tanto que é dedicado ao seu co-diretor John Ranft, que ironicamente morreu em acidente de carro antes do filme ficar terminado. É a Saga de Lightining (Raio)McQueen (no que parece ser homenagem a Steve McQueen que era corredor), um stock-car, com a voz de Owen Wilson no original, que quando esta a caminho de uma grande corrida, pára por enquanto na cidade do deserto, Radiator Springs, onde descobre o significado real de amizade e família.

    Os achados são muitos. Chamar Paul Newman que é corredor na vida real para interpretar um velho campeão aposentado Doc Hudson (fazer a voz é claro), usar uma trilhas musical com canções novas e outras nostálgicas (tem até no final o famoso Route 66, já que a cidade esta num desvio, hoje substituída por uma auto-estrada). É verdade que o filme começa de forma espetacular em plena corrida (o herói tem o habito de ter devaneios o que dá bons detalhes visuais) revelando que Lightining é jovem, pretensioso, arrogante e só pensa no sucesso e na fortuna que irá ganhar. Depois o filme muda de tom, vira uma história tradicional, quase realista. Para esquentar de novo somente no final. A Pixar ousa mudar e contar uma trama tradicional como se fosse um filme qualquer, só que com carros. Talvez assim com maior interesse para o publico masculino (alias os carrinhos de brinquedo que promove são também altamente desejáveis).

    De qualquer forma, é bom ter sido diferente sem perder a qualidade.



    Não é mais uma fitinha de animação como estas que tem inundado o mercado. É uma nova produção do grande produtor e diretor australiano George Miller (o mesmo das séries "Mad Max" e "Babe, o Porquinho").Que também é um grande filme musical (imaginem uma fita que tem a ousadia de começar com um duelo de Nicole Kidman e Hugh Jackman !) que na meia hora final dá uma reviravolta se torna uma ousada denuncia da desumanidade do Homem e seus crimes contra o Meio Ambiente. Que chega até a ser perturbadora e muito mais eficiente do que Uma Verdade Inconveniente do Al Gore. Não sei até que ponto as crianças embarcam nessa variante de gêneros. Mas a critica tem considerado este "Happy Feet" como o melhor filme de animação do ano, sem cair na imitação do estilo Pixar.

    Também não é verdade que tenha imitado o documentário A Marcha dos pingüins, já que ele foi iniciado faz muito tempo (leva -se anos para fazer uma animação). Ainda assim tem semelhança de temática, ao mostrar a mesma raça de pingüins, seu comportamento e principalmente o hábito que tem de cantarem (claro que na língua deles, aqui interpretam musicas pops de sucesso do Kiss, Queen , Prince, Sinatra). É a historia de um pingüim que não sabe cantar, em vez disso ele sapateia. Isso o torna naturalmente um desajustado e um pária no seu clã que o desprezam e envergonham os pais. O herói vai para outra comunidade, onde encontra quem o aprecie (um grupo de latinos liderados por Robin Williams, que alias faz três vozes com seu habitual brilhantismo Ramon, Lovelace e Cletus). Eventualmente ele sairá pelo mundo, renegando o falso misticismo, para tentar descobrir as causas que estão acabando com os peixes, ou seja, afetando a subsistência dos habitantes do Norte Gelado. Não apenas os números são cativantes, muito bem humorados e sacados (quem surpreende pela voz é Brittany Murphy como a mocinha e interesse romântico) mas principalmente a técnica inovadora é impressiona mais. Miller fez duas viagens ao Pólo Norte, onde capturou as impressionantes imagens que depois transpôs para animação. E o resultado é sensacional. Mas que chega realmente ao clímax quando mostra também seres humanos integrados na historia (não quero estragar o prazer, basta dizer que tudo é muito bem bolado e tecnicamente notável. Ao que lembro seria a primeira vez que se mistura atores ao vivo com animação de computador).

    Com uma mensagem importante (sobre a aceitação do diferente, ilustrado por uma triste lição de moral, diante da cegueira humana), Happy Feet , não deixa de ser também alegre, divertido e muito engraçado.



    Os nomes de Richard Zemeckis e Steven Spielberg credenciam este filme de animação. Que tem um problema sério; não serve para crianças pequenas, porque é intenso demais (e isso justifica porque não foi muito bem de bilheteria nos EUA). Na verdade, tem sustos e momentos fortes enquanto sua trama é tipicamente infantil, principalmente para americano que curte Halloween. Ou seja, é tolinho demais para adolescentes.

    Por outro lado, tecnicamente o filme é um show, feito com o Sistema Real D, Digital 3 D, muito bem narrado, com historia fluente , personagens interessantes (eles se parecem bastante com os atores que lhe dão as vozes) e imagens muito fortes. Começa de forma notável com uma folha de outono voando da arvore e localizando a Casa Monstro que esta sendo espionada por dois garotos da casa em frente. Acontece que a Casa tem vida e vai devorando os que ousam entrar em seu jardim. O que sucede com o namorado roqueiro da baby sitter (a dublagem nacional também é eficiente, bem espontânea).

    Assim os dois garotos e mais uma menina esperta vão investigar no estilo "Goonies", descobrindo aos poucos os segredos do lugar (o filme já começa com o velho dono da casa aparentemente morrendo de enfarto, o que também é bem pesado para crianças pequenas).

    Enfim, o filme foi feito com a mesma técnica de Expresso Polar, fotografando primeiro os atores e depois aproveitando os movimentos deles para o desenho. Isso dá flexibilidade e detalhes raramente vistos no gênero. Ou seja, certamente é dos melhores filmes de animação do ano.

    Por Rubens Ewald Filho

    Melhor Filme de Animação - OSCAR 2007
    "Carros"
    (Walt Disney Pictures)
    "Happy Feet, o Pingüim"
    (Warner Bros. Pictures)
    "A Casa Monstro"
    (Dreamworks Pictures)

    Melhor Filme de Animação - Annie 2007
    "Carros"
    (Walt Disney Pictures)
    "Happy Feet, o Pingüim"
    (Warner Bros. Pictures)
    "A Casa Monstro"
    (Dreamworks Pictures)

    Melhor Filme de Animação - SPOILER 2007
    "Carros"
    (Walt Disney Pictures)
    "Happy Feet, o Pingüim"
    (Warner Bros. Pictures)
    "A Casa Monstro"
    (Dreamworks Pictures)



    29.1.07

    MUNDO OSCAR 2007: Melhor Curta de Animação

    Pequenos Curtas, Grandes Estúdios


    Entre os curtas de animação, briga boa: Será que o ETzinho desastrado de "Lifted" finalmente vai abduzir algo para a Pixar? Scrat "não tem tempo para nozes", mas será que abocanha um Oscar para a Blue Sky? Ou a Academia vai preferir um discurso do "Poeta Dinamarquês" da National Film Board of Canada? A "Pequena Vendedora de Fósforos" pode ser uma escolha quente enquanto o "Maestro" se apronta para uma apresentação triunfal no Kodal Theatre. Eis os indicados ao Oscar de Melhor Curta de Animação em ordem de favoritismo:



    Da mesma equipe de "A Bela e a Fera" (1991), "A Pequena Vendedora de Fósforos" é favorita ao Oscar 2007. Trata-se da recriação da Disney de um dos mais belos contos natalinos de Hans Christian Andersen, sobre uma menininha de rua, cujos sonhos ardentes de conforto e felicidade tornam-se reais ao acender os fósforos que vende. As belas chamas enchem os olhos do público e da menina com visões de família, alimento e um lugar para repouso. O curta saiu oficialmente no Brasil nos extras do DVD de "A Pequena Sereia" (1989).

  • Assista um trecho de "A Pequena Vendedora de Fósforos" aqui!



    É a 14º indicação de Gary Rydstrom que já soma 7 Oscars no currículo pela sonoplastia de "Titanic", "Jurassic Park", "O Resgate do Soldado Ryan" e "O Exterminador do Futuro 2". Aqui, ele estréia na direção desse curta da Pixar que narra a ardúa tarefa de um jovem ET em abduzir um fazendeiro. O curta estréia oficialmente no Brasil em junho, com "Ratatouille", também da Pixar.

  • Assista um trecho de "Lifted" aqui!



    Mais um curta da franquia do esquilo Scrat de "A Era do Gelo"...Dessa vez, enquanto tenta enterrar sua preciosa noz, o pobre esquilo descobre uma máquina do tempo E, acidentalmente, ativando a máquina, parte numa hilária aventura no tempo. O curta concorre também pelo Annie e o Spoiler.

  • Assista um trecho de "No Time for Nuts" aqui!



    Num intimidante camarim, um maestro se prepara para seu grande desempenho com a ajuda de um braço mecânico.

  • Assista um trecho de "Maestro" aqui!



    Podemos seguir a corrente de eventos que nos conduz ao nosso nascimento? É nossa existência pura coincidência? As pequenas coisas realmente importam? O narrador de "O Poeta Dinamarquês" considera essas perguntas enquanto nós detemos em Kasper, um poeta cujo criatividade se esgotou. Enquanto a busca de Kasper por inspiração se intensifica, parece que um cão irritado, pranchas escorregadias do celeiro, um carteiro descuidado, cabras com fome e outros fatores se convergem para um destino maior que tudo.

  • Assista um trecho de "The Danish Poet" aqui!

    Melhor Curta de Animação - OSCAR 2007
    "The Danish Poet"
    (National Film Board of Canada)
    Torill Kove
    "Lifted"
    (Buena Vista/Pixar Animation Studios)
    Gary Rydstrom
    "A Pequena Vendedora de Fósforos"
    (Buena Vista/Walt Disney Pictures)
    Roger Allers and Don Hahn
    "Maestro"
    (Szimplafilm)
    Geza M. Toth
    "No Time for Nuts"
    (20th Century Fox/Blue Sky Studios)
    Chris Renaud & Michael Thurmeier

    Melhor Curta de Animação - BAFTA 2007
    "Dreams and Desires - Family Ties"
    Les Mills & Joanna Quinn
    "Guy 101"
    Ian Gouldstone
    "Peter and the Wolf"
    Hugh Welchman, Alan Dewhurst & Suzie Templeton

    Melhor Curta de Animação - Annie 2007
    "Adventure Time"
    Nickelodeon
    "Fumi and the Bad Luck Foot"
    Thunderbean Animation
    "No Time For Nuts"
    Blue Sky Studios
    "Weird Al Yankovic: Don¿t Download This Song¿
    Acme Filmworks

    Melhor Curta de Animação - SPOILER 2007
    "No Time for Nuts"
    de Chris Renaud & Mike Thurmeier
    "Family Ties: Dreams & Desires"
    de Joanna Quinn
    "Tragic Story with Happy Ending"
    de Regina Pessoa
    "One Rat Short"
    de Alex Weil
    "Guide Dog"
    de Bill Plympton



  • 28.1.07

    MUNDO OSCAR 2007: Melhor Atriz

    O Império das Raposas


    Spoiler reúne as grandes favoritas ao Oscar 2007, Meryl Streep, Helen Mirren e Judi Dench para um bate-papo exclusivo


    "Não há nada como uma daaaaaama", brinca Meryl Streep após cumprimentar calorosamente Helen Mirren que chegou atrasada nessa manhã. E a brincadeira valeu em dobro! Hoje, num pequeno escritório de Manhattan, nós reunimos com outra dama do Império Britânico: Judi Dench. Todas as três atrizes são, naturalmente, lendas vivas, que juntas reúnem impressionantes 20 indicações ao Oscar e 3 estatuetas.

    Os desempenhos mais recentes desse trio provam que as décadas somente aguçaram seus talentos. Esse ano marca pela primeira vez na historia, a categoria de "Melhor Atriz" (e não a de "Melhor Ator") como a principal categoria de interpretação do ano. E apesar das interpretações ofuscantes de Kate Winslet ("Pecados Íntimos"), Penélope Cruz ("Volver") e Naomi Watts ("O Sétimo Véu"), é nessas três que o "Oscar buzz" se concentra, grandes divas do cinema que já gozavam da fama enquanto a senhorita Kate Winslet se divertia no Jardim da Infância.

    Ela pode estar fora de moda hoje, mas Streep, 57, encarnou a alma (e as roupas) da estilista e editora de uma revista de modas, Miranda Priestly em "O Diabo Veste Prada". Dench, 72, foi maldosa, invejosa, e chantagista no papel de uma professora que colide de frente com uma pedagoga (Cate Blanchett) em "Notas Sobre um Escândalo". Finalmente, Mirren convenceu emocionalmente e fisicamente como a rainha Elizabeth II. Aliás essa estrela de 61 anos é favorita absoluta na categoria que não premia a monarquia britânica desde 1999, quando uma certa J. Dench recebeu seu prêmio no papel de Elizabeth I em "Shakespeare Apaixonado".

    É, aliás, culpa de Shakespeare que Judi Dench não pôde estar pessoalmente conosco. A atriz está, por telefone, direto de Stratford, Inglaterra, na turnê de uma versão musical das "Alegres Comadres de Windsor".

    Spoiler: Judi, você poderia, por favor descrever para nosso deleite, exatamente onde você está?
    Judi Dench: Em meu camarim no Royal Shakespeare Company. Mal cabe uma pessoa nele...
    Meryl Streep: Eu a vi ontem, Judi. Na TV a Cabo... Estava passando "Sonhos de uma Noite de Verão" e você estava praticamente nua! Belíssimo!
    Helen Mirren: Eu estava nele também! Eu fui Hermia. Aquela garotinha gorda
    Streep: Você está brincando. Eu não sabia...Isso é divino
    Dench: Eu tenho que dizer que estava apavorada com a exibição desse filme.
    Mirren: Eu sei. Certos filmes deveriam desaparecer para sempre, não é? E aquele é um deles.

    Spoiler: É o único filme em que vocês trabalharam juntas...
    Mirren: Nós estamos sempre trabalhando com homens! O grande prazer de ter feito "Garotas do Calendário" foi trabalhar com mulheres. Mas Judi, você fez isso fantasticamente em "Notas Sobre um Escândalo". É extraordinário ter um papel oposto a outra mulher.
    Dench: Foi encantador.

    Spoiler: É divertido ir em todas essas cerimônias de premiações?
    Streep: É divertido para as pessoas que gostam...disso. Isso é minha resposta!
    Mirren: Parece tão sofisticado agora: a roupa, a moda.
    Streep: Você se sente muito honrada e tudo, mas também...entediada...
    Mirren: E humilhada...
    Streep: Isso não deveria ser trabalho. Havia uma época quando os Globos de Ouro não eram televisionados. E havia um banquete...
    Mirren: E você podia ficar bêbada!
    Streep: Era divertido. Hoje você se sente como uma engrenagem minúscula numa gigantesca máquina.

