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30.6.04
Ação de "Homem-Aranha 2" serve aos sentimentos do heróiCom um protagonista carente, filme consegue ser popular e inteligente ao mesmo tempo Finalmente o público, que tem sido tão violentado por mega-sucessos idiotas, cínicos e estridentes, pode agora reconhecer o jeito inteligente, vibrante e sincero de se fazer filmes populares. Dirigido por Sam Raimi a partir do argumento que tem vários autores, entre eles o romancista Michael Chabon (mas o único crédito de roteiro vai para Alvin Sargent, que escreveu nos anos setenta "Gente como a Gente" e "Lua de Papel"), "Homem-Aranha 2" é cheio de cores brilhantes, ruídos enfáticos e efeitos especiais elaborados. Você pode esperar por tudo isso.
Mas os aspectos mais importantes, e eu fico feliz em dizer, são os personagens fortes e a honestidade dos sentimentos. Como aconteceu com seu "primo" da Marvel Comics, o "X-Men 2", esta seqüência é melhor que o filme anterior, já estando liberado daquele triste peso da super-exposição. É também melhor que a maioria dos outros filmes baseados nas histórias em quadrinhos. Tem um vilão com maior credibilidade (e mais assustador), um enredo mais amplo e original, além de uma autoconfiança baseada não só no enorme sucesso do primeiro "Homem-Aranha" mas também no domínio intuitivo e entusiasmado que Raimi exerce sobre o material que tem em mãos. No final do primeiro "Homem-Aranha", o herói foi forçado a escolher entre os poderes sobre-humanos e o charme tão terrestre de Kirsten Dunst. Foi difícil não simpatizar com Peter Parker e não perguntar porque ele não poderia ficar com as duas opções. Mas o mundo, tanto no primeiro filme como agora, precisava do "Homem-Aranha". Então Peter (Tobey Maguire) endureceu o semblante e renunciou à sua paixão eterna e desatinada por Mary Jane Watson (Dunst). A primeira hora da seqüência é em grande parte dedicada a explorar as conseqüências dessa decisão- mostrando, em outras palavras, como é chato ser "Homem-Aranha". O deprimido lançador de teias, apesar de ser adorado pelo povo, é sacaneado e pichado no "Clarim Diário", jornal ainda editado pelo fanfarrão e canalha J. Jonah Jameson, interpretado com deleites de maníaco pelo incomparável J.K. Simmons. Mas as feridas mais profundas quem sofre é o alter ego do herói. Peter, que se esfalfa para equilibrar as demandas da vida normal com o fantasiado combate ao crime, é demitido da entrega de pizza onde trabalhava, está atrasado no aluguel e periga levar bomba no curso de ciências na Universidade Columbia. Pior ainda, a reputação de Peter é uma espécie de espelho em negativo da imagem do Homem-Aranha: sempre acham que ele é preguiçoso, egoísta e pouco confiável. Tia May (Rosemary Harris), ainda lamentando a perda do Tio Ben (Cliff Robertson, aparecendo num rápido flashback), corre o risco de perder a casa, e sua devoção a Peter é temperada pela evidente decepção com o rapaz. Até Mary Jane, cuja carreira como modelo e atriz começa a decolar, está meio de saco cheio do Peter e do que ela considera ser o egoísmo e as mesmas desculpas de sempre. E, o pior de tudo, ela está comprometida com um astronauta, que é ninguém menos que filho do Jonah Jameson. Tudo isso leva ao tal momento fatídico no meio do filme, quando o Homem-Aranha, com as teias já secando por causa da depressão de Peter, amarrota a máscara vermelha e azul, a roupa toda, e joga tudo numa lata de lixo num beco. Mas há outras coisas acontecendo além dessa crise de identidade. "Enquanto isso", como dizem nos quadrinhos, um cientista brilhante chamado Otto Octavius (Alfred Molina) está planejando uma experiência perigosa e ambiciosa, financiada pelo melhor amigo de Peter e adversário do Homem-Aranha, Harry Osborn (James Franco). Uma falha catastrófica faz de Octavius não só um viúvo como também um monstro, que passa a ter o corpo dominado por malévolas pernas mecânicas, por sua vez possuídas por mentes diabólicas. Doc Ock, como é conhecido pelos tablóides, é inimigo do Homem-Aranha as tem lá os seus pontos em comum com o herói.A diferença não é tanto uma questão entre o bem e o mal, mas sim entre a servidão e a livre escolha. Ao contrário do "Aranhão", o Ock, coitado, não é o mestre dos seus próprios poderes, não passa de um reles servo deles. Seus instintos humanos foram esmagados pela aliança nefasta entre o grande capital e a ambição tecnológica, o que é um tema recorrente em toda a série "Homem-Aranha" (e nas histórias de super-heróis em quadrinhos, de uma maneira geral). É claro que o próprio filme também foi engendrado por uma aliança semelhante. Mas Raimi, que abriu seus caminhos através da sanguinolenta série de filmes baratos "Evil Dead" ("Uma Noite Alucinante 1 - A Morte do Demônio"), não é escravo de efeitos espetaculares gerados por computador. Ele os utiliza, claro - nenhum cineasta do gênero seria capaz de desprezá-los hoje em dia - mas as cenas digitais de vôos e lutas são a parte mais fraca do filme, já que Raimi não tem a habilidade de um Peter Jackson ou de Steven Spielberg para combinar imagens geradas por computador com o cinema tradicional sem deixar cicatrizes. Esse pequeno defeito é encoberto por uma virtude superior. É que as extravagantes seqüências de ação do filme estão subordinadas à narrativa, e não são a razão em si do filme. As cores vívidas e brilhantes, no estilo Pop Art, de uma Nova York "Marvelizada" (filmadas por Bill Pope e com a concepção de Neil Spisak), propiciam um cenário vigoroso para o que é, no final das contas, uma história de amor tocante e desconcertante, cheia de desejo, aflição e doce confusão. A seqüência de abertura, com os créditos, é uma bela montagem de desenhos dos comics nos quais a única imagem fotográfica é a de Kirsten Dunst. Faz sentido, já que Mary Jane, apesar de restrita às funções superpostas de mocinha, isca do vilão e objeto do resgate, é quem dá a essa alegoria super-heróica seu surpreendente teor de realismo emocional. Sua renúncia à passividade e ao desejo é o que permite a Peter se transformar num super-herói mais humano. Esta segunda fase da maturidade de Peter Parker trata da superação da solidão e da necessidade de conforto e reconhecimento, assim como trata do desprendimento e do propósito de um Herói. É claro que precisamos do Homem-Aranha; a novidade é que ele também precisa da gente. Fonte: A. O. Scott - The New York Times 29/06/04 26.6.04
Humor Negro dos Irmãos Cohen não funciona Os irmãos Ethan e Joel Cohen têm grande prestígio junto à maioria dos críticos (eles vivem ganhando prêmios em Cannes, por exemplo). Seus filmes, todavia, nunca fizeram sucesso de público e a explicação para isso é fácil: excesso de pretensão intelectual (com abuso de citações a obras e fatos pouco conhecidos) e um tipo de humor muito peculiar, que tenta misturar cinismo e ironia contra os ditos ''caipiras'' estadunidenses com uma histeria quase circense.
