![]() TOP10 SPOILER 1. Ratatouille 2. Paris, Te Amo 3. Treze Homens e um Novo Segredo 4. Harry Potter e a Ordem do Fênix 5. O Despertar de uma Paixão 6. Zodíaco 7. Lady Vingança 8. Shrek Terceiro 9. Ventos da Liberdade 10. Homem-Aranha 3 TOP3 JANEIRO 1. Babel 2. Apocalypto 3. Diamante de Sangue TOP3 FEVEREIRO 1. Pecados Íntimos 2. Cartas de Iwo Jima 3. A Rainha TOP3 MARÇO 1. Notas Sobre um Escândalo 2. O Cheiro do Ralo 3. 300 TOP3 ABRIL 1. Vermelho como o Céu 2. Ventos da Liberdade 3. Miss Potter TOP3 MAIO 1. Lady Vingança 2. Homem-Aranha 3 3. Nome de Família TOP3 JUNHO 1. O Despertar de uma Paixão 2. Zodíaco 3. 13 Homens e Outro Segredo TOP10 CURTAS 1. O Nosso Livro 2. As Coisas que Moram nas Coisas 3. Alguma Coisa Assim 4. Balada das Duas Mocinhas de Botafogo 5. Yansan 6. Crisálidas 7. Tyger 8. Aquele Cara 9. Lady Christhiny 10. Meu Namorado é Michê OS BONS COMPANHEIROS Casa com Design Devaneios da Linda Dios Mio! Espalhafatos Gandalf Impressões de Ontem Levando a Vida Mandamos Você... Mi Casa, Su Casa Necrosis Pernambaiano Primado do Opinante Ramsés Séc.XXI Sara Mello Sur Le Divan d´Amelie Poulain Tricotando Vindaloo With Out Trace CINEMA PARADISO Blog do Sergio Dávila Blog do Vinícius Pereira Caderno Cinemeiro Cine na Veia Cinefilo On-Line Cinema Mon Amour Cinematógrafo XXI Cool 2 Ra Epílogo Filmes do Chico Hollywoodiano Ilustrada Império Cinéfilo Laranja Digital Pasmos Filtrados Punch Drunk Movies Revista de Cinema Tarantino The Cave Under Pressure UM TIRO NO ESCURO Alguns Adendos Antenado Blog Kálido BrainStorm #9 Brasil! Brasil! Cabeça de Batata Cambalhota Caminhar Circulando Depósito do Calvin Diário Evolutivo El Collage Gisele Christensen Gorduchas Gostosas Mais dos Mesmos Obnubilado Pensar Enlouquece Pra Hoje Realidade Torta Sara Mello Sounds of Silence Tudo Vai Mudar... Verdes Verdades TERRA ESTRANGEIRA Sundance - Sundance film festival Berlinale - Internationale filmfestspiele Berlin Tribeca - Tribeca Film Festival It's all true - International Documentary Film Festival Cannes - Festival international du film Annecy - Festival international du film d´animation Animamundi Valência - Mostra de Valencia Cinema del Mediterrani Locarno - Festival Internazionale del Film Locarno Gramado - Festival de Cinema Brasileiro e Latino Curtas - Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo Saravejo - Sesti dan Saravejo Film Festivala Veneza - Mostra D'arte Cinematografica di Venezia Toronto - Toronto film festival São Sebastian - Festival Internacional de Cine Donostia San Sebastian Rio - Rio de Janeiro Int´l Film Festival Nova York - New York film festival São Paulo - Mostra BR de Cinema MONDO OSCAR Alfred - Liga dos Blogs Cinematógraficos Oscar - Acadêmia de artes e ciências de Hollywood Globo de Ouro - Hollywood foreign press association National Board of Review Independent Spirit Awards American Film Institute BAFTA - British Academy of Film and and Television Arts BFCA - Broadcast Film Critics Association |
29.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Filme O Melhor filme de todos os tempos no último anoO Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei Durante toda a minha vida de cinéfilo, sempre me perguntei como teria sido assistir aos grandes épicos do cinema na época em que foram lançados. Como os espectadores reagiram em 1933 quando o King Kong apareceu pela primeira vez na tela? E quando o Ben-Hur venceu a corrida de bigas em 59? Como seria a emoção de ver em 1962 o fulminante ataque à cidade de Agraba em Lawrence da Arábia? Ou ainda... como teria sido conferir 2001 - Uma odisséia no Espaço (1968) e Star Wars (1977)?
A resposta para essas perguntas veio em 2001 na forma de nove companheiros, unidos numa missão para salvar seu mundo, a Terra-média. Era a especial adaptação da cultuada trilogia do sul-africano J.R.R.Tolkien para as telas, conduzida por um desacreditado neo-zelandês chamado Peter Jackson, que empreendeu uma cruzada quase tão penosa - e satisfatória no final - quanto à de Frodo, Sam e seus aliados. Veio "A sociedade do Anel" e com ele cenas memoráveis, como a fuga das Minas de Moria, o primeiro passeio pelo Condado, a beleza de Lothlórien, a corajosa queda de Boromir. O começo da aventura era sensacional e o final da produção irritava os desavisados. "Cadê o final?", perguntavam-se as pessoas que estavam tomando contato pela primeira vez com a obra. Mais um ano se passou, até que "As Duas Torres" entrou em cartaz, estabelecendo novos parâmetros de ação épica. A grandiosa batalha do Forte da Trombeta é superada pela revolução digital. Dezenas de milhares de guerreiros cobrem a paisagem, numa investida à fortaleza do Abismo de Helm, onde Aragorn, Legolas e Gimli lutam lado a lado com os defensores de Rohan contra as hordas invasoras. É impossível deixar de maravilhar-se com a escala da aventura. Enquanto isso, Gollum - a impressionante criatura digital comandada por Andy Serkis - cativava a audiência pela sua miséria e sofrimento. Agora, só faltava um. E chega às telas o terceiro capítulo, "O Retorno do Rei", historicamente o ponto fraco de várias trilogias no cinema. Star Wars, por exemplo, tem em O retorno de Jedi seu elo mais fraco. O poderoso Chefão e De volta para o futuro idem. Matrix revolutions... bem, melhor nem falar sobre esse. Apesar das desconfianças, Peter Jackson insistia "fiz os dois primeiros só para poder realizar esse". Um cineasta nunca foi tão feliz numa afirmação. Parecia impossível, mas o derradeiro capítulo é também o melhor. Tão veloz que as primeiras três horas passam como um curta-metragem, O retorno do Rei extrapola a escala da ação mostrada no segundo filme. Se antes os guerreiros eram dezenas de milhares, agora perdem-se de vista. E não vem sós... nâzgul alados participam do ataque à capital da humanidade, Minas Tirith, ao lado de orcs, uruk-hais, trolls, bárbaros humanos e os impressionantes Olifantes de guerra, tudo isso mostrado de forma perfeitamente inteligível, orquestrada em sintonia com a música grandiosa de Howard Shore. O sentimento, ou melhor... o sentimentalismo, também não é esquecido, com passagens carregadíssimas de emoção. Na trama, Frodo (Elijah Wood) e Sam (Sean Astin), famintos e sedentos, estão à beira da loucura e suas provações ainda estão longe do fim, já que eles precisam atravessar Mordor, lar do terrível senhor da escuridão, Sauron. Aragorn (Viggo Mortensen) finalmente aceita seu papel na história da humanidade e torna-se aquilo que ele nasceu para ser. Entretanto, há um obstáculo ainda mais dramático em seu caminho, algo capaz de mudar o rumo do conflito. Gandalf, o Branco (Sir Ian McKellen) desponta como um general audacioso, capaz de devolver a coragem aos guerreiros de Rohan. Merry (Dominic Monaghan) e Pippin (Billy Boyd) tornam-se soldados e terão papéis fundamentais no confronto. Théoden (Bernard Hill) lidera as forças de Rohan e protagoniza, ao lado de sua sobrinha Éowyn (Miranda Otto) algumas das melhores seqüências do filme. Aliás, a participação da moça certamente deixará as feministas em êxtase! Prováveis prêmios: 8 OSCARs incluindo melhor Filme, Diretor (Peter Jackson), Direção de Arte, Trilha Musical, Canção ("Into the West"), Maquiagem, Som e Efeitos Visuais Sobre Meninos e Lobos Com os cinemas cada vez mais abarrotados de magos, demônios, superseres e outros caprichos dos efeitos especiais é de se esperar que o público já esteja amortecido com formas maniqueístas de se ver o mundo. Há o time do bem e o pessoal do mal em constante conflito. Cabe ao público torcer pelos seus heróis. Entretanto, em "Sobre meninos e lobos" (Mystic river), adaptação de Clint Eastwood do romance homônimo, não há nenhuma linha divisória, nem espectros diferentes da mesma moeda. Seu mundo é duro, seco e repleto de sentimentos.
Desconfiança, impotência, egoísmo, dor, ódio e, principalmente amor, são os catalisadores da vida dos personagens que somos levados a conhecer. Quando crianças Jimmy Markum (Sean Penn), Dave Boyle (Tim Robbins) e Sean Devine (Kevin Bacon) eram garotos normais aprontando na vizinhança. Um dia, flagrados por um policial, Dave foi forçado a entrar num carro, num acontecimento que mudaria sua vida e, indiretamente, a de seus amigos. Mas isso é passado. Hoje adultos, os três seguem suas vidas de formas distintas até que um novo evento trágico faz com que seus caminhos se cruzem de maneira inesperada, demonstrando o quanto assuntos mal resolvidos podem reverberar, não importando o tempo. Mas a película de Eastwood não é veículo para lições de moral simplistas. Quanto mais conhecemos sobre os personagens, mais nuances descobrimos sobre eles, menos claros e unidimensionais eles se tornam. Cada camada revelada leva o espectador a novas possibilidades, identificações ou mesmo repulsa com relação ao trio. Tudo muito verdadeiro, cru e forte. Em especial a presença da morte e suas conseqüência diante daqueles que amam alguém que se foi recentemente. Inclusive a fé, em um plano mais sutil, porém onipresente em atitudes, cenários e até mesmo no corpo de um dos personagens, permeia de significado as atitudes de todos. Atitudes que demonstram o quão apavorante pode ser, não a vida real, mas nós mesmos. Que por trás de camadas e camadas de regras e aparências sociais, escondemos nossos demônios. Saem-se melhor aqueles que sabem lidar com isso, perdem aqueles que preservam sua inocência. Prováveis prêmios: 3 OSCARs incluindo melhor Ator (Sean Penn), Ator Codjuvante (Tim Robbins) e Roteiro Adaptado. Encontros e Desencontros Vez por outra, surge uma pedra preciosa no cinema, lapidada a partir de vidro. Um filme que prova que a sétima arte não precisa ser milionária para encantar a audiência. Sem efeitos especiais, sem ousadias estilísticas de diretor, sem maquiagens ou estrelismos. Apenas um cineasta preocupado em contar uma história e atores empenhados em torná-la real.