    Spoiler: Dama Judi e dama Helen, vocês se conhecem razoavelmente bem?
    Dench: Bem...não razoavelmente bem...
    Mirren: Nós...não...Eu sei que todos olham a Grã-Bretanha como um país minúsculo, minúsculo onde acham que todos se conhecerem!
    Spoiler: Eu penso que há uma idéia de...
    Dench: Um clube de damas?
    Spoiler: Sim, onde todas se sentam em torno de uma mesa para uma xícara de chá.
    Dench: Não...Isso não é tudo...

    Spoiler: É apenas coincidência vocês terem esses papéis em "A Rainha", "O Diabo Veste Prada" e "Notas Sobre um Escândalo" ou esses filmes indicam uma tendência da industria cinematográfica em usar atrizes mais velhas?
    Mirren: Eu acho que há uma aceitação crescente do fato que as mulheres somam 50% da população. E que as mulheres de nossa geração são uma força econômica.
    Streep: Há diversas gerações de mulheres que têm o hábito de ir ao cinemas, não apenas os adolescentes.
    Dench: Eu concordo com tudo. Mas penso que é pura coincidência quando um ano tem tão bons personagens femininos. Não importa o que está na moda.

    Spoiler: O problema pode estar no fato de existirem poucas diretoras. Por que vocês nunca dirigiram um filme?
    Mirren: Porque nós somos atrizes!
    Streep: Por que você não dirige um avião?
    Mirren: Judi, você dirigiu umas peças no teatro, não foi?
    Dench: Sim, aproximadamente seis ou sete. Mas como diretora teatral, os atores estão acima de você. Dizem, "Nós estamos indo a um pub", mas não lhe contam onde fica o pub! É uma coisa realmente curiosa. Você pensa...Eu não faço isso. Mas naturalmente eu faço pior!
    Streep: Isso é a parte divertida do teatro.
    Dench: Naturalmente é. E, como um diretor, você tem que alinhavar muitas interpretações destoantes. E isso é muito difícil porque todos trabalham em velocidades diferentes. É realmente um trabalho difícil.

    Spoiler: Mas muitos atores assumem a direção...
    Streep: Bem, eles são mais insensíveis. Olhe mesmo Judi quando fala "Oh, eles todo trabalham em um ritmo diferente".
    Mirren: Algo estranho acontece nos atores, em especial aos mais famosos quando se tornam mais velhos. Eu acho que um ator mais novo, se sente grande. Todas as meninas o querem. É uma estrela. Quando envelhecem, esse sentido de não estar mais no controle de sua própria sorte, os irritam. Então, eles buscam novas possibilidades de estarem no controle de seu próprio destino. Visto que eu não me sinto desafiada psicologicamente, eu estou numa situação de colaboração com meu diretor.

    Spoiler: Vocês já encontraram diretores com medo de vocês?
    Streep: Infelizmente...Não! [Risos]
    Mirren: Eu odeio ser tão respeitada. Me causa uma sensação incômoda. Quando uns atores mais novatos aparecem e dizem que a respeitam, você quer dizer: "Por favor, não me respeite! Eu não quero seu respeito!"
    Streep: Mas você é feliz quando você os inspira.
    Mirren: Sim, porque eu amo ser inspirado por outras pessoas. Eu estava pensando sobre aqueles que estão surgindo... É interessante que Meryl e Judi estejam conosco porque ambas têm extrema influencia em mim nos termos de "Oh Deus, eu queria ter feito aquilo, como eu faço isso?"
    Streep: É exatamente isso que eu sinto por você.
    Mirren: Mas essa é a realidade. Naturalmente, você inspira outros atores. Mas por outro lado, você é um ser humano. Você tem que tropeçar de vez em quando...

    Spoiler: Nem a rainha Elizabeth II, nem Barbara Covett, em "Notas..." são exatamente glamourosas. E em "Prada", há uma cena memorável em que Miranda é mostrada de uma maneira muito real, sem maquiagem. É mortificante ser mostrada dessa maneira, ou como atriz, você acham FANTÁSTICO?
    Streep: Aquela foi a parte do filme que valeu todo o resto. Sem essa cena, o que sobrou para eu interpretar?
    Mirren: Uma das vantagens de ser mais velha é que você pode transitar por um mundo mais real ao invés de satisfazer as fantasias do público...
    Streep: Mas eu senti o desejo de f --- tudo no começo. E a idéia que você têm de estar cercada por uma espécie de glamour, me deixa louca.
    Mirren: Que extraordinário, então, aquela cena em "Prada". Ela diz tudo!
    Streep: Minha frase favorita é de Stanley Tucci: "O que realmente interessa nessa indústria multibilionária? Beleza interna!"

    Spoiler: Quais foram seus primeiros trabalhos remunerados?
    Dench: Como Ophelia no Old Vic
    Streep: Nossa! Eu era muito pequena! [Risos]
    Dench: Isso foi em 1957. Eu comecei com 3,10 libras por semana. E eu estava dividindo o aluguel de 9 libras por semana com outras duas pessoas. Nós devíamos que dar 3 libras cada. E eu fui sobrevivendo com 0,10. Quanto vale isso hoje? [Aproximadamente um dólar]
    Mirren: Foi numa peça chamada "Little Malcolm and His Struggle Against the Eunuchs"

    Spoiler: Meryl trabalhou recentemente com Lindsay Lohan em "A Última Noite" de Robert Altman. O que vocês acham da obsessão da mídia com relação às novas atrizes?
    Dench: Bem, agora não há nada que você não saiba sobre as pessoas. Você encontra de tudo sobre todos. Eu seria colocada de escanteio se estivesse começando agora. Não gostaria disso tudo.
    Mirren: Mas, você sabe, há atrizes - e eu suspeito que nós três éramos dessa classe - que trabalham num nível completamente diferente. Elas não estão interessadas nisso. Não lêem as revistas. Estão pensando sobre Shakespeare ou Chekhov. Estão pensando como atrizes, não celebridades. Lindsay Lohan - que está maravilhosa nas telas - está focada na profissão, no trabalho...
    Streep: ...desde criança, e isso é realmente difícil.
    Mirren: E ama o que faz. E porque não deveria?

    Spoiler: Vocês acham que o problema de muitos atores novatos no cinema seria uma falta de experiência no teatro, como vocês tiveram?
    Dench: Seria um problema para eles no palco...
    Mirren: No teatro, você se inspira em outros atores. O problema do cinema é quando perguntam "Como foi trabalhar com Robert Redford? Bem, realmente, eu não trabalhei com ele. Eu estava no mesmo filme que ele, mas nós só nos encontramos no mesmo set por meio dia e atuamos por 30 segundos". No cinema, realmente você não trabalha com outros atores.
    Streep: Bem, às vezes...como nos filmes de Robert Altman...
    Mirren: Sim, absolutamente...
    Streep: ... era como uma trupe teatral.

    Spoiler: Vocês sempre fazem audições para atuar?
    Dench: Eu acho que às vezes nós fazemos sem saber. Se você estiver num jantar amigável com alguém e você vir de repente aqueles olhos brilhantes lhe analisarem, você certamente está numa espécie de audição.
    Mirren: Eu nunca tive esperança em audições. Eu sempre fui inspirada por atores americanos porque eles têm uma força e habilidade emocional. Em meus dias, na América, eu ia nessas audições e sempre encontrava os atores americanos repassando seus papeis na sala de espera, interpretando consigo mesmos!
    Streep: Nossa!
    Mirren: Gritando e gesticulando. E então você ia...
    Streep: E pegava o trabalho!
    Mirren: Não, eu não . Eu nunca pegava o trabalho.
    Dench: Glenda [Jackson] costumava fazer isso, quando interpretou Elizabeth I. Ela costumava urrar para as pessoas.
    Mirren: Bem, quando você interpreta realmente o papel, é uma coisa diferente...
    Dench: Eu estava justamente almoçando! Temo ser rude mas preciso ir...

    Spoiler: Só uma pergunta final...Quem ganha o Oscar de Atriz esse ano?
    Dench: Eu não faço idéia.
    Mirren: Que pergunta terrível!
    Streep: É uma pergunta chocante.
    Mirren: Vamos estrangula-lo!
    Dench: Então pode estrangula-lo porque eu estou indo...Adeus!

    Por Clark Collis - Entertainment Weekly




    MUNDO OSCAR 2007: Melhor Atriz

    A fórmula secreta


    Existe alguma "fórmula secreta" para ganhar um OSCAR?


    Por incrível que pareça existe! Se você é um Ator/Atriz capaz de qualquer coisa por um carequinha dourado, siga estes pequenos conselhos de SPOILER: Seja um amigo pessoal de Deus (Jennifer Jones em "A Canção de Bernadette", Bing Crosby e Barry Fitzgerald em "O Bom Pastor"); se você é durão, sapateie (James Cagney em "A Canção da Vitória"); se você é comediante, faça um papel sério, dramático (Red Buttons em "Sayonara", Jack Lemmon em "Vício Maldito" e Jamie Foxx em "Ray"); se você é ator dramático, use um nariz engraçado (Lee Marvin em "Dívida de Sangue", José Ferrer em "Cyrano de Bergerac", Nicole Kidman em "As Horas"), tire a dentadura (Walter Huston em "O Tesouro de Sierra Madre", todos os OSCARs de Walter Brennan), merecendo nos anos passados - Joan Fontaine em "Suspeita" (merecia por "Rebecca"), Glenda Jackson em "Um Toque de Classe" (merecia por "Domingo Maldito"), Julia Roberts por "Eric Brockovic" (merecia por "Uma Linda Mulher"); se você é uma mulher glamourosa, mostre sua idade (Vivien Leigh em "Uma Rua Chamada Pecado", Elizabeth Taylor em "Quem tem Medo de Virginia Woolf"), ou deixe as sombrancelhas ficarem grossas (Olivia de Havilland em "Tarde Demais", Jane Wyman em "Belinda"), ou rasgue o vestido (Sophia Loren em "Duas Mulheres"), ou use roupas comuns (Grace Kelly em "Amar é Sofrer", Patricia Neal em "O Indomado").

    Tem mais: Se você é uma garota de família, faça papel de prostituta (Donna Reed em "A um Passo da Eternidade", Shirley Jones em "Entre Deus e o Pecado", Charlize Theron por "Monster"); se você é um gentleman, faça papel de alcoólatra (Ray Milland), ou de nerd (David Niven em "Vidas Separadas"). Se sua carreira está mal, dê a volta por cima (Sinatra em "A um Passo da Eternidade", Ingrid Bergman em "Anastácia, a Princesa Esquecida", Hilary Swank em "Menina de Ouro" e Joan Crawford em "Alma em Suplício"), ou então seja preterida num papel ( como Julie Andrews, que recebeu o prêmio por "Mary Poppins", ao perder para Audrey Hepburn o papel de "My Fair Lady", que havia criado no palco), ou quase morra (Elizabety Taylor em "Disque Butterfield 8"), ou perca os braços por seu país (Harold Russel por "Os Melhores Anos de nossas Vidas") ou sobreviva o tempo suficiente (Margareth Rutherford em "Gente Muito Importante", Katharine Hepburn por três vezes, John Wayne em "Bravura Indômita", George Burns por "Uma Dupla Desajustada", Ruth Gordon por "O Bebê de Rosemary") ou então morra (Peter Finch).

    Pela tendências da Academia, fica fácil eleger os favoritos deste ano. Eis os indicados em ordem de favoritismo ao OSCAR de melhor atriz:



    Helen Mirren tem o prêmio mais garantido do ano por sua performance como Elizabety II em "A Rainha". A britânica recebeu sua terceira indicação (A primeira como Atriz principal...Foi indicada como coadjuvante em 2001 por "Assassinato em Gosfard Park" e 1994 por "As Loucuras do Rei George"). Concorreu em absolutamente todos os prêmios e ganhou tudo. No Globo de Ouro, obteve o feito inédito de ser premiada pelas interpretações como Elizabeth I e Elizabeth II.




    Perfeita em "O Diabo Veste Prada" e genial em "A Última Noite", Merly Streep amplia seu recorde de indicações em 79 anos de Oscar: Ele já foi citada 14 vezes em filmes como "Adaptação" (2002), "Música do Coração" (1999), "Um Amor Verdadeiro" (1998), "As Pontes de Madison" (1995), "Lembranças de Hollywood" (1990), "Um Grito no Escuro" (1988), "Ironweed" (1987), "Entre Dois Amores" (1985), "Silkwood - O Retrato de uma Coragem" (1983), "A Escolha de Sofia" (1982), "A Mulher do Tenente Francês" (1981), "Kramer vs. Kramer" (1979) e "O Franco-Atirador" (1978). "O Diabo Veste Prada" é mais um hit, e Streep é quase um sinônimo de Hollywood, além de ser a única americana na categoria, tendo dezenas de citações, indicações, entre elas uma ao SAG, e prêmios, como o Globo de Ouro para atrizes em comédias ou musicais. Só vai perder porque este é o ano Helen Mirren.




    Desde o começo da corrida, a interpretação de Judi Dench em "Notas sobre um Escândalo", onde faz parceria com Cate Blanchett, foi considerada indicação certa. As citações no Globo e Ouro e no SAG só coroaram essa tendência. Aqui ela interpreta Barbara Covett, uma professora ambiciosa e invejosa que se aproxima de uma pedagoga a principio por amizade, depois para chantagea-la. Um dos maiores personagens do ano. Uma das maiores vilãs do cinema em 2007. Essa é a sexta indicação dela que já foi citada anteriormente por "Sra. Henderson Apresenta" (2005), "Iris" (2001), "Chocolate" (2000), "Shakespeare Apaixondo" (1998) e "Sua Majestade, Mrs. Brown" (1997)




    "Volver" foi a chance que a Academia esperava para dizer a Penelope Cruz que a ama. Dois fatores contaram bastante: A performance mais Sophia Loren de Penelope (nada excepcional, mas sempre exuberante) e é um filme de Pedro Almodóvar, que até pouco tempo era dado como vitória certa entre os estrangeiros, e que inexplicavelmente foi esnobado. Pois bem, Penelope continou inabalada, deixando norte-americanas para trás, com direito à indicação do Globo de Ouro e do Guild.




    Kate Winslet, uma eterna favorita da Academia, ocupa a quinta vaga pelo drama familiar "Pecados Íntimos", um tradicional filme de elenco e roteiro que tenta revelar os segredos da famílias americana. Ótima atriz, com citações por todos os lados, mais o GG e o SAG, fechou a lista. Detém ainda um dos mais pormissores recordes, sendo a atriz com mais indicações antes de completar 30 anos. Foram cinco, "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004), "Iris" (2001), "Titanic" (1997), "Razão e Sensibilidade" (1995) e agora em 2007 onde interpreta uma esposa infiel.

