![]() TOP10 SPOILER 1. Ratatouille 2. Paris, Te Amo 3. Treze Homens e um Novo Segredo 4. Harry Potter e a Ordem do Fênix 5. O Despertar de uma Paixão 6. Zodíaco 7. Lady Vingança 8. Shrek Terceiro 9. Ventos da Liberdade 10. Homem-Aranha 3 TOP3 JANEIRO 1. Babel 2. Apocalypto 3. Diamante de Sangue TOP3 FEVEREIRO 1. Pecados Íntimos 2. Cartas de Iwo Jima 3. A Rainha TOP3 MARÇO 1. Notas Sobre um Escândalo 2. O Cheiro do Ralo 3. 300 TOP3 ABRIL 1. Vermelho como o Céu 2. Ventos da Liberdade 3. Miss Potter TOP3 MAIO 1. Lady Vingança 2. Homem-Aranha 3 3. Nome de Família TOP3 JUNHO 1. O Despertar de uma Paixão 2. Zodíaco 3. 13 Homens e Outro Segredo TOP10 CURTAS 1. O Nosso Livro 2. As Coisas que Moram nas Coisas 3. Alguma Coisa Assim 4. Balada das Duas Mocinhas de Botafogo 5. Yansan 6. Crisálidas 7. Tyger 8. Aquele Cara 9. Lady Christhiny 10. Meu Namorado é Michê OS BONS COMPANHEIROS Casa com Design Devaneios da Linda Dios Mio! Espalhafatos Gandalf Impressões de Ontem Levando a Vida Mandamos Você... Mi Casa, Su Casa Necrosis Pernambaiano Primado do Opinante Ramsés Séc.XXI Sara Mello Sur Le Divan d´Amelie Poulain Tricotando Vindaloo With Out Trace CINEMA PARADISO Blog do Sergio Dávila Blog do Vinícius Pereira Caderno Cinemeiro Cine na Veia Cinefilo On-Line Cinema Mon Amour Cinematógrafo XXI Cool 2 Ra Epílogo Filmes do Chico Hollywoodiano Ilustrada Império Cinéfilo Laranja Digital Pasmos Filtrados Punch Drunk Movies Revista de Cinema Tarantino The Cave Under Pressure UM TIRO NO ESCURO Alguns Adendos Antenado Blog Kálido BrainStorm #9 Brasil! Brasil! Cabeça de Batata Cambalhota Caminhar Circulando Depósito do Calvin Diário Evolutivo El Collage Gisele Christensen Gorduchas Gostosas Mais dos Mesmos Obnubilado Pensar Enlouquece Pra Hoje Realidade Torta Sara Mello Sounds of Silence Tudo Vai Mudar... Verdes Verdades TERRA ESTRANGEIRA Sundance - Sundance film festival Berlinale - Internationale filmfestspiele Berlin Tribeca - Tribeca Film Festival It's all true - International Documentary Film Festival Cannes - Festival international du film Annecy - Festival international du film d´animation Animamundi Valência - Mostra de Valencia Cinema del Mediterrani Locarno - Festival Internazionale del Film Locarno Gramado - Festival de Cinema Brasileiro e Latino Curtas - Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo Saravejo - Sesti dan Saravejo Film Festivala Veneza - Mostra D'arte Cinematografica di Venezia Toronto - Toronto film festival São Sebastian - Festival Internacional de Cine Donostia San Sebastian Rio - Rio de Janeiro Int´l Film Festival Nova York - New York film festival São Paulo - Mostra BR de Cinema MONDO OSCAR Alfred - Liga dos Blogs Cinematógraficos Oscar - Acadêmia de artes e ciências de Hollywood Globo de Ouro - Hollywood foreign press association National Board of Review Independent Spirit Awards American Film Institute BAFTA - British Academy of Film and and Television Arts BFCA - Broadcast Film Critics Association |
31.7.05
SPOILER ESPECIAL: 62º Festival de Veneza & 30º Festival de Toronto
Fernando Meirelles concorre no Festival de Veneza Depois de assistirem a quase dois mil filmes, incluindo 800 curta-metragens, os organizadores do Festival de Veneza finalmente divulgaram a lista dos 19 selecionados que irão disputar o Leão de Ouro.
Entre eles está "O Jardineiro Fiel", primeiro filme de Fernando Meirelles depois de "Cidade de Deus". Na trama, uma adaptação do romance de John Le Carré, Ralph Fiennes vive um diplomata inglês no Quênia, cuja esposa (Rachel Weisz) é misteriosamente assassinada. O longa ainda não tem previsão de estréia no Brasil, mas entra em cartaz nos Estados Unidos em 26 de agosto. Em sua 62ª edição, o Festival, que acontece de 31 de agosto a 10 de setembro, vai exibir cópias restauradas de filmes míticos como "Casanova". O clássico de Federico Fellini vem sendo recuperado há mais de dois anos e será exibido após a projeção do "Casanova" de Lasse Hallstrom, com Sienna Miller e Jeremy Irons, que faz uma recompilação dos "casanovas" da história cinematográfica. Mas não é apenas Meirelles que vai representar o Brasil em Veneza. Arido Movie, de Lirio Ferreira, com Giulia Gam e Selton Mello, será exibido na mostra paralela que leva o nome de Horizons. Confira a lista dos filmes que estão na competição: "La Seconda Notte di Nozze" Pupi Avati - Itália "O Fatalista" João Botelho - Portugal/França "Vers le Sud" Laurent Cantet - França/Canadá "Gabrielle" Patrice Chéreau - França/Itália "Goodnight and Good Luck" George Clooney - EUA "La Bestia Nel Cuore" Cristina Comencini - Itália "I Giorni Dell'Abbandono" Roberto Faenza - Itália "Mary" Abel Ferrara - Itália/EUA "Les Amants Eéguliers" Philippe Garrel - França/Itália "Garpastum" Aleksey German Jr. - Rússia "The Brothers Grimm" Terry Gilliam - Grã-Bretanha "Changhen Ge" Stanley Kwan - China, Hong Kong "Brokeback Mountain" Ang Lee - Canadá "A Prova" John Madden - Grã-Bretanha/EUA "Espelho Mágico" Manoel de Oliveira - Portugal "Sympathy for Lady Vengeance" Park Chan-Wook - Coréia "Romance and Cigarettes" John Turturro - EUA "Persona Non Grata" Krzysztof Zanussi - Polônia/Rússia/Itália "O Jardineiro Fiel" Fernando Meirelles - Inglaterra/Quênia/Alemanha/Brasil) ![]() Festival de Toronto terá estréia de "A Prova", com Gwyneth PaltrowO Festival Internacional de Cinema de Toronto anunciou nesta terça-feira que terá as estréias mundiais de "In her shoes", de Curtis Hanson e com Cameron Diaz, de "Pride and prejudice", com Keira Knightley, e a estréia americana de "A prova", da Miramax. Em "A prova", John Madden volta a dirigir Gwyneth Paltrow depois da colaboração dos dois no premiado com o Oscar "Shakespeare apaixonado". O filme é baseado na peça de David Auburn, que foi montada no Brasil com André Beltrão no papel principal. Gwyneth Paltrow também representou o papel da jovem atormentada pela memória da morte de seu pai, um matemático genial e instável, nos teatros de Londres. No cinema, o papel do pai coube à Anthony Hopkins. O elenco inclui, ainda, Jake Gyllenhaal e Hope Davis. Auburn também assina o roteiro da versão para o cinema de sua própria peça, que lhe valeu o Prêmio Pulitzer. O Festival de Toronto vai acontecer entre 8 e 15 de setembro. Os três filmes de Hollywood terão sessões de gala no Roy Thomson Hall, no centro de Toronto, antes de serem lançados nos cinemas. "Pride and prejudice", de Joe Wright, baseado no romance "Orgulho e preconceito", de Jane Austen, traz Keira Knightley no papel de uma jovem dama que é cortejada por Darcy (Matthew Macfadyen). Brenda Blethyn e Donald Sutherland representam os pais da moça. O filme tem lançamento nos EUA marcado para 23 de setembro, pela Focus Features. Também vai estrear em Toronto "In her shoes", antes de seu lançamento nos cinemas em 7 de outubro, pela 20th Century Fox. Baseado num romance de Jennifer Weiner, "In her shoes" traz duas irmãs (Cameron Diaz e Toni Collette) que são totalmente opostas em termos de amor e trabalho, mas que reencontram algo em comum depois de conhecer sua avó materna, representada por Shirley MacLaine. O Festival de Toronto já tinha anunciado previamente que terá sessões de gala de três filmes canadenses: "Water", de Deepa Mehta, "A history of violence", de David Cronenberg, e "Where the truth lies", de Atom Egoyan. Também serão exibidos no festival "Brokeback mountain", de Ang Lee, "The quiet", de Jamie Babbit, "Shopgirl", de Anand Tucker, com Claire Danes e Steve Martin, e "Thank you for smoking", de Jason Reitman, com Robert Duvall e Katie Holmes. 29.7.05
O novo "Pulp Fiction" dos quadrinhosTrês histórias banhadas em sangue, um diretor quebrando todas as regras e um elenco espetacular. "Sin City", a saga noir de Frank Miller, chega aos cinemas jogando as adaptações de quadrinhos em novo patamar artístico A grande pergunta que atormenta os leitores de quadrinhos há alguns meses finalmente está respondida. Sin City é a melhor adaptação de um gibi da história? Não, mas com certeza é a mais fiel. O grande trunfo da obra de Robert Rodriguez e Frank Miller, ironicamente, é seu único defeito: ele é tão parecido com o material original que passa a sensação de estarmos diante de uma HQ em movimento e não de um filme de verdade - sem contar que não há surpresas para quem já leu as revistas.
Deixando esses pontos bem claros, Sin City é um ótimo longa. Não tem como ser de outra forma: as minisséries transpostas com tanta paixão são obras pesadas da ficção pulp dos anos 50 e 60, sempre seguindo a teia noir do "não se envolva com aquela gata porque é confusão na certa" que tanto Cagney se viu preso. Rodriguez e seu co-diretor não quiseram adaptar as histórias, e isso incomoda no começo da primeira grande trama, "O Assassino Amarelo", estrelada por Bruce Willis. Nos primeiros minutos do astro com Michael Madsen, ele está tão travado que quase é possível enxergar o fundo verde em suas costas, como acontecia o tempo todo em "Capitão Sky e o Mundo de Amanhã". O sentimento passa totalmente quando Sin City engrena em A Cidade do Pecado, liderada por um Mickey Rourke perfeito e apaixonado pelo papel. É nessa trama que os cineastas se fazem entender. Na verdade, o cenário noir é o contraponto do exagero, do expressionismo alemão sendo levado às últimas conseqüências por fanáticos por cultura pop - em determinado momento, Marv, o brutamontes de Rourke, é atropelado três vezes como em um desenho animado da Hanna-Barbera. A mistura do estilo over com a violência visual criativamente escondida pela arte em preto-e-branco deixa a produção num patamar ousado e original. Até mesmo a nudez das mulheres - acredite, são muitas - é uma mistura de tesão e perversão cômica que guarda muito da marca de Rodriguez. A passagem de "A Cidade do Pecado" delimita o filme dali por diante. Narrações em off, brincadeiras com cores, efeitos especiais de fazer George Lucas ficar orgulhoso e tramas algumas vezes ágeis demais para o cinema voltam a marcar a cena em A Grande Matança. Se o conto não é o melhor dos três, sem dúvida é o mais cinematográfico e consistente. Parte por causa das atuações de Clive Owen e Benicio Del Toro, parte pelas novas inserções costuradas para o filme. Quando chega a seqüência dirigida por Tarantino (não engula mosca: é o diálogo entre Dwight e Jackie Boy no carro), vemos que o material original é denso o bastante para suportar a personalidade forte do cineasta de Cães de Aluguel e ainda sair com nova roupagem. Ao entramos na segunda parte de "O Assassino Amarelo", parece que Bruce Willis finalmente entendeu como se postar. Suas limitações diminuem e o policial Hartigan surge como estrela, ajudado por uma Jessica Alba escolhida apenas para ser admirada pelo corpaço e por Nick Stahl, que só perde para Rourke em termos de interpretação. É verdade que Homem-Aranha 2, X-Men 2 e Superman ainda são os grandes FILMES adaptados de gibis. Mas Sin City não é um filme. É a criação e, simultaneamente, a consolidação definitiva do "gênero" no cinema. É o Pulp Fiction das adaptações de quadrinhos. O próximo passo está à espera. Os Sete Pecados Cinematográficos Mortais"Sin City" comete todos eles. Descubra por que as pessoas envolvidas no filme dizem que estes pecados poderão ser perdoados, até mesmo abraçados. 1. Fazer um filme em preto-e-branco
Desde que os filmes coloridos abandonaram nas sombras os tons de cinza durante os anos 60, Hollywood tem detestado voltar atrás -até mesmo por motivos estilísticos. O co-diretor Frank Miller desenha todos seus quadrinhos de "Sin City" em preto-e-branco, sem meios tons. Tanto ele quanto o co-diretor Robert Rodriguez queriam manter tal aspecto no filme, com ocasionais inserções de cor -um carro vermelho, olhos azuis, cabelo loiro. "Estas são peças de moralidade tanto quanto histórias de amor, mistério e romances criminais", disse Miller. "Eu queria uma iluminação dura porque é uma realidade dura." Para reproduzir os desenhos, os atores foram filmados contra um fundo verde vazio, e as paredes e cenários foram pintados para obtenção do contraste apropriado. "(Os fundos) foram feitos sob medida para não terem meios tons", disse Rodriguez. "É realmente um preto-e-branco vigoroso." Será que o público de hoje está pronto para um monocromatismo retrô? O uso do preto-e-branco por Quentin Tarantino em "Kill Bill Vol.2" conquistou aclamação dos críticos, mas isto para apenas algumas cenas. E "Capitão Sky e o Mundo de Amanhã" do ano passado fracassou nas bilheterias com uma tentativa semelhante de reproduzir a ausência de cor da fotografia antiga. "Sin City" terá que provar que é mais do que apenas imagens estilizadas. 2. Calando grandes astros Grandes astros geralmente gostam de realizar grandes cenas, mas alguns dos principais personagens em "Sin City" não têm nada a dizer. Literalmente. O astro Elijah Wood de "O Senhor dos Anéis" interpreta um silencioso assassino serial, tipo zen, chamado Kevin. E apesar de não desfrutar do mesmo grau de reconhecimento de Elijah, a modelo/atriz Devon Aoki de "+Velozes +Furiosos" desfruta de bastante tempo de tela, mas nenhuma fala, como uma ninja muda. Apesar do silenciamento do Frodo de "Anéis" poder alienar seus fãs, para Wood o risco vale o retorno potencial. "Eu fiquei louco para interpretar o Kevin", disse Wood. "Eu não estava buscando brilhar, eu estava buscando fazer parte de algo que sabia que seria especial." 3. O uso de narração em "off" (voice-over) para conduzir o drama do filme
A regra nos filmes é mostrar, não falar. Longo solilóquios deixam o público sentindo como se estivessem em uma palestra. Rodriguez encheu seu filme de narrações em off. Os heróis de "Sin City" são solitários. Sem parceiros, não há uma forma natural para eles expressarem suas intenções a não ser por meio de narrações em off. Sem elas, "você não entenderia Marv", disse Rodriguez, usando o assassino vingativo interpretado por Mickey Rourke como exemplo. "Se você apenas assistisse seus atos, você o consideraria apenas um criminoso. Mas quando você está dentro da cabeça dele, esta é a única maneira de entendê-lo." 4. Fazer os atores atuarem contra telas, e não com outros atores Os atores geralmente odeiam filmar cenas sozinhos porque sentem que perdem a troca da interação com outros atores. Mas muitas seqüências de "Sin City" foram criadas colando filmagens de atores cujas agendas lotadas impediam que atuassem juntos. Brittany Murphy interpreta uma barmaid que interage com Bruce Willis, mas ela nunca se encontrou com ele antes da pré-estréia do filme, na segunda-feira. A stripper de Jessica Alba interage com Clive Owen e Mickey Rourke, mas eles não estavam realmente lá, assim como o assassino serial de Elijah Wood. Brittany disse que o truque funcionará porque Rodriguez empregou atores experientes que apreciaram o desafio de empregar mais imaginação em suas atuações. "Eu sempre tive a teoria de que um bom ator pode ter uma boa química com uma parede, e isto prova que ela é verdadeira", disse ela. "É como um espetáculo solo." 5. Sexualidade explícita em um filme baseado em quadrinhos
Muitos filmes baseados em histórias em quadrinhos receberam classificação PG-13 (menores de 13 anos podem entrar acompanhados de pai ou responsável) para ter apelo junto aos jovens leitores assim como para atrair famílias. Mas este filme de quadrinhos não é para o público do Archie. Com classificação "R" (menores de 17 anos só podem entrar acompanhados de pai ou adulto responsável) por violência exagerada constante, nudez e conteúdo sexual, "Sin City" exibe mulheres que são strippers ou prostitutas, com trajes reveladores -roupa de couro de dominatrix, calças de couro de cowgirl- ou nos casos de Carla Gugino e Jaime King, nada. Alba, que interpreta uma stripper, disse achar que o filme tem uma postura saudável em relação ao sexo que a maioria dos filmes com classificação "R" é tímida demais para adotar. "Robert quase coloca as mulheres em um pedestal como algo que você pode ver mas não tocar, até mesmo as prostitutas. A sensualidade delas fala algo sobre quem elas são." Miller e Rodriguez também usam os personagens para surpreender os espectadores. O bronzeado suave da pele de Alba é um dos poucos usos de cor no filme. Miller disse: "Muitas pessoas pensam na personagem como sendo simplesmente uma stripper. (Mas) você chega esperando uma stripper, e em vez disso encontra um anjo". 6. Ter três diretores a bordo Os diretores notoriamente gostam de fazer filmes sem a influência de pessoas de fora. O sindicato dos diretores até mesmo proíbe a divisão de crédito Mas Rodriguez queria compartilhar o trabalho com Miller. "O que ele estava fazendo nos quadrinhos era muito mais ousado do que qualquer coisa sendo feita no cinema, então achei que deveríamos emulá-lo, não apenas pegar seu material e enfiá-lo em um filme", disse Rodriguez. Assim Rodriguez se desfiliou do sindicato. Isto lhe custou a oportunidade de dirigir a aventura de ficção científica "Princess of Mars" da Paramount. (O sindicato proíbe que não-membros assinem projetos já em produção em um estúdio filiado.) Mas ele pode fazer filmes de forma independente e distribui-los por meio de um estúdio. Sua amizade com Bob e Harvey Weinstein, que chefiavam a Miramax e se separaram da Disney nesta semana para iniciar uma nova empresa, praticamente garante que ele continuará dirigindo filmes. Para "Sin City", Rodriguez queria ainda outro talento a bordo, seu amigo Quentin Tarantino, que atua como "diretor convidado especial" em uma seqüência. Rodriguez disse: "Eu realmente entrei neste ramo para fazer coisas novas e um cinema realmente legal, e não fazer parte de um clube". 7. Enfear atores conhecidos
A maioria dos filmes uso o sex appeal masculino de seus astros. Mas os homens de "Sin City" são aberrações. O detetive calejado de Bruce Willis apresenta uma enorme cicatriz no rosto, Clive Owen é um fracassado pegajoso e Mickey Rourke está escondido atrás de uma máscara como um assassino que é uma mistura de uma pilha de blocos de concreto e o Hulk. Nick Stahl, de "O Exterminador do Futuro 3", interpreta um psicopata de "Sin City" que parece um sósia amarelo do anão Dunga. Até mesmo Benicio Del Toro, um ganhador do Oscar, interpreta um sujeito durão chamado Jackie Boy com um nariz falso. "Benicio ficou olhando e olhando para os quadrinhos e disse: 'Eu quero me parecer mais com ele'", disse Miller. "Eu nunca soube de um ator querendo uma prótese de maquiagem". Assim como as mulheres não se importaram em expor sua sensualidade, os homens estavam dispostos a descartar sua vaidade e obscurecer sua beleza de astros de cinema, segundo Rodriguez. "Os atores querem criar personagens memoráveis, eles não querem apenas interpretar a si mesmos nos filmes repetidas vezes", disse ele. "Essa é a mais fiel adaptação de um gibi para o cinema de todos os tempos", afirma diretorVivendo no Texas, num rancho onde possui uma produtora de efeitos visuais sofisticada, Rodriguez é ele mesmo uma figura: chega para a entrevista de chapéu de caubói, com uma jaqueta de couro cheia de pequenas labaredas vermelhas, um pequeno amuleto miniatura de cabeça de touro no chapéu, ele está ciente de que fez um cult movie, e até alardeia isso. Leia entrevista com Robert Rodriguez, o autor dessa viagem maluca. SPOILER: Se alguém pega as pinturas de Michelangelo no teto da Capela Sistina e as transplanta para telas, qual é o propósito disso? Quero dizer, o que uma obra-prima ganha com uma versão em outra mídia, em outro suporte? Robert Rodriguez: Um monte de pessoas não lê gibis, para começar. Como eu adoro Sin City, acho um trabalho fantástico - nos livros, os diálogos não soam como diálogos de cinema, os visuais não são os que usualmente vemos no cinema -, eu busquei traduzir aquilo para a grande tela. Sei que há filmes que muita gente diz: o livro era melhor. Acho que aqui vai ser difícil dizer isso, porque é exatamente a mesma coisa. Trazer o livro à vida, esse foi o meu papel. SPOILER: Você fez filmes para crianças, como Pequenos Espiões, e agora esse filme, que é adulto e até certo ponto chocante, já que tem cenas de mutilação, canibalismo, suicídio, rostos deformados. Não são coisas paradoxais? Rodriguez: A criança pequena que mora em mim gosta daqueles filmes. A criança grande gosta de Sin City. Os gibis de Frank Miller nunca me aborreceram. Pode-se dizer que esse universo noir dos anos 40 parece superado nos dias de hoje, mas Frank faz tudo parecer tão up to date, tão novo, tão selvagem, que você não sabe em que época se passa. Quanto à violência, é tudo tão estilizado, tão abstrato, que não creio que alguém vá considerar como violência real. SPOILER: Há uma cena no gibi em que o personagem Yellow Bastard aparece nu. Essa cena não está no filme. Rodriguez: É, achamos melhor pôr um calção nele. Frank e eu conversamos a respeito, e achamos meio desagradável aquela imagem, o personagem já era suficientemente asqueroso. Então, ele aparece de shorts. Não é nada demais, não havia motivo para deixar aquilo. SPOILER: Seus filmes, em geral, têm bastante música, assim como os de Quentin Tarantino, que é diretor convidado em Sin City. Até alguns críticos dizem que vocês têm uma linguagem de videoclipe. Por que quase não há música nesse filme? Rodriguez: Meus filmes têm muita música? Uh, eu não sei. Bom, esse filme é diferente. É um filme noir, os silêncios e os sons têm um papel relevante, as linhas, as silhuetas. Muita música poderia tirar a atenção para essas sutilezas da imagem, que é o principal elemento de Frank Miller. SPOILER: Você é um fã daqueles filmes noir mais tradicionais? Rodriguez: Gosto de muitos deles. Adoro Kiss me Deadly. Mas Sin City não tem base nessas obras anteriores. É inteiramente novo, não só visualmente. A interpretação é baseada no universo mental de Frank Miller, sua idéia de um movimento é diferente da idéia realística. Seus diálogos são diferentes, e fantásticos. SPOILER: Por que você diz que essa é a mais fiel adaptação de um gibi já feita? Rodriguez: Bom, quando um estúdio decide fazer uma versão de um comic book, a primeira coisa que faz é contratar um roteirista, um escritor. Depois, artistas gráficos. Depois, dão prazos e indicam atores. Depois, refazem a história. Aqui, nós simplesmente usamos o gibi de Frank como um roteiro. Não há script. Como alguém poderia reescrever aquilo? E nós temos o próprio Frank Miller reinventando seu universo. Fizemos o filme com absoluta liberdade, sem qualquer cerceamento. SPOILER: Mas como um cartunista pode simplesmente sair de sua prancheta e se tornar um diretor de cinema? Não foi difícil? Rodriguez: Foi como uma escola que formasse um diretor de cinema em 10 minutos. Frank Miller é um grande contador de histórias, ele faz isso com uma abordagem gráfica, visual. Eu fui cartunista, sei que é um caminho natural seguir para o cinema, há semelhanças entre as duas mídias. Aprendeu tudo muito rápido, com o set, com os computadores. E pegou gosto pela coisa, acho que ele vai continuar. Filme é um panfleto expressionista de grande impactoVisualmente alucinante, Sin City é uma maravilha forjada pela cultura pop nesse começo de século. Ao contrário dos filmes pregressos de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, nos quais a confluência de linguagens e a ação ininterrupta estão somente a serviço do entretenimento, Sin City é um panfleto expressionista de grande impacto. Como se verá no filme, o mundo avistado por Frank Miller é absurdamente niilista: toda autoridade é corrupta (a Igreja, representada pelo Cardeal Roark; os políticos, representados pelo Senador Roark, irmão do cardeal; a polícia, simbolizando a lei). O cidadão comum é apenas uma peça menor num esquema de manipulações e mentiras. A decadência é onipresente, a exploração, o medo, a desesperança. Nesse cenário dark e ferido, só existe um caminho para a redenção: o amor puro, desinteressado, descomunal, desafiando a morte e os códigos silenciosos de Sin City. Misturando Nova York (onde Miller viveu 16 anos) e Los Angeles (onde vive hoje), a cidade fictícia de Sin City é onde três histórias se cruzam. Foi criada para os quadrinhos em 1991. Tudo é em preto, branco e cinza, com detalhes coloridos, a cor dos olhos de uma mulher, seu batom, os lençóis da cama, o vilão amarelo. Na primeira história, o policial John Hartigan (Bruce Willis) salva uma menina de 11 anos de ser assassinada por um psicopata - o problema é que o psicopata é na verdade filho de um dos mais poderosos homens do País, coronel da cidade. Sua vida se torna sem valor a partir daí e ele mofa oito anos na cadeia, vivendo unicamente das cartas que a menina salva lhe envia. Aí, ele tem de salvá-la mais uma vez, só que agora ela já é uma mulher (Jessica Alba). Na segunda história, o lutador de rua Marv (Mickey Rourke) vê a única mulher que o enxerga sem cicatrizes, Goldie (Jamie King), ser assassinada enquanto dorme. Ele procura o assassino (Elijah Wood) e faz disso sua última missão no planeta. Na terceira história, o detetive particular Dwight (Clive Owen) se vê no meio de uma das coisas que procura evitar em sua vida: problemas sem fim. Ele é arrastado para uma guerra entre um grupo de prostitutas liderado pela bela Gail (Rosario Dawson) e a polícia mais corrupta do planeta. A narrativa é deslumbrante: personagens de uma história atuam na outra, passeiam pelo cenário de outra, cruzam caminhos. Tudo é amarrado por duas cenas curtas, escritas para iniciar e concluir o filme. É como misturar Dashiel Hammett, Raymond Chandler e David Goodis num único coquetel gráfico, como um anúncio luminoso de curva de estrada desenhado por Edvard Munch. O filme pode ser chocante para quem tem estômago fraco. Apesar de todas as cenas violentas serem muito estilizadas, há matança em profusão, afundamento de crânios, membros extirpados e coisas do tipo... Por Rodrigo Salem (Revista Set), Anthony Breznican (USA Today) & Jotabê Medeiros (Estado de São Paulo) 28.7.05
Liberdade ou Morte!Natalie Portman comenta "V de Vingança" em San Diego A atriz Natalie Portman ("Perto Demais") apareceu na Comic-Con, feira de quadrinhos que acontece em San Diego, Califórnia, para falar um pouco de "V de Vingança", filme baseado na HQ homônima de Alan Moore e David Lloyd que ela protagoniza.