"Encontros e desencontros" é assim... simples. Sofia Coppola, que já havia honrado o legado da família em Virgens suicidas, conduz de maneira brilhante e irretocável os 105 minutos da fita. Sem excessos, apenas observando e deixando Bill Murray ("Os excêntricos Tenembauns") e Scarlett Johansson ("Mundo fantasma") interpretarem Bob Harris e Charlotte, os protagonistas da história. Vale destacar também a trilha sonora, uma das melhores desde Pulp Fiction. O filme foi totalmente rodado em Tóquio, uma alucinação em néon cravada na Terra do Sol Nascente. Uma nação de contrastes, onde tradição, ocidentalização e exageros convivem lado a lado. Bob Harris está lá para gravar uma propaganda de uísque, aproveitando seu restinho de fama como ator, badaladíssimo nos anos 70. Charlotte acompanha o marido (Giovanni Ribisi), um famoso fotógrafo de celebridades que está trabalhando com a imagem de uma banda de rock local. Ambos estão milhares de quilômetros longe de casa, tristes, e nenhum dos dois consegue dormir com o fuso horário de 24 horas. Mais do que isso, não encontram suas próprias identidades. O problema, claro, não é o Japão. A história poderia ter sido rodada em Berlim, Madagascar ou São Paulo. Se, num primeiro momento, o filme parece o retrato fiel de uma cultura local, logo percebemos que Sofia Coppola faz a crônica da impessoalidade de um planeta globalizado. Inicialmente, a insônia é o pretexto para as conversas de Bob e Charlotte, já que eles freqüentemente encontram-se por acaso no bar do hotel em que estão hospedados. Em pouco tempo, porém, os novos amigos já estão circulando juntos pela exótica cidade. O começo pode até parecer algo saído de uma comédia romântica, mas Encontros e desencontros está longe de poder ser classificado assim. É uma história de amor, sem romance. Coppola é sutil. Revela aos poucos os sentimentos de seus personagens, jamais desmerecendo a inteligência do espectador. Bill Murray, contido e profundo, tem a atuação de sua vida. Memorável. Scarlett Johansson também não fica atrás. Ela não tem o padrão de beleza das jovens beldades de Hollywood, mas seu talento deve colocá-la em papéis que, no passado, ficariam com atrizes como Jodie Foster ou Merryl Streep. Prováveis prêmios: OSCAR de Roteiro Original (talvez Melhor Ator para Bill Murray) Mestre dos Mares - O Lado Mais Distante do Mundo Uma parte da época em que os súditos da Rainha dominavam a Terra, e principalmente os sete mares, é mostrada em "Mestre dos mares - O lado mais distante do mundo" (Master and commander - The far side of the world), de Peter Weir. Baseado em uma série de livros do escritor Patrick O'Brian, a história tem pitadas da História, como quando o fictício Capitão Jack Aubrey (Russel Crowe) fala de sua experiência ao lado do famoso (e verdadeiro) comandante Nelson, que mesmo antes de liderar os ingleses na batalha que derrotou Napoleão, em Trafalgar, já era era um líder carismático e reconhecido.
Nestes dias de domínio britânico, Aubrey segue os passos, ou melhor, os ventos de Nelson. A bordo do seu HMS Suprise, nenhum marujo ousa questioná-lo. O mesmo não se pode dizer do médico e naturalista Stephen Maturin (Paul Bettany), amigo pessoal de Aubrey e com quem faz dupla de cordas (violino e violoncelo) nos poucos momentos de descanso. A missão do navio inglês em alto-mar é deter a embarcação francesa Acheron, que os deixou em frangalhos num primeiro encontro. Esta batalha, que acontece logo no início do filme, é uma das mais emocionantes já filmadas e é dela que nasce a obstinação de Jack em perseguir o navio francês, visivelmente superior ao seu, até o Oceano Pacífico. No caminho, há até uma parada para abastecer em portos brasileiros, onde é vista a única mulher de todo o filme, uma bela mulata de sorriso largo. Prováveis prêmios: OSCAR de Efeitos Sonoros Seabiscuit - Alma de Herói Baseado no livro "Seabiscuit - uma lenda americana", de Laura Hillenbrand, o filme "Seabiscuit: Alma de herói" adapta a história verídica de três homens emocionalmente feridos, uma nação abalada e um cavalo incompreendido, que devolveu aos Estados Unidos seu orgulho.
Na década de 30, a Grande Depressão, período negro que começou com a queda da Bolsa de Nova York, levou milhares de pessoas ao desemprego, arruinou empresários, provocou falências e multiplicou as tensões sociais. Nessa época conturbada, Howard (Jeff Bridges), um dos maiores comerciantes de automóveis do país, redescobre o amor (depois de perder seu filho e esposa) e passa a investir em cavalos de corrida. Para o cargo de treinador, contrata Tom Smith (Chris Cooper), um vaqueiro calado e excêntrico, que não conseguia emprego fixo, mas que possuia uma empatia com os animais fora do comum. Smith passa a rodar estrebarias em busca de um animal diferente, com potencial adormecido, para conseguir pagar barato e treiná-lo para tentar vitórias em páreos menores. Numa dessas visitas encontra o pequeno Seabiscuit, animal preguiçoso, de pernas tortas, maltratado e rebelde. O olhar dos dois se cruza e Seabiscuit é comprado. A escolha do jóquei é semelhante. O treinador esbarra em Red Pollard (Tobey Maguire) por acaso e identifica no rapaz as mesmas qualidades e problemas que tem o seu cavalo. Abandonado quando adolescente, o fracassado Red passa a vida fazendo bicos e montando por um teto e um pouco de comida. Juntos, Howard, Smith, Pollard e Seabiscuit começam um trabalho que entrará para a história. Seabiscuit tem ares de épico. A grandiosidade dos circuitos, a recriação das corridas e a reconstituição de época são perfeitas. O diretor Gary Ross (A vida em preto e branco) mistura imagens de arquivo com as filmagens e ambienta o espectador em um dos períodos economicamente mais desesperadores que já viveu o povo americano. Além da história, daquele tipo que parece bom demais para ser verdade, a recriação das mais famosas corridas de Seabiscuit, documentadas em detalhes pelos narradores da época, é uma verdadeira lição de como registrar velocidade em película. Nada das pataquadas de filmes tipo Velozes e furiosos... em Seabiscuit, a ação tem uma carga emocional intensa, que só é aliviada quando os animais cruzam o disco final. Prováveis prêmios: Nenhum (Talvez Fotografia) SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Diretor A consagração de Peter Jackson Eis os indicados deste ano:
Peter Jackson por ''O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei'': Sete anos de trabalho, o maior risco da história do cinema, e um triunfo estético e comercial. Nas rédeas da trilogia mais festejada do cinema contemporâneo, Peter Jackson comportou-se como um verdadeiro líder, equilibrando as funções de estrela com a de homem de negócios, conduzindo a saga de "O Senhor dos Anéis" para seu lugar na história do cinema. O cineasta perdeu os pais durante as filmagens, precisou se afastar da família para comandar 6 equipes de direção e consegiu aliar a necessidade de fazer cinema e adaptar uma obra adorada por milhões de pessoas. Jackson manteve qualidade espetacular em três longas e em nenhum momento pareceu perder o controle da situação. Clint Eastwood por ''Sobre Meninos e Lobos'': Desde "Os Imperdoáveis", a obra-prima que renovou o western para o mundo em 1992, Clint não mostrava tanto domínio atrás das câmeras em "Sobre meninos e lobos", um cuidadoso estudo sobre tragédias e consequências na vida de três pessoas. Sofia Coppola por ''Encontros e Desencontros'': Aos 32 anos, Sofia Coppola tem a mesma idade de seu pai, Francis, quando ele ganhou o OSCAR de roteiro por "Patton". Em seu segundo trabalho atrás das câmeras, a ex-mulher de Spike Jonze tem a chance de chamar a sua herança e mostrar que sua força não está apenas no nome, mas também no talento e na sensibilidade única que transmite no singelo "Encontros e Desencontros" Peter Weir por ''Master and Commander - Mestre dos Mares'': Não fosse pela mente equilibrada, pelo pensamento lógico e pela visão artística de Peter Weir, as peripécias de Jack Aubrey, fatalmente sucumbiriam e direção a saída fácil da "aventura nos sete mares". Fernando Meirelles por ''Cidade de Deus'': Diretores brasileiros costumam desdenhar o OSCAR. Mas estar na segunda mais importante categoria do maior prêmio do cinema é honra para poucos. Sua câmera ágil, o senso de narrativa e o controle dos atores são ingredientes que não precisam de legendas. Com o Directors Guilds Awards e o Globo de Ouro na sua lista recente de triunfos, Peter jackson já pode contar em ter que fazer um discurso. Qualquer outra perspectiva do prêmio é improvável 28.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Ator Hollywood tem nova era de ouro da atuaçãoA atuação de Charlize Theron em "Monster" foi declarada "uma das maiores performances na história do cinema". Tal hipérbole por parte de um crítico sempre corre o risco de causar espécie, mas não junto a mim. Isso acontece em parte porque também admiro o trabalho de Theron em "Monster". Mas é também porque seria hipocrisia pura de minha parte zombar de uma declaração histórica tão grandiosa. Eu disse coisas igualmente extravagantes ao saudar o trabalho de um colega de Theron, quando afirmei que o retrato que Sean Penn faz de Jimmy Markun em "Sobre Meninos e Lobos", de Clint Eastwood, é um dos trabalhos de atuação definitivos dos últimos 50 anos. Em 2003, Sean Penn e Charlize Theron ofereceram a prova mais contundente de que estamos vivendo uma época extraordinária, um período que, futuramente, olhando em retrospectiva, diremos que foi o dos anos dourados da atuação nas telas. É artigo de fé entre os cinéfilos de todos os gostos, há muito tempo, que o presente -qualquer presente- não passa de sombra pálida do passado. Afinal, muito tempo atrás, na era dos estúdios, tínhamos astros e estrelas de cinema -gente como Cary Grant, Bette Davis, Katharine Hepburn, Humphrey Bogart e assim por diante- como certamente nunca voltaremos a conhecer. E então, nas décadas do pós-guerra, o Group Theater, o Actors Studio e a era heróica do drama americano sério produziram uma geração de atores capazes de provocar emoções profundas no espectador. Os astros de cinema dos velhos tempos seduziam seu público pelo fato de se manterem basicamente iguais, filme após filme. Independentemente de quem estivesse fazendo de conta ser, ou de se o estivesse fazendo a pedido de George Cukor ou de Alfred Hitchcock, Cary Grant era sempre e esplendidamente Cary Grant. A variedade mais nova de ator, aquela que foi exemplificada em Robert De Niro e Meryl Streep, alcançava seu status transformando-se completamente de um papel a outro -dominando novos sotaques, ganhando e perdendo peso e refratando seu carisma através do prisma da autenticidade. Essas fases anteriores