    Melhor Atriz - OSCAR 2007
    Penelope Cruz
    por "Volver"
    Judi Dench
    por "Notas Sobre um Escândalo"
    Helen Mirren
    por "A Rainha"
    Merly Streep
    por "O Diabo Veste Prada"
    Kate Winslet
    por "Pecados Íntimos"

    Melhor Atriz - SAG 2007
    Penelope Cruz
    por "Volver"
    Judi Dench
    por "Notas Sobre um Escândalo"
    Helen Mirren
    por "A Rainha"
    Merly Streep
    por "O Diabo Veste Prada"
    Kate Winslet
    por "Pecados Íntimos"

    Melhor Atriz - SPOILER 2007
    Penelope Cruz
    por "Volver"
    Judi Dench
    por "Notas Sobre um Escândalo"
    Helen Mirren
    por "A Rainha"
    Merly Streep
    por "O Diabo Veste Prada"
    Kate Winslet
    por "Pecados Íntimos"

    Melhor Atriz - Globo de Ouro 2007 (Drama)
    Penelope Cruz
    por "Volver"
    Judi Dench
    por "Notas Sobre um Escândalo"
    Helen Mirren
    por "A Rainha"
    Maggie Gyllenhaal
    por "Sherrybaby"
    Kate Winslet
    por "Pecados Íntimos"

    Melhor Atriz - Globo de Ouro 2007 (Comédia)
    Annette Bening
    por "Correndo com Tesouras"
    Toni Collette
    por "Pequena Miss Sunshine"
    Renee Zellweger
    por "Srta. Potter"
    Merly Streep
    por "O Diabo Veste Prada"
    Beyoncé Knowles
    por "Dreamgirls"



    27.1.07

    MUNDO OSCAR 2007: Melhor Fotografia

    Inspiração que vem de Vermeer


    Preferido de Chabrol e Leconte, o diretor português Eduardo Serra, de "Diamante de Sangue", fala de sua carreira e do Oscar


    Diretor de Fotografia que habilmente consegue trafegar entre o cinema de arte europeu e o cinemão hollywoodiano, o português Eduardo Serra assina a direção fotográfica de "Diamante de Sangue", que concorre a cinco Oscars em 25 de fevereiro, mas não conseguiu uma indicação em fotografia. Serra conta que foi um dos trabalhos mais desafiadores de sua carreira. 'Quis inovar na filmagem noturna em floresta, mas ainda não fiquei completamente satisfeito', conta ele, indicado para o Oscar pelo filme Moça com Brinco de Pérola.

    Morando na França há 40 anos, é o preferido de diretores como M. Night Shyamalan, Patrice Leconte e Claude Chabrol - com quem finaliza a direção de "La Fille Coupée en Deux" (A Menina Cortada em Dois). Em entrevista à Spoiler, o diretor aponta seus favoritos na sua área para o Oscar deste ano.

    Spoiler: Como foram as preparações para as filmagens de Diamante de Sangue na África?
    Serra: O mais importante foi definir com o Edward Zwick os locais de filmagens durante o dia e a noite. Fiz questão de não explorar nenhuma técnica muito hollywoodiana de fotografia e essencialmente explorar o trabalho de câmeras. Fui quatro vezes à África antes de rodar, para estudar as condições de filmagens.

    Spoiler: Algo novo em sua carreira que o trabalho de direção fotográfica trouxe neste filme?
    Serra: Não foi fácil esquematizar a batalha de Freetown, foi necessário construir muitas casas que lá realmente existiam para destruirmos depois. Sugeri que reconstituíssemos exatamente aquilo que existe na cidade, mas cada cena da batalha requeria uma manhã inteira de preparação.

    Spoiler: Há uma longa cena noturna na floresta em que o senhor procurou usar novas técnicas fotográficas. Quais foram elas?
    Serra: É sempre muito difícil filmar à noite, especialmente na floresta, em que nada se vê. Eu nunca gostei dos azuis exagerados que o cinema americano costuma usar nesse tipo de cena, então optei por uma iluminação mais seca, natural. Mas confesso que ainda não estou completamente satisfeito, vou tentar melhorar nas próximas oportunidades.

    Spoiler: Como foi trabalhar com astros como o Leonardo DiCaprio e a Jennifer Connelly?
    Serra: Foi tão simples que eles nem pareciam astros. O Leonardo é extremamente sério, não tem nada de pretensioso. A Jennifer é simpaticíssima, muito curiosa com tudo que a equipe técnica estava fazendo, especialmente meu trabalho de direção fotográfica, já que sua personagem era repórter e fotógrafa.

    Spoiler: O senhor acha que o trabalho de direção fotográfica é devidamente valorizado hoje?
    Serra: Em Hollywood, meu trabalho é reconhecido. Já na França ele não tem valor algum. Lá, o diretor é tudo no filme e o resto é nada. A Inglaterra está no meio do caminho, começando a valorizar os diretores de fotografia agora. Antigamente, no cinema clássico, eram os diretores de fotografia que escolhiam os planos de câmera, enquanto os diretores só cuidavam dos atores. Isso mudou, mas nem por isso perdemos nosso valor no mercado.

    Spoiler: Na sua opinião, quem são os novos talentos da direção fotográfica no cinema atualmente?
    Serra: Gosto muito do trabalho do Javier Aguirre (Fale com Ela) e o mexicano Rodrigo Prieto (Babel). Também admiro muito o Emmanuel Lubezki (Filhos da Esperança). Acredito que um deles vá ganhar o Oscar neste ano. Mas quero deixar registrado minha grande admiração pelo veterano Conrad L. Hall (Estrada para Perdição, Beleza Americana). Ele foi um grande mestre.

    Spoiler: O sr. foi indicado para o Oscar por "Moça com Brinco de Pérola". Foi seu maior desafio profissional?
    Serra: Foi um sonho dirigir a fotografia daquele filme, ainda mais para mim, que estudei anos história da arte, o que me serviu de grande inspiração. Usei alguns princípios da pintura clássica para aproximar a luz do filme deste estilo. Nas cenas de interiores, usávamos apenas a luz das janelas, nada mais. Minha concepção visual também foi baseada na pintura do holandês Vermeer, autor de Azul de Delft, um dos mais belos quadros de todos os tempos.

    Spoiler: O sr. acha que o cinema tem hoje o peso cultural na sociedade que a pintura clássica tinha na Antiguidade?
    Serra: A pintura clássica era elitista, não era popular. O cinema tem uma força difusora enorme em todas as classes sociais no mundo todo. Não houve produto cultural tão popular quanto o cinema foi no século 20.

    Spoiler: Século que marcou a Era da Imagem. Como se destacar na sua profissão em meio à tamanha profusão e banalização da imagem?
    Serra: Infelizmente, eu não sei. Gostaria que houvesse regras para isso (risos). Acho que é preciso ser bastante aplicado, estudar sempre. Eu sempre busco uma boa história, quero verdade no que vejo e preciso passar isso para o público. Mas não é uma tarefa das mais fáceis.

    Por Franthiesco Ballerini




    MUNDO OSCAR 2007: Melhor Filme Estrangeiro

    Hollywood Revoltada: E "Volver"?


    Enquanto o susto, a indignação e a especulação a respeito da simultânea ausência & liderança de Dreamgirls nas indicações para o Oscar 2007 continuam ao fundo (o consenso: a campanha seguiu uma estratégia completamente equivocada e conseguiu torrar a paciência da maioria dos votantes) uma outra onda se ergue: a fúria pela ausência de Volver.

    "Essa não tem explicação", me disse um mareketeiro veterano de muitas campanhas. Um acadêmico muito próximo a Almodovar está subindo pelas paredes: "Mistério completo. Realmente não sei o que aconteceu. Esperava - aliás, muita gente esperava também - indicações para melhor filme estrangeiro, roteiro, direção, fotografia, direção de arte e até mesmo melhor filme, por que não? Além de Penelope, é claro." E acrescentou: "Estou tristíssimo e muito revoltado"

    É um sentimento ecoado por muita gente em Hollywood. Como o Gold Derby detalha tão bem, desde Cannes o filme de Almodovar estava na cabeça de todo mundo como um dos melhores do ano. Mais que isso - como o filme que ia fazer a indústria americana abraçar de vez o talento de Almodovar.

    O próprio Almodovar foi elegante e lacônico. Falando ao blog Carpetbagger através de sua estrela e musa Penelope Cruz, ele se disse feliz pela indicação dela, porque, se tivesse que escolher uma única indicação para seu filme, escolheria uma para Penélope.

    Mas a verdade é que ele não teve que escolher...Almodovar é da Academia, do departamento de diretores. Se fez como todo mundo, votou em si mesmo. Os outros departamentos e a comissão do filme estrangeiro é que se esqueceram dele. Ou coisa pior.

    A torcida de Volver está, agora, mobilizada a favor de Penelope Cruz e de "O Labirinto do Fauno". "Na realidade, é um filme espanhol", elucubrou meu amigo acadêmico. "Foi filmado na Espanha, com dinheiro e equipe majoritariamente espanholas." Tem seu voto? "Eu não podia dizer isso mas... Tem, sim!"

    E não somos só nós que estamos de queixo caído com algumas das escolhas deste ano: a própria Academia não consegue se lembrar de quando um filme ("DreamGirls") liderou em número de indicações mas foi esquecido na hora do grande prêmio, melhor filme. O caso mais parecido aconteceu nos idos de 1932, quando Grande Hotel foi, pelo contrário, indicado a melhor filme (e ganhou...) e a mais nada...

    Por Ana Maria Bahiana - Hollywood Watch



    26.1.07

    Mel Gibson faz sua "Paixão de Maia"


    Como em "A Paixão de Cristo", "Apocalypto" chega às telas cercado de polêmicas e falado numa língua que não é o inglês


    Quando era adolescente, segundo contou em entrevistas, Mel Gibson era chamado de "Quase" por um valentão da escola que o perseguia. Era o maior insulto de que poderia ser alvo, disse. Remete a uma passagem do livro "Apocalipse", do Novo Testamento, que afirma: "Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca".

    "Quase" é como um valentão maia urbano chama Pata de Jaguar, membro de uma tribo rural, que é o herói do novo longa do polêmico ator e diretor nova-iorquino. Seu épico maia do século 15, "Apocalypto", estreiou ontem em São Paulo. É mais uma tentativa de Gibson de não ser um quase-diretor em Hollywood, cidade que devora quase-diretores no café da manhã.

    Conta a história do jovem caçador e guerreiro Pata de Jaguar, que tem de passar por extremo sofrimento para alcançar a redenção. Nesse sentido, lembra o filme anterior que Gibson dirigiu, "A Paixão de Cristo", e também porque é todo falado numa língua que não o inglês -o iucateque nesse caso; aramaico e latim, naquele.

    Também não chega sem polêmicas, o que valeu ao filme o apelido de "A Paixão do Maia". Se o "Paixão" original rendeu ao diretor a acusação de anti-semita -só reforçada pela batatada que fez ao ser parado dirigindo embriagado na Califórnia e culpar os judeus "por todas as guerras do mundo"-, "Apocalypto" foi criticado por retratar uma civilização avançada como um bando de carniceiros selvagens e por cometer erros históricos.

    É racista, disseram ativistas indígenas da Guatemala, por onde se espalhava boa parte do império maia. "Mel Gibson reproduz um conceito ofensivo e racista de que o povo maia era bruto e que por isso não só merecia como necessitava do "resgate" dos europeus brancos", disse Ignacio Ochoa, da Fundação Nahual, de cultura maia.
    É errado, disseram historiadores, porque mistura épocas -acredita-se que o declínio do império tenha começado no século 8, talvez pela destruição ambiental causada pelo excesso de gente, e não no século 15, por decadência moral e pela chegada dos primeiros espanhóis. "Eu desprezo o filme", disse Julia Guernsey, professora de história da arte da Universidade do Texas. "É como se alguém fizesse um filme sobre a sociedade norte-americana e colocasse Madonna e Marilyn Monroe no mesmo carro."

    Nem todos pensam assim. "Pode-se argumentar que "Apocalypto" desumaniza os nativos americanos, fazendo de seus antepassados monstros, mas acho que faz o oposto", escreveu Craig Childs, autor do livro "House of Rain", sobre civilizações desaparecidas na América.

    E completa: "Caçadores oprimidos são apresentados como pessoas com as mesmas emoções universais de todos os humanos. E os maias urbanos são retratados como sábios políticos e religiosos". O filme não foi bem de bilheteria nos EUA. Os produtores esperam que os espectadores internacionais vejam a obra e a julguem sozinhos.

    Diretor acerta ao optar por ritmo frenético


    Quando Mel Gibson anunciou que faria um filme sobre o fim do império maia, depois de ter cometido o infame "Paixão de Cristo", muitos esperaram algo ainda pior. Imaginava-se que o diretor levaria mais longe a imposição da violência obscena, tal como vista nas imagens do martírio cristão, em nome de uma suposta autenticidade.
    Quem esperar isso de "Apocalypto" não se enganará, mas aqui o diretor submete suas fixações a outro modelo de cinema, e o resultado não decepciona.

    Pois a busca por uma autenticidade (lotada de equívocos históricos, segundo especialistas em culturas pré-colombianas) não visa aqui a uma suposta verdade original. É o investimento monumental na direção de arte e no desenho de produção que leva "Apocalypto" a alcançar seu principal objetivo: ser um espetáculo de ação de tirar o fôlego.

    Nessa história de martírio, o que interessa a Gibson é menos transitar pelo terreno da espiritualidade. O modo como constrói o filme, remetendo-o a uma estrutura do cinema americano clássico dominante desde que Griffith estabeleceu os códigos da ação e da emoção há quase um século, entrega ao público aquilo que ele mais procura: entretenimento.

    Apesar de o diretor alegar ter feito uma crítica à lógica de dominação dos impérios (tendo as atitudes bélicas de George W. Bush na mira), isso pouco importa. O que Gibson de fato realizou tem a ver com sua fixação no martírio do herói, tema que o persegue desde os tempos de ator, quando se tornou célebre na série "Mad Max".
    Em vez de um épico histórico sobre povos extintos ou uma reinterpretação metafísica da chegada do homem branco às Américas (como "O Novo Mundo", de Terrence Malick), Gibson optou por um espetáculo em ritmo de game passado na selva. E conseguiu plenamente.

    Por Sérgio Dávila & Cássio Starling Carlos - Folha de São Paulo



    25.1.07

    Babel Hollywoodiana


    Pulverização dos indicados beneficia negros e latinos no Oscar 2007




    Já se sabia que iria ser um Oscar black, dominados pelos interpretes negros ou Urban, que é o termo que se usa agora nos EUA para designar os filmes com negros e que geralmente se passam em grandes cidades. Mas o interessante é que também se tornou um Oscar latino, ou melhor dizendo mexicano. A presença da mexicana Salma Hayek anunciando os indicados ja deu a dica, os mexicanos através de seus três melhores cineastas são a grande sensação de novidade do Oscar 2007.