Mas, à medida que a obra deles avança e revemos seus filmes anteriores, fica cada vez mais claro que esse tipo de aproximação que utilizam funciona raramente. ''Fargo'' e ''Na Roda da Fortuna'' são, o que poderíamos dizer, as obras-primas dos Cohen, nas quais conseguiram um balanço quase ideal para isso. Já em outros filme superestimados como ''O Amor Custa Caro'', ''Arizona Nunca Mais'', ''Ajuste Final'' ou ''E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?'' a mistura desandou e o resultado final ficou aquém do desejado, beirando o irritante. Em ''Matadores de Velhinha'', os cineastas tentam mais uma vez de forma peculiar misturar suspense com humor negro ao adaptar uma história que já havia sido filmada em 1955 como ''O Quinteto da Morte'', com Alec Guiness (o Obi-Wan Kennobi de ''Star Wars: Episódio IV - Uma Nova Esperança'') e Petter Sellers (de ''A Pantera Cor de Rosa''). A trama interessante mostra um grupo de assaltantes que se aproxima de uma velha senhora para usar o porão de sua casa num golpe que inclui cavar um túnel até uma caixa forte. O resultado final, porém, é mediano. Não tão ruim quanto ''O Grande Lebowisky'', de longe o pior filme deles, mas também muito distante de ''Fargo'' (que tinha temática e clima similar). O maior problema em ''Matadores de Velhinha'' é o seu elenco, justamente o que deveria ter de melhor. Tom Hanks faz o chefe do bando numa caracterização extremamente caricata e posada, no que é talvez o pior momento de sua carreira (o fato dele usar uns dentes falsos bem inconvincentes prejudica-o ainda mais). Mas pior mesmo são os outros membros da gangue, que incluem o insuportavelmente histérico Marlon Wayans (da série ''Todo Mundo em Pânico'' e ''Dungeons and Dragons''!) e um tal de Ryan Hurst, cuja atuação como o ''brutamentes'' do grupo consegue ser mais ridícula que a do lutador Thor Johnson em ''Plan 9 From Outher Space'', de Ed Wood (eleito o pior filme de todos os tempos!). Irma P. Hall, que faz o papel da velhinha do título, também não ajuda nem um pouco. Seu personagem nada tem de interessante (ela não é nem adorável, nem divertida, nem odiosa), e a atriz faz tudo num tom errado, muito pesado, e sem conexão com o resto do elenco (sua premiação em Cannes, portanto, foi injusta). Isso deixa ''Matadores de Velhinha'' capenga, pois grande parte da graça do filme deveria resultar da interação entre os atores, que não apenas são ruins, como tem personagens tolos e superficiais. Não convence nem um pouco, por exemplo, as cenas que apresentam cada um dos membros da quadrilha de assaltantes, não apenas por não terem a menor graça, mas também por serem redundantes e desnecessárias (tudo que é visto nelas é mostrado novamente durante o decorrer do roteiro). Entretanto, existem alguns achados que deixam o filme ao menos desfrutável, especialmente aqueles que envolvem o gato da velhinha e toda a conclusão que, ironicamente, dava a impressão de que seria a pior parte. São nesses momentos que os Cohen conseguem atingir algo próximo do equilíbrio ideal que deveria ter permeado o filme todo, tirando máximo proveito do humor negro. Mas uma das maiores piadas do filme (que envolve a velha doando dinheiro a uma instituição) vai passar em branco já que ninguém vai entende-la - mais uma evidência da desnecessária pretensão intelectual dos realizadores. A não ser que você saiba de antemão que a Universidade Bob Jones é uma instituição racista... Por tudo isso, ''Matadores de Velhinha'' vem apenas confirmar a suspeita de que os irmãos Cohen não têm mesmo muito a dizer (embora o façam sempre de forma muito elegante e visualmente agradável) e, no fundo, devem se divertir durante as filmagens muito mais do que os espectadores de seus filmes. 25.6.04
Para ouvir e dançar Hoje é aniversário de um grande amigo. E como ele é apaixonado por música, resolvi resenhar um dos melhores filmes sobre o tema nos últimos tempos: ''Buena Vista Social Club''
trata-se de um fantástico documentário de Win Wenders, o diretor alemão de alguns clássicos como ''O Amigo Americano'' e ''Paris, Texas''. É o tipo de filme que não deveria passar nos cinemas, e sim numa discoteca, sem poltronas para assistí-lo. O ritmo caribenho que pontua o filme a cada segundo não permite que as pernas fiquem paradas. É uma delícia de se ouvir e até dançar. Win Wenders deve estar até agora curtindo a ''dor de cotovelo'' por não ter ganhado o Oscar de Melhor Documentário Longa-Metragem. Mas certamente, onde passa, é cumprimentado pela pequena obra-prima que realizou. O mais interessante é o fato de um filme tão vivo, tão alegre, tão contagiante, ter sido realizado por um diretor alemão, que tem no seu currículo obras cerebrais, com histórias bem contadas, mas com o jeitão seco dos germânicos. O projeto iniciou-se numa viagem do guitarrista Ry Cooder (que assina a trilha sonora de ''Paris, Texas'') à ilha de Cuba, lugar parecido com o Brasil, onde as pessoas se reúnem para tocar e dançar a envolvente música local. Cooder foi gravar mais um disco, um álbum solo de Ibrahin Ferrer, a grande figura do filme. Ferrer lidera a trupe de velhinhos que toca com a vitalidade de garotos. Isso arrepia! O filme de Win Wenders foi aplaudidíssimo em vários festivais de cinema em que foi exibido, e ganhou também muitos prêmios, entre eles o de Melhor Documentário da Associação de Críticos de Los Angeles e de Nova York. A trilha sonora do filme, embalada pela banda ''Buena Vista Social Club'', cujo cantor e violonista Compay Segundo está com 91 anos, funciona bem no CD - que foi lançado no Brasil já faz um tempo - e na tela. Com canções da velha guarda como ''Veinte años, ''Dos gardenia'' e outras, que fazem ''a cabeça'' de iniciantes nos iluminados ritmos das ilhas do Caribe. Filmado em Cuba, em Nova York - em pleno Carnegie Hall - e em Amsterdam (Holanda), ''Buena Vista Social Club'' emociona a todo momento. É um filmão daqueles feitos com o coração, a alma aberta e muito suingue. 21.6.04
A petition is a poem and a poem is a petition - Georges Fontame (1966) O Crime do amor pelo cinemaO cineasta italiano Bernado Bertolucci fala à SPOILER sobre o seu nove filme "Os Sonhadores"O amor pelo cinema é como ser membro de uma sociedade secreta, clandestina, na qual se comete um crime que, depois, é o grande amor pelo cinema." É o que confiou à SPOILER, sorrindo consigo mesmo, Bernardo Bertolucci, em Roma, no seu estúdio na rua Lungara, na margem direita do Tevere, sob a colina do Gianicolo - a belíssima e antiga estrada que leva ao coração da Roma "transtiberiana", o Trastevere, um dos bairros mais famosos e pitorescos da cidade. "Se a gente não se cura de todo, que sentido há em acabar?", diz. Mas dessa vez falava, também com simplicidade e convicção, de suas idas ao analista, porque também as sessões psicanalíticas estão de alguma maneira dentro de seu cinema: "A análise é como um objetivo a mais a ser colocado na máquina de filmar, que olha dentro das pessoas, no inconsciente, no mistério", quando fala aos atores sobre aquilo que devem fazer e como devem fazer, para ajudá-los a entrar no papel. No fim dos anos 50, depois da infância e a primeira juventude na cidade de Parma, veio para Roma, a grande velha cidade, a do cinema de Rossellini e De Sica e, logo depois, a de Pier Paolo Pasolini, o inquieto poeta, literato e roteirista, que morava em Monteverde Vecchio, o belo bairro sobre a pequena colina, no primeiro andar da mesma nova casa dos Bertolucci. São de fato os anos em que o jovem Bertolucci já pusera um pé no cinema com sua câmera de 16 milímetros: um par de curtas-metragens, esperando a vez de se apresentar na Mostra de Veneza de 1962 com "La Commare Secca", com roteiro de seu admirado poeta e co-inquilino, que um ano antes se impusera com "Accattone" (Desajuste Social): uma espécie de contágio, de osmose de "Accattone" para "La Commare Secca", como a história do ovo nascido antes ou depois da galinha. Mas a estrada que conduziu Bertolucci de "La Commare Secca" a "The Dreamers" (Os Sonhadores, 2003) é bem diferente, oposta mesmo àquela que conduziu Pasolini de "Accattone" a "Salò ou os 120 Dias de Sodoma". Os nós intermediários de Bertolucci vão de "Antes da Revolução" (1964) a "O Conformista" (1970), de "O Último Tango em Paris" (1972) a "1900" (1976), de "A Tragédia de um Homem Ridículo" (1981) a "Assédio" (1998), com um discurso sempre mais tenso, sensível, complicado, deslocando-se progressivamente do social para o político, o particular, o subjetivo, com um olhar que parece obstinadamente querer fitar sempre o profundo do ânimo dos jovens, homens e mulheres, posto no fundo sem nunca ser esquecido. SPOILER: Depois de "O Conformista" (1970) e "O Último Tango em Paris" (1972), o sr. voltou a Paris para filmar "Os Sonhadores". Qual a emoção de rodar um novo filme em Paris após mais de 30 anos? Bernado Bertolucci: Fiz tudo para reprimir a recaída na nostalgia. Se você reparar, no filme não há nenhum dos lugares vistos em "O Último Tango" ou "O Conformista". Nem mesmo nos exteriores, absolutamente nada. Procurei evitar os mesmos lugares porque não queria que houvesse, como dizer, nostalgia auto-referencial. Portanto, lugares diferentes. O ponto em comum entre "O Último Tango" e "Os Sonhadores" é, ao contrário, a importância do erotismo: mas, enquanto o erotismo daquele era cavernoso, quase mortuário, o de "Os Sonhadores" é jovial, alegre, de jovens em torno dos 20 anos. Talvez seja Paris que me sugira histórias em que o eros é importante... SPOILER: Mais de uma vez o sr. manifestou a intenção de filmar a terceira parte de "1900", tendo como centro o período a que se refere em "Os Sonhadores". Como acabou escolhendo um filme só sobre 68? Bernado Bertolucci: É verdade. Alguns anos atrás tive a idéia de fazer a continuação de "1900", porque me parecia que ele não tinha acabado: "1900" vai até 25 de abril de 1945 (dia da insurreição geral dos "partigiani") e me parecia justo rodar uma continuação que chegasse ao fim do século. Depois, refletindo, dei-me conta de que "1900" tinha raízes numa grande mudança política, a de 74 a 78, quando Aldo Moro (presidente do Conselho) e Enrico Berlinguer (secretário do Partido Comunista Italiano) lançaram juntos o que se chamou "compromisso histórico" (possibilidade de o PCI se tornar partido de governo). Dei-me conta, no entanto, de que, se realizasse a terceira parte de "1900", teria dado um passo em falso, porque aquela solução política não tinha mais sentido: as promessas, falidas, hoje ficaram completamente sem significado. A idéia de sua realização e uma fé política daquele tipo não estavam mais em mim e tampouco na