"V de Vingança", escrita por Alan Moore em 1982, mostra a Inglaterra sob o controle de um regime tirânico. Nela, as pessoas são vigiadas constantemente pelo Estado no estilo de "1984", de George Orwell. Neste cenário de opressão surge o codinome V. Vestido com uma capa e máscara ele enfrenta o sistema com táticas de guerrilha terrorista e representa a única esperança de liberdade contra o fascismo que impera. Natalie Portman (Perto demais) viverá Evey Hammond, uma garota que é salva por essa misteriosa figura mascarada e que embarca numa dura jornada de aprendizado. "Ela não é uma donzela em perigo... ela encara seus problemas", explicou a atriz. A artista israelense também revelou que não é fã de quadrinhos, mas que ficou bastante perturbada depois de ler a consagrada graphic novel e que até agora não conseguiu decidir se V é um guerrilheiro da liberdade ou um terrorista, o que pode causar certa polêmica no atual cenário mundial. "Essa é a grande questão, mas de qualquer maneira o filme celebra o poder do povo e o direito que ele tem de se revoltar contra o governo", explicou. Além disso, ela afirmou que está preparada para passar pelas transformações físicas que a personagem requer e que vai raspar sua cabeça e perder peso para o papel. Sobre os métodos de revolução do enigmático V (papel de Hugo Weaving, o Agente Smith de "Matrix"), ela falou: "Acho que o filme me fez pensar bastante sobre como nós todos temos um limite de tolerância a respeito do que permitiríamos para justificar a violência. Acho que a maioria das pessoas numa sala diria que cometeria violências para salvar uma criança, mas e se você estende isso ao líder do nosso país que sente que todas as pessoas do país são crianças, e ele comete violências em nome de todos para protegê-los? Isso simplesmente muda [...]. O principal que eu aprendi do filme é que as maneiras que nós todos definimos, julgamos e classificamos a violência tem muito a ver com nossas próprias perspectivas". A respeito das similaridades entre "V de Vingança" e "O profissional" (1994), seu primeiro trabalho nos cinemas, filme de Luc Besson no qual ela é uma garota de doze anos que se aproxima de um assassino: "Definitivamente a relação entre V e Evey tem as mesmas complicações das relações daquele filme. Há momentos em que é pai-filha, há momentos em que é entre amantes, outros mentor-aprendiz, muitos vezes todos juntos. As relações são definitivamente similares, mas este é obviamente um filme diferente com realizadores diferentes". Natalie falou também da sua cena favorita: "Hugo fez muitas coisas legais, como a cena na qual a gente dança. Essa parte leve é realmente bela, porque se vê um lado completamente diferente de V, seu canto, sua dança...". Já sobre o apelo que a fantasia e a ficção científica têm junto às massas, disse: "Penso que um mundo fantástico ou de ficção permite sentir certas coisas ou considerar coisas de uma maneira que não seria possível quando se está preso à realidade. Permite abstrair um pouco mais, porque não traz consequências ao nosso mundo. Uma vez que você alcança essas emoções ou idéias no mundo ficcional, então você consegue trazê-las de volta ao seu próprio mundo". Ainda a respeito dessa interação, a atriz falou de como as pessoas podem responder ao filme: "Nós fizemos o nosso melhor para realizar algo de que as pessoas gostem, que as entretenha ou que as provoque. Nunca dá para dizer se ou como as pessoas reagirão. Estou realmente entusiasmada com o filme, amei fazê-lo e estou bem interessada na história. Acho que é uma fonte incrível a graphic novel que Alan Moore e David Lloyd criaram, e me sinto uma sortuda por fazer parte disso tudo. Não acho que você sairá o mesmo se ler a HQ ou ver o filme que nós fizemos. Quero dizer, não estou lhe dizendo para pensar em nada, mas acho que estamos lhe questionando a perguntar mais e buscar mais respostas sobre coisas que ainda não têm soluções. Acredito que o filme seja ambíguo. Não se trata do mocinho contra o sistema malvado... ou você pode ver assim. É mais levantar perspectivas, personagens e situações complicadas".
O suspense está sendo dirigido por James McTeigue (diretor assistente de "Matrix" e "Star Wars Episódio III") e tem roteiro dos Irmãos Wachowski. McTiegue não pôde ir a San Diego pois ainda está enfurnado na sala de montagem em Londres. Contudo, o próprio diretor gravou um depoimento, junto com o editor Martin Walsh, para aplacar a ansiedade dos fãs. A estréia é prevista para 4 de novembro próximo, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Por Marcelo Hessel - Omelete 27.7.05
Pesquisa mostra como público prefere ver filmesCinema ou home theater? Nostalgia e conforto determinam escolhasO caso de amor dos Estados Unidos com o cinema continua apaixonado. Mas como qualquer relacionamento de longo prazo, há problemas que precisam ser tratados. No verão, quando a freqüência nos cinemas caiu em comparação ao ano passado, Spoiler perguntou aos leitores se eles ainda amavam ir ao cinema ou preferiam assistir a DVDs em casa. Quase 200 pessoas responderam, a maioria expressando forte sentimento sobre seu amor pelo cinema assim como sua frustração com no que se transformou a experiência de ir ao cinema. Mais da metade das pessoas que escreveram e mandaram e-mails disse que por motivos que incluem preço dos ingressos e da gasolina, o caro preço da pipoca, refrigerantes e outros comestíveis, comerciais, filmes decepcionantes e freqüentadores rudes, muitas vezes eles preferem ficar em casa e assistir a DVDs. DVD versus sala de cinema"A indústria cinematográfica criou este monstro que leva as pessoas a não ir aos cinemas", disse Christopher Luke, 29 anos, coordenador assistente de vídeo do programa de futebol da Texas A&M. Ele ainda vai ao cinema, mas não com a mesma freqüência. Agora ele tem um home theater e cita o excesso de refilmagens e seqüências de Hollywood, assim como ingressos caros e público rude como motivos para ficar em casa. "Além disso, eu só pago US$ 4 por um filme (ruim) como 'XXX 2: Estado de Emergência', em vez de desembolsar US$ 20 no cinema." E alguns, como Thomas Damron, 70 anos, de Plano, Texas, desistiram totalmente dos cinemas. "Não é mais um programa agradável", disse Damron, um planejador financeiro aposentado. "Celulares tocam e as pessoas atendem, pessoas vão e voltam da bonbonnière com copos do tamanho de piscinas, os preços são absurdos por entretenimento ruim e não há mais astros dignos de se acompanhar. Eu assinei o Netflix, de forma que recebo três filmes por vez, e é muito mais barato." Mas para outros, ir ao cinema nunca perderá seu atrativo. É uma terra escura da fantasia, perfeita para segurar a mão, propícia para o romance. É um local onde as famílias podem criar lembranças indeléveis. É uma fuga das preocupações do dia a dia e um lugar para assistir ao melhor e ao pior da humanidade. Para estas pessoas, ir ao cinema é uma volta ao sentar ao redor da fogueira e contar histórias de heroísmo e aventura. E toca o desejo universal de ver grandes histórias se desenrolarem assim como fazer contato com outros seres humanos. Reflexões filosóficas a parte, ir ao cinema é divertido. "Eu ainda amo o espírito do escurinho do cinema", disse Marcus Leab, um professor colegial de inglês de Robbinsdale, Minnesota. "Quando a platéia suspira coletivamente em um momento empolgante ou quando todos riem em um momento engraçado, todos estão ligados por aquele momento, e isto faz a experiência valer a pena." Alguns apenas desejam se conectar à pessoa amada. Para Lina Broydo, 57 anos, uma funcionária de relações públicas de um hotel, de Los Altos, Califórnia, os filmes oferecem uma chance de ligação com seu marido. "É um programa semanal que ambos apreciamos pela duração destas poucas horas que passamos juntos, longe do mundo de estresse, pressa, celulares e congestionamento. Ele coloca o braço ao meu redor, segura minha mão, e estas duas horas são passadas na tranqüilidade e na fantasia do mundo da tela grande, assim como um pouco de tempo para o afeto. Como é possível comparar isto a um marido roncando diante do DVD, de pijama e com um saco de batata frita esparramado no sofá?" Outros desenvolveram uma paixão desde cedo pelo cinema, graças a seus pais cinéfilos. "Meu pai era um grande fã de cinema e me transformou em um também", disse Alfred Medeiros, 45 anos, um humorista que vive em Boca Raton, Flórida. "A melhor noite de que me lembro nos cinemas foi a noite em que fomos ver 'Banzé no Oeste'. Éramos apenas meu pai, meu irmão Danny e eu." "Obrigado, Mel Brooks, do fundo do meu coração. Eu nunca vi meu pai rir tanto em sua vida, e apesar de ele ter falecido em 1980, eu ainda posso fechar meus olhos e vê-lo sentado naquele cinema ao meu lado, segurando o estômago, buscando ar de tanto rir, lágrimas escorrendo em suas bochechas. Isso ainda me faz sorrir." Pais e avós consideram o cinema local como um lugar ideal para criar lembranças duradouras. "DVDs são legais, mas não há nada melhor do que a tela grande", disse Jack Jernigan, 43 anos, um consultor de Old Hickory, Tennessee. "Quando meus filhos eram alguns anos mais novos, minha esposa e eu os levamos para assistir 'A Bela e a Fera' no Imax. Eles ficaram empolgados com a experiência: os personagens maiores que a vida, os detalhes, a magia de tudo." "Home theater não é o mesmo. A TV nunca é grande o bastante, e há algo no cheiro de pipoca fresca e no sabor de uma Diet Coke com bastante gelo no copo de papel e com canudinho." Pat Merkner, 66 anos, uma professora aposentada de Buford, Geórgia, transformou seu programa semanal de sexta-feira à noite, com seu marido há 46 anos, em uma "Noite de Sexta Divertida" especial com a neta deles de 8 anos. Mais recentemente, eles assistiram à "Fantástica Fábrica de Chocolate". "Nós assistimos a todos os filmes para família que foram lançados neste verão", disse Merkner. "Meus avós costumavam me levar ao cinema em Chicago, e me tornei apaixonada por cinema. Agora nossa neta também é fanática por cinema. Este é o nosso grande programa. Nós não gostamos de alugar filmes. Nós sempre saímos para assistir a um novo filme uma vez por semana." ReclamaçõesMas para muitas pessoas, o preço da pipoca é uma das coisas mais irritantes nos cinemas. As pessoas se queixam de que: "Todavia, eles parecem atrair um número excessivo de jovens tatuados e com piercing, com filmes que parecem ter trocado trama e bom diálogo por violência gratuita e efeitos especiais cada vez mais bizarros." "Aqueles de nós com perda severa de audição não conseguem entender o diálogo e são forçados a inventar uma história para acompanhar as imagens. Os cinemas são obrigados a ter Sistemas de Auxílio a Audição, que geralmente não funcionam. Nós passamos metade do filme correndo para o saguão para que se sejam consertados, ou sofremos silenciosamente e jogamos fora os US$ 8 do ingresso. Meu home theater com TV de alta definição e som surround terá que ser suficiente". Alguns dizem que evitam filmes barulhentos e aliviam o fardo financeiro lotando o carro e seguindo para um drive-in --mas restam apenas uns 400 drive-in em funcionamento. "O cinema drive-in oferece uma atmosfera social maravilhosa onde você pode optar por se sentar do lado de fora em uma cadeira dobrável, assistindo os filmes sob o céu estrelado, ou desfrutar do interior do seu carro", disse Mark Bialek, 44 anos, de Baltimore, presidente do fã clube de cinemas drive-in. "O custo do ingresso (geralmente US$ 7 ou US$ 8 para adultos, gratuito para crianças com menos de 12) torna a ida a eles mais atraente: além disso, você assiste dois ou três filmes com o mesmo ingresso." E apesar das queixas, as pessoas continuam desfrutando dos filmes como experiência coletiva. "A cada segunda sexta-feira do mês, eu e cerca de 15 amigos nos encontramos para o Grupo de Almoço e Cinema", disse Madonna Allread, 56 anos, uma ex-professora de Centerville, Ohio. "Nós levamos o jornal de sexta-feira e escolhemos um filme durante o almoço. Nós adoramos comentar as críticas e decidimos o que assistir. Nós todos adoramos filmes, e desta forma nós todos vamos em grupo. Nós choramos, rimos e aplaudimos. É o melhor." Sobre os preços e propagandasCoisas que irritam os freqüentadores de cinema e que não mudarão: A receita funciona de forma progressiva. "Quanto mais o filme fica em cartaz, maior o percentual recebido pelas salas", disse Macdowell. Mas cada vez mais, os filmes não ficam em cartaz muito tempo. "Se não fossem pelas guloseimas, nós provavelmente não seríamos um setor viável." Por Claudia Puig - USA Today Colaboração Sarah Bailey e Justin Dickerson 26.7.05
Michael Bay fala dos efeitos da clonagem em "A Ilha" No fim de maio, quando as expectativas em torno dos lançamentos de verão do cinema americano estavam voltadas para "Star Wars: A Vingança dos Sith" e "Batman Begins", os produtores Laurie MacDonald e Walter Parkes convenceram o diretor Michael Bay a quebrar um dogma dos grandes estúdios e promoveram um evento em Los Angeles para mostrar 45 minutos não-editados de "A Ilha". Essa mesma metragem será exibida hoje, em São Paulo, com uma mensagem gravada do diretor. A estréia está prevista para o dia 5 de agosto.
"Muitas pessoas na imprensa (de todo o mundo) não sabiam que este filme estava sendo feito", respondeu Parkes à Spoiler, sobre mostrá-lo parcialmente editado. "Há uma grande explosão de ruído cinematográfico no verão. Há produções enormes estreando, comerciais, propaganda. E, mais uma vez, com um filme como este, que não é vendido antecipadamente, é muito difícil e, honestamente, muito caro ter freqüência suficiente no ar para fazer as pessoas o entenderem e quererem vê-lo." Com Scarlett Johansson e Ewan McGregor encabeçando o elenco, "A Ilha" se passa num futuro não muito distante, em que a técnica da clonagem foi aperfeiçoada e usam-se clones humanos livremente para substituir a concepção. Scarlett e McGregor habitam uma espécie de viveiro que produz os clones, os cria, colhe o sêmen dos machos, engravida as fêmeas, usam-nos como cobaias e, depois de usá-los, os eliminam. Quando se dão conta de sua natureza efêmera, decidem lutar por sua liberdade. Bay, de "A Rocha", "Armageddon" e "Pearl Harbour", defende "A Ilha" como mais do que uma simples ficção científica de ação. "Não acho que este filme seja um comentário sobre a pesquisa com células-tronco, que eu defendo", disse ele. "Mas mostra a clonagem no extremo de suas piores aplicações se a ciência fosse usada incorretamente. O filme só é ficção científica no sentido de que damos luz a adultos, coisa que não é possível. Na fase de pesquisa, fomos convidados a visitar um grupo de estudo da Microsoft. É muito assustador o que o nosso mundo pode ou vai se tornar." Scarlett Johansson, a nova aposta dos grandes estúdiosA simples menção do nome Scarlett Johansson certamente faria você apertar os olhos e colocar a memória para funcionar. "Scarlett... quem?", transformaria-se, durante alguns segundos, numa dúvida cruel. Você pode não se lembrar muito bem onde, nem quando, mas a viu em alguma tela de cinema ou de televisão. Scarlett Johansson é a nova queridinha de Hollywood. Essa loira de lábios carnudos e pele sedosa nasceu em Nova York, há 21 anos, de um pai arquiteto, Karsten, e uma mãe, Melanie, que hoje acumula também a função de empresária - eles são divorciados. A atriz tem um meio-irmão, Christian, e três irmãos, Adrian, Vanessa e o gêmeo dela, Hunter. Essa é a ficha pessoal, que não diz muito a respeito de sua carreira como atriz. Ela estreou no cinema em "North" (1994), de Rob Reiner, quando tinha 10 anos de idade. Mas só chamou atenção para o fato de que desabrochara como atriz - e mulher - no ótimo "Encontros e Desencontros" (2003), de Sophia Coppola. "Foi um grande passo para mim", disse ela sobre filme de Sophia, durante uma entrevista coletiva dedicada à ficção científica "A Ilha", de Michael Bay, no qual atua ao lado de Ewan McGregor. "Achávamos que ninguém ia ver o filme. Estávamos fazendo para nós. As pessoas gostaram e fez uma grande diferença. O público, então, permitiu que eu pudesse fazer todo tipo de projeto, permitiu que eu pudesse ser avaliada por Michael para fazer este filme. Tudo mudou para melhor. Foi surpreendente, mesmo." De lá para cá, as coisas mudaram muito para a antiga atriz mirim que fazia papéis secundários em filmes familiares, depois se tornou a musa dos independentes e agora está entrando na seara dos blockbusters. Recentemente, ela atuou ao lado de John Travolta em "Uma Canção para Bobby Long" (2004), lançado aqui diretamente em vídeo e DVD. Foi elogiada pela atuação na comédia romântica "Em Boa Companhia" (2004), de Paul e Chris Weitz e em "A Ilha", uma das apostas da temporada de verão dos EUA, com estréia prevista para 5 de agosto no Brasil, faz o papel duplo de Sarah Jordan e seu clone, Jordan Dois Delta. Entre um e outro, atuou em "Match Point", de Woody Allen, que já a escalou para o seu próximo projeto, ainda sem título definitivo. E no momento está sendo dirigida por Brian De Palma em "The Black Dahlia", adaptação do romance que transformou o escritor James Ellroy em uma celebridade da literatura policial americana. O comportamento da imprensa especializada em celebridades também mudou com relação a Scarlett. "Não estava preparada para isso", admite ela. "Quando começa a acontecer, você quase tem uma crise nervosa porque faz as mesmas coisas. Então, tem de fazer esses ajustes estranhos na sua vida. Por exemplo, você compra um pedaço de pizza e alguém fotografa, o que é estranho. Isso é muito desconfortável." Por Alessandro Giannini 25.7.05
Hollywood revisita seus filmes clássicosPeter Jackson constrói seu "King Kong"; "Pantera Cor-de-Rosa" terá Steve Martin na pele do inspetor Clouseau O universo encantador de "A Fantástica Fábrica de Chocolate", filtrado por Tim Burton, é um tanto mais sombrio. À primeira vista, o roteiro desse novo filme é até mais moralista que o primeiro. Na versão de 1971, quatro das cinco crianças sorteadas para visitar a fábrica de Willy Wonka desapareciam de maneiras desgraçadamente assustadoras. Nessa nova versão, todas ressurgem vivas e em segurança no fim, ainda que transformadas pela experiência. No primeiro filme, durante a visita à fábrica, Charlie e seu avô caíam na tentação de provar um refrigerante em experiência e por um triz não eram triturados por um exaustor. Agora, Charlie é exemplo rigoroso de firmeza de caráter.
A diferença não se imprime no conteúdo, mas na forma. Como já havia feito em "O Planeta dos Macacos", Burton transforma universos fantasiosos preexistentes em uma visão altamente crítica ao mundo de hoje. Nunca sabemos ao certo se Burton vê poesia no horror do mundo ou se vê horror na poesia do mundo. No caso de "A Fantástica Fábrica", as quatro crianças que vão sendo eliminadas (e os parentes que as acompanham) parecem ser feitas de plástico. São figuras robotizadas pela experiência contemporânea -o consumismo, a obsessão pela boa forma, a televisão. Longe de ser uma figura adorável como o Willy Wonka de Gene Wilder, o personagem de Johnny Depp (em mais um desempenho genial) é uma espécie de mistura de Marilyn Mason e Michael Jackson (!). Os "remakes", como prova Tim Burton, podem ser ainda mais interessantes que os originais. O que não significa que não exista, na lógica da indústria, um tanto de oportunismo e falta de criatividade. O tão malfadado "remake" de "Crepúsculo dos Deuses", por exemplo, é a versão da versão. Trata-se na verdade da filmagem do musical "Sunset Boulevard", de Andrew Lloyd Webber, inspirado no roteiro de Billy Wilder e Charles Brackett sobre o relacionamento entre uma atriz decadente e um roteirista desempregado. Peter Jackson, que depois da glória e dos prêmios de "O Senhor dos Anéis" enfim conseguiu realizar o sonho de criar seu próprio "King Kong", também pisa em terreno batido. Antes de Naomi Watts cair nas mãos do macaco nesta nova versão, Fay Wray e Jessica Lange já passaram pela mesma situação, respectivamente, em 1933 e 1976. Um tanto mais difícil, talvez, será ver Steve Martin na pele do inspetor Clouseau em "A Pantera Cor-de-Rosa", um tipo tão marcado pela persona de um ator genial, Peter Sellers. Blog de Peter Jackson revela vídeos e curiosidades do novo "King Kong"Na era da exposição da intimidade, o neozelandês Peter Jackson, 43, é o cineasta que mais desvenda os interiores de um filme. O que não falta são coisas para se desnudar, tamanha é a estatura de sua criatura: o remake de "King Kong" (1933), um dos longas mais esperados da atualidade. O site kongisking.net é um blog supervisionado pelo próprio diretor, que traz etapa por etapa da realização de sua nova fita. Há atualizações quase diárias, com notícias da imprensa sobre o longa, desde 2003, e, mais interessante, uma pioneira iniciativa de postar dezenas de vídeos com cara de extras de uma futura versão em DVD do filme -este, ainda nem finalizado, tem estréia mundial prevista para 14/12 próximo. Há de técnicos falando sobre a criação de efeitos especiais, como uma tempestade que provoca ondas gigantes no mar, a atores como Adrien Brody e Jack Black conduzindo o espectador aos sets. O internauta irá exercer sua imaginação e ver o poder de sedução da atriz Naomi Watts. Um making of mostra a filmagem da famosa cena em que sua personagem fica nas mãos do macaco gigante; aqui, ela contracena apenas com estruturas verdes que serão substituídas por efeitos de computador (o fetiche "mão de macaco + Jessica Lange [que fazia o papel que agora é de Watts]" era a melhor coisa do remake de 1976). Jackson tenta superar dupla expectativa. Buscará mostrar se possui fôlego e talento após "O Senhor dos Anéis". O novo Kong ainda será alvo de comparações com o clássico de 1933 e a versão dos anos 70. Jornais como o "USA Today" dizem que a produção custou, até o momento, US$ 150 milhões (R$ 351 milhões). Em entrevistas, Jackson diz que tem uma dívida com "Kong": ao assistir ao filme na TV, quando tinha nove anos, decidiu abraçar a carreira de cineasta. "Espero que várias crianças dessa idade vejam o filme e decidam se tornar cineastas", disse em depoimento no site. Este é o terceiro contato de Jackson com o macaco. Aos 13, tentou recriar Kong no seu quintal, com um Empire State Building feito de papelão. Em 1996, começou uma adaptação, mas foi barrado pela Universal porque havia muitas criaturas prestes a pular nas telas naquele momento ("Godzilla", "Poderoso Joe"). Agora, em 2005, King Kong enfrenta desafio ainda maior: uma jovem platéia que não se contenta com qualquer ilusão. Por Bruno Yutaka Saito e Pedro Butcher 24.7.05
Sistema de som inovador começa a fazer barulho em HollywoodAlemão que desenvolveu o MP3 quer fazer do Iosono o substituto Dolby 5.1, padrão atual dos filmes Como a maioria dos cinemas, o complexo neoclássico com cinco salas em Ilmenau, que fica em Thuringia, a 40 km entrando na antiga Alemanha Oriental, está exibindo todos os mais recentes filmes importados de Hollywood, de "Batman Begins" a "Star Wars III".