    Antes de tudo é bom constatar que novamente é um ano bom de qualidade mas fraco comercialmente. E não há um franco favorito, desta vez, mais ainda do que no ano passado qualquer coisa pode acontecer, qualquer um pode ser vencedor. Comecando pelas desclassificações estranhas do espanhol "Volver" como filme estrangeiro (sera que ja se cansaram de Almodovar?) e principalmente de "Dreamgirls" como melhor filme! É verdade que o filme não estourou nas bilheterias como era esperado e francamente não é tudo isso. Como cinema é inferior a "Chicago", irregular na narrativa, valendo mais pelos interpretes do que pelo resultado geral (como já disse, as pessoas tem má vontade com o gênero musical).

    Mas blacks são muitos outros candidatos. Ninguém deve tirar o Oscar de melhor ator de Forrest Whitaker (por "O Ultimo Rei da Escócia", um filme mediano mas certamente um personagem excepcional de vilão maluco que é incontornavel). Não só por que merece mas também porque é injustiçado (a Academia esqueceu dele em "Bird" que lhe lhe deu um prêmio de melhor ator em Cannes), querido (tambem é diretor) e além de tudo os atores negros são atualmente o que há de mais vigoroso, mais vital, mais interessante e forte no cinema americano. E o Oscar só veio confirmar isso. Junto com Forrest temos Leonardo Di Caprio (que provou finalmente que é bom ator, sendo indicado por "Diamantes de Sangue", lutando contra si mesmo pelo mais popular "Os Infiltrados". Mas neste projeto pessoal ele está melhor). Will Smith é o mais querido e simpático dos astros do momento e a razão do sucesso de um filminho médio como "À Espera da Felicidade" tornar-se campeão de bilheteria. Peter O' Toole era recordista de indicações para alguém que nunca ganhou (mas ja tem uma Oscar especial pela carreira). Seu trabalho em "Venus" é um canto do cisne, que lhe dá todas as chances para brilhar uma última vez (junto com elenco ótimo que inclui Vanessa Redgrave). Por fim um que foi esquecido pelo Globo de Ouro mas lembrado pelo Oscar, Ryan Gosling por "Half Nelson" (ele é de "Diário de uma Paixão", colega de Brytney Spears como Moskteteiro da Disney e realmente talentoso). O filme porém ninguem viu, é um drama onde ele faz um professor drogado em crack, sério, mas exaustivo, para poucos.

    Omissões: podia se lembrar outros mas realmente a unica falha é a história da Academia não dar a devida atenção para comediantes deixando agora de fora, Sacha Baron que esta brilhante em "Borat".

    A categoria de melhor atriz era a mais evidente e sem surpresas. Parece lógico também que saia vencedora a Helen Mirren que além de maravilhosa, ganhou todos os prêmios anteriores. Seu trabalho em "A Rainha" é preciso, discreto, perfeito. Judi Dench está em seus melhores dias em "Notas sobre um Escândalo", no papel de uma professora lésbica reprimida, Kate Winslet que já era recordista de indicações para alguém de sua idade, amplia a margem com mais uma indicação pelo difícil, sensível e até chocante "Pecados Íntimos" que é outro filme que o público americano rejeita na bilheteria. Penelope Cruz é lembrada por "Volver", onde se desculpa das besteiras que fez quando falava inglês. Meryl Streep aumenta também seu recorde de indicações conseguindo mais uma agora por "O Diabo Veste Prada". Quem ficou de fora? Maggie Gyllenhall que esta fantástica em "Sherrybaby", Naomi Watts por "O Sétimo Veu", Annette Bening que da show em "Correndo com as Tesouras". Mas é azar delas de terem esses filmes justamene num ano em que ha muitos e bons papéis e performances femininas.

    Eddie Murphy ganhou sua primeira indicação como coadjuante por "Dreamgirls" fazendo um personagem inspirado no recém falecido James Brown. Não sei se ganha por Eddie mesmo...Voltando a moda é um tipo dificil e arrogante, que não da entrevistas e trata mal os executivos, ou seja não é querido. Mas sempre foi bom ator e comediante (vejam o burro de "Shrek") mas só antes não conseguia os melhores papéis. Não acho que Mark Wahlberg estivesse nada de especial em "Os Infilrados". Vai ver foi o choque de constatar que o antigo rapper branco Marky Mark não era tão canastrão. Melhores, os outros todos poderiam ser premiados: o veterano Alan Arkin, por "A Pequena Miss Sunshine", o excelente Djimon Hounsou por "Diamantes de Sangue", o ex-ator infantil Jackie Earle Haley (ele foi um dos Bad News Bears, "Garotos em Ponto de Bala" com Tatum O' Neal) que faz um pedófilo em "Pecados Íntimos". Ficaram de fora, Jack Nicholson (devem ter achado e com razão que ele ja era hors-concours), Michael Sheen ("A Rainha"), Brad Pitt ("Babel"), e felizmente Ben Affleck. Nada de injusto.

    Polêmica foi a lista dos diretores, que deixou de lado, como é costume da Academia, a dupla/casal que fez Miss Sunshine (esquisito porque o filme acabou de ganhar o prêmio do Sindicato dos Produtores como melhor do ano). E confirmando o prestígio de Clint Eastwood, ele foi indicado por "Cartas de Ivo Jima", o melhor de seus dois filmes de guerra que realizou para Steven Spielberg. A questão maior é ver se Martin Scorsese ganha finalmente por "Os Infilfrados", o que parece bem possível. Os outros foram o mexicano Inarritu ("Babel"), o inglês Stephen Frears ("A Rainha"), que é um mestre, e a correção de uma injustiça que é a inclusão de Paul Greengrass por "Vôo United 93" (que não fez campanha para prêmios e o filme continua a ser rejeitado pelo público americano que não quer pagar para ver essa história no cinema). Omissões além de Almodovar: os mexicanos Cuaron por "Filhos da Esperança" que nos EUA esta tendo excelente repercussão e Guillermo del Toro do surreal "Labirinto do Fauno".

    Falta falar dos filmes estrangeiros onde novamente deixaram de fora o brasileiro (a verdade é que não houve nenhum lobby do filme nos EUA). Assisti a todos os finalistas e gosto muito do "Labirinto do Fauno", que é outro que conquistou os americanos e poderia ganhar se não fosse seu tema que assusta muita gente. Mas é excelente. O favorito parece ser o alemão "A Vida dos Outros", sucesso em sua terra com a coragem de denunciar como na Berlim oriental as pessoas eram vigiadas e controladas por uma polícia controladora e que destruia vidas. Uma história até hoje ainda mal contada. Gostei muito também do filme indiano "Water", de D. Méta (sobre o costume na India de transformar as viúvas em mortas vivas, mesmo que tenham se casado quando crianca e com homens mais velhos). O france "Dias de Glória" ganhou em Cannes, o prêmio coletivo de atores e até mudou leis injustas em sua terra (no norte da Africa) mas não se distingue de outros filmes de Guerra. E pouco ficou do dinamarques "Após o Casamento".

    Por Rubens Ewald Filho



    23.1.07

    OSCAR 2007
    79º Annual Academy Awards



    "Can"t you see I have you Chump? Get me some viskey!"
    "Ziegfeld - O Criador de Estrelas", 1936


    Melhor Filme
    "Babel"
    (Paramount and Paramount Vantage)
    "Os Infiltrados"
    (Warner Bros.)
    "Cartas de Iwo Jima"
    (Warner Bros.)
    "Pequena Miss Sunshine"
    (Fox Searchlight)
    "A Rainha"
    (Miramax, Pathé & Granada)

    "Sometimes you"re so beautiful it just gags me"
    "Do Mundo Nada Se Leva", 1938


    Melhor Diretor
    Clint Eastwood
    por "Cartas de Iwo Jima"
    Stephen Frears
    por "A Rainha"
    Alejandro González Iñárritu
    por "Babel"
    Paul Greengrass
    por "Vôo United 93"
    Martin Scorsese
    por "Os Infiltrados"

    "Frankly, my dear, I don"t give a damn!"
    "...E o Vento Levou", 1939


    Melhor Ator
    Leonardo DiCaprio
    por "Diamante de Sangue"
    Ryan Gosling
    por "Half Nelson"
    Peter O'Toole
    por "Venus"
    Will Smith
    por "À Espera da Felicidade"
    Forest Whitaker
    por "O Último Rei da Escócia"

    "I"ll get you, my pretty, and your little dog, too!"
    "O Mágico de Oz", 1939


    Melhor Atriz
    Penelope Cruz
    por "Volver"
    Judi Dench
    por "Notas Sobre um Escândalo"
    Helen Mirren
    por "A Rainha"
    Merly Streep
    por "O Diabo Veste Prada"
    Kate Winslet
    por "Pecados Íntimos"

    "I"m asking you to marry me, you little fool"
    "Rebecca - A Mulher Inesquecível", 1940


    Melhor Ator Coadjuvante
    Alan Arkin
    por "Pequena Miss Sunshine"
    Jackie Earle Haley
    por "Pecados Íntimos"
    Djimon Hounsou
    por "Diamante de Sangue"
    Eddie Murphy
    por "Dreamgirls"
    Mark Wahlberg
    por "Os Infiltrados"

    "Rosebud"
    Cidadão Kane, 1941


    Melhor Atriz Coadjuvante
    Adriana Barazza
    por "Babel"
    Cate Blanchet
    por "Notas Sobre um Escândalo"
    Abigail Breslin
    por "Pequena Miss Sunshine"
    Jennifer Hudson
    por "Dreamgirls"
    Rinko Kicuhci
    por "Babel"

    "Here"s looking at you, kid"
    "Casablanca", 1943


    Melhor Roteiro Original
    "Babel"
    Guillermo Arriaga
    "Cartas de Iwo Jima"
    Iris Yamashita & Paul Haggis
    "Pequena Miss Sunshine"
    Michael Arndt
    "O Labirinto do Fauno"
    Guillermo del Toro
    "A Rainha"
    Peter Morgan

    "All right, Mr. DeMille, I"m ready for my closeup"
    "Crepúsculo dos Deuses", 1950


    Melhor Roteiro Adaptado
    "Borat"
    Sacha Baron Cohen, Anthony Hines, Peter Baynham & Dan Mazer
    "Filhos da Esperança"
    Alfonso Cuarón, Timothy J. Sexton, David Arata, Mark Fergus & Hawk Ostby
    "Os Infiltrados"
    William Monahan
    "Pecados Íntimos"
    Todd Field & Tom Perotta
    "Notas Sobre um Escândalo"
    Patrick Marber

    "STELLA!"
    "Uma Rua Chamada Pecado", 1951


    Melhor Filme Estrangeiro
    "After the Wedding"
    (DINAMARCA - Zentropa Entertainments)
    "Dias de Glória"
    (ARGELIA - Sony Picture Classics)
    "The Lives of Others"
    (ALEMANHA - Sony Picture Classics)
    "O Labirinto do Fauno"
    (MÉXICO - Picture House)
    "Water"
    (CANADA - Mongrel Media)

    "An Englishman never jokes about a wager, sir"
    "A Volta ao Mundo em 80 Dias", 1956


    Melhor Fotografia
    "Dália Negra"
    Vilmos Zsigmond
    "Filhos da Esperança"
    Emmanuel Lubezki
    "O Ilusionista"
    Dick Pope
    "O Labirinto do Fauno"
    Guillermo Navarro
    "O Grande Truque"
    Wally Pfister

    "No prisoners! No prisoners!"
    "Lawrence da Arábia", 1962


    Melhor Direção de Arte e Cenários
    "DreamGirls"
    John Myhre & Nancy Haigh
    "O Bom Pastor"
    Jeannine Oppewall, Gretchen Rau & Leslie E. Rollins
    "O Labirinto do Fauno"
    Eugenio Caballero
    "Piratas do Caribe: O Báu da Morte"
    Rick Heinrichs & Cheryl A. Carasik
    "O Grande Truque"
    Nathan Crowley & Julie Ochipinti

    "Gentlemen, you can"t fight in here. This is the War Room"
    "Dr. Fantástico", 1964


    Melhor Figurino
    "Curse of the Golden Flower"
    Chung Man Yee
    "O Diabo Veste Prada"
    Patricia Field
    "DreamGirls"
    Sharen Davis
    "Maria-Antonieta"
    Milena Canonero
    "A Rainha"
    Consolata Boyle

    "The Von Trapp children don"t play. They march"
    "A Noviça Rebelde", 1965


    Melhor Edição
    "Babel"
    Douglas Crise & Stephen Mirrione
    "Diamante de Sangue"
    Steven Rosenblum
    "Filhos da Esperança"
    Alex Rodríguez & Alfonso Cuarón
    "Os Infiltrados"
    Thelma Schoonmaker
    "Vôo United 93"
    Clare Douglas, Richard Pearson & Christopher Rouse

    "I"m gonna make him an offer he can"t refuse"
    "O Poderoso Chefão", 1972


    Melhor Trilha Musical
    "Babel"
    Gustavo Santaolalla
    "Segredos de Berlim"
    Thomas Newman
    "Notas Sobre um Escândalo"
    Philip Glass
    "O Labirinto do Fauno"
    Javier Navarrete
    "A Rainha"
    Alexandre Desplat

    "The Force is strong with this one!"
    "Star Wars", 1977


    Melhor Som
    "Apocalypto"
    Kevin O´Connell, Greg P. Russell & Fernando Camara
    "Diamante de Sangue"
    Andy Nelson, Anna Behlmer & Ivan Sharrock
    "DreamGirls"
    Michael Minkler, Bob Beemer & Willie Burton
    "A Conquista da Honra"
    John Reitz, Dave Campbell, Gregg Rudloff & Walt Martin
    "Piratas do Caribe: O Báu da Morte"
    Paul Massey, Christopher Boyes & Lee Orloff

    "E.T...phone...home"
    "E.T. - O Extraterrestre", 1982


    Melhor Edição de Som
    "Apocalypto"
    Sean McCormack & Kami Asgar
    "Diamante de Sangue"
    Lon Bender
    "A Conquista da Honra"
    Alan Robert Murray & Bub Asman
    "Cartas de Iwo Jima"
    Alan Robert Murray
    "Piratas do Caribe: O Báu da Morte"
    Christopher Boyes & George Watters II

    "If you build it, he will come"
    "Campo dos Sonhos", 1989


    Melhor Canção
    "I Need to Wake Up"
    de "Uma Verdade Incoveniente"
    Musica e Letra de Melissa Etheridge
    "Listen"
    de "Dreamgirls"
    Musica de Henry Krieger & Scott Cutler / Letra de Anne Preven
    "Love You I Do"
    de "Dreamgirls"
    Musica de Henry Krieger / Letra de Siedah Garrett
    "Our Town"
    de "Carros"
    Musica e Letra de Randy Newman
    "Patience"
    de "Dreamgirls"
    Musica de Henry Krieger / Letra de Willie Reale