coletividade. Pensei então em fazer um filme mais geral sobre os anos 60, sobre a utopia como sonho de um mundo melhor. Depois de ler o livro de Adair, comecei a pensar em "Os Sonhadores" observando como ele falava de 68, de Paris, daquela atmosfera, sentida por alguém que a viveu na primeira pessoa e compreendeu e colheu os seus significados profundos. SPOILER: Como se colocam em relação a seu filme "La Meglio Gioventù" (2003), de Marco Tulio Giordana, e "Buongiorno, Notte" (2003), de Marco Bellocchio? Bernado Bertolucci: Os filmes de Giordana e Bellocchio são muito diferentes entre si. "La Meglio Gioventù" se relaciona de alguma maneira com "1900" pelo seu grande respiro histórico: parte de 66, da grande inundação de Florença, quando estudantes e jovens de todas as partes do mundo acorreram para ajudar as pessoas tão duramente atingidas e contribuíram também para salvar o imenso patrimônio cultural em perigo, lançando as bases daquilo que seria o movimento de voluntariado dos anos 90. Logo, um filme também épico. O filme de Bellocchio, ao contrário, é um filme com a visão pessoal de um acontecimento histórico. A coisa que mais me agradou nele foi o final, com a idéia da libertação de Moro, de não matá-lo, ou seja, a idéia muito cinematográfica e ao mesmo tempo surreal de ele sair de casa sorrindo, carregando alguma coisa de extraordinariamente liberatório numa alvorada triste e cinzenta. Bellocchio partiu do dado histórico de Moro trancado num apartamento com seus seqüestradores, a que se mistura uma interpretação pessoal, de Bellocchio homem: Moro não é mais Moro, talvez seja o pai de Bellocchio, como ele mesmo recordou, voltando à infância, quando o pai ia ver dormir os seus numerosos filhos ao voltar tarde para casa, e ele sentia aquela presença, exatamente como se vê também no final do filme. Libertar Moro seria como libertar uma geração inteira, não culpada por sua morte, mas de qualquer maneira se sentindo um pouco responsável. No filme, ao contrário, nós o vemos sair, quase como se realizasse uma magia... Aí está, Moro ressuscitado: isto me agradou muito. Quanto a "Os Sonhadores", trata-se de um outro caso ainda, muito diferente. Em substância, são três filmes que fazem três discursos diferentes. Como você chegou ao romance de Gérard Adair? Uns dez anos atrás, Clare (Peploe, sua mulher) o leu e me falou dele; depois, há dois ou três anos, colocou-o diante de meus olhos, li-o e logo tive vontade de encontrar Gérard Adair, porque me senti atingido pela autenticidade com que vivenciara a atmosfera de 68. A psicanálise me ajudou muito em minha relação com os atores, para fazê-los compreender os personagens SPOILER: Como em "A Estratégia da Aranha", de Borges, também em "O Conformista", de Moravia, e em outros filmes, aqui também parece haver alusões autobiográficas que dizem respeito à relação que opõe criticamente pai e filho. Há de fato esse aspecto em "Os Sonhadores"? Bernado Bertolucci: De uma certa maneira, sim. Também no romance original de Adair. Os rapazes ficam sozinhos em casa e, portanto, no filme, era necessário que os pais não estivessem ali, que viajassem. Quis que se sentisse toda a tensão que havia em 68 entre pais e filhos, aquela que define a contestação -contestação de valores e relações julgadas superadas, nas crises, não mais adaptadas às mudanças sociais. Os contestadores eram os jovens e, os velhos, os pais. Quis que o pai fosse um poeta, um intelectual, para que no momento em que ele e a mulher retornassem e encontrassem os três rapazes nus numa tenda tuaregue erguida na sala, houvesse aquela compreensão que só um intelectual e sua mulher, isto é, pessoas instruídas e cultas, podiam ter diante de uma situação do gênero. Eram pessoas que não podiam se comportar de modo convencional, talvez provocando um atrito e constrangendo-os a fugir. Essa coerência levara-os a falar com os filhos do romance de Bataille, de Cocteau etc., todos autores de escrita audaz, de tons fortes, no limite da obscenidade, pais que não podiam de repente se comportar como dois conformistas e, por isto, optaram pela única solução possível: sair na ponta dos pés. SPOILER:Do longínquo ano de 1957 até o fim dos anos 80, o sr. não deixou de fazer documentários e curtas-metragens. Que importância tem para o sr. esse tipo de cinema, hoje? Bernado Bertolucci: O curta é importante porque permite, a quem tenha fantasia e vontade, se exprimir com a filmadora, colocar suas idéias em forma cinematográfica e, mais ainda, com obrigação da brevidade e, portanto, da síntese. Desse modo florescem também novos talentos, como já ocorreu no passado, observando por assim dizer o olho, a mão presentes em muitos curtas... Pessoalmente faz muito tempo que eu não dirijo curtas. Fiz um de dez minutos há um par de anos, mas dentro de um filme intitulado "Ten Minuts Older" (Dez Minutos Mais Velho), de episódios, todos eles de dez minutos, com o tema comum da passagem do tempo. SPOILER:Como anda sua relação com a psicanálise? Bernado Bertolucci: Estou indo, nos últimos tempos, a um novo psicanalista, que é uma mulher. Depois de 30 anos com psicanalistas homens, experimento o encontro, sério e profundo, com uma psicanalista. Freud sustentava que a análise pode ajudar alguém a viver melhor, às vezes a sobreviver, mas disse também que não se pode alimentar ilusões porque das neuroses ninguém se cura de todo e também porque quem sofre de neuroses tende a permanecer atado a elas. Se não é possível se curar de todo, que sentido há em interromper? Por isso, melhor continuar. Pense que agora faz 34 anos que faço análise... SPOILER:Quando dirige um filme, o sr. interrompe as sessões? Bernado Bertolucci: Certo, porque é materialmente impossível dirigir e ir às sessões. Após um filme, procuro retomá-las logo. SPOILER:Seus filmes substituem um pouco as sessões? Bernado Bertolucci: Sim, seguramente um pouco. O método psicanalítico me ajudou muito em minha relação com os atores, por exemplo no modo de falar com eles, de fazê-los compreender certas coisas, talvez obscuras, dos personagens que devem interpretar. A análise é assim um novo instrumento indireto de conhecimento. SPOILER:Em "O Último Tango em Paris" o sr. se inspirou nos quadros de Francis Bacon. E em "Os Sonhadores"? Bernado Bertolucci: Quando dirigi "O Último Tango" havia uma grande exposição individual de Bacon no Grand Palais. Fiquei de tal forma impressionado com a dramaticidade daqueles corpos contraídos que pus o nome de Bacon nos créditos do filme. Levei Vittorio Storaro, diretor da fotografia, para ver a exposição e, sucessivamente, também Gitt Magrini, figurinista, junto com Ferdinando Scarfiotti, cenógrafo. Depois foi a vez de Marlon Brando, que nunca vira um quadro de Bacon, e expliquei-lhe que gostaria de ver no seu rosto a mesma dramaticidade selvagem que há na face das figuras de Bacon: creio que ele conseguiu. Em "Os Sonhadores", ao contrário, não há nenhum pintor em quem tenha pensado em especial. Nem sempre é necessária uma referência à pintura: por exemplo, em "A Estratégia da Aranha" havia Magritte, em "O Conformista", nada, em "1900", alguma coisa, mas nada de muito preciso. SPOILER:Qual o significado do cinema em seus filmes? A referência é para sublinhar os problemas de Langlois ou por que os protagonistas são de alguma maneira influenciados? Bernado Bertolucci: Em "Os Sonhadores" a sala de cinema proporciona o encontro de Théo e Isabelle com Matthew e é o pretexto que os mantém unidos depois do encontro. O amor pelo cinema é como ser membro de uma sociedade secreta, clandestina, na qual se comete um crime que depois é o grande amor pelo cinema. Espero mesmo que os jovens de todo o mundo que desconhecem os filmes citados no filme sintam curiosidade e se perguntem quais são eles, quem é aquele gorila com uma moça loura na pata ("King Kong", de Schoedsack e Cooper, 1933). A maneira como os três jovens amam o cinema é também, direi, fisiológica: de fato não se limitam a fazer reciprocamente perguntas sobre datas, títulos, diretores de um filme, mas com certeza revivem a seqüência de "Bande à Part" (Jean-Luc Godard, 1964), em que os três personagens correm durante nove minutos entre os visitantes do Louvre, e assim eles fazem, como se tivessem pelo cinema um amor não apenas mental, mas também físico. Aquela corrida é mesmo a repetição física de algo que amam, exatamente como a corrida de Anna Karina, Sami Frey e Claude Brasseur. SPOILER:O sr. acha que os jovens de hoje podem ainda desejar acordar amanhã num futuro construído por eles mesmos? Bernado Bertolucci: Esse é um sentimento que, quando comecei a rodar o filme, esperava provocar nos jovens. Sei que muitas vezes a geração mais jovem não tem nem a coragem de ser ambiciosa, de dizer "quero ter um sonho impossível", enquanto pelo contrário é belo ter sonhos impossíveis, que empurrem para adiante na vida. O filme pode ser positivo nessa direção. Se era justo se rebelar em 68, deveria ser justa a idéia de se rebelar também em 2003. SPOILER:Sonho e utopia podem ainda estimular os jovens a buscar a transformação da sociedade, do mundo? Bernado Bertolucci: Você falou em sonho e utopia. Meu filme quer despertar nos jovens exatamente a emoção que em 68 acompanhava essas duas palavras. SPOILER:Como foi o trabalho desenvolvido com os atores? Bernado Bertolucci: Durante a filmagem, disse-lhes muitas vezes que não queria que se tornassem três pessoas de 68, mas que se sentissem três jovens de hoje que se põem em confronto com três de 68. Há pouco um jornalista de Milão me dizia que, quando viu no filme o ataque da polícia, enquadrada da janela, lhe veio súbito à mente aquele do G8, em Gênova, quando a polícia atacou com grande violência. A observação me deu grande prazer, porque era mesmo a minha intenção. No último enquadramento do filme, com uma centena de policiais que correm investindo contra os manifestantes, eu quis, para acentuar o efeito, duplicá-lo com o sistema digital, depois ainda triplicá-lo e quadruplicá-lo, até se tornar muito longo, com um impacto de grande violência, exatamente por recordar a de Gênova e aquilo que sucede todas as vezes que os rapazes contra a globalização enfrentam a polícia. Uma espécie de cordão umbilical, em suma, que liga os rapazes do filme aos de hoje, como se o tempo não existisse. Por Maria Andrea Muncini e Aldo Villani 20.6.04
Amo muito tudo isso! Comer na rede de lanchonetes americana McDonald's três vezes por dia foi o regime a que o diretor de cinema Morgan Spurlock se submeteu para denunciar, em documentário que acaba de estrear nos Estados Unidos, a "dieta" que torna os americanos cada vez mais gordos.