Mas aqueles que comparecem às 20 horas para assistir "Star Wars" na sala 3 têm uma experiência única. A sala está equipada com uma invenção de áudio --concebida localmente-- que seus desenvolvedores acreditam que será a coisa mais importante desde a tecnologia de compactação de música MP3. Eles devem saber. O cérebro por trás da operação é o professor Karl-Heinz Brandenburg, um dos vários acadêmicos do instituto Fraunhofer financiado pelo Estado alemão que desenvolveram o formato MP3 nos anos 80. O MP3 --que ficou famoso com o iPod da Apple Computer-- tornou-se um sucesso tão grande porque facilitou para as pessoas em trânsito comprar e escutar milhares de faixas de música. A mais recente invenção do professor Brandenburg, o Iosono, lida mais com qualidade do que com conveniência. Mas o inventor barbado de 51 anos está convencido de que ele se tornará o padrão da indústria. "Poderá ser no próximo ano, poderá ser em cinco, sete, dez anos, a sua chegada ao grande público. Mas acontecerá", disse ele com serena confiança. O Iosono, ele argumenta, faz parte da progressão natural da tecnologia de áudio. Após a gravação em mono, veio o estéreo e depois o som surround Dolby 5.1 -o formato padrão atual das trilhas sonoras de filmes. "O Iosono é como um som tridimensional", ele explicou. "É um som equivalente a um holograma." À primeira vista, a tecnologia não parece impressionante. Uma faixa de meio metro de altura de alto-falantes ocupa todas as paredes da sala 3 --são 192 ao todo. Certamente, com tantos alto-falantes, o som não estaria fadado a ser bom? "Com tanto alto-falantes tradicionais, seria alto, você tem razão, mas não soaria mais realista", disse Tonio Palmer, o executivo-chefe da Iosono GmbH, a empresa recém-criada que está buscando comercializar a invenção. Mas o Iosono e as 19 patentes que o sustentam funcionam utilizando um sistema complexo de algoritmos que emite ondas sonoras que recriam o ambiente natural mais perfeitamente do que uma gravação tradicional. Em seu material de marketing, a empresa alega: "O som pode parecer vir de qualquer ponto dentro ou fora do espaço de escuta. Imagine um tigre capaz de espreitar no fundo da sala e grilos saltando dos assentos". Se a retórica parece exagerada, a experiência é certamente impressionante. Uma demonstração de uma gravação de Stabat Mater de Verdi faz você se sentir como se estivesse na igreja na qual foi gravada. Um quinteto de jazz coloca você na frente do palco, com um vibrafone redondo à esquerda e um saxofone agudo no centro do palco. Os efeitos sonoros de um filme pairam no meio da platéia, como se fossem produzidos por objetos invisíveis voando pela sala. A questão agora é se o Iosono poderá convencer clientes potenciais de que vale a pena investir na tecnologia. Hollywood é sua maior chance. Assim, no verão passado, a Iosono abriu sua segunda sala piloto em Los Angeles. A resposta, disse Palmer, tem sido positiva. "Nós tivemos mil pessoas da indústria de entretenimento visitando nossa sala em Los Angeles --pessoal de criação, empresários, pessoal técnico-- e os comentários na cidade têm sido bons." Mas persuadir a indústria cinematográfica a abandonar o Dolby 5.1 é um desafio "ovo e galinha". Os estúdios cinematográficos relutam em adotar a nova tecnologia até que haja cinemas com equipamento para explorá-la. E os donos de cinema não investirão até que haja filmes gravados em Iosono. Com o aspecto econômico parecendo uma batalha colina acima, "a criatividade é que terá que promover isto", disse Palmer. "Nós temos que criar empolgação. O plano é fazer com que publicitários produzam comerciais de 30 ou 90 segundos que façam uso pleno das possibilidades de áudio. Então ir até Hollywood e aos donos de cinemas e empolgá-los." A curto prazo a Iosono se concentrará na venda da tecnologia para parques temáticos, planetários e salas de música. Enquanto isso, há a questão mais urgente sobre se a empresa dispõe de recursos financeiros para triunfar. O capital atual deverá se esgotar até o final do ano, de forma que negociações estão sendo feitas, na Alemanha e nos Estados Unidos, para garantir um aporte de US$ 5 milhões a US$ 10 milhões em capital de risco para manter a empresa pelos próximos dois ou três anos. O dinheiro visa a construção de mais salas de demonstração na Alemanha e em Nova York, incluindo um clube noturno. "DJs adorarão as novas possibilidades", diz Palmer. Pairando no fundo está a questão perene para os investidores alemães: será que aqueles que foram os pioneiros da tecnologia lucrarão com ela caso tenha sucesso? O Fraunhofer não é autorizado por seus estatutos a investir capital em empresas, mas as patentes para as quais contribuiu lhe dão uma participação acionária na Iosono GmbH. O professor Brandenburg também se beneficiará diretamente. Ele é um grande acionista, tendo injetado uma boa porção de seus royalties do projeto MP3. Não chega a ser um capitalismo selvagem, mas a Alemanha está gradualmente se modernizando, de forma que seus inovadores possam se beneficiar diretamente de suas idéias. Uma coisa é certa --é um avanço muito grande em comparação à Alemanha Oriental. Por Patrick Jenkins 22.7.05
Chocolate com pipoca![]() Por Alessandro Giannini - Estado de São Paulo
Charlie Bucket, um menino pobre de Londres, encontra um cupom dourado numa barra de chocolate e ganha a oportunidade de visitar a fábrica de doces dos sonhos de qualquer criança. Essa é, em resumo, a história de "A Fantástica Fábrica de Chocolate", clássico da literatura infantil do escritor galês Roald Dahl, que ganha agora uma nova adaptação para o cinema. Sob a direção de Tim Burton, o filme traz Johnny Depp no papel do excêntrico e recluso confeiteiro Willy Wonka e Fred Highmore, com quem o ator trabalhou em Em Busca da Terra do Nunca, como o menino que visita a maravilhosa usina de quitutes. Uma das principais apostas da Warner Bros. para o verão americano, "A Fantástica Fábrica de Chocolate" teve uma promoção à altura. Impedido de fazer com que Depp fosse aos Estados Unidos para dar entrevistas e falar sobre o filme, o estúdio resolveu ir onde o ator estava - nas Bahamas, filmando as partes 2 e 3 de Piratas do Caribe, sob a direção de Gore Verbinski - e montou um esquema de guerra para levar jornalistas americanos e de outras partes a Nassau. Com seu habitual visual dark, cabelos compridos, barba por fazer e inseparáveis óculos escuros, Tim Burton falou sobre sua concepção para o filme. Disse que apesar de ter visto a primeira versão cinematográfica, de 1971, com Gene Wilder no papel de Wonka, evitou voltar a ela e preferiu se concentrar na narrativa de Dahl. Elogiou a gravidade de Highmore, a versatilidade de Depp e o empenho de Deep Roy, que faz os umpa-lumpas replicados digitalmente. Sem perder o bom humor, rechaçou qualquer comparação entre a caracterização de Wonka e Michael Jackson. Queimado de sol, com a barba comprida e o dente dourado à mostra sempre que dava um sorriso, Depp precisava de muito pouco para ficar caracterizado como o bucaneiro Jack Sparrow, anti-herói de Piratas do Caribe. Uma antiga declaração do ator, que disse ter se inspirado no guitarrista Keith Richards, dos Rolling Stones, para montar a caracterização de Sparrow, levantou as questões sobre as semelhanças entre o seu Willy Wonka e Michael Jackson. Mesmo assim, ele também negou qualquer conexão. "A Fantástica Fábrica de Chocolate" chega mais sombrio Por Mary Persia - Folha Online
A sessão começa e Willy Wonka (Johnny Depp) aparece na tela. "Olha! É o Michael Jackson!", grita um garoto. "Cuidado que ele vai fazer uma pedofilia em você!" De nada adiantou Depp dizer que não se inspirou no cantor pop para compor Willy Wonka, protagonista de "A Fantástica Fábrica de Chocolate", que estréia nesta sexta (22) no Brasil. Como observou o garoto da favela Paraisópolis na pré-estréia para crianças do projeto Florescer, seja pela palidez ou pela aproximação com crianças, Willy parece Jackson. Muito. Solitário, exilado em seus próprios domínios, com ar psicótico e ainda assim com um certo carisma, o personagem tem notoriamente a mão do diretor Tim Burton. Mestre das fantasias sombrias --vide "Os Fantasmas se Divertem" (1988), "Batman" (1989) e "Edward Mãos de Tesoura" (1990), entre outros--, o cineasta deu à sua nova produção toda a bizarrice que a primeira versão, de 1971, não explorou ao levar para as telas a obra do escritor Roald Dahl. Mas o novo filme não deixa de fazer algumas referências (propositalmente ou não) à produção dos anos 70, especialmente pelas cores e formas retrôs. A história também se mantém a mesma: um milionário convida cinco crianças a conhecerem sua fábrica de chocolate. Durante a visita, elas vão deixando de lado a simpatia para com Willy (que prometeu um prêmio especial a apenas uma delas) e exaltam seus defeitos. A exceção é Charlie Bucket (Freddie Highmore), o único garoto pobre do grupo. A competitiva Violet Beauregarde (AnnaSophia Robb) é filha de uma perua perfeccionista. Tem uma sala cheia de troféus e se gaba de ser a campeã mundial de mastigação de chiclete. Mike Teavee (Jordan Fry) é um viciado em videogame e metido a sabe-tudo. Já Veruca Salt (Julia Winter) é a garota mimada que briga com o pai milionário para conseguir tudo o que quer. Augustus Gloop (Philip Wiegratz), por sua vez, é o gordinho que não pára de comer chocolate. Por todas essas características, as crianças vão caindo nas armadilhas de Willy para desvendar o caráter de cada uma. Sobra Charlie, que vive com os pais e avós e com eles divide todas as noites, sem se queixar, uma rala sopa de repolho. A família vive em um casebre miserável --curiosamente o diretor conseguiu, com seu padrão estético, dar a real noção da pobreza em um filme de Hollywood ("Parece minha casa", confirma, em tom de brincadeira, uma das crianças de Paraisópólis). Apesar da punição dada a quatro das crianças, o filme, antes de ser uma crítica ao comportamento dos filhos, é um alerta à educação dada pelos pais --que o diga o protagonista. Conforme corre a visita, flashbacks vão desvendando os motivos da bizarrice do dono da fábrica. Como o assunto é a relação entre filhos e pais (palavra que Willy sequer consegue pronunciar), pode-se imaginar a origem de tudo. Gene Wilder era incomparavelmente melhor Por Luiz Carlos Merten - Estado de São Paulo
E Johnny Depp chegou lá. Durante anos, o ator, por suas escolhas, virou um queridinho dos críticos. Com "Piratas do Caribe", o diretor Gore Vercinski e ele quebraram a escrita de que as aventuras nos mares não davam dinheiro em Hollywood e Depp foi indicado para o Oscar. Este ano, ele ganhou nova indicação por "Em Busca da Terra do Nunca". Duas indicações seguidas para o prêmio da Academia de Hollywood somam-se, agora, à maior abertura de um filme estrelado por Depp nos cinemas americanos. "A Fantástica Fábrica de Chocolate" estreou arrebentando nos EUA. Como as coisas nem sempre são perfeitas, o maior triunfo de público de Depp corresponde à sua pior interpretação. Ele nunca esteve tão apático quanto no novo filme de Tim Burton. Vamos logo aos fatos. A "Fantástica Fábrica de Chocolate" é o remake do filme homônimo de Mel Stuart, de 1971. Renegado pelo próprio autor, Roald Dahl, que escreveu o roteiro, a Fábrica original virou cult que Burton, em má hora, achou que poderia melhorar. Todo diretor tem direito de errar uma, duas, três vezes, mas Burton anda exagerando. Seus últimos filmes, incluindo outra refilmagem, a de "O Planeta dos Macacos", sugerem um complô, como se os diretores de arte e cenógrafos estivessem assumindo o controle das produções. Não há muito mais a elogiar, aqui como no Planeta, a não ser o visual. É verdade que, neste quesito, a Fábrica de Burton dá de 10 na de Stuart, mas Gene Wilder, que fazia Willy Wonka no original, era incomparavelmente melhor (e mais virulento) do que Depp. Gene Wilder tendia ao exagero. Depp indo ao oposto, vira apático. Parece um morto-vivo, com sua maquiagem que evoca, obviamente, Michael Jackson. Em princípio, tudo aproximava Tim Burton do ex-marido da atriz Patricia Neal. Roald Dahl, que também escreveu roteiros da série com 007, publicou a Fábrica em 1964, pouco antes da trombose que vitimou Patricia. O livro apresenta uma visão até certo ponto benigna da família - e uma crítica feroz da infância. As crianças de A Fantástica Fábrica de Chocolate, com exceção de Charlie, não são apenas umas pestes - são todas pervertidas pelos excessos do capitalismo e da falta de disciplina familiar. A primeira parte do filme até que é interessante, com observações pertinentes apontando para uma pista psicanalítica referente à figura do pai, que já estava no centro do supervalorizado (o filme não é tão bom) Peixe Grande. Na segunda, para pegar uma carona na metáfora dos doces, o glacê desanda. Burton está querendo falar sobre o fim do capitalismo, algo que, no momento atual, só pode ser tratado como ficção científica, como fazem Steven Spielberg e George Lucas. Alguém já disse, mas vale repetir - toda vez que Johnny Depp está em cena, chato de doer, você fica pedindo por mais um daqueles números musicais, no estilo Bollywood, nos quais Deep Roy rouba a cena como Oompa-Loompas. Filme original era "água com açúcar" Por Louise Jury - Independent
Para gerações de crianças, Willy Wonka sempre foi Gene Wilder. O maluco dono da fábrica de chocolate criada por Roald Dahl foi encarnado por Wilder na tela grande em 1971, e o filme se tornou um clássico do cinema infantil, amado pelas crianças. Assim, a reação foi de calafrios quando se anunciou que Johnny Depp, com seu rosto escultural, iria assumir o papel sob a direção de Tim Burton, criador de "Edward Mãos de Tesoura". O próprio Wilder acusou os produtores do novo filme de só pensar em dinheiro. "São apenas algumas pessoas sentadas por aí, pensando: "Como podemos faturar mais um pouco?'", disse o ator em entrevista amarga concedida no mês passado. "Não vejo para quê voltar atrás e fazer tudo de novo." No entanto, Felicity (conhecida como Liccy) Dahl, a viúva de Roald Dahl, e outros membros da família do escritor acreditam que o novo "Fantástica Fábrica de Chocolate" teria conseguido a bênção de Dahl e que poderá superar a versão açucarada de 1971. "Ele a teria adorado", disse Liccy, após assistir ao novo filme. Consta que Dahl teria ficado decepcionado com o filme original, entre outras razões porque queria que o mais excêntrico Spike Milligan fizesse o papel de Wonka. As sugestões anteriores de refazer o filme sempre caíram diante dos obstáculos difíceis erguidos pelos herdeiros de Dahl, que, num indicativo do poder que possuem, tiveram direito pleno de aprovação dos novos diretor, roteiro e atores principais. A Warner Brothers já detinha os direitos sobre a refilmagem havia oito anos, mas foi só quando Tim Burton, Johnny Depp e Freddie Highmore (o ator mirim aclamado por "Em Busca da Terra do Nunca"), no papel de Charlie, uniram suas forças que a família deu luz verde ao novo projeto. É claro que a perspectiva de ter Tim Burton na direção era interessante. Com seu catálogo passado de filmes sombrios e heterodoxos, como "O Estranho Mundo de Jack" e "Os Fantasmas se Divertem", o diretor parecia estar mais próximo a Roald Dahl, em espírito, do que era Mel Stuart três décadas atrás. Aliás, Johnny Depp descreveu Tim Burton e Roald Dahl como "uma união acordada no céu". Mais importante ainda, Amanda Conquy, responsável pelo patrimônio literário de Dahl, insiste que os herdeiros não vêem o novo filme como remake do primeiro. "Nós o vemos como um novo filme baseado no livro "A Fantástica Fábrica de Chocolate'", diz ela. A Warner ainda vende o DVD de "A Fantástica Fábrica de Chocolate" original, que é imensamente bem-sucedido, especialmente nos EUA, onde é cult entre o público infantil. Segundo Conquy, porém, é hora de esse livro clássico ganhar uma nova versão para o cinema: "O filme já tem mais de 30 anos, e o livro tem 40. É hora de ele ser reinterpretado. O que gostamos em Tim Burton é que ele é muito criativo. Seu senso visual é fantástico, e isso é algo que a fábrica de chocolate exigia." Fontes sugerem que o orçamento muito maior do filme atual -teria ficado entre 50 milhões e 80 milhões de libras (entre R$ 205 milhões e R$ 328 milhões)- tornou possível à nova versão ser mais fiel ao livro original. Os sets de filmagem foram maiores e incluíram um rio de 192 mil galões de chocolate derretido criado com efeitos especiais. Em 1971, os criadores do primeiro filme substituíram por uma máquina os esquilos da fábrica de chocolate que classificavam as nozes, mas Burton mandou treinar 40 esquilos reais durante semanas para que pudessem quebrar nozes e colocá-las na esteira transportadora. "Não quero jogar os sonhos infantis de ninguém por terra", disse Burton, "mas a verdade é que o filme original era água com açúcar. Eu curti "Charlie and the Chocolate Factory" porque respeitava o fato de que crianças podem ser adultos. Foi uma das primeiras vezes em que se viu uma obra de literatura infantil mais sofisticada e que tratava de questões e sentimentos mais sombrios. Existem coisas muito sinistras que fazem parte da infância." "A Fantástica Fábrica de Chocolate" é uma apologia da normalidade Por Luiz Zanin Oricchio - Estado de São Paulo
Em "A Fantástica Fábrica de Chocolate", Johnny Depp interpreta um personagem bastante parecido fisicamente com Michael Jackson - só que um pouco mais moreno. Não parece uma escolha gratuita. Jackson, em que pesem seus imbróglios pessoais, parece um ícone perfeito dessa sociedade do espetáculo em que vivemos - voraz, superficial, melancólica em sua comemoração de uma juventude permanente. A caracterização de Depp é um primeiro achado brilhante do filme de Tim Burton. Mas é pena que Chocolate, sem querer fazer piada infame, seja muito saboroso no começo e depois acabe enjoando. Contudo, apesar de calórico demais, tem ainda uma boa substância interna. Por exemplo, não fica na sátira do espetáculo, simbolizada por Depp/Michael Jackson. Vai além e busca de onde essa febre da aparência tira a sua força e ganha seu sentido. E aí então, sua crítica se dirige ao verdadeiro alvo, o capitalismo, a meu ver o ponto central do filme. Tudo passa a ser centrado em oposições, uma delas em especial: a fábrica descomunal e o casebre infecto, onde mora a família de um dos personagens infantis. Aliás, as crianças em cena, com exceção de uma, são perversas, deformadas: uma é obesa, a segunda é autoritária, a terceira é competitiva, a quarta é um superdotado aberrante. Cada uma dessas crianças representa um "pecado" social. A gula, num mundo em que há fome. O desejo aquisitivo a qualquer preço. A competição levada ao delírio. A inteligência sem aplicação social e portanto estéril. O único "normal", o garoto Charlie Buckett (Freddie Highmore) é filho dessa família de lúmpens, de párias do sistema. Nesse sentido, A Fantástica Fábrica de Chocolate é uma apologia da normalidade. Mas não à normalidade medíocre e sim às pessoas simples, compassivas, bondosas. O mundo de Burton é hostil, mas ele vislumbra, por trás da violência, uma possibilidade do bem. É o reverso do universo dark proposto por este e por outros filmes de sua autoria. Ninguém, em sã consciência, vai dizer que Tim Burton faz uma crítica de tipo "marxista" à sociedade de classes. Seria idiota, a esta altura. Enfim, as disparidades sociais continuam por aí, inclusive nos EUA, para quem quiser vê-las, e a queda do Muro ou o fim do socialismo real não anularam os conflitos da vida. É preciso alguém de sensibilidade apurada, como a de Burton, para detectar, de maneira expressionista, esse mal-estar intrínseco a uma sociedade como a nossa, ocidental e capitalista. 20.7.05
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Mondo OSCAR 2006 - Vol.2
Um dos comentários mais irritantes ao se falar de OSCAR durante o ano é a palavra "cedo" que insiste em ser dita até meados de dezembro. Mas para ser justo com as resenhas e os fãs dos filmes que já estrearam no Brasil e nos EUA no primeiro semestre, saibam que as maiorias das indicações são de filmes que vigoraram entre janeiro e agosto (nos EUA, sempre nos EUA...). No entanto é um pouco difícil prever qual filme sobreviverá ou não. Para cada "Moulin Rouge", há um "Cruzada". Para cada "Brilho Eterno..." há um "Minority Reports". Enfim, a missão é complicada, mas não impossível... Geralmente quando um filme é anunciado por seu visual genuíno e um incrível sucesso de publico, pode se esperar alguma indicação técnica. É o caso de "Sin City - A Cidade do Pecado". Mas nesse caso, o filme desafia muitas regras e acho improvável que os membros da Academia votem numa pessoa que simplesmente fez a maioria do trabalho artístico (Estou falando do produtor, diretor, compositor, montador e fotografo Robert Rodriguez) em detrimento de outros profissionais. Parece uma contradição, mas lembre-se que a Academia é extremamente conservadora... (vide "Amnésia") Já os blockbusters de verão (¿Star Wars 3", "Batman Begins" e "Guerra dos Mundos") podem sim, receber algumas concessões técnicas. Isso depende exclusivamente dos próximos blockbusters previstos para o fim do ano. Serão mais espetaculares? Bem...Certamente o nome dos diretores pesa numa aposta. Veja o exemplo de "Star Wars" que ganhou 7 Oscars em 1977, e mais 2 para "O Império Contra-Ataca" e o "Retorno do Jedi". "Ameaça Fantasma" recebeu 3 indicações e "O Ataque dos Clones" foi indicado para o Oscar de Efeitos Visuais. Portanto , não é nada extraordinário prever que "A Vingança de Sith" não receba ao menos uma indicação por Efeitos Visuais. (A única categoria em que todos os filmes da franquia foram indicados). Apesar de toda a conversa de memória curta da Academia durante o pleito do Oscar, isso não é realmente um problema se os filmes tiverem (a) uma campanha monstruosa de marketing, (b) ser um bom filme e ter uma carreira de sucesso, (c) uma afinidade com o Oscar e... (d) um pouco mais de dinheiro para uma campanha multimilionária de marketing. "Crash" atende bem os itens (b) e (c) para receber ao menos uma indicação por roteiro original, além de bom elenco (Sandra Bullock, Don Cheadle, Matt Dillon, Brendan Fraser & Ryan Phillippe) para pleitear algumas vagas entre as categorias de atores. "Cinderella Man", da Miramax tem muito (a) e (d), mas pouco (b) e (c). "Me You and Everyone We Know" teve boa repercussão no circuito de Festivais de Cinema, mas o Oscar é um público completamente diferente. E finalmente temos Joan Allen, que já foi indicada 3 vezes e nunca ganhou, apesar de ser uma excelente atriz. Sendo essas 3 indicações anteriores por filmes que estrearam nos primeiros seis meses do ano e sendo seu filme atual, "O Outro Lado da Raiva" da New Line, que dispõe de muito dinheiro para atender os requisitos (a) e (d) previamente discutidos. Certamente, Joan Allen tem uma indicação ao OSCAR 2006 como melhor atriz! O Efeito Cannes: O mais importante Festival de Cinema do Mundo tem uma pequena correlação às concessões "americanas" da Academia. Mesmo assim, a Palma-de-Ouro fomenta um "zum-zum-zum" e uma certa curiosidade que pode se tornar uma indicação posterior. Particularmente, essa edição de Cannes marca o retorno surpreendente de diretores como Woody Allen com "Match Point", Jim Jarmusch com "Broken Flowers" e David Cronenberg com "A History of Violence", e de atores como Bill Murray em "Broken Flowers", Tommy Lee Jones em "The Three Burials of Melquiades Estrada", Robert Downey Jr em "Kiss Kiss Bang Bang" e Viggo Mortenson em "A History of Violence" Perspectivas para o OSCAR 2006Segue minhas apostas para o OSCAR 2006, em ordem de favoritismo: Melhor Filme Melhor Diretor Melhor Ator Melhor Atriz Melhor Ator Coadjuvante Melhor Atriz Coadjuvante Melhor Roteiro Original Melhor Roteiro Adaptado Melhor Fotografia Melhor Direção de Arte Melhor Figurino Melhor Edição Melhor Trilha Musical Melhor Som Melhor Canção Melhor Efeitos Visuais Melhor Maquiagem Melhor Edição de Som Melhor Filme de Animação Melhor Documentário em Longa-Metragem Distribuição de Indicações8 Indicações
"The New World" "Jarhead" "Memoirs of a Gueisha" 6 Indicações "The White Countess" "Vengeance" 5 Indicações "Brokeback Mountain" 4 Indicações "King Kong" 3 Indicações "Guerra dos Mundos" "Mrs. Henderson Presents" "In Her Shoes" 2 Indicações "Elizabethtown" "Walk the Line" "The Producers" "Match Point" "Cinderella Man" "Bee Season" "Chronicles of Narnia" "A Ilha" "Star Wars - A Vingança de Sith" "Madagascar" 1 Indicação "Rent" "Ask the Dust" "A History of Violence" "River Queen" "The Prize Winner" "O Outro Lado da Raiva" "Prime" "A Grande Ilusão" "Crash" "A Fantástica Fábrica de Chocolate" "The Grimm Brothers" "Corpse Bride" "The Wallace e Gromit" 19.7.05