    "Good evening, Clarice"
    "O Silêncio dos Inocentes", 1991


    Melhor Efeitos Visuais
    "Piratas do Caribe: O Báu da Morte"
    John Knoll, Hal Hickel, Charles Gibson & Allen Hall
    "Poseidon"
    Boyd Shermis, Kim Libreri, Chaz Jarrett & John Frazier
    "Superman Returns"
    Mark Stetson, Neil Corbould, Richard R. Hoover & Jon Thum

    "Show me the money!"
    "Jerry Maguire - A Grande Virada", 1996


    Melhor Maquiagem
    "Apocalypto"
    Aldo Signoretti & Vittorio Sodano
    "Click"
    Kazuhiro Tsuji & Bill Corso
    "O Labirinto do Fauno"
    David Marti & Montse Ribe

    "I"m the king of the world!"
    "Titanic", 1997


    Melhor Filme de Animação
    "Carros"
    (Walt Disney Pictures)
    "Happy Feet, o Pingüim"
    (Warner Bros. Pictures)
    "A Casa Monstro"
    (Dreamworks Pictures)

    "Remember those posters that said 'Today is the first day of the rest of your life?' Well, that"s true of every day except one--the day you die"
    "Beleza Americana", 1999


    Melhor Animação em Curta-Metragem
    "The Danish Poet"
    (National Film Board of Canada)
    Torill Kove
    "Lifted"
    (Buena Vista/Pixar Animation Studios)
    Gary Rydstrom
    "A Pequena Vendedora de Fósforos"
    (Buena Vista/Walt Disney Pictures)
    Roger Allers and Don Hahn
    "Maestro"
    (Szimplafilm)
    Geza M. Toth
    "No Time for Nuts"
    (20th Century Fox/Blue Sky Studios)
    Chris Renaud & Michael Thurmeier

    "My name is Gladiator"
    "Gladiador", 2000


    Melhor Documentário em Longa-Metragem
    "Uma Verdade Incoveniente"
    de Davis Guggenheim
    "Deliver Us from Evil"
    de Amy Berg
    "Iraq in Fragments"
    de James Longley
    "My Country, My Country"
    de Laura Poitras & Jocelyn Glatzer
    "Jesus Camp"
    de Heidi Ewing & Rachel Grady

    "Frodo!"
    "O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel", 2001


    Melhor Documentário em Curta-Metragem
    "The Blood of Yingzhou District"
    Ruby Yang & Thomas Lennon
    "Recycled Life"
    Leslie Iwerks & Mike Glad
    "Rehearsing a Dream"
    Karen Goodman & Kirk Simon
    "Two Hands"
    Nathaniel Kahn & Susan Rose Behr

    "Don"t jive me, man"
    "Ray", 2004


    Melhor Curta-Metragem
    "Binta and the Great Idea (Binta Y La Gran Idea)"
    Javier Fesser & Luis Manso
    "Éramos Pocos (One Too Many)"
    Borja Cobeaga
    "Helmer & Son"
    Soren Pilmark & Kim Magnusson
    "The Saviour"
    Peter Templeman & Stuart Parkyn
    "West Bank Story"
    Ari Sandel

    "I wish I knew how to quit you"
    "O Segredo de Brokeback Mountain", 2005

    (Spoiler está oficialmente credenciado junto à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.)



    22.1.07

    4º PRÊMIO SPOILER DE CINEMA




    Melhor Filme
    "Babel"
    (Paramount Vantage Pictures)
    "DreamGirls"
    (Dreamworks Pictures/Paramount Pictures)
    "Os Infiltrados"
    (Warner Bros. Pictures)
    "Pequena Miss Sunshine"
    (Fox Searchlight Pictures)
    "A Rainha"
    (Miramax Films)

    Melhor Diretor
    Bill Condon
    por "DreamGirls"
    Stephen Frears
    por "A Rainha"
    Alejandro González Iñárritu
    por "Babel"
    Paul Greengrass
    por "Vôo United 93"
    Martin Scorsese
    por "Os Infiltrados"

    Melhor Ator
    Leonardo DiCaprio
    por "Os Infiltrados"
    Ryan Gosling
    por "Half Nelson"
    Peter O'Toole
    por "Venus"
    Will Smith
    por "À Espera da Felicidade"
    Forest Whitaker
    por "O Último Rei da Escócia"

    Melhor Atriz
    Penelope Cruz
    por "Volver"
    Judi Dench
    por "Notas Sobre um Escândalo"
    Helen Mirren
    por "A Rainha"
    Merly Streep
    por "O Diabo Veste Prada"
    Kate Winslet
    por "Pecados Íntimos"

    Melhor Ator Coadjuvante
    Alan Arkin
    por "Pequena Miss Sunshine"
    Jackie Earle Haley
    por "Pecados Íntimos"
    Djimon Hounsou
    por "Diamante de Sangue"
    Eddie Murphy
    por "Dreamgirls"
    Jack Nicholson
    por "Os Infiltrados"

    Melhor Atriz Coadjuvante
    Adriana Barazza
    por "Babel"
    Cate Blanchet
    por "Notas Sobre um Escândalo"
    Abigail Breslin
    por "Pequena Miss Sunshine"
    Jennifer Hudson
    por "Dreamgirls"
    Rinko Kicuhci
    por "Babel"

    Melhor Roteiro Original
    "Babel"
    Guillermo Arriaga
    "Pequena Miss Sunshine"
    Michael Arndt
    "A Rainha"
    Peter Morgan
    "Vôo United 93"
    Paul Greengrass
    "Volver"
    Pedro Almodóvar

    Melhor Roteiro Adaptado
    "Os Infiltrados"
    William Monahan
    "O Diabo Veste Prada"
    Aline Brosh McKenna
    "Pecados Íntimos"
    Todd Field & Tom Perotta
    "Notas Sobre um Escândalo"
    Patrick Marber
    "Obrigado por Fumar"
    Jason Reitman

    Melhor Filme Estrangeiro
    "Dias de Glória"
    (ARGELIA - Sony Picture Classics)
    "The Lives of Others"
    (ALEMANHA - Sony Picture Classics)
    "O Labirinto do Fauno"
    (MÉXICO - Picture House)
    "Volver"
    (ESPANHA - Sony Picture Classics)
    "Water"
    (CANADA - Mongrel Media)

    Melhor Fotografia
    "Apocalypto"
    Deam Semler
    "Babel"
    Rodrigo Prieto
    "Filhos da Esperança"
    Emmanuel Lubezki
    "O Ilusionista"
    Dick Pope
    "O Labirinto do Fauno"
    Guillermo Navarro

    Melhor Direção de Arte e Cenários
    "Filhos da Esperança"
    Jim Clay, Geoffrey Kirkland & Jennifer Williams
    "Curse of the Golden Flower"
    Tingxiao Huo
    "DreamGirls"
    John Myhre & Nancy Haigh
    "Maria-Antonieta"
    K.K. Barrett
    "O Labirinto do Fauno"
    Eugenio Caballero

    Melhor Figurino
    "Curse of the Golden Flower"
    Chung Man Yee
    "O Diabo Veste Prada"
    Patricia Field
    "DreamGirls"
    Sharen Davis
    "O Ilusionista"
    Ngila Dickson
    "Maria-Antonieta"
    Milena Canonero

    Melhor Edição
    "Babel"
    Douglas Crise & Stephen Mirrione
    "Os Infiltrados"
    Thelma Schoonmaker
    "DreamGirls"
    Virginia Katz
    "A Rainha"
    Lucia Zucchetti
    "Vôo United 93"
    Clare Douglas, Richard Pearson & Christopher Rouse

    Melhor Trilha Musical
    "Babel"
    Gustavo Santaolalla
    "A Fonte da Vida"
    Clint Mansell
    "Notas Sobre um Escândalo"
    Philip Glass
    "The Painted Veil"
    Alexandre Desplat
    "A Rainha"
    Alexandre Desplat

    Melhor Som
    "Babel"
    "Os Infiltrados"
    "DreamGirls"
    "A Conquista da Honra"
    "Piratas do Caribe: O Báu da Morte"

    Melhor Edição de Som
    "Carros"
    "A Conquista da Honra"
    "Piratas do Caribe: O Báu da Morte"
    "Superman Returns"
    "As Torres Gêmeas"

    Melhor Canção
    "Listen",
    de Beyoncé Knowles para "DreamGirls"
    "Never Gonna Lose My Faith",
    de Bryan Adams para "Bobby"
    "Song of the Heart",
    de Prince para "Happy Feet, o Pingüim"
    "I Need to Wake Up",
    de Melissa Etheridge para "Uma Verdade Inconveniente"
    "Love You I Do",
    de Jennifer Hudson para "DreamGirls"

    Melhor Efeitos Visuais
    "Piratas do Caribe: O Báu da Morte"
    "Superman Returns"
    "X-Men: O Confronto Final"

    Melhor Maquiagem
    "Apocalypto"
    "O Labirinto do Fauno"
    "Piratas do Caribe: O Báu da Morte"

    Melhor Filme de Animação
    "Carros"
    (Walt Disney Pictures)
    "Happy Feet, o Pingüim"
    (Warner Bros. Pictures)
    "A Casa Monstro"
    (Dreamworks Pictures)

    Melhor Animação em Curta-Metragem
    "No Time for Nuts"
    de Chris Renaud & Mike Thurmeier
    "Family Ties: Dreams & Desires"
    de Joanna Quinn
    "Tragic Story with Happy Ending"
    de Regina Pessoa
    "One Rat Short"
    de Alex Weil
    "Guide Dog"
    de Bill Plympton

    Melhor Documentário em Longa-Metragem
    "Uma Verdade Incoveniente"
    de Davis Guggenheim
    "Deliver Us from Evil"
    de Amy Berg
    "Iraq in Fragments"
    de James Longley
    "Shut Up & Sing"
    de Barbara Kopple & Cecilia Peck
    "Jesus Camp"
    de Heidi Ewing & Rachel Grady

    Melhor Documentário em Curta-Metragem
    "The Blood of Yingzhou District"
    "Recycled Life"
    "The Diary of Immaculée"

    Melhor Curta-Metragem
    "Antonio's Breakfast"
    Daniel Mulloy
    "Cubs"
    Lisa Williams, Tom Harper
    "Perspective"
    de Travis Hatfield & Samuel Day
    "Christmas Wish List"
    de Sean Overbeeke
    "Elalini"
    de Tristan Holmes

    Melhor Elenco
    "Babel"
    Adriana Barraza, Cate Blanchett, Gael García Bernal, Rinko Kikuchi, Brad Pitt & Kôji Yakusho
    "Bobby"
    Harry Belafonte, Joy Bryant, Nick Cannon, Emilio Estevez, Laurence Fishburne, Brian Geraghty, Heather Graham, Anthony Hopkins, Helen Hunt, Joshua Jackson, David Krumholtz, Ashton Kutcher, Shia LaBoeuf, Lindsay Lohan, William H. Macy, Svetlana Metkina, Demi Moore, Freddy Rodriguez, Martin Sheen, Christian Slater, Sharon Stone, Jacob Vargas, Mary Elizabeth Winstead & Elijah Wood
    "DreamGirls"
    Hinton Battle, Jamie Foxx, Danny Glover, Jennifer Hudson, Beyoncé Knowles, Sharon Leal, Eddie Murphy, Keith Robinson & Anika Noni Rose
    "Os Infiltrados"
    Anthony Anderson, Alec Baldwin, Matt Damon, Leonardo DiCaprio, Vera Farmiga, Jack Nicholson, Martin Sheen, Mark Wahlberg & Ray Winstone
    "Pequena Miss Sunshine"
    Alan Arkin, Abigail Breslin, Steve Carell, Toni Collette, Paul Dano & Greg Kinnear

    Distribuição de Indicações


    11 Indicações
    "DreamGirls"
    10 Indicações
    "Babel"
    8 Indicações
    "Os Infiltrados"
    6 Indicações
    "A Rainha"
    5 Indicações
    "Pequena Miss Sunshine"
    4 Indicações
    "Piratas do Caribe: O Báu da Morte" "Notas Sobre um Escândalo" "O Labirinto do Fauno"
    3 Indicações
    "Volver" "Pecados Íntimos" "O Diabo Veste Prada" "Vôo United 93"
    2 Indicações
    "A Conquista da Honra" "Bobby" "Carros" "Apocalypto" "Superman Returns" "Happy Feet, o Pingüim" "Filhos da Esperança" "Curse of Golden Flower" "O Ilusionista" "Maria-Antonieta" "Uma Verdade Incoveniente"
    1 Indicação
    "As Torres Gêmeas" "O Último Rei da Escócia" "Venus" "À Espera da Felicidade" "Half Nelson" "Diamante de Sangue" "Obrigado por Fumar" "The Painted Veil" "A Fonte da Vida" "X-Men: O Confronto Final" "A Casa Monstro" "Dias de Glória" "Water" "The Lives of Others" "Deliver Us from Evil" "Iraq in Fragments" "Shut Up & Sing" "Jesus Camp"

    SPOILER
    Deleite seus olhos!

    SPOILER NEWS SPOILER ACTION SPOILER HAPPY
    SPOILER EMOTION SPOILER CLASSICS


    Regulamento:


    1. O 4º Prêmio Spoiler de Cinema têm por objetivo, encorajar o melhoramento e o avanço das artes e ciências cinematográficas através do intercâmbio de idéias construtivas e atribuição de prêmios de mérito por trabalhos e obras do cinema;

    2. São considerados elegíveis, e portanto passíveis de voto, todos os filmes que estrearam nos EUA entre 1 de janeiro e 31 de Dezembro de 2006;

    3. O Prêmio será dividido em 25 categorias (Filme, Diretor, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Filme em Lingua Não-Inglesa, Roteiro Original, Roteiro Adaptado, Animação em Longa-Metragem, Fotografia, Direção de Arte e Cenários, Edição, Efeitos Especiais, Figurino, Maquiagem, Som, Edição de Som, Elenco, Curta-Metragem, Documentário em Curta-Metragem, Documentário em Longa-Metragem, Animação em Curta-Metragem, Trilha Musical e Canção);

    4. Cada categoria consta de 5 finalistas (exceto Animação em Longa Metragem, Efeitos Especiais, Maquiagem, Edição de Som e Documentário em Curta-Metragem, cujo numero de finalistas pode variar entre 2 a 5) que serão divulgados em data previamente marcada;

    5. Será declarado vencedor o filme que obter maioria de votos no quesito técnico e popular. O vencedor em cada categoria será anunciado no dia do OSCAR a partir das 12hs.