"Super Size Me" é uma crítica aos restaurantes que fazem fortuna com comida rápida, onipresentes nos Estados Unidos. Em sua crítica, Spurlock, cineasta estreante de 33 anos, usou os mesmos métodos de Michael Moore: filmar com a câmera na mão, misturar as técnicas (entrevistas, desenhos animados, etc.) e tratar um assunto sério com humor provocador. Moore é diretor de "Tiros em Columbine", que expõe a cultura da violência nos Estados Unidos. Apesar das semelhanças, Spurlock assume um risco adicional ao fazer de si mesmo a cobaia do seu projeto, idéia que lhe ocorreu certo dia, enquanto assistia TV. "Um programa na TV era dedicado à obesidade e duas meninas explicavam por que tinham processado a McDonald's", lembra. Quando um porta-voz da empresa reagiu, afirmando que a comida era saudável, Spurlock disse ter sentido o sangue ferver: "Disse a mim mesmo que mostraria exatamente o bem que o McDonald's faz, que iria comer ali meu café-da-manhã, meu almoço e jantar durante um mês". A namorada do cineasta, vegetariana, achou que ele estava louco: "Isso vai te matar", disse ela. Para completar a experiência, ele se propôs a não caminhar mais de 2.500 passos por dia, como o adulto americano médio. A experiência foi acompanhada por três médicos e um nutricionista, que elogiaram, no início do filme, a boa saúde de Spurlock. Ao fim de três semanas à base de sanduíches e batatas fritas, os médicos se assustaram e lhe deram um ultimato: "Você precisa parar". Spurlock continuou, mas seu estado era lamentável. Em um mês, ele engordou 12 quilos, seu nível de gordura corporal aumentou um terço, seu colesterol disparou e seu fígado virou patê. Sua disposição diminuiu e sua libido despencou. "Meu corpo me odeia", diz ele à câmera em determinado momento do filme. Spurlock reconhece ter se submetido a uma experiência "extrema", longe da realidade diária dos milhões de clientes da McDonald's. Mas diz que fez tudo com o objetivo de, ao mesmo tempo, apelar para a responsabilidade da indústria alimentar e dos cidadãos americanos, "muitos dos quais não pensam sobre o que levam à boca". 18.6.04
Monstros S.A Só tem uma coisa mais perigosa que percorrer desertos escaldantes, escalar as montanhas mais altas e enfrentar dragões que soltam fogo pelas narinas: conhecer os sogros!
''Shrek 2'' traz de volta tudo que o original tinha, só que em dobro. É mais bonito, mais dinâmico, tem mais personagens e consegue a proeza de ser muito mais engraçado. O roteiro continua inteligente, mesmo mantendo-se simples e fácil de seguir até para os mais novos, e dispara uma saraivada ainda maior de citações a filmes famosos e ícones pop que vai fazer alegria dos aficcionados. "Missão Impossível", "Flashdance", "Homem-Aranha", "O Poderoso Chefão", "O Senhor dos Anéis", "A Primeira Noite de um Homem"... Você escolhe. São tantas as brincadeiras que fica até impossível citar todas, ainda mais tendo visto o filme apenas uma vez. Mas mesmo quem não conseguir captar todas elas vai rir, já que são engraçadas de qualquer maneira. Mas, como estamos em território da diversão infantil -será mesmo?-, as sátiras se estendem oportunamente para o universo das fábulas e contos de fadas. Assim, temos não só a princesa da história anterior mas também a Fada Madrinha, o Gato de Botas, o Lobo Mau e a Vovozinha, Pinóquio, os Três Porquinhos, o Homem-Biscoito. Todos em situações, digamos, pouco ortodoxas."Basta mentir e dizer que você está usando calcinha", diz o Burro a Pinóquio, para fazer com que seu nariz cresça. "OK. Eu estou usando calcinha." E seu nariz não se move nenhum centímetro. Os três anos de produção e os US$ 75 milhões gastos nessa continuação também ajudaram a dar novo fôlego ao filme. A animação e o ritmo das cenas só ficaram mais apurados com os anos. Um dos principais desafios em 3D tem sido animar feições humanas -fato contornado criando-se histórias com animais falantes, brinquedos e alienígenas. "Shrek 2" encara de vez a empreitada e chega perto, muito perto, de um resultado satisfatório. As cenas de abertura que apresentam o príncipe encantado -e metrossexual!-, bem como a caracterização de sua mãe, a Fada Madrinha, atingem uma naturalidade até hoje inédita em produções feitas por computador. Os atores de Hollywood que se cuidem. Do jeito que a coisa anda, só vai sobrar para eles uma pontinha na dublagem. Mike Meyers, Antonio Bandeiras e Eddie Murphy, respectivamente o Ogro, o Gato de Botas e o Burro no original, já estão garantindo seu pé-de-meia. Descobriram que comédia boa hoje tem de ser animada. ''Shrek 2'' felizmente não confirma aquela maldição de que as continuações são sempre piores que os filmes originais. Pelo contrário. É ainda melhor. Difícil vai ser segurar o riso durante toda a projeção, pois as piadas e situações engraçadas pipocam na tela sem parar um minuto sequer! Ah, e não deixe de continuar sentado em sua poltrona, mesmo quando os créditos finais começarem a rolar, caso contrário vai perder uma cena muito divertida, aliás a melhor do filme... 17.6.04
O Desejo Assassino Se acharam que Nicole Kidman ficou diferente em ''As Horas'', esperem para ver Charlize Theron neste ''Monster'' (que não se refere apenas ao personagem, mas também a uma grande roda gigante que a apavorou quando criança). A transformação é espantosa e o Oscar que ela levou, certamente foi merecido.
A sul-africana Charlize que é uma belissima mulher. Eu sempre a achei a mais atraente de sua geração, em fitas como ''15 Minutos'', ''Uma Saída de Mestre'', ''Doce Novembro'' e ''A Maldição do Escorpião de Jade''. Aqui, ela conseguiu ganhar peso (o corpo ficou gordo e deformado), ficar sardenta, inchada, feia, repulsiva mesmo. Coisa nunca vista desde Robert De Niro em ''O Touro Indomável'' e que por isso mesmo os prêmios (inclusive o Globo de Ouro). Nada mais merecido. Ela também é co-produtora do filme, que é de uma firma independente (a New Market, a mesma que topou distribuir a fita de Cristo de Mel Gibson agora em fevereiro). ''Monster'' foi dirigido por uma mulher, Patty Jenkins, e, como todo mundo sabe por aqui, baseado em fatos reais. Conta a história da primeira mulher serial killer, que foi condenada e morta na prisão, na Flórida. Trata-se de uma certa Ailleen, que era prostituta desde os 13 anos, até ficar de casa com uma garotinha (Christina Ricci, numa participação discreta mas boa). Por causa dela, primeiro mata em legítima defesa, depois vai roubando e matando para ficar com dinheiro para sustentá-la. É um a história pesada, narrada sem qualquer glamour e não especial talento (por vezes lembra um pouco ''Meninos Não Choram''). Mas com bom elenco (Bruce Dern, Scott Wilson) e uma presença notável de Charlize. A princípio fica-se com a impressão de que ela esta super-representando, exagerada. Mas aí se vê imagens da mulher real e fica-se impressionado com a semelhança, como ela procurou copiar trejeitos, atitudes, postura. É um trabalho estupendo numa fita que não chega a corresponder. 16.6.04
Spielberg e Hanks curtem seus papéis dentro e fora do estúdioDiretor e ator trabalham juntos em "The Terminal", que estréia nesta sexta-feira nos EUA É só passar algum tempo com os amigões e colaboradores Tom Hanks e Steven Spielberg, e você já é capaz de parafrasear uma sentença que não pertence a nenhum dos filmes destes mega-talentos: "Cada um completa o outro".