sugerem a longa evolução do cinema americano, desde a teatralidade estilizada e burilada em direção a um naturalismo cada vez mais cru e não mediado que, com freqüência, também era altamente estilizado, ele próprio. Essa evolução pode ser acompanhada, entre os homens, desde Marlon Brando a Warren Beatty e Paul Newman, chegando a Al Pacino, De Niro, Dustin Hoffman e Robert Duvall. Entre as mulheres, passa por Natalie Wood, Faye Dunaway, Sally Field e Meryl Streep. Charlize Theron e Sean Penn, nos papéis pelos quais foram indicados ao Oscar com certeza representam ainda mais um avanço no rumo do realismo, na medida em que se esforçam furiosamente para desaparecer dentro da pele das pessoas violentas e problemáticas que representam. Sempre houve um certo grau de ostentação nesse tipo de auto-apagar-se totalmente concentrado, algo que é um dos grandes paradoxos da atuação realista: quanto menos você a nota, mais notável ela é. Uma das coisas que têm em comum algumas das atuações mais notáveis do último ano, tenham ou não valido indicações ao Oscar, é uma espécie de evitar cuidadoso dos excessos, algo feito com discrição meticulosa. Chiwetel Ejiofor, o ator de teatro inglês que representa um médico nigeriano exilado em "Coisas Belas e Sujas", de Stephen Frears, raramente eleva a voz acima de um sussurro; o sofrimento, a vigilância atenta e a decência cansada do personagem são expressas pelos olhos do ator e os músculos de seu maxilar. Hoje em dia, freqüentemente se lamenta a escassez de astros de cinema inegáveis -definidos como os atores e atrizes não apenas capazes de gerar boas bilheterias, mas cuja presença é maior do que a soma de seus papéis. De fato, os astros e estrelas de cinema podem estar a caminho de se tornarem obsoletos. Um fato curioso sobre os indicados ao Oscar de melhor filme neste ano é que três dos cinco -"O Senhor dos Anéis", "Seabiscuit" e "Mestre dos Mares", que, por coincidência, não estiveram entre os de produção mais cara- não receberam indicações nas categorias de atores. Ao lado desses grandes espetáculos figura um punhado de filmes menores -de escala modesta demais, possivelmente, para serem levados em conta para o prêmio de melhor filme- que dominam nas categorias de atuação. Eles incluem "Terra de Sonhos", "House of Sand and Fog" e "21 Gramas". Esses filmes, ao lado de "Sobre Meninos e Lobos", com suas três indicações para atores, sugerem que o atual renascimento da atuação pode estar subvertendo o "star system" de outras maneiras, na medida em que insiste sobre a primazia do conjunto e ignora a tradição injusta de separar os astros verdadeiros ou potenciais dos atores acostumados a representar determinados tipos de papéis. Atores como esses precisam de mais e melhores filmes, porque, na maioria dos casos, seu trabalho se destaca contra um pano de fundo desinteressante. Sempre há mais bons atores do que existem prêmios e indicações, e sempre haverá mais bons atores do que papéis que valem a pena. Mas, quando os ganhadores do Oscar subirem ao palco, amanhã, valerá a pena considerar que, por um instante, estão à frente de uma multidão, e que aquele palco poderia facilmente estar repleto de seus pares. Eis os indicados em ordem de favoritismo ao OSCAR de melhor ator (Novamente, o nome das atores estão linkados para suas respectivas biografias neste site): Sean Penn por ''Sobre Meninos e Lobos'': A Academia tem verdadeira aversão por atores politizados, seja pelos discursos de protestos, seja por excentricidades. Mesmo assim, o OSCAR não consegue deixar Sean Penn de lado. Panfletário e antigovernista, Penn visitou o Iraque antes da invasão americana e publicou artigos em revistas e jornais. Sua inteligência política também levou ao que deve ser o seu ano mais brilhante: Vencedor do prêmio SPOILER e eleito melhor ator no Festival de Veneza por ¿21 Gramas¿ e no Globo de Ouro por "Sobre Meninos e Lobos" e indicado ao OSCAR pelo mesmo trabalho. Bill Murray por ''Encontros e Desencontros'': Um caça fantasma no OSCAR? Será que os membros da Academia ficaram caducos de vez? Esse tipo de questionamento só pode ser feito por quem não passou perto de "Encontros e Desencontros". Bill Murray mostra toda sua genialidade em sequências que não precisam nem mesmo de diálogos para passar os mais variados sentimentos. Ele pode até não faturar a estatueta, mas já ganhou algo melhor: respeito. Johnny Depp por ''Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra'': Papéis cômicos nunca são valorizados pelo OSCAR. Nada melhor que Johnny Depp, talvez o mais importante ator de sua geração, para mudar isso. No corpo e trejeitos do capitão Jack Sparrow, o ator não só conseguiu atrair os holofotes ao lado de Orlando Bloom, como fez o barco de "Piratas do Caribe" velejar rumo aos 300 milhões de dólares. É um dos papéisque marcam uma geração e dão novo rumo na carreira, atestando que nem sempre normalidade significa lucro em filmes de ação. Ben Kingsley por ''Casa de Aréia e Névoa'': Desde que encantou o mundo em "Ghandi", Bem Kingsley não tem a chance de mostrar sua versatilidade para a Academia. Há anos que o inglês não testa tanto os limites do bem e do mal quanto na trama "House of Sand and Fog" Jude Law por ''Cold Mountain'': Anthony Minghella cometeu o erro supremo ao colocar o charmoso Jude Law como coadjuvante em "O Talentoso Mr. Rippley". Para nossa sorte, o diretor corrigiu a falha em "Cold Mountain", escalando Law como o soldado sulista que deserta no campo de batalha para poder voltar para a amada. Obstinado, sofrido e, sobretudo, sensível, o personagem é o típico herói grego que abre as portas em Hollywood. As categorias artísticas estão se tornando emocionantes nos últimos tempos: Sean Penn levou o Globo de Ouro, Bill Murray fez um discurso irônico e muito engraçado ao receber seu BAFTA e no SAG, os votos se dividiram entre Sean Penn e Bill Murray de tal forma que entrou um terceiro candidato, uma zebra total, John Depp. Continuo apostando em Sean Penn, mas não ficaria surpreso se os comediantes ganhassem. Fonte: A. O. Scott, New York Times 27.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Atriz A fórmula secretaExiste alguma "fórmula secreta" para ganhar um OSCAR?Por incrível que pareça existe! Se você é um Ator/Atriz capaz de qualquer coisa por um carequinha dourado, siga estes pequenos conselhos de SPOILER: Seja um amigo pessoal de Deus (Jennifer Jones em "A Canção de Bernadette", Bing Crosby e Barry Fitzgerald em "O Bom Pastor"); se você é durão, sapateie (James Cagney em "A Canção da Vitória"); se você é comediante, faça um papel sério, dramático (Red Buttons em "Sayonara", Jack Lemmon em "Vício Maldito"); se você é ator dramático, use um nariz engraçado (Lee Marvin em "Dívida de Sangue", José Ferrer em "Cyrano de Bergerac", Nicole Kidman em "As Horas"), tire a dentadura (Walter Huston em "O Tesouro de Sierra Madre", todos os OSCARs de Walter Brennan), merecendo nos anos passados - Joan Fontaine em "Suspeita" (merecia por "Rebecca"), Glenda Jackson em "Um Toque de Classe" (merecia por "Domingo Maldito"), Julia Roberts por "Eric Brockovic" (merecia por "Uma Linda Mulher"); se você é uma mulher glamourosa, mostre sua idade (Vivien Leigh em "Uma Rua Chamada Pecado", Elizabeth Taylor em "Quem tem Medo de Virginia Woolf"), ou deixe as sombrancelhas ficarem grossas (Olivia de Havilland em "Tarde Demais", Jane Wyman em "Belinda"), ou rasgue o vestido (Sophia Loren em "Duas Mulheres"), ou use roupas comuns (Grace Kelly em "Amar é Sofrer", Patricia Neal em "O Indomado"). Tem mais: Se você é uma garota de família, faça papel de prostituta (Donna Reed em "A um Passo da Eternidade", Shirley Jones em "Entre Deus e o Pecado", talvez este ano com Charlize Theron por "Monster"); se você é um gentleman, faça papel de alcoólatra (Ray Milland), ou de nerd (David Niven em "Vidas Separadas"). Se sua carreira está mal, dê a volta por cima (Sinatra em "A um Passo da Eternidade", Ingrid Bergman em "Anastácia, a Princesa Esquecida", Joan Crawford em "Alma em Suplício"), ou então seja preterida num papel ( como Julie Andrews, que recebeu o prêmio por "Mary Poppins", ao perder para Audrey Hepburn o papel de "My Fair Lady", que havia criado no palco), ou quase morra (Elizabety Taylor em "Disque Butterfield 8"), ou perca os braços por seu país ( Harold Russel por "Os Melhores Anos de nossas Vidas") ou sobreviva o tempo suficiente ( Margareth Rutherford em "Gente Muito Importante", Katharine Hepburn por três vezes, John Wayne em "Bravura Indômita, George Burns por "Uma Dupla Desajustada", Ruth Gordon por "O Bebê de Rosemary") ou então morra (Peter Finch). Pela tendências da Academia, fica fácil eleger os favoritos deste ano. Eis os indicados em ordem de favoritismo ao OSCAR de melhor atriz: (Novamente, o nome das atrizes estão linkados para suas respectivas biografias neste site). Charlize Theron por ''Monster'': Loira, alta e dona de uma beleza exuberante, Charlize Theron entra na disputa com uma vantagem sobre as outras canditadas: Levou o Globo de Ouro, o SAG e o SPOILER por sua atuação em "Monster", onde vive uma polêmica prostituta assassina que foi executada nos anos 80. Praticamente irreconhécivel, a gata sul-africana tem boas chances de papar o OSCAR. Afinal de contas, a Academia adora mulheres bonitas que deixam de lado o glamour. Diane Keaton por ''Alguém Tem que Ceder'':É a mais experiente da turma e uma veterana em se tratando de OSCAR, e ganha sua indicação pelo seu romance com Jack Nicholson na comédia "Alguém tem que Ceder". Curiosamente teve uma indicação por década, sempre como melhor atriz. Também ganhou o Globo de Ouro. Naomi Watts por ''21 Gramas'':A amiga de longa data de Nicole Kidman tem uma interpretação magistral em "21 Gramas", no papel de Cristina, uma mulher que se envolve com o homem que recebeu o coração transplantado de seu falecido marido. A estrela sofre com a perda da família, se envolve com drogas pesadas e depois busca vingança. Em todas as ocaiões, sua interpretação muda de acordo com a necessidade, assim como seu físico. Samantha Morton por ''Terra dos Sonhos'':Considerada uma das surpresas do OSCAR 2004, Samantha não é nova na premiação - ela foi indicada pelo papel da amada de Sean Penn em "Poucas e Boas". Em "Terra dos Sonhos", a atriz vive uma mãe que precisa lidar com a morte do filho e encarar as mudanças ao resolver sair da Irlanda para morar nos EUA. Keisha Castle-Hughes por ''Encantadora de Baleias'':Neozelandesa de apenas 13 anos, Keisha vive a neta do líder de uma comunidade que precisa vencer o preconceito por ser mulher. Uma atuação magnífica que, se não render o prêmio, ao menos prestígio. Com todos os estereótipos possíveis para se ganhar um OSCAR (Atriz linda fazendo um personagem pavoroso e ainda por cima prostituta!), Charlize Theron é a favorita. Diane Keaton, que provavelmente seria a favorita, não tem muitas chances se a tendência se confirmar (Embora seja extremamente popular na Academia - Quem sabe?). Naomi Watts em outros anos teria maiores chances (Quem sabe em 2005 com "King Kong"?). Samantha Morton e Keisha Castelo-Hughes estão sublimes completando as indicadas e só. 26.