    6. O Quesito popular consiste de enquete simples, disponibilizada nos blogs Spoiler News, Spoiler Action, Spoiler Emotion, Spoiler Happy e Spoiler Classics entre os dias 25/01/07 a 25/02/07. Terão direito a voto todos os visitantes desses blogs que assim o desejar, desde que votem apenas e somente uma vez em cada categoria e que se comprometam a votar em todas as categorias

    7. Caso o eleitor discorde dos finalistas ou não deseje votar em alguma categoria, será disponibilizado na enquete um campo para voto inválido que deverá ser escolhido;

    8. Para evitar fraude ou duplicidade dos votos, as enquetes terão controle restrito por IP. Será anulado as enquetes que tiverem margem superior de votos a 10% em relação a média de votos das outras enquetes, cabendo a escolha do vencedor apenas pelo quesito técnico;

    9. Os votos no Quesito Popular serão secretos. Não haverá divulgação do número de votos e os valores percentuais de cada categoria. Para evitar fraude, será designado um auditor de confiança que partilhará dos resultados e das tabulações. Poderá aspirar o cargo de auditor, qualquer um dos visitantes do blogs mencionado no artigo 6;

    10. O Quesito Técnico consiste de enquete simples. Terá direito a voto os representantes das Associações de Crítica Estrangeira e Sindicatos de profissionais da indústria cinematográfica, representados por meio de seus prêmios divulgados na imprensa. Cada instituição terá direito de 1 a 10 votos conforme sua relevância.

    11. Para votar basta clikar no nome das categorias na barra informativa lateral, uma janela pop-up abrirá. Vote com critério e responsabilidade!



    19.1.07

    Entre a dor e a esperança


    Em Babel, filme vencedor do Globo de Ouro e um dos favoritos ao Oscar, o diretor Alejandro González Iñárritu expressa paradoxos da globalização


    Um casal de americanos passeia pelo Marrocos, ela leva um tiro e o marido tem de fazer o diabo para conseguir salvar sua vida em terra tão inóspita. Nos Estados Unidos, uma babá mexicana vê-se obrigada a atravessar a fronteira com as duas crianças americanas de que toma conta para comparecer a um casamento da família. Na volta, enfrenta sérios problemas. No Japão, uma surda-muda tem um pai que é procurado pela polícia de Tóquio. São essas as tramas que se tecem em Babel, filme americano do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, que acaba de ganhar o Globo de Ouro e é um dos favoritos ao Oscar.

    Não é a primeira vez que Iñárritu se mete em tramas entrelaçadas. Aliás, ele estreou assim, com o surpreendente Amores Brutos, filme também estruturado sobre acidentes, traumas, desastres pessoais que se refletem um sobre os outros. Tudo está em contato com tudo. Tudo está conectado, como se costuma dizer por aí. Iñárritu acredita, sim, que todo o sofrimento esteja conectado. É quase como um pressuposto daquilo que filma.

    Diga-se de passagem que essa estratégia não é nova (nada é novo) e aparece, por exemplo, de Antes da Chuva, de Mincho Manchevski, e Short Cuts, de Robert Altman. Histórias paralelas, que em algum momento acabam se cruzando. Como se dissessem, não apenas que tudo está em contato com tudo, mas que todos fazemos parte de uma mesma família humana e que, portanto, nada nos é estranho, nem a Guerra no Iraque, nem o glamour de Hollywood, nem a fome na África...Todos humanos, e o cinema nos recorda.

    Mas nos diz também - e esse é o caso de Babel - que estamos juntos num mundo desacertado. Por isso, uma família de camponeses marroquinos pode comprar um rifle para defender seu rebanho, sem saber que ele será usado por uma das crianças da casa e isso terá conseqüências dramáticas. Também um casal que parte em férias, Susan (Cate Blanchett) e Richard (Brad Pitt) não pode saber que o passeio vai se transformar em pesadelo. Num outro canto do mundo, a babá mexicana Amelia (Adriana Barraza) acha que pode cruzar impunemente a fronteira em companhia de duas crianças, e que pode confiar na responsabilidade do seu sobrinho, Santiago (Gael García Bernal). Em outra latitude e longitude, um homem, viúvo, procura estabelecer algum tipo de comunicação com sua filha surda-muda, que tem sua própria maneira de relacionar-se com a vida.

    Babel é mais uma colaboração entre Iñárritu e seu roteirista Guillermo Arriaga, parceria que começou com Amores Brutos e continuou com 21 Gramas. Babel talvez tenha sido o último da sociedade, uma vez que diretor e roteirista andaram brigados, por uma dessas ciumeiras que o sucesso traz. Questão de crédito e responsabilidade nesse tipo de criação coletiva que é o cinema, mas cuja autoria costuma ser atribuída somente ao diretor, esse demiurgo que tiraria um filme do nada, dando-lhe vida com um deus. Bem, esse tipo de briga faz parte da história do cinema e, é bom lembrar, houve gente (ninguém menos que a crítica norte-americana Pauline Kael) defendendo que o verdadeiro 'autor' de Cidadão Kane seria não Orson Welles mas seu injustamente esquecido roteirista Herman Mankiewski.

    Fato é que Arriaga escreve suas histórias muito bem, mas nem ele, num filme de episódios interligados, escapa à sina da disparidade de qualidade entre elas. Assim, em Babel, é a trama no Marrocos que parece dar mais certo e causar melhor impressão. Mesmo porque ela se combina em duas frentes. De um lado temos a situação aflitiva do casal americano, ela atingida por uma bala. Por outro, a coisa vista pelo lado dos marroquinos. Uma estrutura patriarcalista, na qual o fato de um dos meninos ter visto a irmã nua, durante um banho, parece tão grave quanto um deles haver disparado seu rifle 'de brincadeira' contra um ônibus de turistas.

    Não é o menor mérito de Iñárritu como de Arriaga terem evitado uma leitura preconceituosa, que oporia os brancos civilizados x árabes primitivos. Uma sinopse superficial da história pode dar esse tipo de leitura. Mas o filme indica outra coisa, uma sensação de estranhamento, que relembra, em alguns momentos, a literatura de Paul Bowles (de O Céu Que nos Protege), ele também um ocidental que procura o exótico, o Outro, em busca de alguma coisa que não encontra em sua própria civilização. Há algo dessa carência em Susan e Richard, que encontram esse desamparo diante do que não se conhece mas ao mesmo tempo uma insuspeita solidariedade. Há toques de muita delicadeza na maneira como Richard e sua aflição são acolhidos em uma paupérrima aldeia no meio do deserto.

    Também não é nada má a história que se passa entre Tijuana e Los Angeles, ainda mais porque põe em xeque a questão da fronteira entre México e Estados Unidos, uma das linhas quentes do planeta. Também aqui há uma recusa em fazer dos personagens meras figuras ou estereótipos. Amelia, as crianças, Santiago, são personagens patéticos do mundo dito global, onde mercadorias e divisas circulam com toda a liberdade, mas pessoas vêem-se limitadas por passaportes, vistos e até muros, como é o caso da fronteira entre aqueles dois países. O sentimento mexicano a respeito está bem expresso no filme, é uma assinatura, por assim dizer.

    Já o episódio japonês, sem ser de maneira nenhuma ruim, destoa um pouco dos outros dois. Isolado, seria ótimo. No contexto do filme, diminui-se um pouco.

    Esse, aliás, é o problema de Babel - as conexões entre as diferentes narrativas parece um tanto frágil. Elas não se soldam com a naturalidade de um Antes da Chuva e muito menos de um Short Cuts, para comparar com os dois filmes com os quais mantém parentesco estrutural. As costuras ficam um pouco visíveis demais e isso contribui para enfraquecê-lo.

    Mas não a ponto de fazer de Babel algo menos do que um ótimo filme. Um sincero retrato desse mundo multilingüístico e multicultural, condenado à coexistência mas que ainda não encontrou um modo razoável de fazê-lo.

    Números...


  • 6 línguas...
    são faladas no filme: inglês, francês, espanhol, japonês, árabe e berbere (língua de influência árabe falada no Marrocos)

  • 3 continentes...
    são cenários para o longa: América do Norte (Estados Unidos e México), África (Marrocos) e Ásia (Japão)

  • 66 indicações
    recebeu até o momento em festivais, como Cannes, e para os prêmios como Bafta e Globo de Ouro

    Por Luiz Zanin Oricchio - Estado de São Paulo


  • 17.1.07

    Escuridão na tela prateada


    O cinema da corrente dominante escureceu, tanto temática quanto psicologicamente. O trailer de "Homem-Aranha 3" mostra que no próximo episódio o herói se funde com uma criatura escura de outro mundo. O slogan do filme é "A batalha interior". Em 2005, "Guerra nas Estrelas: Episódio 3" mostrou a batalha interior do próprio Anakin Skywalker. No mesmo ano, Bruce Wayne em "Batman Begins" viu seus pais serem assassinados e teve uma experiência traumática em uma caverna escura, que o colocou, e ao filme, em um rumo tenebroso.

    Também em 2005, "A Guerra dos Mundos" foi tão sombria visualmente que os cinemas colocaram placas explicando que a projeção não estava com defeito. No ano anterior, "A Paixão de Cristo" foi um dos filmes da corrente dominante mais para baixo já feitos. Algumas salas estão exibindo atualmente "O Grande Truque", que é sombrio ao extremo, e "Cassino Royale", que nos oferece a batalha interior de 007.

    Quase todos os personagens das franquias do cinema comercial - os heróis que sopram na direção dos ventos dominantes cinematográficos e sociais - sofreram traumas ultimamente. O ânimo ensolarado está por baixo. Preto é o novo tom. E isso já aconteceu antes. Nas décadas de 1940 e 50, os emigrantes e cineastas europeus que assistiram ao combate fizeram mais de 300 filmes sombrios sobre corrupção e sexo que ficaram conhecidos como o ciclo do "filme noir".

    Nos anos 70 surgiu uma visão mais pessimista da natureza humana, piscando ao sol da Califórnia, e durou cerca de uma década. E nos últimos 30 anos o principal criador de lendas de Hollywood, Steven Spielberg, pareceu profundamente indeciso sobre trauma e escuridão.

    O que está por trás dessa nova onda de cinema noir na corrente dominante? A resposta óbvia é o 11 de Setembro, mas outras questões devem ser consideradas primeiro - como as tendências demográficas. Entre 1990 e 2000, a porcentagem de ingressos de cinema vendidos nos EUA para pessoas com mais de 50 anos dobrou, de 5% para 10%. No mesmo período, os jovens de 16 a 20 anos, o principal público de Hollywood desde meados dos anos 70, caiu de 20% para 17%.

    Na década atual, a freqüência aos cinemas por pessoas de 55 a 64 anos deverá aumentar 14,6%. A conseqüência para a narrativa é evidente. Se você já sofreu alguns golpes na vida, os filmes em que os personagens também sofrem são mais verossímeis; personagens que sobreviveram a tempos difíceis têm maior probabilidade de comovê-lo. O sucesso de filmes como "Estrada para Perdição" e "Uma Mente Brilhante" é amplamente atribuído às platéias mais velhas.

    O segundo fator é a influência do novo cinema asiático. Com notáveis exceções, como o "Projeto Bruxa de Blair", o filme de terror de Hollywood sofreu durante anos de "seqüencite" e de um excesso de piadas pós-modernas.

    Hollywood parecia ter esquecido que a sobriedade está na raiz do terror. Depois veio uma enxurrada de filmes de terror japoneses: "O Chamado 2" (1998) e "Água Negra" (2002), de Hideo Nakata, e "Audition" (1999), de Takashi Miike. Estes foram decididamente aterrorizantes, e seu sucesso fez o terror de Hollywood parecer leve. Por isso Hollywood fez o que sempre faz - roubou e copiou, refazendo filmes asiáticos e imitando sua angústia.

    Alguns críticos afirmaram que um dos motivos pelos quais os cineastas japoneses, taiwaneses, chineses e coreanos fazem seriedade tão bem é que seus países suportaram uma série de choques traumáticos. Os EUA tiveram suas feridas, mas algumas delas - como a humilhação e a chacina dos indígenas americanos - não pareciam feridas para os cineastas pioneiros. Outras questões como a escravidão, sim, mas foram suportadas por pessoas que nem dirigiam estúdios nem, até recentemente, dirigiam filmes com muita freqüência.

    O Vietnã é uma ferida que certamente assombra o cinema americano, mas não é cinematográfica em si e teve de ser reinterpretada por fazedores de mitos e forjadores de lendas como Francis Ford Coppola. O mesmo vale para outros choques nacionais como as mortes de JFK, Janis Joplin e Robert Kennedy.

    Você pode ver aonde isto está levando. Nenhum acontecimento nacional foi mais cinematográfico e mais adequado à representação cinematográfica do que os aviões se chocando contra o World Trade Center. Eles sonham com o 11 de Setembro, os executivos dos estúdios que se encontram com seus roteiristas em restaurantes do Sunset Boulevard, comem atum semicru e conversam sobre como Anakin Skywalker, Bruce Wayne e James Bond precisam passar por algo mais sombrio desta vez. "11/9" atingiu esses executivos no plexo solar. Fora a Aids - que foi mais lenta e estigmatizada -, essa foi a primeira vez que Hollywood viu sua própria gente realmente sofrer, e a dor não desaparecia.

    Assim, a escuridão atual nos multiplex foi causada por três mudanças: a geração "baby boom", hoje com 50 anos, indo ao cinema criou o público (e o mercado) para a seriedade; o cinema asiático emprestou uma estética capaz de incorporar a escuridão psicológica; e o 11 de Setembro injetou o medo nas vidas e nos sonhos dos cineastas. Fatores sociais, estéticos e psíquicos provocaram essa mudança para a "batalha interior".

    Por Mark Cousins



    16.1.07

    Globo de Ouro consagra ''Babel"


    Mas Scorsese ganha o troféu de melhor direção por "Os Infiltrados"


    Parece bastante interessante na premiação do Globo de Ouro deste ano o descolamento entre os troféus de melhor filme, Babel, e direção, que foi para Martin Scorsese com Os Infiltrados. Ora, em geral aceita-se que o filme mais bem dirigido seja o melhor. Mas aqui tivemos uma divisão. Como se um não pudesse sobrepujar completamente o outro. Uma clara decisão distributiva, mais comum em júris pouco numerosos que em colégios eleitorais mais amplos como o do Globo de Ouro.

    Isso significa também, se uma decisão dessas pode ser interpretada, que os dois filmes se equivalem, embora Babel seja um tanto superior. De qualquer forma, são dois filmes que explicitam, de maneira enérgica, um certo estágio do desacerto no mundo. Os Infiltrados num plano mais local, focalizando a violência intrínseca da sociedade americana. Babel, projetando essa idéia em esfera mais ampla, a do mundo globalizado. Talvez tenha sido essa tendência mais generalizante que tenha inclinado a balança a seu favor.