"'Completar' é um termo bem adequado", diz o diretor de fotografia Janusz Kaminski, que já trabalhou com Spielberg em oito filmes, três deles com Hanks, incluindo o novo "The Terminal", que estréia sexta-feira (18/06) nos Estados Unidos. Spielberg dirige Hanks, que vive Viktor Navorski, um turista do leste europeu que, devido a uma instabilidade política em seu país de origem, fica retido durante meses no aeroporto JFK em Nova York. O envolvimento de dois dos maiores pesos-pesados de Hollywood levanta expectativas celestiais em relação a um filme ambientado num aeroporto. Ainda mais porque todos querem conferir os próximos lances de Hanks, cujo "Matadores de Velhinhas" ("The Ladykillers") foi recebido com frieza, e da empresa de Spielberg, a DreamWorks, que finalmente está saindo de uma maré negativa com o sucesso espetacular que "Shrek 2" alcançou mês passado nos Estados Unidos. Spielberg ainda estava editando "The Terminal " há apenas duas semanas. Para qualquer outro diretor, isto seria sinal de encrencas na produção. Mas para Spielberg isto faz parte do processo. Ao encontrar esta dupla admirável, uma coisa fica clara desde o início: estes dois aclamados vencedores de Oscars parecem ser pessoas absolutamente comuns. O primeiro trabalho deles juntos foi "O Resgate do Soldado Ryan" (1998). Depois veio a série para a HBO "Band of Brothers" (2001) e, em 2002, "Prenda-me se For Capaz" ("Catch Me if You Can"). Spielberg e Hanks já são amigos há uns doze anos, assim como ficaram amigas suas esposas, respectivamente, Rita Wilson e Kate Capshaw. "Rita e Kate se conheceram por intermédio das crianças," diz Hanks. "Foi aí que começamos a sair e a fazer alguns programas juntos. Morávamos bem perto uns dos outros." Talvez porque a parceria profissional tenha evoluído a partir de uma amizade real, o relacionamento entre os dois nos estúdios já entrou para a história. "De vez em quando, o Tom tem umas idéias meio diferentes em relação ao Steven. Aí o Steven freqüentemente dá um jeito de aproveitar o que o Tom pensa", diz o fotógrafo Kaminski . "Talvez ele não confiasse tanto nos instintos de outros atores, mas Steven confia no Tom." Sobre esta convivência Hanks, que dirigiu "The Wonders - O Sonho Não Acabou" e um episódio de "Band of Brothers", produzido por Spielberg, dirá que acima de tudo reverencia o diretor, o que pode explicar por que eles evitam qualquer conflito. Quando começaram a trabalhar juntos, logo estabeleceram regras "Eu lembro que estávamos conversando na sua casa, e eu disse 'Olha só, você não vai conseguir me magoar'", diz Hanks, se dirigindo a Spielberg. "'Sou o seu empregado, me diga o que você quer. Se eu estiver indo bem, me diga. Se eu estiver totalmente enganado, também me diga. Meu trabalho é lhe fazer feliz'". Spielberg completa: "E eu também disse a mesma coisa pro Tom: 'Se eu estiver conduzindo seu personagem para um caminho que você não concorde, por favor não faça cerimônias nem pise em ovos. Basicamente nós dois aqui somos os capitães'". Laços de famíliaOs "capitães" falam com carinho de uma viagem que sedimentou a amizade. "Tom, Rita, Kate e eu saímos num pequeno veleiro para uma viagem de 10 dias pelo Caribe", diz Speilberg. "Sob o sol falamos de tudo. Desde 'Ih, olha só que meteoro' até assuntos como política, comida, jogos de cartas, as escolas das crianças..." Hanks, 47, tem dois filhos, Chester, 13, e Truman, 8, estes com Rita Wilson; e outros dois mais velhos: Colin, 26, e Elizabeth, 22, com a primeira mulher dele, Samantha Lewes. Spielberg, 57, tem sete filhos: cinco com Kate Capshaw, com idades que variam entre 7 e 16 anos; um filho, Max, com a primeira mulher, Amy Irving; e uma enteada, Jessica, filha do primeiro casamento de Kate. Spielberg adora uma foto enorme que tem da filha Sasha Spielberg (que faz uma ponta em "The Terminal"), 14, junto com Chester Hanks. "Tinhamos uma casinha de plástico no jardim, e na foto o Chester está por ali parecendo um pouco perdido, enquanto a Sasha, com os olhinhos fechados, está tentando roubar um beijo." Enquanto os garotos se entenderam desde pequenos, a admiração entre os pais deles só faz crescer. "Se o Tom acha que acertou a cena no take 2, mas o diretor quer rodar mais 30 vezes a mesma cena, Tom vai fazer mais 30 para o diretor, sem reclamar", diz Spielberg. "Mesmo que ele saiba que o diretor vai acabar usando o take 2 na ilha de edição." Hanks pondera: "É, talvez sim, talvez não. Tanto como diretor quanto como ator, já tive momentos em que pensei que uma cena fosse perfeita, só para depois constatar: 'Puxa, não tem nada de especial nisso aí.' E já tive momentos em que estava empacado e que parecia sem solução... e a cena era fantástica. Então cabe a alguém ter essa objetividade." Alguém que freqüentemente é Spielberg. "Na boa, Steven poderia dizer para mim. 'Quero que você vá lá e dance que nem um macaco o dia inteiro' e eu iria lá dançar que nem macaco", diz Hanks. Na mesma medida, Spielberg, basicamente um diretor de dramas, permite que os instintos de Hanks para a comédia o orientem. "Eu sei onde colocar a câmera para aproveitar a gargalhada, mas é o Tom que sabe abrir espaço para os risos," diz Spielberg. Além das filmagensEm comum, eles têm mais do que simplesmente comédia, drama e Hollywood. Ambos são apaixonados pela Segunda Guerra Mundial (os pais deles foram combatentes), e também o apreço pela vida em família e visões políticas liberais que são parecidas. Eles não andam por aí cercados de celebridades, nem se preocupam com roupas elaboradas nem fazem de questão de posar como estrelas. Hanks escolhe uma cadeira normal para a entrevista de uma hora de duração, até dispensando almofadas que estavam disponíveis. Ele explica: "Estou bem tanto com esta aqui, de estilo Quaker, quanto com esta que balança". Qualquer que seja o estilo ou design, o recado é direto. Apesar dos dois Oscars (em 1993 por "Philadelphia" e em 1994 por "Forrest Gump"), três indicações (por "Quero ser Grande", "O Resgate do Soldado Ryan" e "Náufrago") e um salário de 20 milhões de dólares por filme, ele é um dos caras mais normais e menos estelares de Hollywood. Mas se você sugere que ele parece não ter um ego, ele desmente. "Tenho muito ego," diz Hanks. "É que eu tenho grande fé na sabedoria do destino, sei que as coisas acabam se encaixando. Quando filmava "Quero Ser Grande", eu era o tipo de ator que precisava conferir as "colas" de texto no set, o tempo todo. Um dia (a diretora) Penny Marshall disse: 'O que você está fazendo?' Eu respondi, todo cheio de empáfia: 'Bem, eu vou olhar as colas, porque eu sou a estrela.' E ela disse: 'Saia, porque com você por aqui não podemos falar o que precisamos dizer no set. É melhor você sair'. Isso foi como uma decisão, um toque de liberdade que eu precisava ouvir. Sim, porque alguém tem que dizer: 'É isso o que nós queremos' ou `Isso não está legal'". Hanks acredita que todo ator deveria dirigir e que todo diretor deveria atuar como intérprete; pelo menos uma vez na vida. "É assim que você aprende mesmo sobre as dificuldades de cada trabalho." Hanks dá o maior valor a "conhecer a escola das grandes dificuldades e a levar um pontapé no traseiro umas duas vezes" como fontes importantes de aprendizado. Ele parece realmente apreciar uma vida mais simples - nada a ver com o jeito-Paris Hilton-de-ser. Ele diz que gosta de passar o tempo com leituras, principalmente não-ficção (e de vez em quando lê romances para garotas, estilo chick-lit, "porque são pop"). "Para mim é um luxo ser capaz de sentar e ler. Mas isso só acontece se eu começar bem cedo, não posso começar só às oito e meia da noite. Nessa hora eu já estou acabado. Cuidar de crianças tem dessas coisas..." Spielberg vê muitos filmes e confessa ser viciado em reality shows: " Vi todas as edições de "Survivor" (a versão americana de "No Limite") e também todas de "The Bachelor" e também de "Bachelorette". Ele é fã do documentário "Super Size Me" e mal pode esperar para ver "Fahrenheit 9/11", de Michael Moore. Segundo Spielberg, é filme para faturar uns 100 milhões de dólares." Hanks repercute o mesmo entusiasmo: "Faço questão que Michael Moore leve os meus sete dólares por esse filme." Por falar em assuntos mais politizados, será que o carismático Hanks já pensou em alguma candidatura para cargo público? "Eu só receberia uns seis votos", desdenha. E explica sua falta de ambição política: "Se fosse essa a minha vocação eu diria: 'Estamos juntos nessa. Vivemos numa terra cuja grande força é a tolerância, nosso país foi construído a partir da diversidade e todos nós precisamos ceder um pouco. Temos que respeitar o que os outros dizem, mesmo que a gente não concorde com o que é dito.' "Posso atuar melhor como ator ou produtor. Prefiro ser capaz de extrair minhas possibilidades da cultura popular do que ser mais um fulano na ciranda dos canais com notícias 24 horas." Falando de notícias, o personagem de Hanks em "The Terminal" é vagamente inspirado na história de um homem que se transformou numa celebridade por viver num aeroporto de Paris . Os estúdios DreamWorks compraram os direitos da história, mas Spielberg e Hanks ainda não conhecem o "herói". Os dois estiveram na Normandia pelas comemorações dos 60 anos do Dia-D, mas... "Por que não fazer uma outra viagem?", Hanks sugere. "Eu e você deveríamos ir lá e encontrar o cara," Hanks diz para Spielberg. "É só a gente andar pelo Aeroporto e perguntar às pessoas, 'Ei, cadê o cara que vive aqui?' Vamos lá, pagar um café para ele..." Fonte: Claudia Puig - USA Today 16/06/04 15.6.04