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Ator Coadjuvante Bem Vindo ao OSCAR, Mr. RobbinsAntes de fazer a analíse da categoria, eis os indicados deste ano em ordem de favoritismo: (Novamente, o nome dos atores estão linkados para suas respectivas biografias neste site). Tim Robbins por ''Sobre Meninos e Lobos'': Sempre agradou o público vivendo os mais diferentes personagens. Sua primeira lembrança da Academia como ator rende uma justa homenagem ao papel do atormentado pai de família no filme de Clint Eastwood. Sua ótima interpretação completa um casting de grandes atores num filme que um ator menos habilidoso em seu lugar poderia levar um grande fiasco para casa. Mas Robbins dificilmente decepciona, ainda mais quando precisa demonstrar fragilidade. Alec Baldwin por ''The Cooler'': Mesmo sendo um canastrão de carteirinha, a indicação de Alec Baldwin não foi das mais inesperadas. Suas interpretações de personagens secundários costumam agradar. Ken Watanabe por ''O Último Samurai'': No Japão, é conhecido por interpretar samurais. Nada melhor que alguém acostumado a este universo para auxiliar Tom Cruise. A indicação para o OSCAR só ratifica o melhor do filme. O ator ganhou o Prêmio SPOILER deste ano. Benicio Del Toro por ''21 Gramas'': Depois de se dedicar a filmes menores, Del Toro volta à forma como ex-detento que se entrega à religião, mas pode perder tudo por causa de um terrível acidente. É o único premiado com o OSCAR na categoria (Ator coadjuvante por "Traffic" em 2000). Djimon Hounsou por ''Terra dos Sonhos'': Sua atuação em "Amistad", já apontava para uma indicação. E foi a mistura de ameaça e sensibilidade que fez Djimou ser notado na Academia. Com todos os méritos O único cenário possível na categoria é a vitoria de Tim Robbins ( O favoritismo tornou-se evidente depois do Globo de Ouro e do SAG Awards). Alec Baldwin e Ken Watanabe têm chances, mas remotas. 25.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Atriz Coadjuvante Reneé Zellweger segue favorita, mas...Antes de fazer a analíse da categoria, eis os indicados deste ano em ordem de favoritismo: (O nome das atrizes estão linkados para suas respectivas biografias neste site). Renée Zellweger por ''Cold Mountain'': Ganhou o Globo de Ouro, o BAFTA, o Prêmio SPOILER e o Screen Actors Guild Awards por sua atuação no longa de Anthony Minghella e recebe sua terceira indicação consecutiva ao OSCAR (Melhor atriz em 2001 por "O Diário de Bridget Jones" e em 2002 por "Chicago"). No papel da grosseirona Ruby, moça do campo que ajuda Nicole Kidman nas tarefas da fazenda, ela é forte e rude. Reneé foi preterida em anos anteriores, mas sua transformação numa "mulher macho" é, sem dúvida, seu melhor trabalho. E não tem Nicole Kidman para atrapalhar. Shoreh Aghdashloo por ''Casa de Aréia e Névoa'': É a mulher de um imigrante irariano envolvido em um conflito sobre a posse de sua casa. A atriz, natural do Irã, estréia na premiação e despeja veracidade no longa. Patrícia Clarkson por ''Do Jeito que Ela É'': A indicação de Patricia Clarkson mostra que a Academia ainda se sensibiliza com atuações de personagens moribundos - ela faz uma mulher acometida de cancêr. O tema é batido, mas é seu talento que deve ser levado em consideração. Em dezembro, levou o National Board of Reviews e o prêmio dos críticos de Chicago e Vancouver. Marcia Gay Harden por ''Sobre Meninos e Lobos'': Zebra mais esperada das indicações, Marcia Gay Harden volta ao páreo como mulher cheia de dúvidas de Tim Robbins. Já ganhou o OSCAR na categoria por "Pollock" em 2000. Holly Hunter por ''Aos Treze'': Escolada no OSCAR (Melhor atriz em 1993, por "O Piano" e mais duas indicações: Atriz por "Bastidores da Notícia" de 1987 e coadjuvante por "A Firma" em 1993), a atriz agora faz uma mãe em conflito com a filha. Existe um consenso de que Renneé Zellweger é a favoríta na categoria. Em parte por seu desempenho, em parte como prêmio de consolação por suas indicações anteriores e até mesmo pelo esnobada da Academia pelo filme de Anthony Minghella diante de uma gigantesca campanha da Miramax. Mas numa categoria que normalmente ocorre reviravoltas, Reneé Zellweger pode ser a próxima vítima da maldição de "Could Montain". Surpresas ocorrem... Uma delas pode ser Patricia Clarkson. Mesmo que "Do jeito que ela é" seja um filme fraco cheio de clichês, os eleitores podem também tê-la visto em "The Station Agent" que é um grande filme, com uma excelente interpretação dela. E só não foi indicada como melhor atriz também por esse filme (como no SAG) por excesso de contigente. Shohreh Agdashloo tem um desempenho admirado também e pode surpreender. Zellweger é ainda favoríta, mas... 24.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Roteiro Adaptado OSCAR.doc - Parte 2Este ano, foram indicados ao OSCAR de roteiro adaptado: "Anti-herói Americano" de Robert Pulcini & Shari Springer Berman: Ganhou o grande prêmio do Júri no Festival de Sundance, na categoria melhor drama e conta a transformação de Pekar em escritor de quadrinhos e "personalidade instantânea" (cortesia de suas aparições no programa de David Letterman, algumas das quais mostradas na tela), sua luta contra o câncer e vários outros eventos. Sim, Pekar é uma pessoa comum (ainda que cheia de manias) e sua vida não tem mais eventos do que a da maioria das pessoas do mundo. O charme da produção (e da HQ) é saber mostrar isso sem "enfeitar" a realidade ou tentar fazer o protagonista parecer mais simpático. Pekar mostra como é sua vida de forma clara e honesta. É fascinante, ainda que não venha a ser uma unanimidade entre os espectadores. Em tese é o favorito. Ganhou também o prêmio do sindicato dos roteiristas (WAG Awards). "Cidade de Deus" de Braulio Mantovani: Como brasileiro, muito me alegra quando, no horizonte cinematográfico nacional, surge uma obra de primeira grandeza, algo que faz diferença não só aqui, e que salta aos olhos do mundo todo. Cidade de Deus é assim. Pop, polêmica, dura e divertida, a mais nova pérola do cinema nacional, ironicamente, é motivo de orgulho ao explorar um dos nossos maiores fracassos: a violência. "Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" de Fran Walsh, Philippa Boyens & Peter Jackson: Mais uma vez, a adaptação do texto original é primorosa. Jackson e os roteiristas Frances Walsh, Philippa Boyens e Stephen Sinclair conseguiram capturar a essência do livro, retirando tudo o que é pouco relevante para a história e ampliando momentos interessantes, explicados de maneira superficial por Tolkien. Assim, ganha importância o Rei dos Mortos e seu juramento e saem os capítulo do "Expurgo do Condado" e das "Casas da Cura". Infelizmente, não foi possível encaixar nas três horas e vinte (!) o destino de Saruman (Christopher Lee). Entretanto, ele certamente estará na versão estendida que será lançada nos Estados Unidos em 2004. "Sobre Meninos e Lobos" de Brian Helgeland: Com os cinemas cada vez mais abarrotados de magos, demônios, superseres e outros caprichos dos efeitos especiais é de se esperar que o público já esteja amortecido com formas maniqueístas de se ver o mundo. Há o time do bem e o pessoal do mal em constante conflito. Cabe ao público torcer pelos seus heróis. Entretanto, em Sobre meninos e lobos (Mystic river), adaptação de Clint Eastwood do romance homônimo, não há nenhuma linha divisória, nem espectros diferentes da mesma moeda. Seu mundo é duro, seco e repleto de sentimentos. Desconfiança, impotência, egoísmo, dor, ódio e, principalmente amor, são os catalisadores da vida dos personagens que somos levados a conhecer. O filme dá umas pequenas derrapadas. Algumas, como o final, nem são apenas culpa só do diretor, pois tudo o que ele fez foi tentar manter-se fiel ao livro em que baseou esta adaptação. Porém, há mais espaço no texto de Dennis Lehane para mostrar a superação que no epílogo do filme, que acaba se tornando um pouco hollywoodiano demais. Não que isso comprometa todo o trabalho desenvolvido, mas é um deslize que tira da produção o título de "obra-prima". "Seabiscuit - Alma de herói" de Gary Ross: Baseado no livro Seabiscuit - uma lenda americana (Cia. das Letras), de Laura Hillenbrand, o filme Seabiscuit: Alma de herói adapta a história verídica de três homens emocionalmente feridos, uma nação abalada e um cavalo incompreendido, que devolveu aos Estados Unidos seu orgulho. 23.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Roteiro Original OSCAR.doc - Parte 1Havia uma tendência antiga de se premiar comédias nesta categoria (seja ela adaptada ou original), mas recentemente têm se aproveitado para dar o OSCAR para produções independentes ou mais ousadas (como "Fale com Ela", "Assassinato em Gosfard Park", "Quase Famosos", "Deuses e Monstros", "Fargo", "Pulp Fiction", "Os Suspeitos"). No fundo, seria um prêmio de consolação. É como se a Acadêmia reconhecesse a ousadia e a criatividade do filme, mas não tivesse coragem de premia-lo como melhor filme. Outra tendência é apoiar os colegas que "migraram" da carreira de ator para roteirista. Há vários casos: "Gênio Indomável" de Ben Affleck e Matt Dammon, "Na Corda Bamba" de Billy Bob Thorton e "Razão e Sensibilidade" de Emma Thompson. Com frequência o vencedor de Melhor filme também leva o OSCAR de Roteiro. ( Como sempre, há exceções: "Titanic" nem sequer foi indicado!). Este ano, apenas "Mestre dos Mares" nao foi indicado pelo seu roteiro (o que de certa forma lhe torna azarão). Particularmente, em roteiro original foram indicados: "Encontros e Desencontros" de Sofia Coppola: Um filme que prova que a sétima arte não precisa ser milionária para encantar a audiência. Sem efeitos especiais, sem ousadias estilísticas de diretor, sem maquiagens ou estrelismos. Apenas um cineasta preocupado em contar uma boa história e atores empenhados em torná-la real. O roteiro de "Encontros" é favorito absoluto: Ganhou o Globo de Ouro, o WGA Awards (o prêmio do sindicato) e o prêmio SPOILER de melhor roteiro. "Procurando Nemo" de Andrew Stanton, Bob Peterson e David Reynolds: Quando Procurando Nemo começa, percebe-se que não é apenas o visual cada vez mais impecável, mas também as boas tramas e as personagens carismáticas que cativam os pequenos. E as piadas inspiradas, mais citações de filmes clássicos ("Psicose", "Os Pássaros") que