Um brasileiro em ParisAinda comemorando o estouro de "Dark Water" nas bilheterias dos EUA, Walter Salles já está às voltas com novo filme, sobre seu amor pela capital da FrançaHá três semanas, houve o que os americanos chamam de 'red carpet' de "Dark Water" em Nova York. O filme de Walter Salles, que vai se chamar "Água Escura" no Brasil, estréia no mês que vem no País. Nos EUA, no fim de semana de estréia, ficou atrás somente dos blockbusters do verão na bilheteria. Salles tem motivos para comemorar. Fez o filme que queria e teve êxito, mas ele ainda não quer falar sobre "Água Escura". Promete falar bastante quando estiver mais próximo da estréia. Em Berlim, em fevereiro, já havia confidenciado o que o repórter de Spoiler pôde conferir depois - mais do que um remake do terror japonês, o filme filia-se à vertente do terror psicológico de Roman Polanski em "Repulsa ao Sexo". Salles pisou no tapete vermelho, na pré-estréia nova-iorquina de "Água Escura", mas não ficou para as entrevistas que a distribuidora Buena Vista promoveu, a seguir. Do cinema, naquela noite, ele voou para Paris, onde co-dirige, com Daniela Thomas, um episódio para o filme coletivo "Paris Je t'Aime". E foi da capital francesa, por e-mail, que Salles respondeu às perguntas de Spoiler. A primeira, você vai ver, refere-se a outro projeto parecido. Nos anos 1960, diretores e críticos franceses foram convidados a dar sua visão de Paris. O filme, produzido por Barbet Schroeder e Patrick Bauchau, chamava-se justamente Paris Vu par... (Paris Vista por...) e os episódios eram assinados por Jean Douchet, Jean Rouch, Jean-Daniel Poullet, Éric Rohmer, Jean-Luc Godard e Claude Chabrol. Cada um teve inteira liberdade para fazer o que queria. Douchet filmou uma anedota sobre sexo entre estudantes em Saint Germain-des-Près. Godard mostrou uma mulher que tinha dois amantes em Montparnasse Levallois. Rouch contou, com rigor etnográfico, a tragédia de um suicida em Gare du Nord. E Chabrol assinou o mais virulento dos esquetes, La Muette, sobre garota que tapa os ouvidos para não ouvir as brigas dos pais e termina perdendo o som desesperado que a mãe, transtornada, emite ao cair da sacada. O novo "Paris Vu par...", agora "Paris Je t'Aime", reúne diretores de vários países e tendências, como os Irmãos Coen, Gus Van Sant, Agnès Jaoui, Alfonso Cuaron, Jean Luc-Godard, Javier Bardem, Alexander Payne, Ettore Scola, Antoine Fuqua entre outros. Salles e Daniela Thomas são os únicos brasileiros da lista de 20 e o filme no qual trabalham não se liga aos eventos que marcam o ano do Brasil na França. Spoiler: Você sabia da existência do filme antigo? E chegou a assistir a Paris Vista por...? Walter Salles: Sim, sabia da existência do filme, mas nunca cheguei a vê-lo. Por coincidência, Emmanuel Benbihy, que é o produtor de Paris Je t'Aime, conseguiu um vídeo do filme antigo e ficou de me enviar. Spoiler: Como surgiu a idéia de Paris Je t'Aime? De quem é a produção? Salles: Por ser um produtor jovem, que está começando, Emmanuel levou mais de quatro anos para conseguir levar o projeto adiante. Pelo que nos contou, ele estava interessado em convidar diretores de diferentes latitudes desde o início, para propor uma visão polifônica. Spoiler: Que lugar (ou recorte) de Paris vocês escolheram? Ou o projeto já veio direcionado, com o tema fechado? Salles: Como fomos convidados bem no início do processo, Daniela e eu tivemos total liberdade de escolha, a começar pela escolha do bairro. O único que já estava tomado era a Bastilha, pelo Godard, que também esteve no projeto Paris Visto por... Escolhemos um bairro chamado Belleville, pelo fato de ser um ponto de encontro (e de colisão) de imigrantes que vêm da Ásia, da África e da América Latina. Spoiler: Como vocês desenvolveram o roteiro? Salles: A quatro mãos. Partimos da idéia de falar de desterritorialização, mas também de cinema . Spoiler: Filmaram em digital ou película? Salles: Todos os filmes serão rodados em 35 mm, mas o nosso tem cenas que foram filmadas em Super-8. Já rodamos algumas tomadas em Super-8 no cemitério Père Lachaise, ao redor do túmulo de Jim Morrison. A segunda parte da filmagem será realizada em setembro. Spoiler: Quem está no elenco? Salles: Trabalhamos com vários não-atores que moram em Belleville, mas o Gael (García Bernal) e José Laplaine, de Terra Estrangeira, também estão no elenco. Spoiler: Para quando, o lançamento? Salles: No início do ano que vem, com estréia em um dos grandes festivais europeus que se realizam no primeiro semestre. Spoiler: Paris é uma referência cultural e histórica forte na vida brasileira, mas hoje a garotada está americanizada e prefere Nova York e a Disney e o inglês ao francês. Qual é a sua relação com Paris? Salles: Morei na França dos 6 aos 13 anos e, para falar a verdade, não gostava daquilo. Tinha saudades do Brasil, me sentia deslocado e a sala de cinema acabou virando uma tábua de salvação, um refúgio. Foi quando eu descobri o neo-realismo italiano, a nouvelle vague, o Wenders e os primeiros filmes do novo cinema alemão. Foi por essa relação com o descobrir cinema, aliás, que eu resolvi participar da série. Há pouco tempo, tinha recebido um convite para participar do filme sobre o 11 de setembro de 2001. Naquele momento, preferi recusar, por achar que ainda não havia suficiente recuo histórico para olhar aquele evento com a necessária verticalidade. Spoiler: Qual é a sua Paris? A boêmia, a intelectual? Salles: É a dos anos 60, marcada pela efervescência estudantil e por Maio de 68, que revi, recentemente, nos documentários reeditados de William Klein. E, finalmente, a cidade dos anos 70, menos turbulenta e também menos interessante do que a da década anterior. Spoiler: E a trilha é de música francesa? Salles: Não... Ninguém vai falar francês neste curta que ainda estamos preparando. Por Luiz Carlos Merten 18.7.05
Filme de Jim Jarmusch é uma viagem sentimental entre humor e melancoliaA obsessão pelo amor e pela morte retorna em "Broken Flowers" Em "Broken Flowers", de Jim Jarmusch --cuja estréia nos Estados Unidos está prevista para 5 de agosto-- o personagem principal, Don Johnston, um sedutor que se tornou cinqüentenário já faz certo tempo, recebe uma carta que o informa de que ele tem um filho de 19 anos, e que este gostaria de conhecê-lo.
Quem foi a mãe que enviou esta missiva? Para tentar descobrir, Don empreende uma busca que o leva a recordar e a reencontrar os seus amores do passado. Ao longo da sua vida, Don (Bill Murray) acumulou uma extensa prática "dos computadores e das garotas". Os primeiros permitiram-lhe ganhar dinheiro o bastante para se tornar, com pouco mais de 50 anos, um jovem aposentado, que pode se permitir ficar o dia inteiro sem fazer nada diante da televisão. Mas, por causa das garotas, ele enfrenta muitos problemas. Conforme o seu melhor amigo, Winston (Jeffrey Right), não perde uma oportunidade para lembrar-lhe, Don faz jus ao seu nome. Ele é um Don Juan --por certo, um pouco desgastado depois de tantos anos, com o seu semblante taciturno, os seus olhos de cocker-spaniel, e a sua boca excessivamente estreita, que se estende pelos lados numa dobra amarga. Mas a sua reputação não é usurpada: para convencer-se disso, basta ver o ar sarcástico que a sua mais recente conquista, Sherry (Julie Delpy), adota quando ela descobre, no meio das cartas que chegaram pela manhã, um envelope de uma bela cor de rosa. "Deve ser uma carta de uma das suas namoradas, sem dúvida", dispara Sherry, venenosa, antes de sair batendo a porta. E Don permanece plantado ali, com os braços pendentes, o semblante esgazeado, trajando o seu velho abrigo de moletom informe. O envelope esconde um texto curto e cortês, digitado por uma mulher com máquina de escrever (um detalhe notado imediatamente por Winston, que se revela ser um aprendiz de Sherlock Holmes). A mensagem informa Don que ele é o pai de um rapaz de 19 anos, que estaria à sua procura e que poderia muito bem aparecer a qualquer momento. Mas, há um pequeno problema: assim como no filme "Quem é o Infiel?" (A Letter to Three Wives), de Joseph L. Mankiewicz (1949), esta carta que surge para provocar uma reviravolta na sua vida, não está assinada. Incentivado por Winston, que está visivelmente fascinado por este mistério, Don elabora uma lista das mulheres que ele amou vinte anos antes. Elas são cinco, assim como serão cinco as etapas da viagem solitária que ele empreende, uma odisséia engraçada e séria, um inquérito no qual é preciso procurar por dois indícios: a cor rosa e uma máquina de escrever. Diferentemente do que acontece em "Uma Noite sobre a Terra" (1991) e em "Sobre Café e Cigarros" (2004), nos quais cada pequeno episódio encenava o encontro de novos personagens, "Broken Flowers" conta as irrupções de um mesmo homem na vida de diferentes mulheres. O que se segue é uma sucessão de aparições, nunca previsíveis, entre humor e amargura. O suficiente para nos lembrar de que o grande talento de Jim Jarmusch se deve, acima de tudo, ao seu amor pelas pessoas. O que não quer dizer que o cineasta seja movido por um humanismo generoso e entusiasmado, o que caracterizava a personalidade do cineasta ítalo-americano Frank Capra (1897-1991). Simplesmente, assim como outros são entendidos em bons vinhos, Jarmusch entende de seres humanos. Ele tem um grande apreço por pessoas melancólicas, sufocadas pela solidão da vida moderna. Ele sabe, por meio de uma elegância discreta, inscrever as suas silhuetas dentro de uma paisagem, dizer tudo sobre a sua existência captando apenas um instante, sugerir uma atmosfera: florestas molhadas pela chuva e uma música envolvente, a perturbação provocada por um despertar matinal dentro de um triste quarto de motel, quando ainda é cedo demais. A morte que andaCurioso de todos e de todas, Jim Jarmusch nos convida, portanto, a acompanhar Don, que parte ao encontro das suas namoradinhas --o filme é dedicado a Jean Eustache, um outro cineasta para quem a lucidez não exclui a ternura. Em primeiro lugar aparece Laura (Sharon Stone), bonita, voluptuosa, que exerce a profissão improvável de organizadora de armários ("e até mesmo de gavetas!"). Então, é a vez de Dora (Frances Conroy), que se tornou uma respeitável esposa e dona de casa burguesa, seguida por Carmen Markowski (Jessica Lange), que transformou numa profissão o seu talento natural para comunicar com os animais. O espectador está à espera de grandes conversações sobre um passado comum, de alguns sinais de intimidade, de frangalhos de paixão. Mas nada disso acontece, a não ser uma defasagem embaraçosa e uma tristeza imprecisa. Então, chega a vez de Penny (Tilda Swinton), a neurótica perigosa, seguida pela quinta mulher, uma morta. Esta última é a única que suscita em Don um sentimento de real ternura. "Olá, minha beldade", diz ele ao se aproximar do seu túmulo. Já faz muitos anos, incansavelmente, e por meio de histórias muito diferentes entre si, Jim Jarmusch trabalha num mesmo tema: o da morte que anda. Em "Dead Man" (1995), Johnny Depp caminhava rumo ao além, optando, antes, por fazer um pequeno desvio pelo Oeste americano. "Ghost Dog, Matador Implacável" (1999) contava de qual maneira um samurai moderno avançava rumo ao sacrifício. Da mesma forma, Don é um homem que está sempre em movimento e constantemente estrangeiro ao mundo: ele não deseja mais nada nem ninguém. Quando Lolita, a filha de Laura, se apresenta nua na sua frente, ele opta por fugir. Mais tarde, uma vendedora de flores lhe oferece o seu sorriso luminoso e ele lhe responde indagando-lhe qual é o caminho para o cemitério. Nada, nem mesmo esta grande viagem, responde a uma aspiração da sua parte. Tudo foi organizado por Winston, que é uma evidente figura de cineasta. Foi ele quem organizou tudo, que reservou as passagens de avião, que comprou o maço de flores cor-de-rosa, para ser utilizado como um ritual de aproximação, e foi ele quem escolheu a música, uma lancinante melopéia etíope que abraça o filme inteiro com a sua suavidade triste. Quando Don volta de mãos abanando (ele não conseguiu descobrir nem se ele tem realmente um filho, nem qual foi a mulher que lhe escreveu a carta), Winston, no papel de criador preocupado, o intima a fazer um esforço: "É a sua vida, você precisa vivê-la". Winston gostaria de fazer dele um personagem que mantém um controle firme sobre a sua própria existência, mas não sobrou a Don nenhuma motivação, a não ser uma vocação para ser espectador. Assim, ele não é nada mais que um olhar naquela cena irresistível do jantar, durante a qual os seus olhos vão e vêm, com uma regularidade de metrônomo, de Dora ao seu marido, e do marido a Dora. A graça extrema deste momento revela tudo o que o sucesso de "Broken Flowers" deve à presença de Bill Murray. Neste rosto de uma impassibilidade absoluta, o menor estremecimento, a menor alteração da expressão, o menor esboço de um sorriso tornam-se verdadeiros eventos. O filme acompanha o ritmo destas ínfimas nuances e as oferece para a contemplação. Diferentemente de tudo o que o cinema convencional exige, a viagem de Don nada lhe ensina, ou muito pouco. Apenas que nós sempre corremos o risco de ser o espectador da sua própria vida, e de "fugir da felicidade, por medo de que ela escape", como diz a música de Serge Gainsbourg. Cineasta revela que "Broken Flowers" contradiz sua personalidadeSpoiler: O que inspirou o senhor a criar este personagem de Don Juan meio desgastado, interpretado por Bill Murray em "Broken Flowers"? Jim Jarmusch: O que eu tinha em mente era fazer um filme com Bill, uma espécie de estudo de um personagem que ocultaria a sua parte de "expertise cômica". Eu me detive por muito tempo nele, no seu trabalho como ator, e o que me interessou realmente foram os seus papéis em "O Fio da Navalha" (1991) e "Uma Mulher Para Dois" (1993), mas também, ainda que de maneira mais secundária, em "Três É Demais - Rushmore" e em "Encontros e Desencontros" (2003). Ele é um ator extremamente preciso, e ao mesmo tempo alguém em que é possível se identificar como ser humano. É um caso bastante raro. Eu havia escrito um roteiro para ele, e ele havia aceitado atuar no papel de um dos personagens. Eu gostava muito da história, que é a de um polígamo, mas os personagens davam a impressão de estarem todos usando distintivos. Uma vez que eu não gosto de reescrever um mesmo texto, optei por criar um novo roteiro, que lhe agradou da mesma forma. É a primeira vez que eu escrevo o roteiro de um filme sem estar perdidamente apaixonado pelo meu personagem. Aqui, seria até mesmo o contrário. Ele não me interessa nem um pouco. Mas eu sabia que Bill Murray me transmitiria certa simpatia por este cara. É um pouco estranho. Spoiler: O senhor sempre tem os seus atores em mente quando escreve os seus roteiros? Jim Jarmusch: Sim, para todos os meus filmes. Ao menos, para os personagens principais. Spoiler: Há uma verdadeira melancolia neste filme. Ele transmite o sentimento de que cada um dos personagens tem algo que está morto dentro dele. Jim Jarmusch: Eu suponho que sim. Mas é o caso com qualquer pessoa. Cada um tem dentro de si alguma coisa que não se realizou. Na realidade, eu me recuso a analisar o meu filme; seria contraditório com a minha abordagem das coisas. Da mesma forma que na vida existem coisas que não podem ser explicadas, este filme baseia-se num certo número de elementos não explicáveis. Além disso, eu não gosto de olhar para trás. "Eu nunca assisti a nenhum dos meus filmes depois da sua conclusão"; eu passei tanto tempo trabalhando nele. Eu nunca assisti de novo a "Estranho no Paraíso" desde 1984. Então, por que será que eu resolvi fazer um filme sobre um personagem que é impelido a mergulhar novamente no seu passado? Esta é uma questão realmente séria, uma contradição pessoal. Spoiler: Ao mesmo tempo, o filme até que é muito alegre, principalmente em razão do inesperado que ocorre permanentemente. Jim Jarmusch: Eu tento evitar as coisas previsíveis, porque a vida não feita dessa forma. Eu gosto muito das histórias, mas eu não quero que elas se tornem uma fórmula. Eu não que o espectador se pergunte o que vai acontecer depois. As coisas ocorrem, e é só. Quando eu estava escrevendo para este filme, eu tinha um puro prazer em imaginar as variações destas grandes atrizes. Eu gostaria até mesmo de ter colocado um número ainda maior delas, para dizer a verdade, mas o risco era de que isso se tornasse demasiadamente sério. Eu estive extremamente atento para os detalhes, para cada roupa, para todos os elementos do cenário, para a qualidade da luz, da película, mas eu proibi ao meu espírito de questionar o sentido de tudo isso. Spoiler: A música desempenha um papel extremamente importante no seu cinema... Jim Jarmusch: E na minha vida também! Spoiler: Como o senhor concebeu a trilha sonora deste filme? Jim Jarmusch: Não há nenhuma partitura original. São simplesmente músicas e trechos de música. O que domina, é a música do etíope Mulatu Astatke, uma mistura complexa de tonalidades menores, impregnada por um humor bastante sombrio, e por climas muito funk. Eu tinha vontade de criar um contraste entre esta música exótica e as paisagens genéricas da América que eu filmei. Foi o que me conduziu a propor o papel de Winston para Jeffrey Wright, que é de origem etíope. Fora isso, eu tomei a voz de Holly Golightly, que canta uma música com The Greenhornes, um grupo que eu adoro, e uma versão de uma música de Ray Davis, de quem, no meu modo de ver, ela é a extensão no presente. Também inclui uma música do grupo Brian Jonestown Massacre, em homenagem ao seu líder, Anton Newcombe, por quem eu tenho uma grande admiração. Spoiler: O senhor dedica o seu filme a Jean Eustache, um outro cineasta. O que ele representa para o senhor? Jim Jarmusch: O espírito do seu cinema conta muito para mim. Eu admiro a pureza da sua abordagem, que não está tão distante assim daquela de Anton Newcombe com a sua música. Ele nunca realizou um filme por dinheiro, nem pela glória, mas sempre por puro amor pela forma cinematográfica - Jean Eustache (1938-1981), ficou conhecido com o filme "La Maman et la Putain" (1973), vencedor do prêmio do júri no festival de Cannes daquele ano. Eu não o conheci, mas eu escrevo sempre com uma foto dele ao meu lado. Eu espero que as pessoas não vão imaginar que se trata de uma atitude "moderna" ou "descolada" Por Florence Colombani e Isabelle Regnier - Le Monde 17.7.05
Audição seletivaTer um ouvido perfeito não é a principal prerrogativa para se tornar técnico de som direto. Mas ter jogo de cintura, pique e bom senso é imprescindível Para ser técnico de som direto, só não pode ser surdo. Mas é até desejável que se seja um pouco." A afirmação de Bié Gomes, um dos mais reconhecidos técnicos brasileiros de som direto, não é brincadeira. Ele insiste: "Quem tem um ouvido muito bom ouve mais do que os outros. Com isso, acha que tudo atrapalha e acaba fazendo drama, prejudicando a filmagem, sendo chato - na opinião dos outros profissionais. O bom técnico sabe estabelecer um equilíbrio entre o sinal e o barulho."
Atividade fundamental tanto na área de publicidade quanto no cinema de documentário e ficção, a captação de som simultânea à filmagem tem como finalidade registrar os diálogos e o som ambiente, que podem servir para dois propósitos: ou para serem usados realmente como áudio do filme ou para servir de guia. De acordo com o produto e a mídia finais, mais responsabilidade pesa sobre os ombros do técnico de som direto. E além da responsabilidade, há todo o equipamento: em geral, o técnico carrega o gravador e o mixer, isso quando também não faz o trabalho de microfonista, carregando o boom - aquele suporte comprido no qual o microfone é acoplado. Os técnicos mais experientes costumam ter seu próprio equipamento. Um kit básico inclui o gravador, o mixer, um bom fone de ouvido e um kit de microfones, que inclui um microfone direcional, um hipercardióide, um dinâmico, dois de lapela com fio, dois sem fio e o boom. Mas dependendo da filmagem, um microfone basta. "Mais importante do que ter vários tipos é saber usá-los e, principalmente, saber posicioná-los. Ter um microfonista bem treinado é até mais importante do que ter um supergravador. Porque o gravador só registra o som, é como uma tela em branco. É preciso colocar o microfone de forma que capte bem o som sem aparecer em quadro nem em reflexos", avalia Bié. A equipe de som costuma ser formada, portanto, pelo técnico que responde pelo monitoramento da gravação e pelo microfonista. Em alguns longas-metragens, são necessários até dois assistentes e o gravador precisa ter time code, para facilitar a sincronia na montagem. Os cuidados da ficçãoO trabalho mais complicado, sem dúvida, é o longa-metragem de ficção. Um dos motivos, segundo Bié, é que no Brasil a maioria das produtoras faz questão de aproveitar o som direto, evitando a dublagem de diálogos. Mas as condições de trabalho oferecidas para a captação de som em geral prejudicam sua qualidade. "Sempre falo que no Brasil há muito poucos estúdios blimpados. A maioria dos estúdios não passa de um galpão adaptado. Não precisamos nem nos preocupar quando passa um avião porque ele não prejudica só o som: faz tremer até a câmera", brinca. E se um problema prejudica a captação da imagem, então passa a ser levado a sério pela produção. "A gente tem que saber que o som é a única etapa que pode ser totalmente produzida depois da filmagem. Quando as imagens foram captadas, não dá pra mudar luz, nem figurino, não tem mágica. Mas o som pode ser totalmente construído", afirma. É por isso que nos Estados Unidos, continua, cerca de 70% dos diálogos são dublados. "Lá eles preferem tratar o som separado da imagem e, em geral, o som direto serve apenas de guia. Em algumas situações, especialmente em planos muito abertos e ao ar livre, sabemos que o nível de ruído é alto e que, para que o diálogo seja compreendido, é preciso fazer o ator gritar. Então eles deixam para lá, o ator fala normalmente e depois é feita a dublagem", explica. Segundo Gabriela Cunha, representante da nova geração de técnicos de som direto "e uma das poucas mulheres na atividade", os cuidados com a pós-produção de som nos Estados Unidos são incomparáveis, inclusive em relação a outros países. "Na Inglaterra e na França também não há muita dublagem. Mas principalmente nos filmes típicos americanos, que são muito barulhentos, não há outro jeito. Então eles desenvolveram uma técnica apurada, que consegue recriar todos os ruídos de forma realista." Para Bié, no Brasil existe um certo "medo" de dublagem, por vários motivos: custos de estúdio e de cachê dos atores, dificuldade de agenda e até mesmo inexperiência: a pequena quantidade de longas produzidos faz com que os atores não tenham prática. "Aqui no Brasil no máximo 20% do filme é dublado, mas acho que no mínimo 50% precisaria ser dublado para que o resultado final ficasse bom. Parece que estou dando um tiro no pé ao falar isso, afinal é o meu trabalho, mas temos que fazer o som guia de qualquer forma. É uma questão de qualidade. O cinema em geral não tem música ao mesmo tempo em que o diálogo, e é fundamental que o espectador consiga ouvir o que o personagem está dizendo. São planos mais longos, mais abertos", comenta. Para Gabriela, os documentários não exigem um rigor tão grande. "No documentário a imagem muitas vezes tem menos importância do que o som. Então o microfone até pode aparecer. O importante é não perder nada dos depoimentos, mesmo que haja ruído. Entendendo o que a pessoa fala, está valendo." Até mesmo a participação do técnico é diferente em filmes e outros formatos. "Em publicidade, às vezes a produção me liga à noite para filmar no dia seguinte. Não tem preparação alguma. Então a gente leva todo o equipamento que pode, para não faltar nada na hora", diz Gabriela. A preparação para o filme de ficção começa na leitura do roteiro. Depois são feitas reuniões de produção e visitas a locações. "Somos consultados pelo produtor para saber se dá para filmar nesta ou naquela locação. É muito tempo de filmagem, então não dá para correr o risco. Muitas vezes não é só a locação: tem figurino que faz tanto barulho que não dá para captar o som direto. Então temos que conversar com o produtor e tentar prever os problemas para ganhar tempo", continua Gabriela. Tecnologia em evoluçãoSempre a reboque das imagens, em termos de tecnologia a evolução da área de áudio também acompanha o que a indústria estabelece como padrão para o vídeo. Atualmente, o padrão do mercado de captação de som são os gravadores DAT, com sistema de gravação digital em fita magnética. Mais leves e compactos e com uma mídia menor do que os tradicionais gravadores de rolo Nagra, a qualidade dos DAT sempre foi questionada. "A fita é muito ruim, o DAT já resistiu mais do que devia", acredita Gabriela. Agora, começam a chegar ao mercado os primeiros equipamentos com gravação em disco rígido. Um dos modelos disponíveis é fabricado pela própria Nagra, indústria francesa especializada em gravadores profissionais, mantendo sua qualidade e facilitando muito a vida dos técnicos. "A transcrição das fitas magnéticas acontece em tempo real, ou seja, se você tiver 40 horas de gravação, vai levar 40 horas para descarregar no sistema de edição não-linear. Com a gravação em disco rígido, um arquivo é transferido em poucos minutos", explica ela. O custo do equipamento depende de sua complexidade e da quantidade de dados que consegue armazenar. Alguns modelos têm até quatro pistas de gravação. Em geral, trabalham com discos de 40 Gb a 80 Gb e saída firewire. "Conseguimos gravar um longa inteiro em um disco de 60 Gb, com uma ou duas pistas de som. São oito semanas de trabalho que podem ser transcritas em meia hora", comemora. Os preços, porém, ainda não são muito convidativos: a maioria dos modelos varia entre US$ 9 mil e US$ 15 mil. Por Lizandra de Almeira 15.7.05
Olha quem está quase falando outra vezHerbie, o fusca que virou franquia da Disney em 1969, volta turbinado e agora com uma dona, Lindsay Lohan E não é que ele está quase falando outra vez? Há 35 anos, surgiu na Disney uma franquia que se tornou muito popular. Tudo começou quando o diretor Robert Stevenson, o artesão mais habilidoso da casa do velho Walt - é ele quem assina o cult Mary Poppins -, fez um filme que se chamou, no Brasil, Se o Meu Fusca Falasse. Na trama, rapaz comprava fusca simpático que piscava o olho para ele na loja. O fusca revelava possuir uma personalidade forte (e só faltava falar!) A partir daí, Herbie, o fusca, virou personagem cult. Apareceu em três seqüências e teve direito a um remake, para TV, em 1997. Herbie agora está de volta ao cinema.