American Film Institute premia a carreira de Meryl Streep"Ela é capaz de interpretar cada um de nós melhor do que nós mesmos interpretaríamos"Talvez ninguém na indústria cinematográfica se esforce tanto para viver cada personagem como Meryl Streep. Seja domando leões em "Entre Dois Amores" (Out of Africa), enfrentando ondas poderosas rio acima em "Rio Selvagem" (The River Wild), ou tocando um concerto de violino no Carnegie Hall em "Música do Coração". Foi essa combinação de talento, paixão e habilidade que levou o American Film Institute a conceder seu Life Achievement Award (Prêmio de Reconhecimento à Carreira) a Meryl Streep, quinta à noite, no Kodak Theatre. Há poucas pessoas de qualidade na indústria que ainda não passaram pela vida e obra de Streep, como ficou evidente nas homenagens de atores que contracenaram com ela, como Kurt Russell ("Silkwood"), Shirley MacLaine ("Lembranças de Hollywood"), Goldie Hawn ("A Morte Lhe Cai Bem"), Jack Nicholson ("Ironweed"), Robert De Niro ("O Franco Atirador"), Diane Keaton ("As Filhas de Marvin") e Clint Eastwood ("As Pontes de Madison"). "Ela teve uma diversidade de papéis maior que a de Katharine Hepburn, utilizou mais vozes e sotaques que Peter Sellers ou Laurence Olivier ... e na série 'Angels in America' atravessou a barreira dos sexos para viver um rabino de 80 anos", disse o presidente do American Film Institute, Howard Stringer. Streep, que completa 55 anos dia 22 de junho, está habituada ao reconhecimento através de premios, com dois Oscars e o recorde de 13 indicações. Mesmo assim ela disse numa entrevista estar "realmente espantada" em saber que seria a homenageada de 2004 pelo AFI, se juntando à companhia de Orson Welles, Henry Fonda, James Stewart, Bette Davis e Barbara Stanwyck. "Também achava que era muito jovem para isso", ela ri. Embora Streep seja mais reconhecida por suas densas interpretações dramáticas, ela tem um senso de humor cheio de charme, gerando muitas risadas ao longo das mais de três horas da cerimônia. James Woods contou que inventou um romance com Streep enquanto filmavam a minisérie "Holocausto" só para que pudessem evitar as conversas monótonas e auto-promocionais que aconteciam nas refeições do elenco. "Não dá nem pra descrever como é inacreditavelmente delicioso jantar com Meryl Streep a cada noite, durante quarto meses e meio," disse Woods. Tracey Ullman ("Plenty") saudou Streep por ganhar o prêmio "sem bancar a coquete nem abusar da sexualidade nesse negócio que ainda é dominado pelos homens." Mas Ullman questionou com ironia o momento da premiação da "musa do milênio". "Isso está acontecendo agora, e eu acho engraçado porque você está apenas entrando nos 50 -um período maravilhoso para muitas atrizes", Ullman acrescentou com um toque sarcástico. A escritora Nora Ephron falou sobre a experiência de ser interpretada por Streep no roteiro autobiográfico "A Difícil Arte de Amar" (Heartburn), o que ela considera ter sido "o verdadeiro maior esforço" na carreira da atriz. "Eu recomendo com entusiasmo chamar Meryl Streep para viver a vida de cada um de vocês," disse Ephron. "Ela vive cada um de nós melhor do que nós mesmos viveríamos, embora seja meio depressivo saber que, se você fosse para uma audição interpretar a você mesmo, perderia para ela." Streep aceitou o prêmio em forma de estrela com uma reverência profunda. "Será que não dava pra gente fazer isso todos os anos?", brincou. Depois ela alertou o público sobre o perigo permanente de viver um mal degenerativo que ela chama de "tributíase". "Há muitos doentes crônicos neste salão", ela comentou, "e entre os sintomas está o inchaço, especialmente na cabeça." "A doença ainda é incurável" disse Streep. "A humildade, que é um remédio homeopático, não funciona nesses casos". Ela agradeceu ao marido, o escultor Don Gummer, pela força e pelo "maravilhoso DNA" que deu a eles quatro crianças -Henry, Mamie, Grace e Louisa. Streep também agradeceu a várias pessoas que foram importantes na vida dela e que já morreram, entre elas o ator John Cazale; os pais dela, "que brigaram um contra o outro durante 60 anos , me ensinando tudo o que eu sei sobre drama"; e à atriz Colleen Dewhurst, "que me ensinou a curtir um drink entre a matinê e a apresentação da noite". Fonte: Valerie Kuklenski - Los Angeles Daily News 15/06/04 13.6.04
Dublagem não salva as piadas sem graça de "Garfield, o Filme"Humor que raramente funciona nas tirinhas não terá melhor efeito nas salas dos cinema Pra quem ainda não ouviu falar dele, uma explicação. Garfield é um gato que curte o tempo todo com a cara do dono, ridiculariza um cachorro chamado Odie e come muita lasanha. Um gato que come lasanha!? Muita maluquice, né?
Mais uma doideira -alguém na 20th Century Fox cismou que deveriam adaptar para o cinema "Garfield", a duradoura tira em quadrinhos de Jim Davis distribuída em muitos jornais e tolerada por milhões de leitores no mundo inteiro. Parece que Hollywood já aproveitou tudo o que podia das velhas e adoradas series de televisão, dos programas de TV mais descartáveis e também dos parques temáticos de Orlando, Florida. Depois disso tudo, agora os estúdios de Holywood decidem aplicar seus princípios de sinergia aos quadrinhos engraçados. Tenho a impressão de que "Garfield: O Filme" é apenas o começo. Mal posso esperar por histórias inesquecíveis como "Cathy" "Ziggy" e, claro, "Marmaduke." Veja qual é o conceito que orienta "Garfield," dirigido por Pete Hewitt a partir do roteiro de Joel Cohen com Alec Sokolow. Piadas que raramente provocam risadas quando aparecem naqueles três quadrinhos desenhados à caneta certamente vão se tranformar em pérolas do humor assim que forem dubladas por vozes de celebridades, trilha sonora (que tal James Brown com "I Feel Good"? Muito original.) e efeitos especiais via computador. Essa teoria tem muitos furos, e um deles é de natureza econômica. No papel-jornal parece até que a gente sai ganhando ao dar aquele sorriso de tédio provocado pelo sarcasmo de Garfield ou pela burrice do Odie. Você gasta ali uns R$ 3 e ainda tem a companhia do Jumble no café da manhã. Os filmes são outro negócio, e este aqui é capaz de te deixar tão mal humorado como o personagem-título. Ainda há o problema com a trama da história. Isso não costuma dar errado nas histórias em quadrinhos. Mas não é que isso é um problema em "Garfield: O Filme"? Jon (Breckin Meyer), o infeliz e encalhado proprietário do animal, se apaixona pela veterinária boazinha, interpretada por Jennifer Love Hewitt em uma série de cenas constrangidas. É ela quem solta o Odie pra cima do Garfield, que deverá superar sua preguiça e seu egoísmo quando Odie é seqüestrado por uma inescrupulosa personalidade da TV, cujo nome é Happy Chapman (Stephen Tobolowsky). Em outras palavras, o Garfield passará por um amadurececimento. Como qualquer herói de Hollywood egoísta e sofredor, ele deverá aprender uma lição valiosa. Vem cá, me desculpe, mas alguém já ouviu falar de algum gato que tenha aprendido alguma coisa na vida, valiosa ou não? A verdade sobre os gatos é que eles são imunes ao treinamento, à instrução moral ou à qualquer tipo de educação. Por favor, um pouquinho de realismo, né? Um pequeno consolo é que Garfield fala pelo jeito entediado-da-vida e debochado de Bill Murray. Também valem a pena alguns dos truques com os bichos. Odie, por exemplo, é interpretado por um talentoso (ainda bem que não tem voz!) vira-lata, que é notável no jeito de andar com as patas traseiras. O Garfield propriamente dito tem aquele jeito emborrachado e nem-tão-tridimensional típico das criaturas criadas por computador, mas até que ele se movimenta de um jeito obeso e felino que convence. O filme pode não ter as sacações e nuances da tira em quadrinhos, mas pelo menos é curto e o estúdio não economizou nas lasanhas. Fonte: A.O. Scott - The New York Times 11/06/04 12.6.04
Goonies a solta! "Conte tudo!!! Tudo!!!"