conseguem atrair os adultos. Desta vez, o cenário é o oceano, com os seus 3,7 trilhões de peixes, crustáceos e afins. E desde os minúsculos plânctons até a areia que sobe do fundo do mar com o movimento dos animais, tudo está presente na tela de forma deslumbrante e realista e bem contada. Dos mesmos roteiristas de "Toy Story". "Invasões Bárbaras" de Denys Arcand: As "Invasões Bárbaras" parte de um clichê batido - os últimos dias de um pai que se acerta com a família e o passado - e o desconstrói. Adiciona referência políticas e culturais, faz uma bem humorada crônica da modernidade e, de quebra, exorciza os fantasmas de toda uma geração (a sua própria). Tudo isso sem esquecer a simplicidade, também conhecida como modéstia. Ganhou em Cannes o prêmio de melhor roteiro. "Terra dos Sonhos" da família Sheridan: A temática do imigrante é substituída por um drama familiar de mortes passadas e lembranças represadas: descobre-se aos poucos que Johnny e Sarah se mudaram da Irlanda para esquecer a morte de seu filho, Frankie. Seria como se o filme prometesse "Dogville" (de Lars Von Trier, 2003), mas se revelasse "O Quarto do filho" (La Stanza del figlio, de Nanni Moretti, 2001). Têm muita popularidade. "Coisas Belas e Sujas" de Steven Knight: A capital inglesa mostrada em Coisas belas e sujas é um retrato bastante fiel do que se pode encontrar no submundo, não muito escondido, dos becos londrinos. Estão lá as drogas, o sexo e até mesmo os regimes de semi-escravidão. A vida dos imigrantes ilegais não é fácil, pois eles sabem que não deveriam estar ali e têm de engolir a seco muitas coisas que eles sabem que não estão certas. 22.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Som Entre gritos e sussurrosQuanto mais barulhento melhor. Será? Ao menos desde o impressionante progresso, nos últimos 15 anos, da qualidade de som no cinema, os blockbusters têm sido os preferidos. Nem sempre o prêmio é compartilhado com o de Edição de Som. Eis os indicados: Mestre dos Mares: De tiros de canhão ao piar dos exóticos pássaros de Galápagos, passando por incrivéis batalhas em alto-mar. A equipe de "Mestre dos Mares" ("Força Aérea 1") fez um ótimo trabalho de sonoplastia. O filme se encaixa na teoria de blockbuster e levou o prêmio do sindicato (CAS Awards), além do prêmio SPOILER de som. Senhor dos Anéis: Acabou de quebrar a barreira de US$ 1 bilhão de bilheteria (Existe algo mais blockbuster que isto?). Os vencedores do OSCAR por "Titanic" e Pearl Habor" tiveram trabalho extra para sonorizar a surpreendente batalha dos campos de Pelennor, a cavalgada dos Rohirrin e a erupção da Montanha da Perdição. Um boa sonoplastia que pode surpreender. O Último Samurai: A equipe de "O Resgate de Soldado Ryan" supreende na sonorização da luta entre ninjas e samurais e entre samurais e metralhadoras. Piratas do Caribe: Num dos melhores filmes de pirata do cinema, a qualidade do som é fundamental. A equipe de Piratas do Caribe já levou 4 OSCARs ("Paciente Inglês", "Matrix", "Pearl Habor" e "Titanic"). Seabiscuit: Destaque para Andy Nelson, duplamente indicado este ano por "Seabiscuit" e "O Último Samurai" na sonorização das eletrizantes corridas de cavalos! 21.2.04
"Peixe Grande" revela os encantos de uma realidade onírica Que bom que Hollywood ainda pode se dar ao luxo de financiar filmes para Tim Burton. Eles não dão muito dinheiro mas são prestigiados, indicados a prêmios, ainda que nunca ganhem. E são basicamente diferentes. Curiosos. Interessantes. E nunca inteiramente bem sucedidos.
Pois tudo isso se repete de novo com este ''Peixe Grande'', produzido por Richard Zanuck com um visual menos obviamente autoral de Burton. Talvez porque o filme seja seu primeiro trabalho depois daquela terrível concessão ao comercialismo que foi sua versão de ''O Planeta dos Macacos''. Edward Bloom (o genial Albert Finney na versão atual e Ewan McGregor na juventude) não se cansa de contar histórias fantásticas sobre um peixe gigante que ele pegou quando jovem ou sobre o nascimento do filho, William (Billy Crudup). Exausto por não saber a verdade sobre o pai, e constrangido por conseqüência, Will cresce e se distancia de vez do "mentiroso". Ao saber que Bloom Sênior está doente, o jovem volta para tentar descobrir o que há por trás dos contos sobre grandalhões comedores de ovelhas, bruxas que prevêem a morte, cidades assombradas, assaltos a bancos e, principalmente, sobre a relação de Ed e a esposa (Jessica Lange, de volta às telas, ainda linda e talentosa). Alternando fantasia e realidade, comédia e dramaticidade, Burton constrói um mosaico de personagens fantásticos que você torce para serem reais. Os atores estão em sincronia e o texto sobre a relação de pais e filho faz qualquer um sair da sala querendo marcar um churrasco com a família. O visual espetacular e quase sem nenhuma intromissão de CGI mescla com perfeição na melhor trilha de Danny Elfman desde Edward Mãos-de-Tesoura. Não é preciso ser gênio para descobrir o que vai acontecer no final, mas garanto que isso não servirá de nada quando o nó na garganta estiver se formando. SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Edição de Som Mar em fúriaUma grande referência na categoria está no DVD de "O Resgate do Soldado Ryan", na sequência do desembarque aliado na praia da Normandia, num espetacular trabalho de edição de efeitos sonoros (o zunido de balas debaixo d'água, o personagem de Tom Hanks ensurdecendo por alguns segundos, as explosões bem ritmadas, de forma que o resultado não se torne insuportável para o expectador). É um exemplo claro de um recurso técnico do cinema que seria o equivalente auditivo aos efeitos visuais. A maioria dos filmes indicados e premiados na categoria têm roteiro com cenas em alto-mar ("Pearl Harbor" em 2002, "U571-A Batalha do Atlântico" em 2001, "O Resgate do Soldado Ryan" em 1999, "Titanic" em 1998, "Caçada ao Outubro Vermelho" em 1991). Este ano não é excessão, eis os indicados: Procurando Nemo: É a 13º Indicação de Gary Rydstrom que já coleciona 7 OSCAR´s em sua carreira ("O Resgate do Soldado Ryan", "Titanic", "Jurassic Park" e "Terminator2"). Piratas do Caribe: É a 5º indicação de Christopher Boyes (com dois Oscars por "Titanic" e "Pearl Habor") e 7º indicação de George Watters II (Também com dois Oscars por "Pearl Habor" e "Caçada ao Outubro Vermelho"). Tem boas chances. Mestre dos Mares: Em tese é o favorito, com boas chances também em SOM. Curiosamente, o vencedor do prêmio SPOILER de cinema de Efeitos Sonoros, "Senhor dos Anéis" não foi indicado. O prêmio do sindicato sai dia 28 de fevereiro 20.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Filme Estrangeiro Terra de NinguémO OSCAR em língua não-inglesa...É assim, com esse nome bem xenófobo, que a Academia denomina a sua categoria mais confusa e imprevisível. A questão básica é muito simples. O OSCAR é basicamente uma ação para promover o cinema norte-americano em todo o mundo; é um grande e muito bem sucedido trabalho de marketing, e os estrangeiros estão ali apenas para justificar a globalização. Dá a sensação que eles "furaram"a festa alheia. Eles tomam o máximo de cuidado e criam o máximo de dificuldades para que esse prêmio não venha tomar uma dimensão grande demais, que possa empalidecer o produto nacional.E basicamente, americano não gosta de filme legendado, (o problema das dublagens nunca foram resolvidos a contento) e não se interessam pela cultura estrangeira. Há várias regras esdrúxulas e complicadas para tornar um filme elegível. Mas não é suficiente. Existe um comitê voluntário que se oferece para assistir os filmes. São divididos em grupos e nem sempre vêem o filme até o final. Assim, o filme que começa lento ou tem narrativa arrastada é logo descartado (Foi o caso de "Abril Despedaçado"). Este comitê é que escolhe os cinco finalistas , e isso explica porque há um numero tão notável de filmes famosos que ficaram de fora, por vezes absurdamente. Detalhe: Escolhidos os finalistas, qualquer membro da Acadêmia pode votar desde que prove que viu os cinco filmes indicados que neste ano foram: Não tinha nada que ter ficado entre os cinco finalistas. É apenas um filme comercial, bastante bem feito, que parece produção americana sobre a violência em escolas privadas, no estilo ''Código de Honra'', que ao menos tinha uma mensagem anti-racista. Aqui, trata-se da história de um adolescente dos anos 1950, o estreante e loirinho Andreas Wilson. Expulso da escola por bater num colega (não ficamos sabendo muito sobre isso), sua última chance é ir para um colégio interno de elite, onde tem que se reabilitar. Mas o lugar é cheio de preconceitos, favorecimentos para os ricos, professores com ranço nazista e até mesmo regras e tarefas onde os veteranos humilham os calouros (e os professores se calam). Tem todos os clichês: a garçonete que transa com ele, embora seja proibido até falar com ela; o colega de quarto que é um intelectual e por isso vitima da violência; e o confronto através do esporte (o herói é nadador e se torna campeão da escola). E parecia que ia terminar na velha moral da violência enfrentando a violência, mas felizmente encontraram um final feliz no qual ao menos a inteligência passa a vigorar. O título explica-se com a definição do diretor para o protagonista, quando este é expulso da escola: ele lhe diz que é ''Puro Mal'' (''evil'', em inglês). No fundo, nada tem a ver e faz o filme parecer história de terror. No entanto, o filme possui uma narrativa competente e poderia muito bem ser comprado e refeito pelos norte-americanos (com que muito se parece). Na Suécia, ganhou três prêmios, inclusive melhor filme (na certa por falta de opções). Um filme de samurai diferente. Tem lutas, mas dá uma visão humana e sentimental do personagem. É narrado em off por uma mulher adulta, que recorda o século 19, quando era criança e seu pai ganhou o apelido de ''Samurai do Pôr do Sol'' (ou Crepúsculo). Isto porque ele perdeu a esposa e, para cuidar das duas filhas pequenas e da mãe, que está esclerosada, tem de voltar para casa cedo toda noite. Apesar de cuidar da casa e gostar (e se descuidar da aparência, o que lhe custa reprimendas), ele trabalha para um senhor, guardando mantimentos. O conflito surge quando a irmã de um amigo volta para casa, porque se divorciou do marido que batia nela (e o herói enfrenta). Os dois se gostam, ela poderia ser boa para as meninas, mas ele reluta porque a mulher estaria descendo de classe e poderia se arrepender depois. Ela aceita outro casamento enquanto ele vai cumprir uma missão para o chefe: enfrentar um perigoso espadachim. Tudo é bastante discreto, bonito, bem contado, com um aprofundamento e uma sinceridade que raramente vemos no gênero (que voltou à moda