É uma opção divertida para a garotada em férias. E o melhor é que a Globo mostra hoje, na Sessão da Tarde, o velho filme de Stevenson em que tudo começou. Você pode, portanto, comparar as duas versões. A nova tem direção de Angela Robinson, que chegou a ter aulas especiais de automobilismo como preparação para as cenas de Herbie no circuito da Nascar. Uma mulher na direção é uma novidade desse Herbie. Uma atriz fazendo a parceira do fusquinha é outra (no original, era Dean Jones). A história continua ingênua, nada complicada, mas as cenas de humor (e as corridas) são eficientes e os efeitos ficaram mais espetaculares. O próprio Herbie continua despertando a empatia do público. Em 1969, quando Robert Stevenson fez seu filme, consciente ou inconscientemente, não importa, ele não apenas homenageou as velhas comédias pastelão como retomou uma idéia do cinema mudo. Quem vê as comédias silenciosas de Charles Chaplin ou Harold Lloyd percebe que o carro participa delas como um animal doméstico, um objeto de estima. Naquele tempo, o carro ainda não se transformara no bem de consumo massificado que hoje polui o planeta. Stevenson reumanizava o carro e Herbie era, realmente, muito simpático. Nos filmes seguintes, ele combateu um vilão especialmente malvado (Keenan Wynn no segundo filme da série) e participou de corridas em Monte Carlo e no Brasil. Agora, em plena era da comunicação a toda velocidade, Herbie reaparece turbinado - ou fully loaded, para usar um jargão moderninho que o público da internet conhece. O turbinado Herbie não corre mais no circuito de Monte Carlo, mas no outro, muito mais avançado, da Nascar - que representa hoje a competição mais excitante dos EUA. A diretora explica - Herbie sai-se bem na arena da Nascar porque é um completo azarão e quem quer que conheça o circuito sabe que parte do entusiasmo despertado pela Nascar deve-se ao fato de que qualquer um pode sair do pelotão (ou do anonimato...) e vencer. O remake tem pique e visual diferentes da versão antiga e a maquiagem, desta vez, funciona, ao contrário de outro remake de Robert Stevenson - O Fantástico Super-Homem, de 1961, que virou Flubber, com Robin Williams, em 1997 - e era desastroso, para dizer-se o mínimo. O elenco ajuda, especialmente Lindsay Lohan. A garota é a aposta da Disney para o papel da adolescente dos anos 2000. Ela já interpretou o terror Uma Sexta-Feira muito Louca, que também era uma refilmagem, no caso de Um Dia muito Louco, fazendo o papel que foi de Jodie Foster na primeira versão. Por Luiz Carlos Merten 14.7.05
O Fabuloso Destino do Cinema FrancêsO cinema francês vai bem, obrigado. Ou melhor, UM dos cinemas franceses vai bem. Aquele pertencente à vertente comercial do espectro cinematográfico, vulgo cinemão, vem enfrentando os americanos em seu próprio terreno e tem obtido vitórias significantes em termo de mercado. O cinema comercial francês aperfeiçoou as suas armas mercadológicas, aprendeu as lições americanas, e vem retomando o espaço conquistado, atuando de maneira extremamente profissional. O filme é doravante calibrado para ser um produto comercialmente eficiente no mercado de consumo. O resultado é evidente! A França continua apostando em certos gêneros que tradicionalmente sempre afeiçoou. Adaptações de obras literárias, filmes de época, comédias. A novidade está na presença maciça e cada vez maior da tecnologia neste tipo de filme. Sem deixar de lado seus gêneros de predileção, o cinema francês vem incorporando cada vez mais efeitos especiais oriundos da técnica digital, buscando uma dimensão espetacular outrora desprezada, seja por desdém, seja por complexo de inferioridade. O filme mais emblemático desta tendência talvez seja "Vidocq - O Mito", adaptação de uma antiga série de TV, inteiramente rodado em HD (imagem digital de alta definição), estrelando Gérard Depardieu e dirigido por Pitof ("Mulher-Gato"), um dos maiores especialistas de efeitos especiais do momento. Sucesso absoluto, o filme baseia-se na velha receita americana: uma estrela, muita ação e efeitos especiais. O filme compensa uma trama capenga com um visual extremamente trabalhado. Um trabalho de sedução superficial do olhar está em obra neste cinema do impacto visual. Em "O Destino Fabuloso de Amélie Poulain", Jeunet lança mão de todo um arsenal de efeitos para criar momentos oníricos e construir um universo visualmente kitsch, surreal e principalmente sedutor, na mesma linha das personagens dos seu filme, calculadamente esquisitos e doces. A estratégia destes filmes é claramente angariar o maior número de espectadores, misturando muitas vezes o maior número de gêneros para agradar a gregos e troianos. "O Pacto dos Lobos" é isso: um filme de aventuras, de terror, de amor, de kung-fu. Sim, de kung-fu. Como os americanos, os franceses também incorporaram as artes marciais na receita do sucesso. Os personagens mais diversos, oriundos das épocas mais remotas, são experts em artes marciais O modelo americano, baseado no aspecto espetacular da arte cinematográfica, tornou-se uma verdadeira escola. "Os Rios Vermelhos", "Taxi 1 e 2", "Yamakasi", formam uma constelação de filmes seguindo o padrão do cinemão americano (ação, perseguições, explosões), cuja estrela guia a nortear toda uma geração é claramente Luc Besson. Quer se goste ou não do cinema de Besson, é mister reconhecer que o homem descomplexou os profissionais franceses em relação ao cinema de entretenimento, e ao seu desejo recalcado de imitar Hollywood. O único gênero dentro do cinema de entretenimento que parece resistir à tendência tecnicista é a comédia. Nesta área, a França vem retomando com sucesso uma longa tradição de comédias populares. A tendência atual está para a comédia de costumes, retratando de forma caricata personagens oriundos de grupos sociais "marginais": o mundo dos gays, o da jet-set, o dos judeus sefardim. Nenhuma novidade neste lado do front, as mesmas velhas receitas de bolo continuam agradando. Minto. Já ia me esquecendo da série dos "Visiteurs", relatando as aventuras de dois personagens medievais transportados para os nossos tempos graças à mágica dos efeitos digitais, e do" Asterix", verdadeiro almanaque de efeitos especiais, e passarela para o desfile de estrelas do show-bizz. Os filmes digitalmente modificados estão definitivamente em toda parte. Passemos então para um outro continente, bem mais complexo, o do dito cinema de autor. Evitarei aqui a armadilha de tentar delimitar sua fronteira com o cinema dito comercial, e o considerarei de forma o mais abrangente possível. Difícil estimar o sucesso deste tipo de cinema. Existe com certeza um público para o cinema dito de arte, mesmo se a atual tendência de amortecer as produções a curtíssimo prazo, baseada numa hiperdivulgação e na sua estréia no maior número de salas, está prejudicando a carreira destes. O público vem adotando uma atitude de consumo descartável do cinema que dificulta a permanência de um filme em cartaz. Mas está claro que o cinema de arte continua vivo, e muito, com uma produção numerosa. Assim como o cinemão, uma das novidades está no uso crescente da tecnologia digital, porém com objetivos diversos. Seja por razões estéticas, como no último filme de Godard, ou por motivos econômicos. Muitos cineastas vêm encontrando na câmera digital a solução para baratear os custos de produção de um filme. Documentários para a grande tela, porém também filmes de ficção. Muitos estreantes conseguem desta forma realizar o primeiro longa, economizando drasticamente em termos de equipe e de material. Até grandes nomes vêm empregando esta técnica. É o caso de Techiné com o filme "Relações Distantes", inteiramente rodado em digital; o que lhe permitiu dirigir atores desconhecidos num filme low-budget. Outro grande nome é Rohmer que utiliza-se das facilidades da tecnologia digital para ambientar os personagens de "A Inglesa e o Duque" em cenários baseados em pinturas de Paris na época da revolução francesa. Estilisticamente, o que venho notando é uma volta a um classicismo formal. Os herdeiros da nouvelle vague tiraram o tripé do armário, e soltaram o carrinho de travelling. A mise-en-scène é em geral sóbria, discreta, sem invenções ou experiências visuais. Filmes como "Harry Chegou Para Ajudar", O Caso das Irmãs Assassinas", "Como Eu Matei Meu Pai", têm em comum um enquadramento rigoroso, buscando para a câmera o lugar certo, e no seu movimento uma necessidade intrínseca à própria cena. A montagem é clássica, evitando rupturas e descontinuidades a desvendarem o processo fílmico em curso. A tendência é fazer com que o espectador entre no universo apresentado, esquecendo de que se trata de um filme. Sem excluírem-se totalmente desta tendência, alguns poucos tentam experiências estéticas mais radicais. É o caso de Claire Denis, com "Desejo Insaciável" e o seu filme precedente, "Beau Travail", um trabalho em torno do corpo e do seu percurso no espaço, extremamente visual e onírico, onde a narração vai se dissolvendo para dar lugar à construção estética da imagem e do som. Um pequeno passo em direção a um cinema abstrato? Outro a buscar um caminho estético talvez seja François Ozon, como comprova a sua cinematografia cambiante, feita de experimentações diversas das várias formas dramatúrgicas. De uma forma ainda bastante clássica, "Sob a Areia "também busca afrouxar os laços da narração, mesclando realidade e lembranças, sem esclarecer a situação para o espectador. Resta que os mais audaciosos ainda pertencem à geração da Nouvelle Vague. Chris Marker e Jean-Luc Godard seguem experimentando formas e tecnologias. Após produzir quatro deslumbrantes opus em vídeo da sua fascinante História(s) do Cinema, Godard apresenta uma obra complexa, extremamente construída e ao mesmo tempo aparentemente intuitiva, a prolongar suas reflexões sobre a História e o lugar do cinema nela. Melancólico, esteticamente experimental (na mistura de película e vídeo, preto e branco e cor), "Elogio ao Amor" é um filme difícil e que resiste ao espectador, mas que imprime nele delicados momentos de puro cinema. É certamente um momento de perplexidade, para o cinema de arte. Por conta das mudanças na tecnologia e na economia do cinema. O cineasta deixou as questões estéticas em segundo plano, tentando antes de mais nada preservar o seu espaço. Também encontra-se num momento de mudança temática. Os tempos das viagens egóticas parece encerrado, e as críticas puramente sociais parecem estar se esgotando. É característico dos tempos de crise este retorno a valores mais clássicos. Emblemática a busca do pai em vários filmes, assim como a relação ao sexo oposto. Perplexidade e questionamentos que vêm produzindo filmes instigantes e com certeza ainda reservam boas surpresas. Por Carim Azeddine, de Paris 13.7.05
Mitos, Deuses e Monstros"Ter um ouvido perfeito não é a principal prerrogativa para se tornar técnico de som direto. Mas ter jogo de cintura, pique e bom senso é imprescindível"
Bié Gomes, Técnico de Som Há vários motivos para assistir um filme: pelo espetáculo, pelo riso, pela arte...E então há pessoas. Não pessoas que vão assistir aos filmes, mas as do próprio filme! Os personagens conjurados pelo ator que interpreta palavras do escritor, guiadas pelo diretor, através da celulóide do fotográfo, projetado na tela por um feixe de luz. Assim muitos nos convencem à acreditar de fato nessas pessoas tanto quanto nós acreditamos em nós mesmos. Nesse ano, Spoiler vai homenagear essas pessoas: Mitos que fizeram de suas vidas, os nossos sonhos. Deuses que fizeram de seu trabalho, uma lenda. Monstros que fizeram da historia, uma arte... Parte 7: Técnico e Editores de Som, Efeitos Sonoros e Sonoplastia - A Arte de Ouvir...100
Tom Fleischman "O Aviador" (2004) 99 Richard Tyler "Dinheiro do Céu" (1981) 98 Franklin Hansen "Cleópatra" (1934) 97 Dennis Sands "Contato" (1997) 96 D.M. Hemphill "Dick Tracy" (1990) 95 Arthur Rochester "Mestre dos Mares" (2003) 94 A.W. Watkins "Dr. Jivago" (1965) 93 Shawn Murphy "Star Wars: A Ameaça Fantasma" (1999) 92 Richard Anderson "Os Caçadores da Arca Perdida" (1981) 91 Michael Silvers "Os Incríveis" (2004) 90 Michael Semanick "O Senhor dos Aneis" (2001, 2002 & 2003) 89 John Wilkinson "Platoon" (1986) 88 John Reitz "Matrix" (1999) 87 John Cox "Lawrence da Árabia" (1962) 86 Ivan Sharrock "O Último Imperador" (1987) 85 Hammond Peek "O Senhor dos Aneis" (2001, 2002 & 2003) 84 David Parker "O Paciente Inglês" (1996) 83 Bill Benton "Indenpendence Day" (1996) 82 Tom Scott "Os Eleitos" (1983) 81 Russell Williams II "Dança com Lobos" (1990) 80 David Lee "Chicago" (2002) 79 David Hildyard "Cabaret" (1972) 78 Theodore Soderberg "O Destino de Poseidon" (1972) 77 Michael Herbick "Perigo Real e Imediato" (1994) 76 Daniel Bloomberg "Brasil" (1944) 75 Stephen Flick "Poltergeist" (1982) 74 Roy Charman "Superman" (1978) 73 Ronald Pierce "Terremoto" (1974) 72 Murray Spivack "Tora! Tora! Tora!" (1970) 71 Elliot Tyson "Tempo de Glória" (1989) 70 Douglas Williams "Patton - Rebelde ou Herói?" (1970) 69 Don Bassman "Patton - Rebelde ou Herói?" (1970) 68 Carl Faulkner "O Rei e Eu" (1956) 67 Walter Murch "O Paciente Inglês" (1996) 66 Ronald Judkins "Jurassic Park" (1993) 65 Chris Jenkins "O Último dos Moicanos" (1992) 64 William Kaplan "Naufrágo" (2001) 63 Robert Glass "Nasce uma Estrela" (1976) 62 Keith Wester "A Rocha" (1996) 61 Greg Russell "Armaggedon" (1998) 60 Elmer Raguse "Topper" (1937) 59 William McCaughey "Rock, O Lutador" (1976) 58 Vern Poore "Bird" (1988) 57 James Corcoran "Cleópatra" (1963) 56 Gordon McCallum "Um Violinista no Telhado" (1971) 55 David Campbell "Matrix" (1999) 54 Bruce Stambler "A Sombra e a Escuridão" (1996) 53 Stephen Dunn "Os Sinos de Santa Maria" (1943) 52 Bill Varney "Duna" (1984) 51 David MacMillan "Apollo 13" (1995) 50 Waldon Watson "Positivamente Millie" (1967) 49 Michael Kohut "2010" (1984) 48 Gene Catamessa "Encontros Imediatos de Terceiro Grau" (1977) 47 Arthur Piantodosi "Totsie" (1982) 46 Anna Behlmer "L.A Confidence" (1997) 45 Willie Burton "A Espera de Um Milagre" (1999) 44 Leslie Carey "Música e Lágrimas" (1954) 43 Lee Orloff "Piratas do Caribe: A Maldição do Peróla Negra" (2003) 42 Jack Whitney "Divina Dama" (1941) 41 Don MacDougall "Star Wars" (1977) 40 Simon Kaye "Platoon" (1986) 39 Roger Heman "Tubarão" (1975) 38 Charles Campbell "Uma Cilada Para Rogger Rabbit" (1988) 37 Jack Solomon "Alô, Dolly!" (1969) 36 Mark Berger "Apocalipse Now" (1979) 35 John Aalberg "O Corcunda de NotreDame" (1939) 34 Bernard Brown "Noite de Pecado" (1939) 33 Tom Johnson "Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final" (1991) 32 George Watters II "Caçada ao Outubro Vermelho" (1990) 31 Bob Beemer "Independence Day" (1996) 30 Scott Millan "Ray" (2004) 29 Rick Kline "U-571: A Batalha do Atlântico" (2000) 28 E.H. Hansen "A Canção de Bernadette" (1943) 27 Aaron Rochin "Robocop" (1987) 26 Dick Alexander "Todos os Homens do Presidente" (1976) 25 Steve Maslow "Caçadores da Arca Perdida" (1981) 24 Richard Hymns "Indiana Jones e a Última Cruzada" (1989) 23 Franklin Milton "Ben-Hur" (1959) 22 Christopher Boyes "O Senhor dos Aneis" (2001, 2002 & 2003) 21 Robert Kundson "Cabaret" (1972) 20 Michael Minkler "Falcão Negro em Perigo" (2001) 19 Gregg Landaker "Velocidade Máxima" (1994) 18 Chris Newman "Amadeus" (1984) 17 Gary Summers "Jurassic Park" (1993) 16 Loren Ryder "Guerra dos Mundos" (1953) 15 Richard Portman "O Franco-Atirador" (1978) 14 Andy Nelson "A Lista de Schindler" (1993) 13 George Groves "My Fair Lady" (1964) 12 Benjamin Burtt Jr. "ET - O Extraterrestre" (1982) 11 Donald Mitchell "Tempo de Glória" (1989) 10 Thomas Moulton "O Furacão" (1937) 9 Randy Thom "Os Incríveis" (2004) 8 Les Fresholtz "Os Imperdoáveis" (1992) 7 Fred Hynes "A Noviça Rebelde" (1965) 6 Gordon Sawyer "Amor, Sublime Amor" (1961) 5 Kevin O'Connell "Top Gun" (1986) 4 John Livadary "À Um Passo da Eternidade" (1953) 3 Nathan Levinson "O Cantor de Jazz" (1927) Primeiro filme falado e cantando da história do cinema 2 Douglas Shearer "O Grande Caruso" (1951) 1 Gary Rydstrom "Titanic" (1997) & "O Resgate do Soldado Ryan" (1998) 12.7.05
Para onde foram todos os loucos por cinema?Este verão poderá ficar conhecido como aquele no qual os loucos por cinema rejeitaram as salas de projeção. Embora ir ao cinema continue sendo uma diversão popular, as quedas persistentes nas bilheterias neste ano indicam que um número cada vez maior de fãs prefere ver os filmes mais tarde em suas casas do que se juntar às massas nos multiplex. Com os caros sucessos do cinema caindo rapidamente em termos de números de bilheteria, as vendas de ingressos, medidas continuamente por períodos de um ano, sofreram reduções por 17 semanas seguidas, na maior curva de queda desde 1985. As vendas iniciais de ingressos neste verão - tradicionalmente a maior temporada - diminuíram cerca de 8% desde 2004, segundo a empresa Nielsen EDI. Muitos motivos para isso são citados. Filmes medíocres. Ingressos caros nas salas de exibição que são muito barulhentas e cobram um preço alto pelas guloseimas. Filmes que podem ser encontrados em DVD em um prazo de quatro meses, em uma tentativa por parte dos estúdios de compensar as perdas da pirataria de vídeo. Aumento das vendas de sistemas de entretenimento doméstico que têm a mesma qualidade das telas de cinema. Os jogos de computador. A Internet. O fato é o seguinte: 48% dos adultos dizem que estão indo aos cinemas com menos freqüência do que o faziam em 2000, segundo uma pesquisa USA TODAY/CNN/Gallup realizada com 1.006 indivíduos. O anúncio feito na última terça-feira da fusão entre a AMC Entertainment e a Loews Cineplex - duas das maiores operadoras de cinema dos Estados Unidos - evidencia a tentativa do setor de aumentar os lucros em uma era de declínio de audiência e de concorrência de outras fontes de entretenimento. Na última quarta-feira, as ações da Movie Gallery, a segunda maior rede nacional de vídeo-locadoras, caíram 15% após a empresa ter afirmado que a série de filmes "inexpressivos" prejudicaria as futuras vendas. Não está claro se a atual curva descendente é apenas o início de uma queda permanente da audiência nos cinemas. Alguns analistas do setor dizem que ainda não dá para dizer que as salas de projeção estão com os dias contados. 33%
Dos adultos dizem que o principal motivo para não irem aos cinemas com mais freqüência é o fato de preferirem ver filmes em casa! "É uma questão legítima, mas é cedo demais para se prever um cenário apocalíptico", afirma Peter Bart, editor da revista da indústria de entretenimento "Variety". "Certas conclusões apocalípticas são prematuras". Dick Westerling, diretor de marketing da rede de cinemas Regal Entertainment Group, diz que os problemas enfrentados pela indústria são temporários. "Os produtos e a audiência podem variar significativamente em qualquer espaço de tempo", afirma. "Nós não antecipamos mudanças de longo termo na audiência às salas de exibição". Alguns dizem que cinemas mais confortáveis e filmes de qualidade são condições fundamentais para que as pessoas voltem a freqüentar os cinemas. "É mais divertido assistir a um filme divertido em uma sala cheia de pessoas que dão gargalhadas do que vê-lo em casa. Se lhes for proporcionada a experiência física correta, as pessoas deixarão as suas casas e desfrutarão dos filmes nos cinemas", diz Art Levitt, diretor da empresa de vendas de ingressos online Fandango.com. Mas com lançamentos de verão aclamados pela crítica como "Cinderella Man" e "Cruzada" deixando de atrair a atenção do público, outros se perguntam se a experiência de ir ao cinema - especialmente com os DVDs sendo lançados poucos meses após a estréia nas telas - perdeu o seu encanto. 24%
Afirmam que ficou mais caro ir aos cinemas! Os filmes estão perdendo as audiências mais rapidamente do que nunca. A Nielsen EDI diz que a típica queda de bilheteria de segunda semana - que indica se o filme está gerando bons comentários entre a população após a semana de abertura - foi de 46% neste ano, contra 39% em 2000. "Sr. & Sra. Smith", por exemplo, estreou muito bem, com vendas de ingressos no valor de US$ 50,3 milhões, caindo para US$ 26 milhões na segunda semana. "Os cinemas (como entretenimento) perderam o seu caráter único", diz Peter Guber, diretor-executivo da Mandalay Pictures. "Além do mais, as pessoas que tem de 12 a 25 anos de idade, que são as que mais compram ingressos, parecem estar perdendo o interesse nos lançamentos, afirma. "Hollywood se focalizou nesse mercado porque ele é o mais quente. Mas os jovens de hoje praticam diversões múltiplas", afirma Guber. Mas os loucos por cinema mais maduros também podem estar alterando os seus hábitos. Joyce Davis é um exemplo desse tipo de público. Em quase todos os finais de semana, desde 1981, Davis e o marido passam as noites de sexta-feira em uma sala multiplex. "Adoro ir ao cinema", afirma Davis, 53, uma assistente administrativa de Vancouver, no Estado de Washington. "Até mesmo quando o filme é ruim". Davis se acostumou aos rituais incômodos: aguardar nas filas para a compra de ingressos, e assistir aos incontáveis comerciais e trailers que precedem a atração principal. E tentava ignorar os telefones celulares, pagers e assistentes pessoais digitais. Mas foi um homem que se recusou a parar de falar que pôs um fim à tradição de um quarto de século dos Davis. "Ficamos furiosos. Pedimos para ele se calar, mas o homem se mostrou realmente hostil. Ele disse algo a respeito de sairmos para uma briga no estacionamento". E eles saíram - não para um confronto, mas para pegar o carro e partir. "Agora, simplesmente compramos DVDs", afirma. 19%
Dizem que os filmes são de baixa qualidade! E muitas outras pessoas fazem o mesmo. Os consumidores gastaram US$ 15,5 bilhões comprando DVDs no ano passado, um aumento de 33% com relação a 2003, diz o Grupo Digital de Entretenimento. E os filmes passaram a sair em DVD cerca de 135 dias após o lançamento nas salas de exibição, ou seja, uma semana antes da média para o lançamento de DVDs em 2004. Isso se deve em parte às tentativas dos estúdios de neutralizar as perdas potenciais resultantes da pirataria. Mas alguns cinemas e estúdios estão tentando fazer com que os Davis e outros loucos por cinema retornem às salas de exibição. Os atrativos incluem amostras visuais de alta tecnologia em terceira dimensão, projeção digital e versões IMAX dos filmes. Nos anos 50, quando a TV fez com que as vendas de ingressos de cinema despencassem, os estúdios lançaram atrativos como os óculos 3-D ou filmes para telas "super-wide screen" (telas muito compridas), como "Ben-Hur", a fim de atrair as pessoas de volta para uma experiência visual que eles não eram capazes de obter em suas casas. E os cinemas 3-D estão de volta. Robert Rodriguez, que lançou "The Adventures of Sharkboy and Largirlin 3-D", diz que o diretor da Dimensions Films, Bob Weinsten, lhe pediu que fizesse um filme infantil que usasse os mesmos óculos azuis e vermelhos utilizados no seu sucesso de 2003, "Spy-Kids 3-D: Game Over", que gerou US$ 111 milhões. Mas nem mesmo a técnica 3-D foi suficiente para atrair multidões para "Sharkboy". O filme só gerou uma receita de US$ 24 milhões em duas semanas. A projeção digital é uma outra tentativa de criar interesse pelos filmes. O diretor de "Titanic", James Cameron, e o criador de "Star Wars", George Lucas, se especializaram em tecnologia 3-D mais sofisticada, que utiliza lentes incolores polarizadas para filtrar as imagens, criando visuais de tirar o fôlego. 71%
Querem ingressos mais baratos e concessões! Mesmo assim, a projeção digital provavelmente demorará muitos anos para estar disponível em rede nacional. Somente cerca de 100 das quase 37 mil telas nos Estados Unidos contam com projetores digitais, e uma mudança geral de equipamentos é uma evolução bastante cara. Projetar filmes em telas IMAX é uma outra forma de os estúdios tentarem trazer o público para os cinemas. No Natal passado, a história da Warner Brothers, "O Expresso Polar", gerou US$ 45 milhões em apenas 83 telas IMAX de oito andares, quase 25% da arrecadação doméstica da empresa, que é de US$ 163 milhões. Existem cerca de 250 telas IMAX nos Estados Unidos. Há cerca de 50 mais planejadas para o ano que vem. "Ao contrário da maior parte dos home-theaters, montar um IMAX custa um milhão e meio de dólares", explica Richard Gelfond, vice-presidente da IMAX Corporation. "A menos que o seu círculo social inclua Bill Gates, o IMAX dá ao público um bom motivo para sair de casa". Fazem com que os filmes sejam mais atraentes é uma coisa. Tornar a experiência de freqüentar o cinema mais agradável é algo mais complicado. Os assentos arrumados em estrutura de estádio, que melhora a visão, está se tornando um padrão. Outros cinemas estão optando por ambientes que servem bebidas alcoólicas para freqüentadores com mais de 21 anos. 48%
Pedem melhor controle do comportamento da audiência! Mas quando se trata do comportamento incivilizado que os Davis presenciaram, o que pode ser feito? A resposta pode ser encontrada em cinemas como o conjunto Multiplex de 15 salas Pacific Theatre, na Sunset Boulevard, em Los Angeles. Ele oferece assentos reservados, não há propagandas, e um funcionário apresenta ao vivo os filmes e manda os presentes desligarem os celulares. Mas há um preço pelo cinema civilizado: os ingressos nos dias de semana custam US$ 11 (US$ 14 nas sextas e sábados). O preço médio do ingresso para os cinemas comuns nos Estados Unidos é US$ 6,21, segundo a Associação Nacional de Proprietários de Cinemas. Mas os fregueses parecem dispostos a pagar o preço, diz o presidente da Pacific Theaters, Chris Foreman. Foreman também atribuiu o comportamento civilizado da audiência à política de banimento das propagandas. Outros cinemas também estão seguindo uma rota mais sofisticada. John Fithian, presidente da Associação Nacional de Proprietários de Cinemas, diz que os fregueses terão que se acostumar a pagar por tais serviços. Por exemplo, a Muvico Theaters, na Flórida, em Maryland e no Tennessee, conta com restaurantes, serviços de babá e camarotes. Ingressos para serviços "de luxo" custam US$ 18, mas incluem pipoca, motorista para estacionar o carro e assentos reservados. Por US$ 8 dólares é possível deixar o filho em uma sala de diversões com babá. 70%
Querem filmes melhores! "O serviço de babá é legal, mas tudo se baseia naquilo que as pessoas desejam assistir", diz Levitt. "A pergunta é: elas vão sair de casa para ver o filme?". A diretora de documentários Penelope Spheeris concorda: "Ao fim do dia, a questão diz respeito à qualidade dos filmes", diz Spheeris, que dirigiu o sucesso de bilheteria de 1992 "Wayne's World", mas que logo saiu do circuito de filmes convencionais. "Os efeitos especiais ocuparam o espaço da substância da história". Guber diz que as pessoas não pararam de assistir aos filmes. "O que ocorre é que elas nem sempre os assistem nos cinemas. Mais gente está assistindo a mais filmes. Só que não se trata mais de um único mercado, mas de vários". Fonte: USA Today, CNN, Gallup Associated Press e America Online News Por Anthony Breznican e Gary Strauss - USA Today 11.7.05
Walter Salles renega seu primeiro filme inglês O primeiro filme de Walter Salles feito em Hollwyood chegou às telas dos Estados Unidos nesta sexta-feira. Nova York já tinha assistido a uma pré-estréia. Os atores deram entrevistas para toda a imprensa. O diretor brasileiro recebeu elogios do elenco e, para completar, está tão valorizado que o presidente da distribuidora Buena Vista, Chuck Viane, decidiu antecipar o lançamento de "Dark Water" para disputar o primeiro lugar na bilheteria americana. Mesmo que o fim de semana tinha o aguardado "Quarteto fantástico", baseado na história dos super-heróis...