"Tá bom! Eu falo! Na terceira série, eu colei na prova de história. Na quarta-série, eu roubei a peruca do meu tio e colei na cara pra fazer o papel de Moisés na peça da escola. Na quinta série, empurrei minha irmã da escada e culpei o cachorro... Quando minha mãe me mandou para o acampamento para gordinhos, na hora do almoço eu cuspi tudo e fui mandado embora... mas a pior coisa que já fiz foi quando misturei vomito falso em casa, levei escondido ao cinema, subi nos camarotes e aí fiz um barulho tipo - blearrrrrgh, bleaaaaaargh - e joguei lá embaixo sobre as pessoas na platéia. Foi horrível, todas as pessoas enjoaram e começaram a vomitar umas em cima das outras... Eu nunca me senti tão mal em toda a minha vida!!!" "Estou começando a gostar desse garoto". Esse memorável diálogo entre os bandidos da família Fratelli e Bolão, o garoto gordinho, sem dúvida é um dos momentos mais divertidos (mas não o único) do cinema nos anos 80. Estamos falando de Os Goonies! O filme faz parte de uma das melhores safras de produções com a assinatura de Steven Spielberg. Na mesma época o cineasta estava envolvido em Indiana Jones e o Templo da Perdição, De volta para o Futuro, Gremlins e O enigma da Pirâmide. Em Os Goonies, Spielberg não só participou como produtor executivo, mas também criou a história. A direção ficou por conta de Richard Donner (Superman, Máquina Mortífera). Os Goonies são um grupo de moleques entre 10 e 16 anos que vivem no mesmo bairro. Eles estão prestes a ser despejados de suas casas por uma imobiliária que quer construir um clube de golfe na área. Se isso acontecer, cada um vai se mudar para um lado e os Goonies deixarão de existir. Quando estão arrumando a casa, descobrem o mapa do tesouro de um pirata chamado Willie Caolho, que segundo a lenda, sumiu na região. Começa então a divertida caça-ao-tesouro. Entre os meninos e o ouro, estão os irmãos Fratelli, Mama Fratelli, cavernas escuras, caveiras e armadilhas que fariam Indiana Jones sair correndo. Diferente dos filmes de adolescente da época, Goonies não é adulto como Conta Comigo (Stand By Me - 1986), nem escrachado como as séries Porky's ou A Vingança dos Nerds. Por sair da mente infantil (usada aqui no melhor sentido da palavra) de Spielberg, Goonies mostra crianças se envolvendo numa aventura de fantasia sem perder seu jeito infantil ou seus medos. Ah, e como os Goonies (Mikey, Bolão, Bocão e Dado) são pré-adolescentes, adicione também o início do interesse sexual, ingrediente que rende boas piadas. No DVD que a Warner acaba de lançar há cenas deletadas, um making-of com depoimentos de Steven Spielberg e Richard Donner, trailer, um videoclipe de mais de 10 minutos da Cindy Lauper interpretando o tema "Goonies 'r' Good Enough". Entre os trechos cortados, acreditem, nenhum deles fez falta. O mais engraçado é uma luta bizarra entre os meninos e um polvo que deve ter sido roubado de um cenário antigo de Ed Wood. TRASH TOTAL!!!!! Uma boa surpresa do DVD é a faixa comentada. Você poderá ver como estão os atores e diretor hoje e assistir ao filme enquanto eles vão contando como foi filmar cada cena. Preciso dizer que a parte preferida deles é aquela que mostra a "traquitana" que abre o portão da casa do Mikey? Cao Hamburguer e sua equipe devem ter visto este filme muitas vezes antes de preparar a abertura do Castelo Ra-Tim-Bum. 6.6.04
''Esses homens maravilhosos e suas incríveis máquinas e seus intrépidos calhambeques e seus espetaculares robôs e seus extaordinários...''Em plena década de sessenta, quando as grandes potências concentravam-se em invenções tecnológicas voltadas para armamentos nucleares e naves espaciais, o diretor inglês Ken Annakin resgata a comédia "pastelão" típica dos primórdios do século XX, através de espetaculares trabalhos cinematográficos, satirizando essa afoita interação dos homens com suas recentes criações mecanizadas, e revelando o verdadeiro espírito humano diante da competitividade. Entre as realizações de Ken Annakin (1914), destacam-se "Esses Homens Maravilhosos com suas Máquinas Voadoras" (1965) e "Os Intrépidos Homens e suas Máquinas Maravilhosas" (1969), duas interessantes e divertidas obras zombadoras do mundo de outrora, que mostram acidentadas situações em que os homens, completamente embriagados por devaneios científicos, provocam ao serem incentivados a executar perigosos inventos. A gozação expressa nesses dois filmes começa desde a propositada escolha dos seus longos títulos, que, por si só, exemplificam a capacidade de complicação humana. A trama de "Esses Homens Maravilhosos com suas Máquinas Voadoras" desenrola-se no período pré-Primeira Guerra Mundial, quando o mundo experimentava seus primeiros veículos motorizados. Já "Os Intrépidos Homens e suas Máquinas Maravilhosas" é ambientado na década seguinte, os anos vinte, quando as nações começavam a recuperar-se da então recente tragédia bélica, passando a investir em melhorias tecnológicas. A abordagem desses dois momentos históricos talvez tenha sido uma analogia aos testes com foguetes e bombas atômicas na então ocorrente Guerra Fria, como um alerta à humanidade diante de tais acontecimentos. Primeiro a ser lançado, "Esses Homens Maravilhosos com suas Máquinas Voadoras" retrata uma competição aérea, de Londres para Paris, patrocinada pelo empresário jornalístico britânico Lord Rawnsley - protagonizado magistralmente pelo grande ator inglês Robert Morley (1908-1992) - com o objetivo de divulgar o seu jornal e o seu País. Nessa desastrosa e engraçadíssima corrida participam pilotos amadores de vários países, que valem-se de suas recém-inventadas máquinas voadoras para, avidamente, conquistarem não só o ¿gordo¿ prêmio oferecido pelo patrocinador, como também elevar o status das suas respectivas nações no âmbito mundial. No elenco grandioso e internacional destaca-se, além de Morley, o trio romântico composto pela atriz inglesa Sarah Miles (1941) que representa Patricia Rawnsley, uma aristocrática e levada mocinha; pelo ator inglês James Fox (1939), como o nobre e ingênuo piloto Richard Mays; e pelo ator norte-americano Stuart Whitman (1926), como Orvil Newton, um rústico e corajoso galã, misto de piloto e caubói. Entre os outros caricatos competidores estão: o mulherengo francês (Jean-Pierre Cassel, 1932); o emburrado Oficial alemão (Gert Fröbe, 1913-1988); o irônico japonês (Yûjirô Ishihara, 1934-1987); o emotivo Conde italiano (Alberto Sordi, 1920-2003); e o indispensável trapaceiro inglês Sir Percy Ware-Armitage (Terry-Thomas, 1911-1990), assessorado por seu contrariado parceiro Courtney (Eric Sykes, 1923). Posteriormente é lançado por Annakin "Os Intrépidos Homens e suas Máquinas Maravilhosas", com a mesma abordagem de corrida de início de século, mas sem ser repetitivo, mostrando um rali internacional onde os competidores, providos de fantásticos automóveis, melhor dizendo, calhambeques, saem de vários pontos da Europa, com destino à cidade de Monte Carlo, em Mônaco. O talentoso e diversificado elenco dá um show de comicidade, destacando-se o ator norte-americano Tony Curtis (1925), que faz o galã-playboy Chester Schofield; a atriz inglesa Susan Hampshire (1938), como a esperta e refinada donzela Betty; o ator francês Bourvil (1917-1970), como Monsieur Dupont, o organizador do evento; e o ator italiano Lando Buzzanca (1935), como o guarda simpático e namorador Marcello Agosti. Ainda no elenco, e também atuantes no primeiro filme, estão Gert Fröbe, Eric Sykes e Terry-Thomas. Este último como Sir Cuthbert Ware-Armitage, novamente com as suas hilariantes trapaças. Inconfundível presença na maioria das comédias do gênero da década de sessenta, o ator inglês Terry-Thomas sempre interpretava um vilão, rabugento e trapalhão, capaz de tudo para se dar bem. Com essas duas obras o diretor Ken Annakin ressuscita criativamente a atmosfera cômica da fase inicial do cinema, além de relatar acontecimentos históricos do início de século XX, como por exemplo: a onda de invenções que pairava na época; os reflexos político-sociais gerados pela Primeira Guerra Mundial; e as lutas pela emancipação feminina. Todo esse clima, comicamente atribulado, é ricamente enfatizado pela agradável e descontraída trilha musical de Ron Goodwin (1925-2003). Para quem quer soltar boas gargalhadas, ou simplesmente alimentar gostosa nostalgia pelas comédias dos anos sessenta, recomendo assistir a estes dois excelentes filmes, no mesmo dia, preferencialmente. 2.6.04
Três robôs, Dois gênios e Um filme obrigatório Há muito tempo, em 1979, um promissor cineasta chamado Steven Spielberg estava na Inglaterra dirigindo seu quinto longa-metragem para o cinema - "Os Caçadores da Arca Perdida". Lá, ele conheceu um já aclamado colega de profissão chamado Stanley Kubrick. Surgiu ali uma amizade que durou 20 anos. Nestas duas décadas, o assunto mais discutido foi um projeto baseado no livro "Superbrinquedos duram o verão todo", de Brian Aldiss. O resultado de longas conversas e troca de idéias virou filme e pode ser visto a partir de agora no cinema.