    O fato é que a divisão entre os dois seguiu o script que se previa - eram de fato os dois filmes 'dramáticos' mais bem cotados em concurso. De resto, a premiação investiu em algumas escolhas óbvias, e necessárias. Por exemplo, como evitar o prêmio de melhor atriz a Helen Mirren depois do seu desempenho em A Rainha, de Stephen Frears? Ou como evitar que Meryl Streep ficasse como melhor atriz na categoria comédia ou musical depois de vê-la no superestimado porém delicioso O Diabo Veste Prada?

    A Rainha ficou também com roteiro, de autoria de Peter Morgan, e nada poderia ser mais justo, uma vez que a carpintaria dramática desse filme que fala do relacionamento entre Elizabeth II e Tony Blair por ocasião da morte da lady Di depende muito do texto. E de suas sutilezas, muito bem urdidas por Morgan. Mas, claro, quem olha para a tela tende a atribuir todos os méritos a Helen Mirren, e não por acaso. Ela está tão bem que se aproxima até fisicamente da figura real - nos dois sentidos do termo. Seu gestual é o de uma rainha, e seu modo de falar idem. Não havia a menor dúvida de que o prêmio iria para ela, mas a lembrança ao roteirista dá dimensão mais justa ao projeto orquestrado por Frears.

    Outras bolas também eram cantadas com antecedência e por isso não surpreendeu a boa premiação de Dreamgirls, ainda inédito no Brasil, nas categorias de melhor comédia ou musical, e ainda os troféus ao elenco coadjuvante - Jennifer Hudson e Eddie Murphy. O melhor papel dramático ficou com outro ator negro, Forest Whitaker, de O Último Rei da Escócia, que também ainda não estreou por aqui. Whitaker derrotou Leonardo DiCaprio, que concorria por dois filmes, Os Infiltrados e Diamante de Sangue, e por isso era visto por algumas fontes como provável ganhador. O que se viu foi o contrário: a dupla indicação acabou por enfraquecer a ambas. Já o prêmio de animação para Cars era a chamada pule de dez, no jargão turfístico: não havia como errar. E o prêmio de melhor ator de comédia ou musical para Sacha Baron Cohen, de Borat, se não surpreende quem conhece o filme, não deixa de ser marcante. Em especial por ter derrotado o badalado Johnny Depp de Piratas do Caribe, e Will Ferrell, irreconhecível de tão bom em Mais Estranho Que a Ficção.

    Por fim, a premiação de Cartas de Iwo Jima, de Clint Eastwood, como melhor filme de língua não inglesa, se justifica por ser falado em japonês quase o tempo todo. E sua qualidade artística está acima de qualquer discussão - é um filmaço, junto com seu par A Conquista da Honra. Mas se os votantes do Globo de Ouro queriam prestar atenção ao que se faz fora dos Estados Unidos teriam a maravilhosa opção de Volver, um grand cru de Pedro Almodóvar. Ou mesmo a fantasia de O Labirinto do Fauno, que agrada a tantos. Ver Clint e Spielberg no palco, recebendo esse prêmio em tese destinado aos estrangeiros, não causa a melhor das impressões.

    Por Luiz Zanin Oricchio - Estado de São Paulo



    11.1.07

    4º PRÊMIO SPOILER DE CINEMA & BLOG


    Fazer um blog é tomar decisões durante um ano, decisões a propósito da pauta, do vocabulário, das elipses, das citações, dos links, do template, da densidade das imagens, das durações, das emendas e até dos comentários; a qualidade de um blog é frequentemente proporcional à inteligencia das decisões tomadas, sua lógica, sua coerência. A beleza desse trabalho reside em sua dissimulação, pois o editor dá a impressão de que apenas registrou aquelas paisagens sublimes, aqueles fatos magnificos, aquelas ações pungentes, dando-se ao luxo de não parecer responsável por tantas maravilhas. Ele, que escolheu tudo, pode simplesmente dizer: "Eis o que vi", hipocrisia sublime e dispensável.

    Fazer um blog é mostrar a vida, é alicerçar uma ficção, é escolher uma parte do mundo e esquecer voluntariamente o resto, é aceitar passar por um idiota, um primário ou um frívolo, é aceitar ser julgado por seus contemporâneos. Querer colocar tudo num blog (princípio do amálgama) ou nada colocar nele (princípio da vanguarda) é impedir os outros de manifestar sua opinião aterrorizando-os com a obscuridade de suas intenções. Quando a execução de um blog encaminha-se para perfeição, no final há uma obra-prima, isto é, um blog que encontrou sua forma definitiva, um objeto misterioso e antes fechado; quando a execução deixa a desejar, mais as intenções são visiveis e o resultado pode nos parecer então pertubador ou ridículo.

    Os blogs respiram por suas falhas, a obra-prima é irrespirável, e em nome de todos os visitantes desse blog, a Rede Spoiler confere em sua quarta edição, os seguintes prêmios de mérito digital à algumas obras-primas que se destacaram em 2006:

    Melhor Blog
    "Realidade Torta"
    (Bill, POUSO ALEGRE - MG)

    Melhor Editor/Redator
    Junior
    por "Frigideira" - SÃO PAULO - SP

    Melhor Post
    "O bom, o mau... que feio!" (06/03/06) - "Filmes do Chico"
    de Chico Fireman, SALVADOR - BA

    Melhor Pauta Original
    "Realidade Torta"
    (Bill, POUSO ALEGRE - MG)

    Melhor Pauta Adaptada
    "Pensamentos de uma Batata Trangênica"
    (Naomi, SÃO PAULO - SP)

    Melhor Produção Técnica
    "Realidade Torta"
    (Bill, POUSO ALEGRE - MG)

    Melhor Blog Estrangeiro
    "Ante Et Post" - PORTUGAL
    (Coletivo)

    Melhor Direção de Arte & Template
    "Sounds of Silence"
    (Amadeu, RIO DE JANEIRO - RJ)

    Melhor Edição de Imagem & Som
    "Naomi's Blog"
    (Naomi, ORIGEM DESCONHECIDA)

    Melhor Edição de Links & Programação
    "Realidade Torta"
    (Bill, POUSO ALEGRE - MG)

    Melhor Ação Social
    "Aldeia dos Anjos"
    ~ APAE Lagoa Vermelha ~

    (Coletivo, BRASIL)

    Melhor Jornalismo
    "Filmes do Chico"
    (Chico Fireman, SALVADOR - BA)

    Melhor Conceito Criativo
    "Mandamos Você..."
    (Jayme & André, VITÓRIA/ALVORADA - ES/RS)

    Melhor Conceito Artístico
    "the.way.things.are"
    (Teco Apple, ORIGEM DESCONHECIDA)

    Melhor Conceito Filosófico
    "Poeira & Ossos"
    (Rafaela, UNAÍ - MG)

    Melhor Conceito Cinematográfico
    "Filmes do Chico"
    (Chico Fireman, SALVADOR - BA)

    Melhor Interação em Comentários
    "Mandamos Você..."
    (Jayme & André, VITÓRIA/ALVORADA - ES/RS)

    Clique aqui para conferir todos os indicados ao 4º Prêmio Spoiler de Blog!


    Prêmios Honorários




    Em nome de todos os visitantes desse blog, a Rede Spoiler concede orgulhosamente o Prêmio Spoiler de Melhor Blog à Bill, em reconhecimento à sua enorme contribuição à literatura no "Realidade Torta" durante o ano de 2006 e por sua importante e revolucionária contribuição na divulgação da cultura universal em geral.



    Em nome de todos os visitantes desse blog, a Rede Spoiler concede um Certificado Humanitário à Domingos Tucci, autor do "Ramsés Séc XXI", em reconhecimento à sua benemerência, inteligentes e tocantes observações da vida cotidiana e gigantesco empenho na integração entre blogueiros.



    Em nome de todos os visitantes desse blog, a Rede Spoiler concede um Certificado Humanitário à Jacque, autora do "Tricotando", em prol de sua iniciativa pioneira no campo da responsabilidade social.



    Pelo absoluto domínio de um jornalismo compromissado com a realidade digital, com o respeito e o afeto de seus colegas, o Júri da 4º Edição do Prêmio Spoiler, concede à André Rosa, autor do "Marmota Mais dos Mesmos", um Prêmio Especial do Júri

    Júri Técnico


    Alexandre Inagaki (Presidente do Júri) - SÃO PAULO
    "Pensar Enlouquesce, Pense Nisso"
    (4 vezes indicado ao Prêmio Spoiler, Vencedor do SPOILER 2006 de "Melhor Editor/Redator", Co-Autor do livro "Blog de Papel")

    Cláudia - RIO DE JANEIRO
    "Your Soul"
    (3 vezes indicada ao Prêmio Spoiler, Vencedora do SPOILER 2006 de "Melhor Ação Social")

    Chico Fireman - BAHIA
    "Filmes do Chico"
    (9 vezes indicado ao Prêmio Spoiler, Vencedor do SPOILER 2006 de "Melhor Conceito Cinematográfico" e dos SPOILERs 2007 de "Melhor Post", "Melhor Jornalismo" e "Melhor Conceito Cinematográfico")

    Domingos Tucci - SÃO PAULO
    "Ramses Séc XXI"
    (2 vezes indicado ao Prêmio Spoiler, Vencedor do Prêmio Humanitário 2007 pelo Conjunto da Obra e do SPOILER 2006 de "Melhor Pauta Adaptada")

    Fernando - SÃO PAULO
    (Presidente do Júri Técnico do Prêmio Spoiler (Blogs) em 2004 e 2005)

    Gustavo H. Razera - SÃO PAULO
    "Império Cinéfilo"
    (2 vezes indicado ao Prêmio Spoiler de "Melhor Conceito Cinematográfico")

    Maitê Mendonça - RIO GRANDE DO SUL
    "Sur Le Divan d´Amelie Poulain"
    (5 vezes indicada ao Prêmio Spoiler, Vencedora do SPOILER 2006 de "Melhor Blog" pelo "Cinemeira de Olívia Jones)

    Mauricio Silva Filho - SÃO PAULO
    "Spoiler"
    (Editor Chefe da Academia de Blogs de Arte e Ciência Cinematograficas)

    Naomi - SÃO PAULO
    "Pensamentos de uma Batata Trangênica"
    (2 vezes indicada ao Prêmio Spoiler, Vencedora do SPOILER 2006 de "Melhor Jornalismo" e do SPOILER 2007 de "Melhor Pauta Adaptada")

    Rodrigo Albuquerque - PERNAMBUCO
    "Pernambaiano"
    (4 vezes indicado ao Prêmio Spoiler, Vencedor do Prêmio Humanitário 2006 pelo Conjunto da Obra)

    Vera Fróes - RIO GRANDE DO SUL
    "Verdes Verdades"
    (3 vezes indicada ao Prêmio Spoiler, Vencedora do Spoiler 2006 de "Melhor Edição de Links & Programação")
    (*) Por Ética, nenhum membro do Júri votou em seu próprio blog


    SPOILER
    Deleite seus olhos!

    SPOILER NEWS SPOILER ACTION SPOILER HAPPY
    SPOILER EMOTION SPOILER CLASSICS


    Agradeço aos 2466 leitores pela participação, colaboração e empenho nesse projeto e conto com a participação dos premiados dessa edição para compor o Júri Técnico do 5ª Prêmio Spoiler em 2008.
    Mauricio R. Silva Filho - Da Redação de "Spoiler"



    9.1.07

    Oscar terá documentários politizados


    Lista de pré-indicados é dominada por filmes que abordam temas controversos, como a Guerra do Iraque


    "Eu não viajei para lá a fim de provar que estou certa", disse a documentarista Laura Poitras sobre sua visita ao Iraque, onde rodou "My Country, My Country" [meu país, meu país], um dos quatro documentários sobre a guerra que disputam indicação ao Oscar deste ano.

    "Eu considerava importante compreender essa guerra e documentá-la, e não acreditava que a mídia fosse fazê-lo".

    Poitras, 42, filmou com sua própria câmera e registrou o som do documentário sozinha, enquanto acompanhava o trabalho de um médico iraquiano durante oito meses. Sunita e crítico ardoroso da ocupação norte-americana, o médico era candidato a um assento nas eleições para o Conselho da Província de Bagdá, no pleito nacional de janeiro de 2005, mas saiu derrotado.

    "My Country, My Country" talvez não seja premiado com o Oscar de melhor documentário, ou nem mesmo consiga lugar entre os cinco indicados, que serão anunciados no próximo dia 23 (a cerimônia ocorre em 25/2.) Mas sua presença entre os finalistas na concorrida lista de documentários -que inclui 14 outros filmes- enfatiza a tendência de premiar produções menos sofisticadas, cinema em estilo de guerrilha, e a disposição de encarar assuntos controversos, não importa quais sejam os obstáculos.

    Os documentários que têm por foco questões políticas dominam a lista de 15 finalistas (em uma primeira etapa, 81 filmes atenderam aos critérios de elegibilidade). "Este é o ano do documentário zangado, do documentário cujo objetivo é reconquistar o país", disse Sheila Nevins, presidente da HBO Documentary Films. Os documentários exibidos nas salas de cinema, acrescentou, "substituíram os documentários de televisão, em seu uso como ferramenta de resposta às alegações do governo. Eles se tornaram um dos únicos meios pelos quais se pode fazê-lo".

    Mas um pioneiro do gênero, Albert Maysles, não parece entusiástico quanto à tendência. "Eu defendo a teoria de que o realizador precisa se distanciar de um ponto de vista", afirmou.

    Falando sobre "Fahrenheit 11 de Setembro", de Michael Moore, diz: "Ele prejudica sua causa porque o método que usa é emboscar pessoas, com o objetivo de provar seu argumento. Se aquilo em que você acredita é certo, por que temer contar a história por inteiro?".

    Stanley Nelson, diretor de "Jonestown: The Life and Death of Peoples Temple", que narra a história de Jim Jones, o líder de um suicídio em massa no qual mais de 900 pessoas morreram, na Guiana, em 1978, diz que "era essencial não mostrar aquele homem como apenas maligno. Porque conseguimos manter certa dose de objetividade, nosso trabalho se tornou revolucionário".

    O comentário de Nelson reflete um clima no qual a busca de objetividade nos documentários deixou de ser a norma, como ocorria nos anos 50 e 60. Na época, cineastas norte-americanos defendiam o "cinema direto", no qual a câmara ocupava uma posição de observador passivo, ou invisível, capturando imagens mas sem comentar sobre elas.

    Alguns dos documentários pré-indicados ao Oscar adotam essa abordagem em escala mais pronunciada, para tratar de temas como aquecimento global, religião e campanha política.

    Além do filme de Poitras, três outros dos documentários tratam do Iraque. "Iraq in Fragments", de James Longley; "War Tapes", de Deborah Scranton; e "Ground Truth", de Patricia Foulkrod.

    Barbara Kopple, que já ganhou dois Oscar na categoria documentário, disse que mais pessoas assistem a documentários hoje porque desejam ver histórias apaixonadas sobre personagens inesquecíveis. "As audiências são inteligentes o bastante para decidir sem ajuda se concordam com os argumentos que vêem na tela."