agora com ''O Último Samurai'', que agradou muita gente não familiarizada com ele). Não é um grande filme mas é bom. Ganhou 12 prêmios da Academia Japonesa, incluindo filme, ator e atriz. Passou em Berlim e ganhou também o Festival do Havaí. Este tem tudo para ganhar. O fato de ser baseado num livro de enorme sucesso no exterior, escrito por Tessa de Loo, e a temática judia ajudam bastante. Como se sabe, grande parte da comissão da Academia que vota na categoria de melhor filme estrangeiro é formada por aposentados, senhores de origem judaica que adoram o assunto. Mas, na verdade, o filme tem tudo para ser sucesso também no Brasil, onde já foi comprado pela PlayArte. A história é muito romântica, fácil de provocar lágrimas. Trata de duas irmãs gêmeas alemãs que são separadas pequenas, à força, quando a mãe delas morre. Lotte vai viver com uma tia rica na Holanda, de família judia. Já Anna fica com os parentes pobres, que trabalham numa pequena fazenda na Alemanha. Elas não têm permissão para se comunicarem ou trocarem cartas. Passam anos distante, uma sofrendo muito, outro levando vida de rica. Eventualmente, conseguem se rever, mas é véspera da Segunda Guerra Mundial e tudo se complica. Lotte está envolvida com um jovem judeu que é mandado para um campo de concentração. Anna se apaixona por um rapaz alemão que está na SS (embora não seja exatamente nazista, não tem jeito de escapar do movimento). De repente, elas estão em lados opostos da vida. Essa situação é acentuada ainda mais porque, paralelamente, mostra-se as duas velhas, com Anna tentando se reconciliar, enquanto Lotte reluta em aceitar qualquer contato. É uma temática irresistível para o público feminino, quase um épico familiar e romântico, feito com qualidade. Tudo no lugar certo, nada genial ou fora do comum, mas que faz a gente se envolver e até se emocionar. Por tudo isso, me pareceu que pudesse levar o Oscar. Afinal, filmes piores já foram premiados. o tcheco ''Zelary'', conta também uma história de temática semelhante à "Twin Sisters". Uma judia tem que se casar com um camponês para escapar da perseguição nazista. Pelas referências que tenho, destaco uma grande interpretação da dupla central de atores, Anna Geislerova e Gyogy Cserhalmi. É impossível não admirar o excelente trabalho de Arcand, que é um mestre no diálogo, na narrativa (merecia ganhar um Oscar de roteiro original) e na condução do elenco (embora uma das atrizes, Marie-Josée Croze, a que faz a ex-drogada, tenha levado o prêmio em Cannes, o certo seria ter dado um troféu coletivo para todo o elenco). Sobretudo, a idéia básica do filme é genial. Em 1986, Arcand fez sucesso com ''O Declínio do Império Americano'', em que defendia a idéia de que o domínio norte-americano estava chegando ao fim, porque já dava sinais de decadência. O filme não era nenhum tratado, mas quase uma comédia de costumes, acompanhando a vida sexual e pessoal de um grupo de intelectuais canadenses, em geral de esquerda, com um franqueza rara para a época. O filme fez boa carreira e foi até indicado ao Oscar, mas Arcand não é muito ativo (realizou o bom ''Jesus de Montreal'', de 1989; depois uma adaptação teatral alheia em 1998, ''Amor e Restos Humanos''; e mais recentemente uma fitinha simpática mas fraca, chamada ''Estrelato''). Este ''Invasões'' é uma continuação de ''Declínio'', com basicamente o mesmo elenco. A idéia é ainda mais notável: lembram como foi o declínio do Império Romano? Justamente quando os bárbaros invadiram e aos poucos o foram destruindo? Arcand aponta 11 de setembro como o primeiro ataque bárbaro, o primeiro a atingir o grande império. Mas, novamente, o filme não é sobre isso. Agora, a história é centrada num professor de esquerda que está morrendo de câncer. Apesar do apoio dos amigos, tem dificuldade de enfrentar a dor e a realidade do fim. Principalmente quando reaparece o filho, que é um yuppie que não se dá com ele. Mas com o dinheiro deste que conseguirá quebrar certos galhos e até mesmo obter a cocaína que tornará a doença suportável. Assim este é um filme de volta ao lar, de ajuste de contas, de fazer o balanço e reencontrar os amigos. Ou seja, de coisas cotidianas que todos nós somos capazes de entender e viver. Também é uma crítica social aos canadenses. Muita gente fica espantada como o Canadá (que hoje é pintado como um modelo para se viver, uma ilha de prosperidade e tranqüilidade), possa ter problemas iguais aos nossos, como corrupção, corporativismo, hospitais lotados, tráfico de drogas etc. "Invasões Barbaras" levou o prêmio SPOILER de cinema de filme estrangeiro. Fonte: "O OSCAR e EU" de Rubens Ewald Filho 19.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Figurino OSCAR fashion weekAnalogamente à direção de Arte, os indicados nesta categoria quase sempre são filmes de época ou ficção-fantasia. Ao se analisar os indicados, (que neste ano foram: "Senhor dos Anéis"; "Garota com Brinco de Pérola"; "O Último Samurai"; "Mestre dos Mares"e "Seabiscuit") a avaliação deve ser feita não pelo fato dos atores ficarem bonitos e elegantes, mas pela adequação deles aos personagens. Na prática, escolhe-se o filme mais bonito, mais cuidado, mais trabalhoso. E no caso, o mais bonito, cuidado e trabalhoso é "Senhor dos Anéis" e "O Último Samurai" (curiosamente são favoritos em Direção de Arte também). O primeiro destaca-se pela diversidade das roupas para caracterizar cerca de dez povos e raças diferentes. Em o "Retorno do Rei", foram fabricados de verdade, com técnicas medievais para dar maior realismo, todas as armaduras e espadas de todos os atores e figurantes do filme! É um trabalho meticuloso que ainda não foi premiado. (Os dois filmes anteriores da trilogia foram indicados por figurino, mas perderam em 2002 para "Moulin Rouge" e em 2003 para "Chicago"). "O Ültimo Samurai" também tem um bom trabalho e boas chances na caracterização dos samurais (obviamente!) e dos soldados americanos e japoneses. "Seabiscuit" têm um figurino baseado em cores fortes e contrastantes para acentuar o cavalo na fotografia ao passo que "Moça com brinco de Pérola" faz o oposto, com um figurino recatado, na maioria em preto ou tons escuros para acentuar a proposta da fotografia de uma pintura em óleo em movimento. "Mestre dos Mares foi indicado pela caracterização da marinha no séc XIX e não tem muitas chances. Todos foram indicados para o prêmio do sindicato que será dado neste sábado. Vale ressaltar que o Prêmio SPOILER de melhor figurino, este ano foi para "Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" 18.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Edição O OSCAR de "Cidade de Deus"Se "Cidade de Deus" têm alguma chance no OSCAR deste ano, é nesta categoria. A sinergia entre o editor Daniel Rezende e o fotográfo Cesar Charlone estão em "state of the art". Tudo porque na edição final, decidiram manter três estilos - ou épocas - diferentes, como no roteiro. A primeira parte nos anos 60 tinha o som do samba, evocava uma criminalidade romântica, foi rodada num estilo mais clássico, usando lentes (32 a 65mm) e enquadramento tradicionais. A segunda parte, nos anos 70, que conta a história de Zé Pequeno, tem muita cor, uma câmera mais livre, uma montagem mais solta. Tem também um clima de maconha, o som repleto de pop, samba, funk. A fase final é a de guerra pela droga, a história de Mané Galinha. Então muda também o visual, que agora é frio, agitado, montagem picada, onde vale tudo, cortes bruscos, movimentos chicote de câmera, fora de foco, um ritmo mais agitado, como se fosse feita por um pesadelo de cocaína. Tudo para provocar tensão, sufoco, frenesi. É um ótimo trabalho e têm chances reais de vencer. Pesa a favor , o BAFTA de edição do ano passado. Ele está competindo com o favoríto "O Senhor dos Anéis", que é um brilhante trabalho de edição, mas é montagem de filme de ação, não tem nenhuma proposta de edição, é linear e nem se presta a ser inventivo. O filme levou o prêmio do sindicato dos editores (ACE Awards) e o Prêmio SPOILER de cinema e se destaca basicamente, pelas cenas de batalha e no final numa montagem lenta e contemplativa. Quanto aos demais indicados, o editor Walter Murch de "Cold Mountain têm bastante prestígio na Academia (Já recebeu nove indicações entre montagem e som e ganhou 3 - Montagem por "O Paciente Inglês" e Som por "O Paciente Inglês" e "Apocalipse Now") e têm boas chances. "Mestre dos Mares" e "Seabiscuit" são azarões. 17.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Direção de Arte e Cenários Recriação da Terra Média deve valer OSCARA direção de arte envolve todo o trabalho de cenografia, mobiliário e adereços usados nos filmes. Basicamente é um trabalho meticuloso que exige muita pesquisa no caso de filmes de recriação de época, ou muita criatividade no caso dos célebres filmes de ficção científica. É muito raro um filme contempôraneo ser indicado. Este ano foram indicados somente filmes de época: "Garota com Brinco de Pérola"; "O Último Samurai"; "Sda - O Retorno do Rei"; "Mestre dos Mares" e "Seabiscuit" O grande favorito deste ano é ( vejam que novidade!) "Senhor dos Anéis" que pela terceira vez consecutiva foi indicado ao prêmio da categoria, levando também o prêmio do sindicato dos diretores de arte (ADG Awards) e o prêmio SPOILER de cinema. O favoritismo é evidente com a quantitade de locações do filme de Peter Jackson: São 14 mini cidades construidas especialmente para a trilogia em vários pontos da Nova Zelandia. Destaque para as inéditas "Minas Tirith" ("Torre da Vigilância" em elfico sindarin) e "Minas Morgul" ("Torre da Bruxaria"). A reconstrução do vilarejo milenar dos samurais, e a recriação das cidades de Nova York e Tóquio do séc XIX, podem render um OSCAR para Lilly Kilvert (Diretora de Arte) e Gretchen Rau (Cenógrafo). Curiosamente, as locações de "O Último Samurai"também foram na Nova Zelandia. A veterana Jeannine Oppewall ( de "A Vida em Preto e Branco"e "LA Confidence") tem remotas chances com "Seabiscuit".Os demais indicados têm poucas chances 16.2.04