E o que Walter Salles acha disso tudo? Por enquanto o diretor brasileiro, que ficou famoso na América do Norte com "Central do Brasil" e "Diários de motocicleta", prefere não falar sobre seu novo filme. Não participou da coletiva para imprensa mês passado em Nova York. Não foi à pré-estréia ao lado dos atores Jennifer Connelly e Tim Roth. E enquanto sua produtora e distribuidora aguarda ansiosamente pelo lançamento de "Dark water", Salles - segundo a agências de notícias EFE - prestigiou o pequeno Festival Internacional de Karlovy Vary, na República Checa. Já outra fontes ligadas à Buena Vista garantem que o diretor está rodando seu novo filme com Daniela Thomas na Europa ("Paris, je t'aime"), por isso não pôde participar das coletiva e pré-estréia de "Dark water" nos EUA. No entanto, fontes seguras confirmam que Walter Salles não estaria contente com seu primeiro filme em língua inglesa. Ele não teria concordado com a montagem e os cortes finais de "Dark water" impostos pela major Disney, a verdadeira dona do filme. Walter Salles foi contratado pela Buena Vista Pictures e pela Disney para dirigir o longa baseado no livro de Koji Suziki, cuja história rendeu filmes inclusive nos EUA, intitulados "O Chamado". Ou seja, era um diretor de "aluguel" fazendo um remake de um filme japonês sob encomenda. Ao seu lado alguns amigos trabalharam com ele, como o roteirista Rafael Yglesias (de "A Morte e a Donzela"), o diretor de fotografia Alfonso Beato ("Tudo Sobre Minha Mãe") e o editor brasileiro Daniel Rezende (indicado ao Oscar de melhor montagem por "Cidade de Deus"). "Dark Water" estava programado para ser lançado no lotado fim de semana de 12 de agosto, mas a Buena Vista acabou demonstrando um alto grau de confiança no filme ao coloca-lo contra o esperadíssimo "Quarteto fantástico". Em comunicado oficial, o presidente da Buena Vista explicou: "Depois de ver uma recente edição de 'Dark water', estamos completamente empolgados com este filme incrível e poderoso. Sentimos que ele possui um tremendo apelo e todo o potencial para tornar-se um dos grandes filmes deste verão". Chuck Viane disse, ainda, que o lançamento em julho pareceu o ideal para alcançarem o maior público possível: "Este filme oferece uma opção diferente da concorrência, e Jennifer Connelly atua terrivelmente bem. O filme possui um roteiro inteligente e envolvente, uma grande direção e atuações que o diferenciam da maioria dos filmes deste gênero. O público deste verão, jovem e adulto, vai adorar 'Dark water' e 8 de julho é a data perfeita". Jennifer Connely diz que fez "Dark Water" para trabalhar com Walter Salles"Dark Water", previsto para estrear no Brasil dia 5 de agosto, é um thriller psicológico sobre uma mãe que vai ao extremo para resolver um mistério e proteger a filha. Na história, Dahlia Williams (Jennifer Connely) está começando uma vida nova. Recentemente separada, com um novo emprego e um novo apartamento, ela está determinada a deixar sua relação com o ex-marido para trás e dedicar-se a criar a filha, Ceci. Estranhamente, a casa que ela escolheu parece tomar vida própria, produzindo barulhos, vazamento de água escura (daí o nome do filme) e outras coisas que vão aterrorizar as duas. Jennifer Connelly contou em entrevista ao site "Coming soon" que grande parte de sua participação no projeto se deu por conta de que queria trabalhar ao lado do diretor brasileiro. "Salles é realmente um diretor elegante, na minha avaliação", comentou a vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por "Mente brilhante". "Ele é um grande talento. Entende tanto de cinema, mas sente-se como um amador no melhor dos sentidos. Ele não não se cansa de aprender. Ainda se sente muito apaixonado pelo que faz. É delicado, mas não é preciosista como diretor. Não é sentimental. Possui um toque realmente delicado, acho. Confiei nele tanto. Já esperava isso, pelo que vi nos filmes dele antes, mas na fase de ensaio e depois na primeira semana de filmagem, conclui que estava certa." A atriz disse, ainda, que esteve em "boas mãos" todo o tempo. "Fazíamos uma cena e depois a olhávamos juntos no monitor. Eu via as tomadas e depois tinha um retorno dele. Me senti realmente segura. Senti que eu faria qualquer coisa que ele sugerisse, basicamente, pois eu sabia que estava em boas mãos." Próximo filme de Salles é sobre a cidade de ParisJá as poucas críticas divulgadas até agora não tecem tantos elogios ao diretor brasileiro. A primeira delas veio do site americano "Ain't it cool News" que descreveu "Dark water" como decepcionante. O texto diz que Salles, craque em dramas, não se sai bem nos cânones do suspense, não criando tensão ou mesmo o clima adequado. "É o tipo de filme que Polanski teria feito maravilhosamente nos anos 60, usando truques visuais perversos e um clima surreal de ameaça que nos jogue dentro da turbulenta instabilidade psicológica da protagonista. Infelizmente, "Dark water" é aborrecido." Em entrevistas a alguns jornais do exterior, Walter Salles explicou o que o levou a fazer um filme de terror para a Disney. "Filmes de terror ajudam a explicar um estado de abandono e medo urbano. Sou fascinado pela história do medo como ferramenta política. Ao longo de eras, o temor tem sido usado como instrumento de controle", contou ele. Sempre perguntado e comparado a outros diretores latino-americanos que têm feito carreira em Hollywood, como Alfonso Cuarón e Alejandro Gonzalez Iñarritú, Salles acredita que nosso enorme continente sempre terá histórias para contar. "Através de Hollywood, de repente temos a chance de alcançar um público maior. Quando você é um diretor latino-americano, pode ficar curioso e fazer uma tentativa. Mas sempre estando certo de ter uma passagem de volta." No caso, a passagem de volta de Salles ao Brasil ainda vai demorar um pouco. Ele será um dos diretores participantes do longa "Paris, je t'aime". Serão 20 histórias de amor passados na Cidade-Luz, cada uma dirigida por um cineasta diferente (no caso, Walter roda ao lado da diretora Daniela Thomas, com quem fez o filme "O Primeiro Dia"). Os dois serão responsáveis pelo 20º curta da produção, que terá no elenco Gabriel García Bernal (o Ernesto "Che" Guevara de "Diários de Motocicleta") e Eva Green (de "Os Sonhadores", de Bernardo Bertolucci). Entre os diretores incluídos no projeto estão os irmãos Ethan e Joel Coen, Olivier Assayas, Alfonso Cuáron, Jean-Luc Godard, Agnès Jaoui, Alexander Payne e Gus Van Sant, entre outros. Por Bianca Kleinpaul - Globo Online 10.7.05
A Turma do EscurinhoNão é só de colar cenas de filmes que consiste o trabalho do montador. Além de selecionar o material e integrá-lo, é dele a responsabilidade pelo ritmo e pela coerência da narrativa. Para quem é leigo em cinema e vídeo, a montagem "ou edição" pode passar despercebida. E quanto mais bem feita, mais despercebida passa. Ao contrário da fotografia, em que o trabalho do fotógrafo pode ser avaliado independente da qualidade do filme, a montagem está intrinsecamente ligada ao resultado final do filme. O trabalho do montador não consiste apenas em unir as cenas filmadas, encaixando-as uma depois da outra. É o montador quem dá toda a coerência à narrativa. "O montador faz com que o filme tenha a melhor cara que pode ter", afirma Estevan Santos, que assinou recentemente a montagem do longa "Nina" e agora trabalha com Hector Babenco no seriado Carandiru, que a Globo deve exibir no segundo semestre.
"O montador dá o ritmo do filme, em um trabalho que está diretamente ligado à harmonia que ele tem com o diretor", acredita a montadora Verônica Kovensky. O trabalho começa com a leitura do roteiro. E, com a atual restrição orçamentária da maioria dos projetos, a participação do montador começa mais cedo, com algumas decisões tomadas antes da filmagem. De qualquer forma, o montador se mantém à distância durante a filmagem ¿ o que é uma vantagem, na opinião de Verônica. "Nosso trabalho acaba sendo mais objetivo, porque temos que trabalhar com o material que está ali." "A montagem é a organização do material filmado e captado, feita de acordo com o roteiro", resume Vânia Debs, montadora e professora de montagem do curso de Audiovisual da Escola de Comunicações e Artes da USP. "Mas nem sempre é possível seguir o roteiro à risca, porque às vezes o roteiro não é filmado na íntegra ou as cenas não montam como se imaginava. Então temos que dar outra solução." A montagem também é responsável pelo primeiro desenho do som do filme, que depois será aprimorado pela edição de som. "Para se dedicar com profissionalismo é preciso ter muita paciência, ser atento às minúcias e ter obstinação. E gostar de trabalhar sozinho, porque o montador nunca está no set, em geral ele está sozinho. Somos da tribo do escurinho do cinema", brinca Vânia. "Não dá para ser indeciso, porque o trabalho consiste em cortar o material. Montar significa decidir, o tempo todo", completa Verônica. Como não existem cursos específicos, a formação dos montadores é variada. Todos concordam que uma formação acadêmica é importante. Verônica acredita que uma formação humanística geral é mais importante do que um curso de cinema. "A formação do montador não precisa necessariamente estar ligada ao cinema. Na verdade, o importante é ter uma boa formação humana, em comunicação ou qualquer outra área. Fiz jornalismo, o que ajuda na hora de cortar o texto, principalmente em documentários. A formação humana é que vai dar os elementos e critérios humanos e artísticos para dar o corte. E como a pessoa sempre tem de passar pela assistência de montagem antes, a parte técnica pode ser aprendida na prática, assistindo filmes clássicos e lendo. As referências para saber contar uma história com começo, meio e fim vêm da literatura. A música também é importante, porque ajuda a dar a noção de ritmo", diz. Para Vânia, "a faculdade de cinema é uma oportunidade de desenvolver habilidades, exercitando ao lado de outras disciplinas sob a supervisão de profissionais, e assim aprender as regras e os códigos. Também faz com que a pessoa encontre seus pares, o que abre caminhos. É mais fácil entrar no mercado do que ter de bater na porta. Em geral, os montadores procuram assistentes na faculdade e esta é a melhor maneira de começar". Estevan cursou arquitetura e, depois, decidiu entrar em cinema. "A arquitetura trabalha com o espaço, enquanto a montagem trabalha com o tempo. São linguagens diferentes. Então achei que seria bom fazer cinema para estar mais preparado e mais próximo do mercado", afirma. "Li num site norte-americano que o montador precisa ter três tipos de conhecimento: primeiro, conhecer o meio em que vai trabalhar, seja ele a moviola ou um equipamento digital; depois, a linguagem audiovisual, ou seja, o léxico do cinema; e em terceiro, ter o domínio das questões políticas, antropológicas, psicológicas que podem surgir." Processo artesanalAntes dos equipamentos digitais, a montagem de cinema era feita na moviola, que permitia visualizar as cenas em uma pequena tela e definir os pontos de corte, feito manualmente e as cenas eram coladas com durex. Esse material ¿ o copião ¿ era uma cópia positiva do negativo e servia como referência para a colagem final do negativo, que só é cortado no final, depois que todos os cortes estão definidos. Com a chegada dos equipamentos não-lineares, o material bruto passou a ser digitalizado depois de uma pré-seleção do montador. Primeiro, todo o negativo é telecinado e passado para vídeo. O material é então assistido e parte dele é transferida para o computador. Na máquina o montador define os pontos de corte eletronicamente, o que resulta em um vídeo que serve apenas como referência. A máquina gera uma lista de pontos de corte, conhecida como EDL, que vai orientar a montagem do negativo. Isso quando falamos em cinema, pois no caso da edição de vídeo o vídeo de referência já pode ser o produto final, dependendo da resolução que a máquina suporta. Em função dessas mudanças, o montador atualmente também precisa conhecer a parte técnica. Antes, as moviolas ¿ máquinas enormes, cheias de engrenagens ¿ ocupavam salas inteiras e eram alugadas para o trabalho. Hoje, muitos montadores e editores já possuem seus próprios equipamentos, que consistem de um computador e um player de vídeo, a máquina que faz a interface entre a fita de vídeo gerada pela telecinagem e o software de edição. "Com os equipamentos digitais, o acesso ao material é muito mais rápido, existe mais possibilidade de testes. O único problema das novas tecnologias é o fascínio que elas exercem no começo. Por isso insisto muito com meus alunos: todo efeito tem de ter um sentido. O efeito só vale se contribuir para o enriquecimento do discurso", explica Vânia. "Apesar de já ter aprendido nos equipamentos eletrônicos, trabalhei com o Humberto Martins, que me ensinou a disciplina da moviola. Na moviola não tem undo, então é preciso conhecer bem o material na seleção, antes do corte físico. E isso é o que diferencia a atenção. Tento aproveitar ao máximo o tempo de seleção, antes de ir para a integração", conta Estevan. Por Lizandra de Almeira - Tela Viva 8.7.05
"Quarteto Fantástico" chega com incertezasFilme de ação que leva personagens clássicos de Stan Lee e Jack Kirby às telas enfrenta má temporada hollywoodiana Depois de mais de 40 anos, uma das primeiras "famílias" de super-heróis das HQs chega às telas de cinema em "Quarteto Fantástico", com todas as imperfeições de seus relacionamentos e a busca da perfeição nos efeitos especiais. Criado há 44 anos por Stan Lee e Jack Kirby, o Quarteto Fantástico é sempre comparado a uma família quase problemática. Para enfrentar o inimigo, Senhor Fantástico (Ioan Gruffudd), Garota Invisível (Jessica Alba), Tocha Humana (Chris Evans) e O Coisa (Michael Chiklis) precisam antes sempre resolver seus próprios problemas: brigam entre si, fazem piadas e são emocionalmente mal resolvidos.
O grupo surge após fracassado experimento no espaço, quando o cientista Reed Richards (Senhor Fantástico), a ex-namorada Sue Storm (Garota Invisível), o irmão dela e piloto Johny Storm (Tocha Humana) e o astronauta Ben Grimm (O Coisa) são atingidos por uma tempestade cósmica. De volta à Terra, alterações no DNA da tripulação provocam efeitos diferentes em cada um -eles têm de aprender a lidar com as novas habilidades. O bilionário que financiara a expedição, Victor von Doom, ex-colega de Richards e agora namorado de Sue Storm, também é afetado. Os efeitos especiais exigiram inovações dos técnicos e muita, muita paciência dos atores. "Coloque assim, precisou de muita cola", descreve o ator Michael Chiklis, que passava três horas e meia por dia para transformar o astronauta Ben em O Coisa. "Foi uma das experiências mais desconfortáveis da minha carreira." Até o Senhor Fantástico precisou de uma ajuda. Ioan Gruffudd usou uma espécie de colã que aumentava seus músculos. "Fisicamente estou razoável, mas me deram essa roupa de músculos", diz. No caso da Garota Invisível, a mudança só é visível no decote -um desses "sutiãs-maravilha". Os atores precisaram usar a imaginação. Gruffudd conta que tinha de imaginar sua mão se esticando a até três metros de distância, com o olhar onde ela deveria estar, e não onde de fato estava. Os atores principais já assinaram contratos para Quarteto Fantástico 2 e 3, mas os filmes só devem sair se a bilheteria ajudar. Só que o atual verão americano, quando são lançadas as maiores apostas de Hollywood, tem sido cruel com os estúdios. Os ganhos com ingressos nos cinemas dos EUA estão 7% menores que os de 2004, e a expectativa é a de que não se recuperem. O diretor Tim Story (de "Táxi") é o único que não assinou contrato para uma seqüência, mas disse que pode vir a dirigir novos filmes da série. "O que eu queria era me divertir." Já os atores queriam mesmo é cavar espaço para papéis melhores no cinema. "Não é um filme perfeito [do ponto de vista da carreira], mas é necessário, vamos encarar isso", respondeu Evans/Tocha, na entrevista da qual Spoiler participou. Adaptação de HQ alterna explosões e questões familiaresQuando Stan Lee e Jack Kirby inventaram o Quarteto Fantástico, em 1961, super-heróis e "supergrupos" não eram novidades nas histórias em quadrinhos norte-americanas. Já existiam os voadores, os superfortes, as mulheres com superpoderes etc. Lee contou, em diversas entrevistas, que a grande inovação dele e de seu parceiro foi que eles criaram não um "supergrupo", mas uma família de super-heróis. E assim nasceu o Quarteto Fantástico: um casal de namorados, o irmão da moça e melhor amigo do rapaz, todos com superpoderes. As reviravoltas dos mais de 40 anos de histórias não caberiam nos 105 minutos do longa-metragem do diretor Tim Story, que estréia hoje. Ele conta o primeiro capítulo: quem são esses quatro e o que fizeram para receber o nome de Quarteto Fantástico. Assim, são apresentados Reed Richards (interpretado por Ioan Gruffudd) e Ben Grimm (Michael Chiklis), que querem realizar uma expedição científica a uma estação espacial. E eles partem, acompanhados de Sue Storm (Jessica Alba), ex-namorada de Reed; Johnny Storm (Chris Evans), irmão de Sue; e Victor von Doom (Julian McMahon), o milionário que patrocina a viagem. Algo dá errado, e os viajantes retornam modificados. É aí que começa a parte principal do filme: como os cinco lidam com os resultados destas alterações, que podem ser dons ou maldições. Reed (o Senhor Fantástico) passa a esticar seu corpo como se fosse de borracha; Sue (a Garota Invisível) pode criar um campo de força e, como o nome diz, ficar invisível; Johnny (o Tocha Humana) consegue inflamar-se; e Ben (O Coisa) vira um ser superforte que parece um monstro de pedra. Raramente uma história de super-heróis, nas HQs ou no cinema, prescinde de um vilão. Nesta história, ele será Victor von Doom, dotado de misteriosos poderes. Como na proposta original da dupla Lee e Kirby, o filme mistura super-heróis e laços familiares. Explosões, gente voando e lutas devastadoras alternam-se com discussões entre irmãos, amigos divertindo-se e um casal com problemas. Aqueles que conhecem bem as HQs do Quarteto Fantástico, os chamados fãs "radicais", ficarão chateados com alguns pontos em que falta "fidelidade" aos quadrinhos, como tudo o que está relacionado ao vilão, Von Doom. Outros fãs, entretanto, ficarão felizes com os efeitos especiais, as cenas de ação, a semelhança dos atores com os personagens. Esses deixarão o cinema com uma dúvida na cabeça: quem será o vilão da provável seqüência? O Toupeira? Diablo? Galactus? Não sabe? Quer saber? Então entre em nosso fórum no Orkut e deixe sua opinião! Por Pedro Dias Leite e Pedro Cirne - Folha de São Paulo 7.7.05
Madrugada dos MortosTim Burton recria folclore russo com extravagância em "A Noiva Cadáver" Conhecido por seus filmes com grande influência no horror e humor negro, o diretor Tim Burton assina mais um trabalho de animação stop-motion, a mesma técnica que utilizou no exelente "O Estranho Mundo de Jack, de 1993. Desta vez, trata-se de "Corpse Bride, que no Brasil irá se chamar "A Noiva Cadáver" (é isso mesmo, cadáver) e está sendo produzido por Tim Burton que divide a direção com Mike Johnson.