    Davis Guggenheim, que dirigiu "Uma Verdade Inconveniente", relembra a transformação por que passou após assistir a uma palestra de Al Gore sobre as alterações climáticas, tema de seu documentário. "Quando faço um filme, não tenho em mente o ativismo, mas sim uma experiência. Antes de assistir à apresentação de Al, eu não era ambientalista. Mas vê-la abalou minhas convicções."

    Por Charles Lyons - NY Times



    7.1.07

    "A Menina e o Porquinho" tem boa dose de drama e humor


    "A Teia de Charlotte", o comovente romance de E.B.White sobre amizade e salvação, escrito em 1952, foi transposto para o cinema em "A Menina e o Porquinho", um filme repleto de humor e surpresas, com estréia nesta sexta-feira.

    A versão cinematográfica anterior, lançada pela Paramount em 1952, foi um longa-metragem animado tradicional do estúdio Hanna-Barbera. Já a nova versão segue a mesma fórmula com atores de verdade lançada por "Babe -- Um Porquinho Trapalhão", de 1995, combinando animais reais com movimentos auxiliados por efeitos especiais.

    O resultado, acrescido de diálogos ligeiramente modernizados que, apesar disso, continuam fiéis ao texto original de White, é uma cartilha sobre o ciclo de vida, sem exagerar na dose de drama.

    Some-se a tudo isso o trabalho fantástico de um elenco de voz inspirado, incluindo Julia Roberts no papel da aranha Charlotte, Steve Buscemi (perfeito como o rato Templeton), John Cleese (um carneiro de humor ácido), Oprah Winfrey (uma gansa tagarela) e Dominic Scott Kay, de 10 anos, no papel chave de Wilbur, o porquinho curioso e inocente.

    Dakota Fanning foi a escolha ideal para o papel da garota Fern Arable, que impede seu pai, o fazendeiro (Kevin Anderson), de abater o menor porquinho de vários que nasceram juntos.

    Ela encontra um lar adotivo para Wilbur no paiol dos Zuckerman, onde o ingênuo bichinho acaba descobrindo, conversando com os outros animais, que porquinhos que nascem na primavera não costumam viver por tempo suficiente para assistir às primeiras nevascas do inverno.

    Wilbur encontra uma aliada em Charlotte, uma aranha que vive no paiol como pária social. Ele procura um milagre para poder sobreviver, e acaba encontrando esse milagre com a ajuda da artística aranha.

    O diretor Gary Winick ("De Repente 30"), trabalhando a partir de um roteiro de Susannah Grant ("Erin Brockovich") e do diretor de "Os Sem-Floresta", Karey Kirkpatrick, encontra o ponto de equilíbrio perfeito entre o humor e a emoção.

    Seu elenco é fantástico e inclui também as vozes de Kathy Bates e Reba McEntire nos papéis das vacas Bitsy e Betsy, Robert Redford como o cavalo Ike, que tem aversão por aranhas, e de Thomas Haden Church e Andre Benjamin, este do Outkast, nos papéis de dois corvos desajeitados.

    O supervisor de efeitos especiais John Andrew Berton Jr. funde perfeitamente várias tecnologias antigas e novas, sendo que estas últimas rendem uma das belíssimas sequências em que Charlotte tece uma de suas teias.

    Da Redação do "Hollywood Reporter"



    5.1.07

    Como garimpar afeto e amizade


    "Diamante de Sangue" é engajado, mas mantém sua força nas relações afetivas


    Aconteceu em março, na África do Sul, durante as filmagens de "Diamante de Sangue", novo filme de Edward Zwick. Um rapaz sul-africano ameaçou atirar em Djimon Hounsou - e Leonardo DiCaprio defendeu o colega de elenco. 'Você vai ter de passar por cima de mim porque conheço este cara e tenho certeza de que ele não fez nada de errado', disse o ex-namorado da modelo brasileira Gisele Bündchen.

    Hounsou ficou sabendo do ocorrido uma semana depois e o caso pareceu marcar o início da grande amizade entre os dois atores. 'Não é por acaso que na África o chamamos de Titanic', disse ele, fazendo referência ao filme de James Cameron que DiCaprio protagonizou. 'Ele realmente tem essa personalidade.'

    A história foi contada por Hounsou e confirmada por DiCaprio durante uma série de entrevistas coletivas para a promoção do filme, em dezembro, no luxuoso hotel Beverly Wilshire, em Los Angeles. É significativa não apenas para os dois atores, que atravessam bons momentos em suas carreiras. Mas também para entender a proposta de Zwick, um diretor com uma filmografia caracterizada por altos (Tempo de Glória) e baixos (Lendas do Passado).

    Ambientado em 1999, durante a guerra civil em Serra Leoa, Diamante de Sangue usa a questão da exploração ilegal dos diamantes em países africanos pobres e em conflito, como pano de fundo para falar sobre como se constroem relações afetivas entre pessoas de perfis e histórias de vida completamente diferentes em contato com situações-limite. É o caso de quase todos os trabalhos do cineasta, especialmente Tempo de Glória e O Último Samurai.

    Hounsou faz o papel de Solomon Vandy, um pescador da etnia mende, seqüestrado de sua família por guerrilheiros para trabalhar no garimpo ilegal de diamantes que financiam as guerrilhas e a criação dos exércitos de crianças. DiCaprio interpreta Danny Archer, um mercenário nascido no Zimbábue (antiga Rodésia) que alimenta o sonho de sair do continente e fugir da pobreza e de um ciclo interminável de luta por poder e corrupção. O destino os coloca lado a lado para resgatar um diamante bruto que poderá dar a Archer o passaporte para felicidade e proporcionar a Vandy o reencontro com a família.

    'Esta é a história mais pessoal de que participei', disse Hounsou. 'Nasci na África (no Benin) e saí de lá bem novo. Mas ainda tenho família e cada vez que volto para visitá-la tenho de atravessar países em guerra. Então, minha bagagem de vida foi boa fonte de inspiração.'

    A experiência funcionou como uma volta ao passado para Hounsou. Mas para DiCaprio foi um presente surpreendente. 'O que mais me impressionou foi como as pessoas lidam com a pobreza', disse o ator. 'A atitude deles em relação à vida, com toda a tragédia que os rodeia. E a sensação de voltar para cá, onde existe tanta riqueza e ninguém se importa com o próximo.'

    'Originalmente, era a história de dois aventureiros na Namíbia', contou o roteirista Charles Lewitt. 'Eu estava interessado nessa questão dos diamantes. E a realidade tem de ser factual. Por isso, decidi falar sobre esse período, no fim dos anos 90, em que muita coisa aconteceu na África por conta da exploração ilegal de diamantes para financiar as guerrilhas.'

    Com a história de dois personagens em busca de uma riqueza que está além do valor material dos diamantes, o filme se aproximou das temáticas caras ao diretor Zwick. 'Neste mundo, estamos todos envolvidos uns com os outros', disse ele. 'O controle da exploração dos recursos naturais pode ser determinante para que tenhamos uma vida melhor.'

    Leonardo DiCaprio concorre com ele mesmo


    Considerado o principal termômetro do Oscar, o Globo de Ouro dá sinais de que Leonardo DiCaprio deverá estar na lista de indicados que será anunciada no dia 23. Mas, segundo os analistas americanos, é pouco provável que o ator repita, na Academia, a dupla indicação ao prêmio de melhor ator da Associação de Imprensa Estrangeira.

    DiCaprio concorre consigo mesmo ao Globo de Ouro. Ele foi indicado ao prêmio por Os Infiltrados, de Martin Scorsese, e Diamante de Sangue, de Edward Zwick. Além dele mesmo, o ator concorre ainda com Peter O'Toole (Vênus), Will Smith (The Pursuit of Happiness) e Forrest Whitaker (O Último Rei da Escócia). A cerimônia de entrega se realizará no dia 15.

    Sabendo que a repetição da façanha é muito difícil, a Warner, estúdio que produziu os dois filmes do ator (a partir de hoje, ambos em cartaz no Brasil), investiu em estratégia de Marketing para conduzir os votantes a indicá-lo pelos dois trabalhos em categorias diferentes. Nos anúncios publicados nos principais veículos direcionados à indústria de cinema, a produtora pede que o votante avalie a possibilidade de indicá-lo ao prêmio de melhor ator coadjuvante por Os Infiltrados e ao de melhor ator por Diamante de Sangue.

    É apenas uma estratégia, já que nos dois filmes DiCaprio pode ser considerado o que os americanos chamam de leading actor (ator principal). Mas isso pode garantir que ele seja indicado em duas categorias diferentes do Oscar e aumente a chance de ganhar a tão cobiçada estatueta. As revistas e os sites de fofocas dos EUA garantem que este ano o galã está decidido a fazer seu discurso de vitória no palco do Kodak Theatre.

    Di Caprio tem uma longa história de amor com o Oscar. Ele foi indicado duas vezes, a mais recente por sua interpretação de Howard Hughes em O Aviador (2004), cinebiografia do excêntrico milionário americano dirigida também por Martin Scorsese. A outra indicação foi por seu retrato de um garoto com problemas no filme Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (1994), de Lasse Halstrom.

    O que mais intriga nas principais premiações deste ano é a ausência de Djimon Hounsou nas indicações. O amigo de DiCaprio em Diamante de Sangue faz um trabalho ótimo na pele do pescador mende Solomon Vandy e também é responsável por parte da química que favorece o trabalho da dupla. Deixá-lo de fora prova que a comunidade cinematográfica americana ainda precisa lutar muito para vencer completamente alguns preconceitos.

    Por Alessandro Giannini - Estado de São Paulo



    3.1.07

    Três corações partidos em Motown


    A história se baseia no caso real das cantoras negras Supremes, que partiram de coadjuvantes no palco ao estrelato com um grupo próprio em meio ao Pop um tanto elitista - e branco - dos anos 60. Mas o grande apíce dramático e musical de "Dreamgirls" vem de Jennifer Hudson, interpretando como Effie White, a canção ''And I Am Telling You I'm Not Going". Essa canção foi chamariz desse musical desde a primeira produção da Broadway, há 25 anos atrás, mas ver Miss Hudson rasgar a voz na tela traz a emoção boba de testemunhar algo novo, historico e uniforme. Sendo considerada digna para cruzeiro de férias da Disney pela sua voz robusta, Miss Hudson foi eliminada notoriamente do "American Idol". Este exemplo triste da cultura pop é ecoada, também, na capa da Vanity Fair de Janeiro, que a omite em favor das co-estrelas Eddie Murphy, Jamie Foxx e Beyoncé Knowles na divulgação de "Dreamgirls".

    Naturalmente, tais desprezos decorrem da personagem de Jennifer Hudson no filme de Bill Condon, versão do show da Broadway, originalmente escrita e composta por Henry Krieger e Tom Eyen. Effie é, no início, a líder do trio vocal de Detroit chamado "Dreamettes", e também a amante de Curtis Taylor Jr. (Jamie Foxx), um vendedor de carros que se tornou empresário do grupo. No entanto, é substituída, tanto em palco como por afeições de Curtis, por Deena Jones (Beyoncé Knowles), sendo relegada ao ostracismo e pobreza, enquanto seu grupo ascende ao estrelato pop.

    "And I Am Telling You" é assim, um desafio lírico e bem orquestrado, um hino à impotencia, um protesto de uma mulher orgulhosa às margens da humilhação e derrota. Gostando disso ou não, Effie se foi...No entanto, não é frequente ir aos cinemas para ver uma imponente mulher negra, sexualmente assertiva e auto-confiante roubar a cena para si. E quando foi a última vez que você viu um atriz estreante ser a favorita ao OSCAR e uma estrela POP? Jennifer Hudson não está indo para qualquer lugar...Chegou!

    O veículo que a entrega, entretanto, não funciona sempre. "Dreamgirls" é um dramalhão, réplica de edição de colecionador de um modelo que Detroit - digo Hollywood - emprega com facilidade e regularidade. No momento em que, e talvez somente por um momento, nos palcos musicais exaltam saúde, com revivals contínuos e novos shows que lotam os teatros da Broadway. Nos multiplex, entretanto, é uma história mais amarga.

    As tentativas periódicas de revigorar a formula têm uma maneira de embalsamar a nostalgia ou de perfuma-la com um ritmo frenético (Ou ambos, veja "Moulin Rouge"). O público que vai assistir "Dreamgirls" terá uma bom entretenimento, mas estarão indo por causa dos velhos tempos da Era de Ouro dos músicais.

    E se "Dreamgirls" é decepcionante, não é por falta de esforço de Bill Condon ou seu elenco, que fazem de tudo para combinar sua performance em palco repleta de gestos grandiosos e caricatos com uma ação natural de interpretar. Como em outros filmes de Condon ("Deuses & Monstros", "Kinsey" e "Chicago"), "Dreamgirls" ocorre na intersecção da fama e a vontade, aonde o desejo sexual se mistura com a fome para o reconhecimento público.

    Ninguém no filme expressa essa tensão melhor que Eddie Murphy, cujo personagem, um cantor chamado James (Thunder) Early, luta constantemente contra seu próprio ego. Recorrendo freqüentemente numa edição rápida, Bill Condon sustenta a narrativa e o fluxo emocional desse conflito na canção seguinte.

    Mas o problema de "Dreamgirls" - e não é pequeno - reside nas suas canções, que não são musicalmente chatas, mas idiomaticamente desastrosas. Isso é um musical, e apesar de tudo, sobre música, sobre uma tensão especial, vibrante e inconstante do ritmo e do "Blues" que se proclama, prepotente mas não impreciso, "o novo som da América".

    A música tem o efeito de comprometer uma das ambições cruciais do filme: Retratar a história recente da América Negra (e, por implicação, dos próprios EUA) através do prisma da cultura popular. Um dos sonhos de Curtis é encontrar um processo que redefina permanentemente a "obra-prima", e você ouvirá muitos diálogos sobre que tipo da música apelará aos ouvidos negros e brancos. Você vê também imagens de arquivo (Martin Luther King) e vários registos da década de 60. Mas a música não fornece nenhuma orientação com a cronologia em si, e enquanto tenta negociar um período de mudança profunda, confia nos talentos de seus figurinistas John Myhre e Sharen Davis essa tarefa. As décadas são marcadas pela progressão dos penteados, lapelas, jóias e vestidos; como uma longa e entediante visita através de um museu.

    O desempenho de Beyoncé Knowles vai da estática ao destacado. Em seu limitado trabalho em filmes, nunca pareceu confortável em interpretar, mas quando canta, é capaz do calor, vulnerabilidade, e mesmo ferocidade, em que demonstra em "listen". Nesse momento, é díficil obedecer o imperativo do título da canção: O filme ofereceu mais do que apenas escutar...

    Por A.O Scott - NY Times