Urso de Ouro consolida novo limiar do cinema alemãoO brasileiro "O Outro Lado da Rua" também se destaca e leva prêmioO diretor argentino Daniel Burman e o ator uruguaio Daniel Hendler receberam com enorme alegria os Ursos de Prata de Melhor Filme ("El Abrazo Partido") e Melhor Ator, concedidos neste sábado pelo júri do Festival Internacional de Cinema de Berlim, presidido por Frances McDormand. "Não deixo de me espantar. Para mim, ainda é algo abstrato, acho que verei que (o Urso de Prata) é algo real quando o tiver nas minhas mãos na cerimônia de gala", disse Burman instantes depois de a premiação ser oficialmente anunciada. O Urso de Ouro do 54º Festival Internacional de Cinema de Berlim foi concedido ao filme alemão "Head On ("Gegen die Wand"), de Fatih Akin, que declarou que não tinha "palavras neste momento para expressar" sua enorme alegria pelo prêmio. Pela primeira vez desde 1986, um filme alemão obtém o prêmio máximo da Berlinale (Naquele ano, o vitorioso foi "Stammheim", de Reinhard Hauff). Ovacionado e muito elogiado por público e crítica do festival, "Gegen die Wand" encontrou o tom certo para expor entre risos e lágrimas o conflito vivido pelos turcos da segunda geração na Alemanha. Filho de pais turcos e nascido na Alemanha em 1973, Akin conta a história de uma jovem turca que quer se casar para fugir da família religiosa e conservadora. "Realmente não contava em absoluto com este prêmio tão grande, elitista e especial para um filme tão pequeno, sujo e rocambolesco", disse o diretor, ainda sob o impacto da premiação. "É um presente extraordinário para mim e para a equipe do filme, mas também para o cinema alemão. É também um reconhecimento ao movimento dos trabalhadores imigrantes na Alemanha", concluiu. O Urso de Prata de Melhor Atriz foi concedido em caráter ex-aequo (com eqüidade) à colombiana Catalina Sandino Moreno, pelo papel principal no filme "María, llena eres de Gracia", do diretor estreante Joshua Marston, e à sul-africana Charlize Theron, protagonista em "Monster", de Patty Jenkins. Catalina é uma jovem que se envolve com o tráfico de drogas e Charlize interpreta Aileen Wuornos, prostituta lésbica executada nos Estados Unidos pelo assassinato de seis homens. O Urso de Prata de Melhor Ator foi concedido ao uruguaio Daniel Hendler, de "El abrazo partido", de Daniel Burman. Ele interpreta o jovem Ariel, que quer tirar o passaporte polonês para emigrar para a Europa e fugir da crise na Argentina. "Sinto uma grande emoção, não esperava", disse Hendler. "Embora nos últimos dias tivesse começado a fantasiar um pouco, porque encontrei gente que me dizia que tinha gostado do filme", afirmou. "Mas no momento me parece algo irreal, talvez amanhã possa entender melhor", concluiu o ator uruguaio. O Urso de Prata de Melhor Direção foi para Kim Ki-Duk pelo filme "Samaritan Girl" (Coréia do Sul), sobre a prostituição de adolescentes e jovens em Seul O filme brasileiro "O Outro Lado da Rua", de Marcos Bernstein, ganhou o prêmio de Melhor Filme da Sessão Panorama. O filme não concorreu na competição oficial, mas emocionou e foi ovacionado em sua pré-estréia em Berlim. O prêmio é oferecido pela Confederação Internacional de Cinema de Arte. Fernanda Montenegro levou, novamente, Berlim às lágrimas, como quando apresentou no mesmo teatro o filme de Salles. Ao final da sessão de "O Outro Lado da Rua" para a imprensa, havia várias pessoas soluçando e enxugando os olhos. Após a exibição, Fernanda, Bernstein, Raul Cortez, o outro protagonista, e Kátia Machado, produtora do filme, concederam uma entrevista a cerca de 30 jornalistas, média acima do que se costuma ver para produções brasileiras numa coletiva em Berlim, realizaram, por mais de uma hora, perguntas à equipe. Fernanda e Cortez protagonizam "O Outro Lado da Rua". A atriz esteve, há seis anos, em Berlim com "Central do Brasil" (Walter Salles), quando ganhou um Urso de Prata --o filme levou o Urso de Ouro. Em "O Outro Lado", Fernanda interpreta Regina, uma aposentada de 65 anos que denuncia pequenos delitos à polícia e vive observando os vizinhos com um binóculo. No Brasil, o filme tem estréia programada apenas para o dia 28 de maio. SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Fotografia Luz, câmera, ação!Gosto muito do trabalho dos diretores de fotografia e se de fato seguir carreira no cinema, é nesta aréa que pretendo me especializar. Não há um padrão a se seguir, apenas ser criativo na concepção da imagem. Um diretor de fotografia responde pelo uso dos filmes, luzes, câmeras, lentes e cores. Enfim, os componentes da produção fotografica da imagem. A categoria de fotografia tem muito a ver com gosto. São vários critérios subjetivos que influenciam e que dificultam uma analíse precisa de quem é favorito e quem é azarão. No nosso caso merece uma atenção especial porque temos chances com "Cidade de Deus" se a Academia desistir do preconceito de não se premiar os "estrangeiros". O favorito é John Schwartzman por "Seabiscuit - Alma de Herói". O filme é fraco, mas tem belíssimas paisagens, boa movimentação de câmera e o uso de cores fortes e contrastantes no figurino que focam o olhar do publico para o cavalo que é o grande objetivo do filme. A fita também recebeu o prêmio do sindicato (American Society of Cinematographers). Mas com um fenômenal trabalho de fotografia de Eduardo Serra, "Garota com Brinco de Peróla" pode surprrender: A história praticamente não existe, é sobre uma menina que vai trabalhar na casa do Vermeer, ele pinta o quadro dela e a mulher dele fica brava , ponto. Ë um trabalho de duas horas com uma fotografia que reproduz os quadros, o tom, o enquadramento do Vermeer - é maravilhoso, o tipo de filme que pode ganhar. John Seale ("Paciente Inglês", "Rain Man" e "A Testemunha") foi indicado pela quarta vez pelo seu trabalho em "Cold Mountain". A fotografia da cena inicial do filme, durante a guerra civil, é de tirar o fôlego (A ação transcorre entre nuvens de poeira - espetacular). Vale ressaltar, as paisagens de "Cold Mountain" predominantemente em branco e preto no fim do filme assumindo o tom sóbrio do final. Por "Mestre dos Mares", Russell Boyd foi indicado pela primeira vez num bom trabalho de avanço e recuo de câmera que deixam o público às vezes "marejado". Uns dos temas do filme: o confinamento em alto-mar é acentuado por vários tons de marrons e pouca luz que as vezes dão uma sensação de claustrófobia. Destaque também para as cenas iniciais na névoa. Por fim, o brasileiro Cesar Charlone ("Cidade de Deus") é o último indicado ao usar uma cinematografia que envolve, entre outros aspectos, a escolha de tons predominantes para cada época, de forma a diferenciá-la, e lhe atribuindo sentido próprio. (Semelhante a técnica usada em "Traffic"). A violência também é retratada de forma ágil em movimentos trêmulos. O Prêmio SPOILER de fotografia foi dado hoje para "Cold Mountain" 15.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Trilha Sonora A consagração de Howard ShoreEsta categoria é uma das grandes barbadas do ano: A trilha sonora de "Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" é favorita absoluta para levar a estatueta de melhor trilha sonora. Howard Shore (vencedor do OSCAR de trilha sonora em 2001 por "Sda - A sociedade do anel) compôs uma trilha repleta de tons graves e pesados, tudo a ver com o filme, que contém várias batalhas e momentos de desesperança. Os ritmos são menos variados, porém cadenciados e com apelo emocional maior. É uma das melhores trilhas que ouvi na minha vida e certamente merece o prêmio SPOILER de melhor trilha sonora. Destaque para "The Ride of the Rohirrin" com solos de percussão e violino que realmente dá a sensação de uma marcha de cavalaria. Muito intensa e ideal para umas das cenas mais belas do cinema. Não vejo muitos concorrentes que possam surpreender. Detestei a trilha de "Cold Mountain" que me pareceu um country afetado. Gabriel Yared (responsável pelas trilhas de "O Talentoso Mr. Rippley" e "O Paciente Inglês") não acertou com seus solos de banjos e violinos que apesar de curiosos, desafinaram com as cenas do filme de Anthony Minghella. Gosto muito da trilha de "Peixe Grande" composta por Danny Elfman (de "Melhor, Impossível" e "Homens de Preto"), mas me deu a sensação de "deja vú", me parecendo extremamente semelhante à de "Edwards - Mão de Tesoura", também de Tim Burton. Figurinha carimbada no OSCAR, Thomas Newman ("Beleza Americana", "Estrada para Perdição", "Um Sonho de Liberdade" e "Adoráveis Mulheres") recebeu sua sexta indicação este ano por "Procurando Nemo". A trilha é boa, mas não espetacular. Por fim, James Horner (dono de um currículo invejável: "Uma Mente Brilhante", "Titanic", "Coração Valente", "Apollo 13", "Campo dos Sonhos", "Alien - O 8º Passageiro" e "Fievel - Um Conto americano") recebeu sua nona indicação ao OSCAR pela trilha de "House of Sand and Fog". Ainda não ouvi a trilha, mas não acredito que tenha força para superar Howard Shore que ganhou todos os prêmios do ano na categoria. SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Canção Sting, Elvis Costello e Annie Lennox disputam OSCAR deste anoO que seria do cinema sem a música? Ou do OSCAR sem suas infinitas variações de categorias musicais? De todos os ramos da Academia, o do músicos certamente é o mais complicado e difícil de compreender. Um detalhe importante é que a canção precisa ser composta especialmente para o filme, quesito com o qual a Academia têm sido extremamente rigorosa. Isso deixou de lado canções famosas como "As time goes by" de "Casablanca", ou, até mais recentemente, "Come what may", de "Moulin Rouge" que era inédita até então, mas o diretor Baz Luhrman cometeu o erro de admitir que ela havia sido composta para o filme anterior dele, "Romeu e Julieta", mesmo não tendo sido utilizada. Geralmente, o Oscar de melhor canção reflete a popularidade do interpréte e o tempo de exposição nas rádios. (Vide o ano passado, com a vitória de Eminem em "8 Miles") e tradicionalmente as cinco canções indicadas são apresentadas durante a festa. Este ano em particular, temos uma briga boa entre monstros do POP/Rocky mundial. Eis os indicados: "into teh West", de Annie Lennox, por ''O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei'', ''Scarlet Tide'', de T Bone Burnett e Elvis Costello, por ''Cold Mountain'', ''You Will Be My Ain True Love'', de Sting, por ''Cold Mountain'', ''The Triplets of Belleville'', de Benoit Charest e Sylvain Chornet, por ''The Triplets of Belleville'' e ''A Kiss at the End of the Rainbow'', de Michael McKean e Annette O'Toole, por ''A Mighty Wind''. ''Into the West'' e "Will Be My Ain True Love'' são os favoritos, mas pesa contra Sting o fato de que Cold Mountain teve uma indicação dupla. Isto é sempre um risco porque os votos tendem a se dividir tornando o vencedor do Globo de Ouro de Melhor Canção, Annie Lennox cada vez mais isolada no favoritismo. Na opinião do site SPOILER, a canção do Senhor dos Anéis ("Into the West") é a melhor e por isso recebeu o prêmio SPOILER de melhor canção. 14.2.04
"Cold Mountain" é uma história de amor fria É mais um filme impecável de Anthony Minghella e sua equipe, que deve ser hoje em dia a melhor do mundo: o compositor Gabriel Yared, o diretor de arte Dante Ferretti, o fotógrafo John Seale, a figurinista Ann Roth. Todos fazem trabalhos excepcionais nesta superprodução de US$ 80 milhões da Miramax.