O filme é baseado em uma história do folclore Russo do século IXX. Em uma época quando o anti-semitismo estava espalhado pela Europa, muitos dos seguidores desses ideais, espalhavam o terror entre os Judeus e nossa Noiva Cadáver, foi vítima desse anti-semitismo. No caminho para o seu casamento, a Noiva é retirada de sua carruagem e assassinada pelos anti-semitas, isso para que a proliferação dos Judeus fosse mais uma vez evitada: "Era uma vez um homem que vivia em uma vila russa e estava preste a se casar. Ele e seu amigo resolveram fazer uma viagem até a vila onde sua noiva morava, que ficava há uns dois dias de distância. Os amigos embarcam na viagem, e resolvem levantar acampamento na margem de um rio. O jovem homem, que iria se casar, encontra um estranho graveto no chão que mais parecia o osso de um dedo. Ele e seu amigo começaram a fazer brincadeiras e piadas com o graveto e o noivo pegou seu anel de casamento e colocou no que parecia ser os restos mortais de um dedo. O jovem começou a dançar em volta do osso, cantando e dançando músicas judias de casamento e recitou todo o sacramento de um casamento enquanto seu amigo morria de rir. Mas toda a alegria acabou de repente. O chão começou a tremer sob seus pés e o osso no chão deu lugar a um buraco de onde saiu uma estranha noiva, uma noiva viva. Ela havia sido uma noiva mas agora estava mais para um esqueleto amontoado com restos de pele, e ainda usava um velho vestido branco. Minhocas e teias de aranha agarraram o noivo e seu amigo. Os dois jovens estavam presos. A noiva então anunciou aos dois amigos que que o jovem noivo havia colocado o anel sem eu dedo, pronunciado os votos de casamento e feito danças cerimoniais, e que agora ela queria os seus direitos como noiva. Ao conseguirem se libertar os dois amigos correram para a vila e foram procurar o rabino atrás de respostas para o que havia acontecido. Agora, a decisão dos rabinos farão dos dois casados ou não." A "Noiva Cadáver" contará com um bom elenco nas vozes de seus personagens principais. Helena Boham-Carter fará a voz da noiva (morta) e Jonny Depp será Victor. O elenco ainda conta com Alberty Finney, Richard E. Grant, Christopher Lee, Joanna Lumley e Emily Watson. Jonny Depp parece combinar mesmo com o estilo de Tim Burton. A "Noiva Cadáver" será o quarto filme em que ambos trabalham juntos. Estes são os ingredientes que irão contar com toda a criatividade e ousadia de Tim Burton, presentes em mais um de seus filmes esquisitões. E por incrível que possa parecer, A "Noiva Cadáver" já tem uma série de brinquedos a serem produzidos e que chegam às lojas com o seu lançamento nos cinemas, em 23 de setembro de 2005. A McFarlane Toys ficará responsável pelos brinquedos inspirados no filme, que vão de bonecos colecionáveis a velas decorativas. O site Ain´t It Cool News, fez recentemente uma visita aos estúdios onde o filme está sendo produzido na Inglaterra, o Vintin Studios com o apoio da Warner Bros. De acordo com o site existem vários personagens mortos espalhados pela história, não foi só a noiva que passou dessa para melhor. Vários dos personagens mortos compunham os backgrounds na recepção do estúdio, e revelaram um lado ainda mais sombrio dessa nova produção de Burton. O site ainda visitou os cenários onde estão sendo filmadas as cenas (confira as imagens). Um filme esquisito? Com certeza! "Noiva Cadáver" promete ser mais um clássico saído diretamente das idéias do extravagante Tim Burton, para fazer o maior sucesso no mundo dos animados. Em corpsebridemovie.warnerbros.com os internautas podem assistir ao trailer, ver fotos e pegar papéis de parede e ícones. Não deixe de conferir também a filmografia de Tim Burton no blog amigo Cinemeira da Olivia Joules! Fonte: Animatoons.com 6.7.05
O Rei das MassasSPOILER mostra os bastidores do longa "Wallace e Gromit", que estréia em outubro no Brasil Dentro de um quarto dentro de um estúdio dentro de um prédio de dois andares distante 190 km de Londres, o preguiçoso Wallace dorme o sono dos justos. Dentro das próximas semanas, ele vai permanecer ali (quase) inerte, esperando que o despertador toque e, subitamente, seja arremessado para a mesa onde religiosamente compartilha o chá da manhã com o seu fiel escudeiro, Gromit.
Estamos no set de filmagem de "Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais", longa-metragem de animação em massinha que a produtora inglesa Aardman, de "A Fuga das Galinhas", vem realizando há quatro anos em seu discreto quartel-general em Bristol. É fevereiro, e o frio lá fora parece ter congelado o relógio aqui dentro. Isolados em seus cenários-miniaturas construídos a pouco mais de um metro do chão, os animadores trabalham um dia inteiro para, com sorte, completarem mais dois segundos de filme. Na praça central de uma vilazinha imaginária ao norte da Inglaterra, os moradores protestam sabe-se lá contra o quê. Teríamos de acompanhar o processo por dias até que, entre uma piscada de pálpebra ali e um movimento de sobrancelhas acolá, pudéssemos finalmente "ouvir" o que dizem as bocas dos furiosos manifestantes. Como essa, existem aqui 32 outras salas em que, quadro a quadro, 260 funcionários do estúdio ajudam a dar vida ao monumental -ainda que ínfimo- universo de "A Batalha dos Vegetais". "Gostamos de dizer que o que está sendo feito aqui é um live-action [filme com atores reais] em miniatura", sugere o relações-públicas do estúdio Arthur Sheriff, hoje responsável por ciceronear Spoiler e outros três jornalistas estrangeiros na visita à produtora. Segurando uma réplica de Morph na mão, é Sheriff quem repassa a história da companhia. "Tudo começou com ele", aponta para o boneco tosco feito de massa de modelar que, em 1976, estreou em um programa infantil da BBC britânica. Como o nome indica, Morph contracenava com o apresentador e, a cada episódio, se transformava em outro animal, objeto ou no que a imaginação dos jovens animadores Peter Lord e David Sproxton ordenasse. Em 1981, já tinha o seu próprio programa na TV e emprestava sua popularidade para que as animações em stop-motion da Aardman -o nome vem de um super-herói de quadrinhos criado por Lord- começassem a ser requisitadas também na publicidade. Entre um comercial e outro, Lord fazia seus curtas e, em 1985, conheceu um universitário de nome Nick Park que lhe apresentou um projeto interessante: eram os primeiros esboços de "Dia de Folga" ("A Grand Day Out"), curta de 23 minutos que seria concluído em 1989, já com Park contratado pela produtora. A primeira história do inventor ingênuo e otimista Wallace, inglês até o último não-fio de cabelo, e do cachorro Gromit, eterna cobaia e contraponto racional ao dono, conquistou os espectadores ingleses no Natal de 1990 e rendeu a ele uma dupla indicação para o Oscar daquele ano. Park perdeu para si mesmo. "Creature Comforts", outro curta em massinha da Aardman, que mostrava animais -demasiado humanos- confessando suas depressões, levou a estatueta. Mas a vingança de Wallace e Gromit veio a galope. Quando os novos "As Calças Erradas" ("The Wrong Trousers", 93) e "Tosa Completa" ("A Close Shave", 95) chegaram aos jurados da Academia, foi Oscar na certa. "Alguns dos primeiros trabalhos internacionais que a gente mostrou foram da Aardman. Além de tecnicamente perfeitos, eles trazem para a animação de massinha, que normalmente é infantilizada, os elementos da animação de cartum", avalia o brasileiro César Coelho, um dos diretores do festival Anima Mundi, que, no passado, já convidou Sproxton e Lord, fundadores da produtora, para participarem de diferentes edições do evento. Para o festival deste ano, que abre em 8 de julho no Rio e vem a São Paulo no dia 20, os organizadores trazem a assistente de animação de "A Batalha dos Vegetais" Sara Barbas. Além de work-shops diários durante o evento, a funcionária da Aardman exibirá em uma palestra para o público os primeiros 20 minutos do longa, que só chega ao Brasil em outubro. Não agüenta esperar por essa "eternidade"? Então imagine só a ansiedade da equipe... Espremido, Nick Park revela detalhes do roteiroTem uma horta, uma onda de ataques de roedores e uma cidade em perigo que precisará dos serviços da mais nova geringonça saída do porão de Wallace e Gromit. Dos cerca de 20 minutos de "Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais" que Spoiler conferiu em fevereiro na Aardman, pouco além disso pôde ser inferido da nova aventura dirigida por Nick Park e Steve Box. Mas, já que a gente estava ali, não custava nada perguntar a quem entende. Spoiler: Como foi promover o salto dos curtas para o longa? Nick Park: Foi um grande passo. É mais trabalhoso e obviamente me senti nervoso [quanto ao resultado final]. Há certas coisas que só funcionam em formato curto e estávamos esperando pela melhor idéia, aquela que pedisse para ser transformada em longa... Spoiler: E qual foi ela? Park: Foi uma idéia que tive com [o roteirista] Bob Baker há sete anos. Estávamos pensando em algo para a BBC e imaginamos o Wallace enfrentando esses coelhos gigantes. Ia se chamar "Wallace & Gromit and the Veggie Burglars" [Wallace e Gromit e os ladrões de vegetais, mas num trocadilho com o hambúrguer vegetariano]. Foi recusado, mas começamos a desenvolver o conceito para um filme de gênero, em que, em vez de lobisomens, carne e sangue, tivéssemos vegetais. Spoiler: O que mudou em Wallace e Gromit desde sua criação? Park: Eles cresceram. Você vê o quanto eles evoluíram quando assiste ao primeiro ["Dia de Folga"]. É como com o primeiro Mickey Mouse, você percebe grandes mudanças de um para outro. Na medida em que as histórias se tornam mais complexas e desafiadoras, eles vão ganhando novas dimensões. Para o longa, queríamos desafiar a amizade entre eles e levamos essa relação para além de tudo o que já tínhamos feito. Spoiler: Por que, em pleno sucesso da animação computadorizada, a Aardman segue fiel à massa? Park: Não tem sido uma escolha. Foi assim que eles surgiram e é assim que gosto de fazê-los. É tátil, é algo que pode ser esculpido com maior controle a cada quadro e muito mais apropriado para expressões humanas. Vejo o pessoal dizendo que o computador é o futuro e fico feliz que a DreamWorks ainda esteja financiando animação à moda antiga. Contanto que seja charmoso e divertido... Spoiler: O que há de tão especial em Wallace e Gromit? Park: Eles são os meus personagens de maior sucesso, que me acompanham desde os anos de faculdade. Eles cresceram comigo. Quando os vejo em capas de revistas e jornais, é como se fosse a minha própria família fazendo sucesso mundo afora. Por Diego Assis 5.7.05
O Demônio das Onze HorasTommy Lee Jones produz e dirige-se em "Os Três Enterros de Melquiades Estrada" Tommy Lee Jones é conhecido por uma variedade de personagens, o conspirador assassino em "JFK" de Oliver Stone, o "Duas Caras" de "Batman Eternamente", o agente do governo impassível de "Homens de Preto".
Ele não costuma ser o herói a cavalo, mas em "The Three Burials of Melquiades Estrada" ("Os Três Enterros de Melquiades Estrada"), o chapéu de caubói lhe cai bem. De fato, três chapéus, pois Jones é o autor, diretor e principal ator do filme. Jones e Guillermo Arriaga (que fez o roteiro de "Amores Brutos" e "21 gramas", de Alejandro Gonzalez Inarritu) criaram uma espécie de faroeste texano-mexicano, com um herói chamado Pete, interpretado por Jones, cujo coração mora do lado mexicano da fronteira. Pete, capataz de uma grande fazenda no oeste de Texas, sempre apreciou a cultura mexicana, desde a comida até o idioma e os amigos e Jones desenvolve o papel com um estilo minimalista - tudo está na forma como anda, monta o cavalo e sorri pouco. É um homem de idéias e poucas palavras. Pouquíssimas, de fato. Jones, que nasceu em San Saba, Texas, e que dividiu seu quarto em Harvard com o ex-vice presidente democrata Al Gore, seu amigo até hoje, fala pouco como seu personagem. Talvez não esteja interessado no circo da mídia. Ele murmura um "Obrigado, senhora", com o olhar longínquo. Ele se anima brevemente, quando fala de Jean-Luc Godard e Akira Kurosawa e depois de uma entrevista de 15 minutos em um restaurante na praia, o que mais gravei foi o som das ondas e o de sua xícara tocando no pires. Felizmente, o filme é acompanhado de um bom informe à imprensa, no qual se lê que é um projeto amado por Jones e que a história foi inspirada no assassinato de um trabalhador mexicano pelos Marines americanos. "Era um menino que cuidava dos cabritos do pai na beira do rio", disse Jones. "Por falta do que fazer e estupidez, três Marines decidiram que eram alvos de contrabandistas de drogas e o mataram. Eles foram levados e liberados. Muitos de nós que moramos naquela parte do país ficamos insultados." O roteiro de Arriaga viaja para frente e para trás no tempo. "Não é uma narrativa linear, e gosto disso", disse Jones. "Trabalho da mesma forma. Acho que ele é um dos melhores roteiristas em atividade; é também um amigo, companheiro de caça." No filme, Melquiades, estrelado por Julio Cedillo, é um imigrante ilegal, trabalhador na fazenda de Pete, que protege os mais jovens. Melquiades diz a Pete onde quer ser enterrado, em sua terra natal, no México, se algo acontecer. Rachel (Melissa Leo), namorada de Pete, está tendo um caso com o xerife. Lou Ann (January Jones) é casada com Mike Norton, policial da fronteira encenado por Barry Pepper, jovem impaciente e novo no emprego, sempre pronto para atirar. Norton mata e enterra Melquiades como se tivesse matado um coiote. É o primeiro enterro de Melquiades. Pete caça Mike e o força a levar o menino para o outro lado do Rio Grande. O trajeto torna-se uma viagem espiritual pelas culturas. "Você lê o que Arriaga escreve e trabalha com o material até ser filmável", disse Jones. Pete é um homem com uma missão. "Não seria um erro dizer que Pete Perkins era meio angelical, mas um desses anjos com uma espada", disse Jones. "Um anjo vingativo?". "Isso". O filme foi parcialmente filmado em uma das propriedades de Jones, nas montanhas Davis, no norte do Estado. "Algumas ocasiões foram difíceis para a equipe de filmagem, devido a distância e a irregularidade do terreno. A coisa mais difícil foi o tempo", disse ele. "Ficava quente e frio, vinham ventanias e depois enchentes. A única palavra para descrever a equipe é heróica." O filme foi produzido por Michael Fitzgerald, com Luc Besson e Pierre-Ange Le Pogam: "Amo esses caras. Nos conhecemos em um barco nas Bahamas. Eu disse: 'Luc, aí está o roteiro.' Ele disse 'Ok. Aí está o dinheiro. Vejo você na estréia.' Depois foi mergulhar". Respondendo a uma sugestão de que o filme, que é bem violento, poderia ser comparado com o "Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia", de Sam Peckinpah, também parcialmente ambientado no México, Jones disse: "Vi esse filme 15 vezes e adoro o trabalho de Peckinpah. Mas eu vi 'O Demônio das Onze Horas' (de Godard) cerca de 20 vezes e 'Sonhos' de Kurosawa 20 vezes. Então, há muitas influências". Segundo Jones, esses diretores foram sua inspiração para as cores do filme. Ele trabalhou com o cinematógrafo Chris Menges. "Eu queria trabalhar com ele por causa de sua habilidade em filmar grandes exteriores e apreciar as cores do mundo com lentes grande angulares, e por causa da inteligência de seus olhos", disse Jones. "Ele quase não fala, mas pode ver, e tem um grande coração." Por Joan Dupont - Le Monde 4.7.05
O dia em que a terra parouNão é um dos melhores filmes de Spielberg, mas vale a pena ir ver De forma discreta, de forma condizente com o desejo do departamento de publicidade da Paramount em relação ao projeto, a Terra está sob ataque de alienígenas. Sei que vocês estão pensando: O quê? De novo?
Houve uma época --por exemplo, em 1938, quando Orson Welles apavorou os Estados Unidos com a sua transmissão pelo rádio de "Guerra dos Mundos"-- na qual o espetáculo pop-cultural da invasão vinda do espaço sideral era capaz de gerar algum alarme verdadeiro. É claro que, como milhares de críticos nessa semana certamente nos lembrarão, os marcianos de Welles eram projeções simbólicas de ameaças reais. Um papel que as criaturas espaciais saqueadoras freqüentemente se dispuseram a assumir alegremente, especialmente durante a Guerra Fria. Mas com "Marte Ataca" (1996), "Homens de Preto" (1997) e até mesmo com "Independence Day" (EUA, 1996) os alienígenas e seus servos nos estúdios passaram a ficar um pouco conscientes de si e menos ambiciosos. Os marcianos se contentaram em ser distrações temporárias dos nossos medos reais em vez de se tornarem cristalizações alegóricas desses medos. "Guerra dos Mundos", a versão relativamente fiel do livro de 1898, de H.G. Wells, que também inspirou Welles, acena no sentido de reverter essa tendência. Os extraterrestres de Spielberg, que baixam furiosamente em Nova Jersey em tripés metálicos disparando raios mortíferos, são (e estou procurando o termo crítico preciso) perversamente assustadores. O terror que eles espalham ao incinerarem prédios e vaporizarem pessoas faz com que seja impossível não nos lembrarmos de cenas mais imediatas e dolorosas. "São os terroristas?", grita Rachel Ferrier (Dakota Fanning), de dez anos, para o seu estressado pai, Ray (Tom Cruise), enquanto os dois fogem de Bayonne em uma minivan roubada. Ele talvez esteja excessivamente preocupado para dar a resposta correta, que é: "Bem, de certa forma, querida. De uma forma metafórica, é isso mesmo" (a voz da narração feita por Morgan Freeman, quase que idêntica ao texto do livro de Wells, ajuda a sublinhar essa passagem). É tentador (e não chega a ser inapropriado) ver "Guerra dos Mundos" e o filme de Spielberg do verão passado "O Terminal", como as respostas antifonais do diretor aos ataques do 11 de setembro. "O Terminal" é um filme tranqüilizador e utópico pós 11 de setembro, que propõe decência, solidariedade e bom humor como antídotos para o medo e a ansiedade. Já "Guerra dos Mundos" é nervosamente apocalíptico, proporcionando alívios ocasionais, mas não muito consolo. Ele é, em outras palavras, um filme de terror. E um filme de terror que, na maior parte do tempo, insiste de forma demasiadamente pesada na sua própria especificidade. Dessa forma, ele conduz Spielberg de volta aos seus primeiros dias como criador de filmes de suspense enxutos, sadistas e efetivos. Embora os efeitos especiais sejam elaborados e caros, "Guerra dos Mundos" possui parte da ingenuidade nua de "Tubarão" e de "Encurralado". Assim como estes filmes, "Guerra dos Mundos" é uma história básica de predador e presa. Ao contrário dos filmes mais recentes de Spielberg, nos quais ele utilizou as suas habilidades sem paralelo como narrador visual para criar uma tapeçaria complexa de emoções, este trabalho segue o roteiro de um único reflexo humano: lutar ou fugir. A maioria foge. Ray é um estivador divorciado que nos fins de semana tem a custódia dos dois filhos, Rachel e o seu irmão adolescente taciturno, Robbie (Justin Chatwin). Ray não é exatamente um candidato a pai do ano. Sobre a mesa da sua cozinha há um motor V-8. Sua geladeira tem pouca coisa além de frascos vazios de conserva. E a forma principal de se relacionar com o filho é intimidando-o. Tão logo os alienígenas começam a vaporizar a vizinhança, a reação de Ray é menos do que exemplar, mas ele consegue manter a família junta e fugir, e assim conquista a chance da redenção que sabemos que está por vir. Milhões de mortes e prejuízos incalculáveis parecem ser uma terapia familiar demasiadamente cara, mas é consolador saber que até mesmo uma invasão alienígena pode proporcionar uma oportunidade para aprendizado e crescimento. De toda forma, o drama psicológico ocupa um compartimento tão estreito no script de Josh Friedman e David Koepp quanto a alegoria dos eventos reais. Ultimamente, Cruise tem demonstrado ser bem mais interessante e imprevisível como convidado de show de TV do que como ator, mas ele continua gostando de fazer o papel de um indivíduo estúpido que é vítima de circunstâncias além do seu controle. Fanning, a garotinha em perigo favorita de Hollywood, grita a plenos pulmões, o que é uma resposta apropriada à situação. A única outra atuação digna de nota fica por conta de Tim Robbins, como um sobrevivente possivelmente maluco que se esconde dos invasores em um estábulo abandonado. Após alguns minutos na sua companhia, só se pode desejar que os marcianos se apressem e façam o seu trabalho. Mas a arte cênica não é realmente um fator importante nesse filme, que parece ter sido gerado, acima de tudo, pelo desejo de Spielberg de reafirmar que é, além de tudo o mais, um mestre dos filmes puros de ação. Pensem em "Guerra dos Mundos" como uma resposta aos concorrentes (Michael Bay, Wolfgang Petersen, Roland Emmerich e outros) e como um manual sobre como misturar imagens geradas por computador com as técnicas do cinema clássico de grande escala. A atmosfera visual de "Guerra dos Mundos" é o trabalho de uma equipe (incluindo o cinegrafista Janusz Kaminski, a figurinista Joanna Johnston, o editor Michael Kahn e o designer de produção Rick Carter) que trabalhou com Spielberg várias vezes, e a experiência coletiva dá ao filme uma textura ligeira e fluida. Um outro colaborador antigo de Spielberg é John Williams, cujo trabalho é surpreendente, em parte como resultado de ser usado com parcimônia. Durante longos períodos não se ouve música alguma, o que aprofunda o realismo e o medo, e faz com que mergulhemos ainda mais naquilo que vemos. O que é, no final das contas, realmente espetacular. Há cenas e imagens em "Guerra dos Mundos" que são especialmente desconcertantes por parecerem não ter exigido qualquer esforço. O primeiro ataque alienígena, no qual a uma tempestade elétrica no céu se segue a emergência dos veículos-tripés do solo; a cena de uma multidão em pânico na atracação de uma barca no Rio Hudson; uma devastada subdivisão suburbana na qual um avião caiu - tudo isso faz lembrar como é que uns poucos momentos de filme podem ser tão sublimes e esteticamente completos. "Guerra dos Mundos" talvez seja mais bem apreciado como uma antologia de tais momentos, amarrados por um conceito funcional, apesar de familiar. O filme também permite a Spielberg se dar ao luxo de praticar o pequeno pecado da autocitação. Um alienígena aponta ponderadamente para uma roda de bicicleta, talvez pensando no seu primo benevolente ET. O sinal estridente que os veículos de ataque emitem soam um pouco como as duas primeiras notas do canto de sereia de "Contatos Imediatos de Terceiro Grau" (1977). Uma sonda alienígena possui o pescoço longo e contorcido de um dinossauro de "Parque dos Dinossauros" e o globo ocular das aranhas vigilantes de "Minority Report - A Nova Lei". Tudo isso serve como lembrete (talvez supérfluo) de que isso é apenas um filme, e um filme menor de Spielberg. Mas "Guerra dos Mundos" também consegue nos lembrar que embora Spielberg nem sempre faça grandes filmes, ele parece ser quase que constitucionalmente incapaz de fazer filmes ruins. Não é um trabalho que dê muito que pensar, mas certamente vale a pena assistir ao filme. Cruise e Spielberg se concentram na família para tornar 'Guerra' uma história para nosso tempoCada geração tem a "Guerra dos Mundos" que lhe é apropriada. A nova adaptação cinematográfica do romance de 1898 de H.G. Wells, que estreou mundialmente na última quarta-feira (29), tem tudo o que um sucesso arrasa-quarteirão de