"A.I. - Inteligência Artificial" se passa em 2141. A Terra vive um estado pós-apocalíptico em que as calotas glaciais se derreteram e inundaram boa parte da área seca. A natureza sofreu muito com isso e a tecnologia teve que evoluir para que seres humanos continuassem existindo. David (Haley Joel Osment) é fruto deste processo. Ele é um robô criado para suprir a única função que antes cabia apenas aos Homo sapiens: amar. Haley Joel Osment mostra que sua indicação ao Oscar no papel do moleque que via pessoas mortas em "O Sexto Sentido" foi justa. Nas suas primeiras cenas, ele está duro e seco. Com o passar do tempo, vai ganhando mobilidade, aprendendo a conviver com os seus "pais" adotivos e ganhando trejeitos humanizados. Único do gênero, David foi usado como teste por uma família desgastada com a doença de seu filho natural, que está congelado enquanto os médicos buscam a cura para seu problema. Com a milagrosa (e muito previsível) volta do fedelho de carne e osso ao lar, a disputa entre "irmãos" começa e a casa logo se torna pequena demais para os dois. No segundo de quatro atos do filme, David é abandonado em uma floresta e começa a busca da sua humanidade. Assim como o garoto de pau Pinóquio, David conta com o seu Grilo Falante. É Teddy, um urso de pelúcia de última geração que anda, fala e pensa. Surgem então os caçadores de andróides e no meio da perseguição, David conhece Gigolo Joe, um robô amante cheio de ginga, interpretado com maestria por Jude Law. Juntos, eles lutam pela sobrevivência num meio hostil aos Meca (abreviação de Mecânico e oposto a Orga - os homens). Como diz Joe "Eles (humanos) nos fizeram muito espertos, muito rápidos e em uma quantidade muito grande", justificando a raiva/medo que os homens têm pelas máquinas. Este espírito destrutivo é claramente kubrickiano. A corrida atrás da fada azul que transformará David num menino de verdade é mais um conto de fadas de Spielberg. Essa estranha combinação (quase que antagônica) funciona melhor do que se podia imaginar. Como o filme foi escrito, dirigido e produzido por Spielberg, fica muito fácil enxergar a sua mão no trabalho. Mas é também muito visível a influência da mente que filmou "A Laranja Mecânica" sobre o projeto. O diretor de "E.T." disse que se sentiu guiado pelo fantasma de Kubrick durante as filmagens. E segundo os produtores e atores, era comum ouvir Spielberg dizer "Stanley gostaria disso". Se guiando pelas anotações, desenhos de produção e faxes trocados com Kubrick, Spielberg faz de A.I. uma bela homenagem ao seu amigo, mas deixa claro que a palavra final é sua. A parte em que isso se torna mais visível é o final. Ou deveríamos dizer finais? Sim, porque há dois desfechos para a trama. Uma abrupta, que tem a cara e o jeito do idealizador do projeto, e a outra emotiva, totalmente spilbergiana. Para promover o projeto da vida do criador de "2001 - Uma odisséia no Espaço", Spielberg usou o que sabe fazer melhor (e o que Kubrick mais abominava): propaganda. Ele se aproveitou da tecnologia e do falso sigilo absoluto para criar muita expectativa em cima do filme. Todos os jornais, revistas e sites que tratam de cinema, seja ele comercial (Spielberg) ou não (Kubrick), dedicaram espaço para falar da complexa campanha desenvolvida para a Internet, por exemplo. O tino comercial, a visão e a sensibilidade de Spielberg foram alguns dos motivos que fizeram Kubrick abrir mão da direção de A.I., assinando apenas a produção. Infelizmente, o cineasta inglês não conseguiu sobreviver para ver como três robôs criados por dois gênios fazem um filme obrigatório para quem gosta de cinema. Talvez nem tanto pela história contada, mas principalmente pelo histórico de quem a contou, A.I. será assunto recorrente nas rodinhas de cinemaníacos. 1.6.04
O fantástico mundo do cinemaAproveitando a "Pottermania", achei interessante compilar uma lista dos principais filmes de fantasia do cinema. Obviamente vários filmes foram esquecidos (mas como sempre deixo essa tarefa para você, internauta lembrar nos comentários). A lista também é foco do Dataspoiler da semana - Não deixe de votar!!!! 1. "O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel" (2001), "As Duas Torres" (2002) e "O Retorno do Rei" (2003): O sucesso de ''O Senhor dos Anéis'' em condições tão adversas (basta se ver a quantidade de erros e fracassos que Hollywood produz a cada ano), adaptando uma obra tão difícil e monumental, é realmente algo a ser louvado e celebrado. Tanto que certamente os fãs, antigos e novos, ainda vão querer assistir às outras edições (por uns anos ainda teremos filhos dele, até um dia chegar a um único filme unindo os três episódios). É curioso como se tem menos a dizer quando se gosta de um filme. Malhar é até mais fácil. De qualquer forma, ''O Senhor dos Anéis é uma grande trilogia. 2. "Star Wars - Ep.4: Uma Nova Esperança" (1977), "Ep.5: O Império Contra Ataca" (1980) e "Ep.6: O Retorno de Jedi" (1983): Numa estrutura mitológica típica, é um desafio comum deixar o mundo limitado em que se foi criado, enfrentar provações orientado por alguém, adquirir algo que estava faltando e voltar. Em "Star Wars", Luke Skywalker (Mark Hammil), deixa o planetinha desértico em que vive, inicia suas viagens pela galáxia na companhia de Obi-Wan Kenobi, o mesmo mestre que orientou seu pai no passado, enfrenta o lado negro da força, torna-se um jedi e retorna ao seu planeta para libertar seus amigos, incluindo sua irmã gêmea - outra idéia arquetípica. Essa é a jornada do herói, apenas uma entre dezenas de estruturas míticas existentes nos filmes. 3. "A Felicidade Não Se Compra" (1946): Este filme de Frank Capra foi um fracasso na estréia em 1946, tanto que os produtores se esqueceram de renovar o copyright e ele caiu em domínio público. Acabou virando um clássico. George Bailey (James Stewart) tenta se matar na véspera de Natal, mas um anjo da guarda lhe mostra como seria sua cidade natal sem ele. Para rir e chorar. 4. "A Viagem de Chihiro" (2001): O grande projeto de Hayao Miyazaki narra as aventuras de uma menina de dez anos, acompanhada dos pais, se vê perdida num mundo desconhecido povoado por seres bizarros enquanto uma feiticeira maligna tenta impedir que ela volte ao mundo dos humanos. 5. "Monty Python Em Busca do Cálice Sagrado" (1975): Eleita como uma das dez melhores comédias pela crítica inglesa essa produção é uma leitura hilariante da lenda do Rei Arthur e seus Cavaleiros da Távola Redonda, onde todos fazem múltiplos e impagáveis papéis (o campeão foi Eric Idle, com nada menos que 13 aparições diferentes!). Apesar do orçamento ser mínimo, a direção de Terry Jones e Terry Gilliam é inspirada e disfarça com maestria as limitações, usando-as inclusive a favor da comédia. Um exemplo disso foi baterem duas cascas de côco para fingir que andam a cavalo, já que não tinham dinheiro para alugar os animais! O filme é entrecortado por alucinantes animações de Gilliam que servem como ponte para os diversos atos do roteiro. Os melhores momentos são sem dúvida o confronto entre Arthur e o Cavaleiro Negro, a aparição dos terríveis cavaleiros que dizem ''Ni!'', o ataque do coelho assassino e a cena com o velho da ponte. A gozação é tanta que nem mesmo os letreiros de apresentação escapam! 6. "O Sétimo Selo" (1957): Homem que retorna das Cruzadas encontra sua vila devastada pela peste e trava batalha existencialista com a própria Morte. Este é o tipo de filme que será odiado ou amado dependendo do olhar do espectador: Se você desconsiderar que o filme está focado na angústia existencial humana, que foi feito em 1957, numa Europa com pouco mais de 10 anos após 2ª guerra, que aquilo que hoje parece chavão piegaz, na época era inovação que conciliava imagem, iluminação e texto e que foi exaustivamente copiado de uma forma ou de outra pelo cinema tornando tudo isso massante e chato, aí sim vc achará este filme um saco....Mas se vc levar em consideração tudo isso e realmente gostar e conhecer um pouco de cinema e de certas áreas humanas como filosofia, psicologia e história, aí sim será um prato cheio.... 7. "O Mágico de Oz" (1939): Maravilhosa esta adaptação do clássico homônimo da literatura infantil. Os cenários e a produção em si são de uma riqueza tamanha que nem parece que o filme foi feito no longínquo ano de 1939, quando nem se imaginava o que um dia seria possível fazer com computadores e efeitos em CGI. Aliás, é bem melhor assim. Se fosse feito nos dias de hoje "O mágico de Oz" certamente não se tornaria o clássico que se tornou. Recheado com humor pastelão é de fazer rir não só as crianças, como também qualquer adulto que se recusa a crescer. As perfomances dos amigos de Dorothy são simplesmente hilárias, lembrando em muito às atuações dos "Três patetas" ou dos "Trapalhões" em seus melhores momentos. Estes últimos inclusive fizeram um filme que se chamava "Os trapalhões e o mágico de Oroz", em homenagem a este velho e bom clássico. 8. "O Tigre e o Dragão" (2000): Brinquedos, pérolas ou eletrodomésticos. Os produtos chineses são geralmente discriminados e taxados como de segunda linha. O mesmo acontece com o cinema. Apesar de ser um dos mais ricos mercados produtores de filmes do mundo e o maior do oriente, os filmes da região dificilmente conseguem emplacar na América. "O Tigre e o Dragão" chegou para quebrar este tabu. Dirigido por Ang Lee, este épico baseado numa série de livros chineses foi aplaudido em pé em Cannes, é o filme em língua estrangeira mais visto no poderoso mercado ianque e recebeu quatro Oscar´s em 2001. Público, mercado e críticos se renderam ao estilo chinês de fazer filmes de ação. Quem gostou das lutas de Matrix vai se deliciar com o trabalho do coreógrafo Yuen Wo-Ping, fazendo os atores voar, andar sobre a água e, claro, lutar como nunca! 9. "Toy Story" (1995) e "Toy Sory2" (1999): Imagine o quarto de uma criança repleto de brinquedos: soldadinhos, robôs, tanques de guerra, monstros e animais. De repente, tudo isso ganha vida própria. Essa é a idéia número um de ''Toy Story''. A número dois parte de uma concepção real e culmina com a engenhosidade fantástica dos roteiristas. A real: aqui a criança tem um brinquedo predileto, um cowboy chamado Woody. A fantasia: Woody (dublado por Tom Hanks) e todos os outros brinquedos não admitem a chegada do astronauta Buzz Lightyear (voz de Tim Allen), o novo brinquedo que a criança ganhou de aniversário. A aventura tem início e os protagonistas são somente os brinquedos, tendo à frente Woody e Buzz. O primeiro leva aquilo como uma guerra territorial. O segundo tem um drama interior, pois acredita mesmo ser um astronauta e conquistador de planetas. Mais à frente revela-se sua verdadeira origem, resultando num momento bastante sublime e comovente. 10. "A Espera de um Milagre" (1999): Desde que sua história ''Carrie - A Estranha'' foi levada às telas em 1976, o escritor Stephen King já viu cerca de 50 criações suas transformadas em filmes. A maior parte delas oferece tensão em cima do sobrenatural, carregando nas atitudes mais perversas e cruéis do ser humano. Mas ''À Espera de um Milagre'' sai um pouco dessa linha. Apesar de se passar no corredor da morte de uma prisão dos EUA, onde criminosos aguardam serem executados, a trama toma um rumo mais místico e altruísta. E há momentos que o espectador se vê diante de um típico drama em torno da busca da justiça. Isso porque o personagem que gera a maior movimentação na história, o imenso Jeff Coffey alega ser inocente do crime que é acusado. |