ficção científica moderno deve ter. Há centenas de efeitos especiais de última geração, o maior diretor do planeta (Steven Spielberg) e maior astro (Tom Cruise) comandando o show, e uma turnê mundial promocional adequada, completa com espetáculos paralelos geradores de fofocas para a voraz mídia de notícias de entretenimento atual. Mas o filme em si reflete preocupações mais profundas de nosso tempo. Ecos da guerra contra o terrorismo e preocupações com os valores familiares reverberam por toda a narrativa de roer as unhas, que foi roteirizada para o cinema por David Koepp, que adaptou o "O Parque dos Dinossauros" para Spielberg. "Eu nunca fiz nada assim antes", notou Spielberg, cujas obras têm variado do horror mecânico de "Tubarão" à esperançosa ficção científica de "E.T." e aos horrores da história, em filmes como "A Lista de Schindler" e "O Resgate do Soldado Ryan". "Esta é minha primeira incursão em olhar para o céu e não ver beleza mas, em vez disso, ver coisas que me assustam. Talvez eu tenha olhado para o céu, como você e outras pessoas ao redor do mundo, e percebido que há mais tensão no ar. Parece que nós vivemos em um universo mais nervoso; eu acho que estou apenas reagindo ao meu próprio ambiente. Hoje, à sombra de 11 de setembro, eu acho que este filme encontrou um lugar na sociedade." Sim, estes alienígenas são totalmente e irredimivelmente malignos. E o ponto de vista da família vem do personagem de Cruise, Ray Ferrier, e seus dois filhos, Rachel (Dakota Fanning), de 10 anos, e Robbie (Justin Chatwin), de 18 anos. Há muito tempo divorciado de sua ex-esposa grávida Mary Ann (Miranda Otto, de "O Senhor dos Anéis"), Ray opera um guindaste nas docas de Nova Jersey, adora carros e sabe muito pouco sobre os filhos que raramente vê. Mas quando trípodes alienígenas há muito tempo dormentes se erguem das profundezas da Terra e começam a destruir tudo à vista, ele deve fugir com seus filhos e fazer de tudo para mantê-los a salvo enquanto tentam chegar até Mary Ann, em Boston. "Quando Steven e eu começamos a falar sobre este filme, e depois quando nos sentamos com David Koepp, a idéia era sempre sobre a família", disse Cruise. "O que você faria por sua família? O quão longe você iria se fosse desafiado? Você seria capaz de proteger sua família? Todas estas perguntas." "Nós tentamos criar um sujeito que todos nós conhecemos", continuou o ator. "Um homem que não é necessariamente uma má pessoa, mas que não entende. Ele não sabe como ajudar seus filhos. Eu acho que há pais assim por aí; eles não sabem o que fazer." O inglês Wells, um dos pais fundadores da ficção científica, também era um radical de esquerda que escreveu seu livro sobre a invasão marciana como uma espécie de parábola antiimperialista. A famosa versão de rádio de "Guerra dos Mundos" de Orson Welles, de 1938, que ocorreu um ano antes do início da Segunda Guerra Mundial, foi apresentada como um noticiário falso que convenceu centenas de milhares de americanos que nós estávamos realmente sob ataque. A versão cinematográfica de 1953 (cujos astros, Gene Barry e Ann Robinson, fazem breves aparições no novo filme), como muitos filmes de ficção científica de sua época, faz referência à paranóia da Guerra Fria no início da Era Atômica. Mas para não colocarmos peso demais na atualidade no novo filme, todos os envolvidos quiseram enfatizar que a meta principal era envolver o público na história. Depois, e igualmente importante, era assustá-lo para valer. "É muito satisfatório para o cineasta quando você consegue explorar idéias muitos complexas e experiências emocionais como esta no contexto de algo que é puramente entretenimento", disse a produtora Kathleen Kennedy, que tem um parceria de longa data com Spielberg. "Nossa meta era fazer uma entretenimento emocionante e assustador para o verão. É um benefício adicional quando você pode ter este grau significados impícitos. (...) A idéia de qualquer tipo de invasão beligerante está certamente mais viva na mente das pessoas hoje do que há 15 anos." Quanto ao ponto de vista familiar, ele não foi influenciado pela atual retórica política, ou mesmo pelo conhecido instinto paternal de Spielberg e Cruise (o diretor tem sete filhos, o ator tem dois), mas sim por uma necessidade narrativa. "O narrador viaja sozinho no livro, o que é bom", explicou Koepp. "Mas é um expediente literário, e há a liberdade no livro de escutar o que alguém está pensando e sentindo. No filme, nós temos apenas o que os personagens dizem o que eles fazem, de forma que Ray precisava de alguém com quem falar." Mas transformar seus filhos ressentidos nestas caixas de ressonância abriu todo tipo de possibilidade dramática -algumas delas mais relevantes hoje do que quando Koepp entregou o primeiro esboço do roteiro um ano atrás (após anos de desenvolvimento infrutífero, a produção de US$ 135 milhões foi realizada mais rapidamente do que quase qualquer outro filme de seu porte). Em uma seqüência, por exemplo, Ray tenta impedir Robbie de cruzar um colina para ajudar militares norte-americanos a enfrentar os invencíveis trípodes de 60 metros de altura. "Eu aposto que há alguns recrutadores americanos que podem se relacionar com isto", observou Koepp ironicamente. "Mas sempre (durante a etapa de roteirização) que eu tentava iniciar uma discussão política a respeito, Steven dizia: 'Vamos acertar a história e os personagens, se tentarmos fazer o contrário, se tentarmos defender argumentos, vai ficar pomposo e ruim'. Eu acho que desta forma aconteceu de obtermos a resposta paterna correta." "Eu esperava que todos pudessem ver, neste filme, a faceta de um prisma, aquilo que escolhessem tirar de 'Guerra dos Mundos'", disse Spielberg. "Assim eu tentei deixar o mais aberto possível para interpretação sem fazer alguém expor polêmicas políticas." Outra restrição na qual Spielberg insistiu: nós não vemos ou sabemos nada além do que Ray vê ou sabe. Apesar de "Guerra" certamente ter a abundância de destruição que os fãs de filmes de desastre adoram, não espere ver marcos famosos serem destruídos ou cidades inteiras serem vaporizadas em uma grande cena de computação gráfica. "Eu não queria fazer isto. Eu queria que este fosse um primo de 'O Resgate do Soldado Ryan', de uma forma estranha, no gênero ficção científica. Ele é narrado do ponto de vista da primeira pessoa, e todos os personagens tinham que ser o mais realistas e normais como nós." Todavia, Spielberg deixou espaço para cenas tão complexas como a lendária e longa seqüência de abertura de "A Marca da Maldade" de Orson Welles -com o acréscimo de boa dose de prédios explodindo, carros voando e pessoas sendo vaporizadas. Mas, seguindo a trama do romance, o filme segue para o subterrâneo em um momento chave para uma longa seqüência de terror mais intimista. "Nós ficamos dentro daquele porão por 20 minutos", se maravilhou Cruise. "Ser capaz de coreografar e sustentar aquele tipo de tensão (...) É por isso que, quando estou trabalhando com diferentes cineastas, eu sempre volto e estudo os filmes de Steven." "Nós sabíamos que haveria cenas assustadoras de grande escala na primeira metade do filme", explicou Tim Robbins, cujo perturbado personagem Ogilvy oferece a Ray e Rachel um asilo apreensivo em um porão. "Nós tivemos que construir o mesmo tipo de medo e terror em um local confinado. Era uma questão de saber que a ameaça estava do lado de fora da porta, mas também saber que a ameaça estava bem ao seu lado." No final, "Guerra dos Mundos" de Spielberg luta para trazer o atual sentimento de medo em escala internacional para a mais localizada das experiências. "Há uma imensa relação com o que está acontecendo no mundo", notou a atriz australiana Otto, que realmente estava grávida de seu primeiro filho quando filmou "Guerra dos Mundos" no início do ano. "Você realmente não pode mais considerar nada certo na vida. Se foram os ataques de 11 de setembro ou o tsunami na Ásia, nós vimos imagens de pessoas que acordaram de manhã e à tarde tudo o que sabiam em suas vidas tinha mudado completamente." Cruise resumiu sucintamente: "Eu achei que o livro era relevante e eterno por ser sobre pessoas". Por A.O. Scott (New York Times) e Bob Strauss (Los Angeles Daily News) 3.7.05
Disney divulga novos projetos"Toy Story 3", "Rapunzel" e novo "Fantasia" estão em produção Com um orçamento de 40 milhões de dólares, "Valiant" está sendo co-produzido por John H. Williams, o responsável por "Shrek", e levou dois anos para ser feito por uma equipe de 170 animadores. Baseado na história real dos pombos usados pelos britânicos para manter contato com a Resistência Francesa, e que foram caçados por falcões treinados pelos nazistas, o filme tem Ewan McGregor como dublador do personagem principal. "Valiant" é um pombo pequeno que tem de cumprir uma grande missão, e se une aos ratinhos da Resistência Francesa para enfrentar o falcão Von Talon (Ben Kingsley). Além de McGregor e Kingsley, o filme tem também as vozes de John Cleese, Ricky Gervais, Jim Broadbent, Rupert Everett, Hugh Laurie e John Hurt.
Para 2006 a Disney ainda pretende lançar "A Day with Wilbur Robinson", baseado no famoso livro de William Joyce, e conta a história de um menino com uma imaginação muita criativa que viaja no tempo. Em 2007 (sem confirmação) deve chegar mais um conto-de-fada, "Rapunzel Unbraided", que está sendo dirigido pelo mestre da animação, Glen Keane. Inicialmente, John Musker e Ron Clements foram chamados para dirigir o filme - o que faz sentido já que a dupla dirigiu clássicos como "A Pequena Sereia" e "Aladdin" - mas ambos decidiram que o filme funcionaria bem com apenas um diretor e deixaram Glen Keane sozinho. Glen parece estar animado com o projeto, pois faz questão de elogiar os testes conduzidos recentemente, aproveitando para tirar sarro da animação da princesa Fiona de "Shrek" (da Dreamworks). Além de "Destino" (2003), a Disney já possui finalizados uma série de curtas animados, até então relacionados ao futuro "Fantasia 2006" (cujo data de lançamento nunca é estabelecida). O último deles, "Lorenzo", uma história relacionada a Itália, recebeu classificação G (livre) nos EUA. Resta saber se a Disney pretende lançar o curta em separado ou se vai compilar um novo "Fantasia". Ainda em desenvolvimento (dentre os 20 projetos que a Disney insiste em dizer que andam ativos) foram aprovados "Fraidy Cat", uma história com visual parecido com o visto em "O Estranho Mundo de Jack" e que está em desenvolvimento há anos - dizem que o filme estava em pré-produção em 1997! Também em animação CG deve chegar nos próximos anos o projeto dirigido por Chris Sanders, "American Dog". Chris Sanders, principal responsável por "Lilo & Stitch" caiu nas graças dos executivos Disney que parecem apoiá-lo fortemente no novo projeto. E para aqueles que temiam... com o fim do contrato com a Pixar, a Disney está mesmo produzindo um "Toy Story 3" sem a parceira Pixar. Pelo contrato, a Disney tem o direito de produzir continuações sem o auxílio da Pixar, ainda que tenha de dividir os lucros. Outro projeto é "Gnomeo & Juliet", uma adaptação do clássico "Romeu & Julieta" que a Disney estava co-produzindo com a Rocket Pictures, produtora do cantor Elton John. A história tinha como protagonistas um casal de gnomos que viviam cada um numa sociedade diferente. Enquanto Gnomeo vivia numa aldeia no jardim com sapos e cogumelos, Julieta vivia com outros gnomos no quarto de uma casa humana. A aventura partiria do encontro deles e a cena principal teria Gnomeo escalando uma treliça do jardim até a janela de sua amada. O projeto foi apresentado pela produtora Rocket (de Elton John, que na realidade nunca teve um relacionamento bom com a Disney, especialmente depois de "Aïda"). A Disney testou várias alternativas de produção até apostar no mesmo formato do filme "Dinossauro" (2000) com personagens animados por computador com cenários reais filmados. Foi escalado para o projeto o talentoso Gary Trousdale, conhecido como co-diretor de clássicos como "A Bela e a Fera", "O Corcunda de Notre Dame" e "Atlantis: O Reino Perdido". A produção foi iniciada e Gary até mesmo pediu para criarem uma maquete de todo o jardim para avaliar quais seriam as melhores tomadas. Só que não houve muito apoio por parte dos executivos. "Gnomeo & Juliet" era um projeto protegido por Thomas Schumacher que tempos depois for afastado do gerenciamento da Walt Disney Feature Animation. Michael Eisner, presidente da Disney, sempre esteve preocupado com o uso de gnomos como personagens e particularmente não gostava da idéia do filme. Não demorou muito para o chefão pedir mudanças e sobrou para o novo chefe dos estúdios, David Stainton, que afastou Gary Trousdale da direção. Possivelmente vem daí os boatos falando que houve uma briga envolvendo o diretor e que ele havia sido retirado do estúdio escoltado por seguranças. O projeto atualmente está parado e Elton John, talvez espere uma mudança na chefia da Disney para reapresentar o projeto. Entre os dubladores do filme destacam-se Ewan McGregor como Gnomeo, Kate Winslet como Julieta e Judi Dench como a ama de Julieta. Mas a primeira colaboração entre Disney e Rocket Pictures foi na verdade um filme que chegou a ser desenvolvido mas não aprovado pela Disney. "Just So Stories" de Rudyard Kipling (o mesmo autor de "Mogli, o Menino Lobo"), seria um filme que apresentaria as curtas histórias do livro que tratam de origens curiosas - "como o camelo ganhou sua corcova?". Mas infelizmente a Disney não encontrou uma forma de produzir o longa-metragem da forma como queria. Talvez o projeto fosse melhor se produzido em segmentos como "Fantasia". Da redação do site animatoons 1.7.05
Mitos, Deuses e Monstros
"Você pode sonhar, criar, desenhar e construir o mais incrível lugar do mundo... ...mas precisa de pessoas para fazer desse sonho, realidade." Walt Disney Há vários motivos para assistir um filme: pelo espetáculo, pelo riso, pela arte...E então há pessoas. Não pessoas que vão assistir aos filmes, mas as do próprio filme! Os personagens conjurados pelo ator que interpreta palavras do escritor, guiadas pelo diretor, através da celulóide do fotográfo, projetado na tela por um feixe de luz. Assim muitos nos convencem à acreditar de fato nessas pessoas tanto quanto nós acreditamos em nós mesmos. Nesse ano, Spoiler vai homenagear essas pessoas: Mitos que fizeram de suas vidas, os nossos sonhos. Deuses que fizeram de seu trabalho, uma lenda. Monstros que fizeram da historia, uma arte... Parte 6: Walt Disney - A Arte de Sonhar...Embora muitos críticos pseudopolitizados torçam o nariz para o seu cinema otimista, ninguém pode negar que Walt Disney ocupe um lugar de suma importância na história do cinema. O desenho animado não seria o que é hoje sem a sua criatividade. Não só nesse gênero, mas também como produtor de inúmeros longas-metragens. No total, a sua filmografia tem mais de 600 títulos. E na sua longa e reverenciada carreira, entre inúmeros prêmios, ele foi o recordista de Oscars: 32 estatuetas. O curioso é que, embora tenha insistido sempre em fazer filmes que enfatizam as boas virtudes do caráter humano, foi por conta de uma mentira de juventude que Disney acabou encontrando o seu caminho na companhia de um amigo e colega de estudos, Ub Iwkers. Aos 16 anos, ele mentiu sobre sua idade para poder participar da 1ª Guerra Mundial. Mas assim que chegou à Europa, as batalhas terminaram. Sem rumo, passou uns tempos em Paris e ao regressar aos EUA, foi estudar desenho na Kansas City Arts School, onde fez amizade com o aluno Ub Iwkers. Juntos, desenvolveram idéias sobre o desenho animado. Nos anos 20, naquela cidade e com especialidade na caricatura, Disney e o amigo já estavam produzindo de forma artesanal alguns desenhos curtos exibidos no cinema local. Não demorou muito para se instalarem em Hollywood. Em 1923, eles passaram a fazer uma série, ''Alice Comedies''. Só em 1927 a popularidade dessa produção foi declinando. Walt percebeu que muita gente de Hollywood não tinha ética nos negócios. Quando os direitos de algumas criações suas foram registradas por outros, ligados ao seu trabalho e à distribuição, viu que era preciso se amparar em um bom administrador, inclusive para alçar vôos mais amplos, ter suporte financeiro. Por isso, passou a contar com o irmão, o fotógrafo Roy, que seria seu braço direito até o fim de sua vida. Para enfrentar os prejuízos causados por outros, ele inventou um personagem que seria o primeiro de seus grandes sucessos por muitos anos: Mickey Mouse. O ratinho aparecia em fitas que Disney fazia auxiliado por Ub Iwkers e também por Roy e sua mulher, bem como Lilian, a esposa do criador desde 1925 até a sua morte em 1966. Ele tinha intuição e, em 1928, percebendo a importância e as imensas possibilidades que se abriam com o cinema sonoro, fez o terceiro desenho de Mickey. Em 1932, pela criação desse personagem e do desenho animado ''Flores e Árvores'', Disney recebeu os dois primeiros dos muitos Oscars que ganhou. Sempre procurando revitalizar o desenho animado e sem se acomodar na fórmula fácil e garantida, ele foi inventando uma série de personagens que, posteriormente, se popularizaram também nas histórias em quadrinhos: Pato Donald, Pluto, Pateta etc. Porém, é em 1938 que seu perfeccionismo logra um dos momentos mais gloriosos de sua carreira: a criação de ''Branca de Neve e os Sete Anões'', o primeiro desenho-animado de longa-metragem. Com um traçado expressivo e delicado, o êxito foi mundial. Na 11º entrega do Oscar, ao receber de Shirley Temple um troféu especial por esse filme (na verdade foram sete mini estatuetas, representando os anões), ele foi a figura mais ovacionada da noite. Seguiram-se outros desenhos longos e que se tornaram antológicos: ''Pinóchio'', ''Fantasia'' (em que conciliava a animação com trechos de músicas clássicas), ''Bambi'', ''Você Já Foi À Bahia?'', ''Cinderela'', ''A Dama e o Vagabundo'' e muitos outros. Embora tenha delegado poderes a muitos de seus auxiliares, o estilo de Disney sempre se fez sentir nos desenhos de sua marca. Mas ele não se limitou só a atuar nessa área. No começo dos anos 50 foi um dos primeiros a manifestar a consciência ambientalista com o documentário ''O Drama do Deserto'' e foi também um pioneiro em encarar a televisão não como um inimigo, mas como um aliado. Logo, a TV tinha muitas de suas criações. Ao mesmo tempo, Disney passou a produzir filmes de ficção destinados ao público infanto-juvenil. O primeiro foi ''A Ilha do Tesouro''. Alguns anos depois faria o sensacional ''20.000 Léguas Submarinas'', extraído do livro de Jules Vernes e com James Mason na pele do capitão Nemo. Mas um dos marcos de sua vida foi ter criado a Disneylândia nos anos 50. Praticamente o primeiro parque temático dos EUA e, com os personagens de seus filmes, uma imensa fonte de lucros para a família e para o país, já que passou a atrair turistas do mundo inteiro. Porém, ele não se acomodava na fortuna e no brilho. Em 1964, ao conciliar desenho animado com cenas de ficção e elenco humano em ''Mary Poppins'', obteve outro grande êxito. Finalista ao Oscar de Melhor Filme (perdido para ''Minha Bela Dama'' / My Fair Lady), possibilitou o prêmio de Melhor Atriz a Julie Andrews. Disney preparou ''Mowgli, O Menino Lobo'', mas não o viu concluído. Vítima de câncer, ele morreu em Los Angeles aos 65 anos com muitos planos na cabeça. Vários foram concretizados pela sua empresa, que prosseguiu com o irmão Roy na chefia e tendo por perto a mulher Lillian (que morreu em 1997), e as duas filhas do casal, Diane e Sharon. ''A Bela e a Fera'', ''O Corcunda de Notre Dame'', ''Pocahontas'' e muitas outras realizações dessa nova fase se destacaram nas bilheterias. O império continua e adaptado aos novos tempos. Anticomunista ferrenho e conservador em sua visão de vida, Walt Disney talvez hesitasse em algumas das modificações ocorridas. Porém, ele era um homem avançado para a sua época. E um criador notável que deixou marcada a sua presença no século 20. Longa-metragens produzidos com a marca Disney
(Clique em cada link para conferir uma resenha especial publicada na rede Spoiler!) "Branca de Neve e os Sete Anões" Snow White and the Seven Dwarfs - 1937 "Pinóquio" Pinocchio -1940 "Fantasia" Fantasia -1940 "Dumbo" Dumbo -1941 "O Dragão Relutante" The Reluctant Dragon -1941 "Bambi" Bambi -1942 "Alô, Amigos" Saludos Amigos -1943 "Você Já Foi à Bahia?" The Three Caballeros - 1945 "Música, Maestro" Make Mine Music -1946 "Canção do Sul" Song of the South - 1946 "Alegre e Folgazão - Como É Bom se Divertir" Fun and Fancy Free - 1947 "Tempo de Melodia: Cante com Disney" Melody Time -1948 "Dois Sujeitos Fabulosos" The Adventures of Ichabod and Mr. Toad -1949 "Meu Querido Carneirinho" So Dear to My Hearth -1949 "Cinderela" Cinderella -1950 "Alice no País das Maravilhas" Alice in Wonderland -1951 "As Aventuras de Peter Pan" Peter Pan - 1953 "A Dama e o Vagabundo" Lady and the Tramp -1955 "A Bela Adomercida" Sleeping Beauty -1959 "101 Dálmatas" 101 Dalmatians -1961 "A Espada Era a Lei" The Sword in the Stone -1963 "Mary Poppins" Mary Poppins - 1964 "Mowgli, o Menino Lobo" The Jungle Book -1967 "Aristogatas" The Aristocats -1970 "Se Minha Cama Voasse" Bedknobs and Broomsticks -1971 "Robin Hood" Robin Hood - 1973 "Puff - O Ursinho Guloso" The Many Adventures of Winnie the Pooh -1977 "Bernado e Bianca" The Rescuers -1977 "Meu Amigo, o Dragão" Pete's Dragon - 1977 "O Cão e a Raposa" The Fox and the Hound -1981 "O Caldeirão Mágico" The Black Cauldron - 1985 "As Peripécias de um Ratinho Detetive" The Great Mouse Detective -1986 "Oliver e seus Companheiros" Oliver & Company -1988 "Uma Cilada Para Roger Rabbit" Who Framed Roger Rabbit - 1988 "A Pequena Sereia" The Little Mermaid -1989 "Bernado e Bianca na Terra dos Cangurus" The Rescuers Down Under - 1990 "Ducktales, o Filme - O Tesouro da Lâmpada Perdida" DuckTales: The Movie - Treasure of the Lost Lamp -1990 "A Bela e a Fera" Beauty and the Beast - 1991 "Aladdin" Aladdin - 1992 "O Estranho Mundo de Jack" Tim Burton's The Nightmare Before Christmas -1993 "O Rei Leão" The Lion King -1994 "Pateta, o Filme" A Goofy Movie -1995 "Pocahontas - O Encontro de Dois Mundos" Pocahontas - 1995 "James e o Pêssego Gigante" James and the Giant Peach -1995 "Toy Story - Um Mundo de Aventuras" Toy Story - 1995 "O Corcunda de Notre Dame" The Hunchback of Notre Dame - 1996 "Hércules" Hercules - 1997 "Vida de Inseto" A Bug's Life - 1998 "Mulan" Mulan - 1998 "Tarzan" Tarzan - 1999 "Toy Story 2" Toy Story 2 - 1999 "Dinossauro" Dinosaur - 2000 "Fantasia 2000" Fantasia 2000 - 2000 "A Nova Onda do Imperador" The Emperor's New Groove - 2000 "Atlantis - O Reino Perdido" Atlantis: The Lost Empire - 2001 "Monstros S.A." Monsters Inc. - 2001 "Lilo & Stitch" Lilo & Stitch - 2002 "Planeta do Tesouro" Treasure Planet - 2002 "Irmão Urso" Brother Bear - 2003 "Procurando Nemo" Finding Nemo - 2003 "Nem que a Vaca Tussa" Home of the Hange - 2004 "Os Incríveis" The Incredibles - 2004 "Castelo Animado" Howl´s Moving Castle - 2005 "O Pequeno Chicken Little" Chicken Little - 2005 "Carros" Cars - 2006 Valiant Valiant - 2006 A Day with Wilbur Robinson A Day with Wilbur Robinson - 2006 Fantasia 2006 Fantasia 2006 - 2006 Rapunzel Unbraided Rapunzel Unbraided - 2007 The Wild The Wild - 2007 Toy Story 3 Toy Story 3 - 2007 Fraidy Cat Fraidy Cat - 2008 American Dog American Dog - 2009 Gnomeo & Juliet Gnomeo & Juliet - 200? |