Mas não foi indicado ao OSCAR de melhor filme porque é uma história de amor fria, que não provoca lágrimas, nem suficiente emoção. É um bom filme, muito bem feito, muito bem interpretado, um pouco triste, um pouco amargo (afinal fala sobre os absurdos da Guerra Civil americana, principalmente o que sofreram os civis e os soldados que tentavam voltar para casa, na mão de milícias que se diziam justiceiras). Há alguns momentos espetaculares, dignos de serem vistos e prestigiados, até mesmo de ganharem indicações. Mas não vejo muito como lhe premiar. Não li o livro de Charles Frazier que lhe deu origem, mas sei que não tinha a aparência de resultar numa fita comercial e fácil. A obra foi adaptado por Minghella, que, aliás, esteve no Brasil, lançando o filme anterior, ''O Talentoso Ripley'', e deixou uma excelente impressão. É das pessoas mais sensíveis e gentis de Hollywood. O filme se passa numa cidade da Carolina do Sul chamada Montanha Gelada (as locações, por economia, foram na Transilvânia, Romênia). Lá, uma bela jovem (Nicole Kidman), filha de um pregador (Donald Sutherland), se apaixona por um rapaz local (Jude Law). Quando vem a guerra, ele vai lutar e só pensa em voltar para ela, que fica na miséria e acaba sendo salva pela ajuda de uma mulher sem destino, que vira sua empregada (Renée Zellwegger, que tem chanches como coadjuvante). Enquanto isso, Jude passa pelo inferno, escapando da morte várias vezes, encontrando figuras bizarras no caminho, um pregador desonesto (Philip Seymour Hoffman), uma benzedeira (Eilleen Atkins), uma jovem viúva que lhe oferece cama (Natalie Portman), um traidor (Giovanni Ribisi). Sem contar que ele enfrenta também algumas batalhas (numa delas, os nortistas provocam uma explosão que cava um enorme buraco, mas eles é que acabam presos nessa armadilha). É um grande épico romântico, meio ''Dr. Jivago'', onde o clímax não é o reencontro do casal (que sucede vinte minutos antes do final). E o prazer é se ver, numa história bem contada, um elenco fotogênico e bonito (não ha duvida que faz bem aos olhos contemplar Jude e Nicole, certamente o casal mais bonito e competente do ano). Só não tenho certeza se queria ouvi-la ou se ela acrescenta alguma coisa que já não saibamos sobre a natureza humana ou a passagem inevitável do tempo. De qualquer forma, não é um fracasso, o que já é muito. Mas também não é o grande filme que se esperava. SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Efeitos Especiais Terra Média deve levar terceiro OSCAR consecutivoEntre os indicados deste ano ("Sda - O Retorno do Rei", "Piratas do Caribe" e Mestre dos Mares"), o grande favorito ao OSCAR é mesmo "Senhor dos Anéis" que sem dúvida tem um melhor trabalho. O filme de Peter Jackson concorre a 8 prêmios no VES Awards (O prêmio do sindicato) e se destaca nos efeitos de miniaturização na direção de arte, nos truques de perspectiva para diminuir a altura dos hobbits e anões, nos efeitos especiais inseridos na fotografia do filme, no desenrolar das batalhas épicas (A Weta desenvolveu um software que permite criar figurantes digitais que lutam entre si através de Inteligência artificial. Embora esse software tenha sido usado nos filmes anteriores, é em "O retorno do Rei" que ele é mais empregado) e sobretudo Gollum (um dos personagens digitais mais reais e complexos da história do cinema). "Senhor dos Anéis" também recebeu o prêmio SPOILER de melhor efeitos especiais. Também com 8 indicações ao VES Awards, " Piratas do Caribe" emprega bons efeitos para caracterizar a tripulação almaldiçoada do Pérola Negra numa técnica semelhante aquela usada em Gollum, porém num trabalho inferior. Como a história se passa em alto-mar emprega também efeitos de filmagem semelhantes aos usados em "Titanic" (Basicamente uma estrutura móvel do barco para simular o marejar das ondas sob um pano azul). A mesma técnica rendeu a indicação de "Mestre dos Mares" que ademais deve ter alguns efeitos de PhotoShop e será o grande azarão da noite 13.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Documentário em Longa Metragem O verdadeiro Big BrotherÉ impressionante como se tem feitos documentários de qualidade e como o gênero cresceu e se tornou interessante e notável. Todos os indicados este ano são excelentes e em tese, todos tem chance de ganhar. Eis os indicados: "Tempo de Protesto" aborda o grupo de ativistas extremistas The Weather Underground, nascido no Weathermen, movimento formado por jovens idealistas americanos que lutavam contra a guerra do Vietnã e contra o racismo dos anos 60. Competiu no Sundance Festival/2003 e ganhou o Golden Gate Award no Festival de São Francisco/2003. My Architect: A Son's Journey é um belíssima biografia de Louis Kahn que morreu em 1974, cujo legado inclui mais do que apenas suas influentes contribuições à arquitetura moderna: Ele também casou e constituiu família com três esposas diferentes. Em uma tentativa de se reconciliar com o pai, seu filho Nathaniel Kahn que roteirizou e dirigiu este documentário ganhou o Directors Guild Awards de melhor diretor de documentários. Na Captura dos Friedmans é um documentário sobre Arnold Friedman e seu filho Jesse, de 19 anos, que em 1987 na cidade de Long Island foram presos sob acusação de estupro e sodomia por alguns meninos que tinham aulas de computação no porão da casa deles. Recebeu o grande Prêmio do Júri no Sundance Film Festival/2003 Sob a Névoa da Guerra narra a história de Robert McNamara, que foi Secretário de Defesa nos governos dos presidentes americanos John Kennedy e Lindon Johnson e, mais tarde, tornou-se presidente do Banco Mundial Balseiros narra a fuga de 10 mil refugiados que fugiram de Cuba em balsas improvisadas quando Fidel Castro anunciou em 1994 que seu governo não faria nenhum esforço para evitar que barcos com refugiados saissem de seu país, O filme segue o destino de sete cubanos refugiados na baía de Guantánamo e suas vidas posteriores nos EUA. O filme ganhou o IDA Awards (Prêmio do Sindicatos dos Documentaristas) e é o grande favorito ao OSCAR deste ano. Vale ressaltar que o grande vencedor do prêmio SPOILER de cinema de melhor documentário não figurou entre os indicados ao OSCAR deste ano. Trata-se de "Onibus 174" que também ganhou um prêmio especial de melhor documentário latino no IDA Awards SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Documentário em Curta Metragem Categoria de curtas de documentação é uma loteriaEsta é uma das categorias mais dificéis de se fazer alguma premonição. Na verdade, uma categoria como esta, quando não se tem muita informação sobre os indicados, quando não tem nenhum figurão concorrendo (como no ano passado, com o documentário sobre o World Trade Center), quando não há a menor perspectiva de lançamento aqui no Brasil (Talvez, passe no Festival de Curtas de São Paulo, mas acho dificil), não se tem muito a comentar. Para complicar a história, nenhum dos três indicados (''Asylum'', ''Chernobyl Heart'' e ''Ferry Tales'') concorreram ao IDA Awards (Prêmio do Sindicatos dos Documentaristas) o que me deixa sem parâmetro algum. "Asylum" conta a história de um descendente do povo asylum procurando sua esposa nos Estados Unidos que entrou no país com um passaporte falso, o documentário ganhou o prêmio no Festival de Sundance em 2003. ''Chernobyl Heart'' narra o acidente de Chernobyl, narrando os efeitos terríveis de sua radiação, os defeitos de nascimento gerados, e das doenças do coração sofridas pelas crianças da região e ''Ferry Tales'' compartilha os pensamentos e problemas de um grupo de empregadas. Pelo perfil da Academia, aposto em "Asylum". 12.2.04
SPOILER ESPECIAL - OSCAR 2004 - Maguiagem OSCAR de maquiagem deve ficar entre piratas e elfosPrimeiramente um anúncio: o filme "Piratas do Caribe - A Maldição do Pérola Negra" recebeu hoje o prêmio SPOILER de melhor maquiagem e é minha aposta para o OSCAR que indicou este ano: "Piratas do Caribe - A Maldição do Peróla Negra", "Sda - O Retorno do Rei" e "Mestre dos Mare - O Lado mais distante do mundo" A sutil caracterização de Russell Crowe, como o capitão Jack Aubrey em "Mestre dos Mares" vale a indicação, mas não ao prêmio. O filme não tem a menor chance e corre por fora. O OSCAR deve ficar mesmo entre "Senhor dos Anéis" e "Piratas do Caribe". Ambos ganharam dois prêmios cada no Hollywood Makeup and Hair Stylist Guild Awards 2004 (O prêmio do sindicato deles). Teoricamente "Senhor dos Anéis" tem um melhor trabalho, (um trabalho árduo para caracterizar cerca de 2000 figurantes entre elfos, anões, orcs e demais criaturas fantasiosas), mas pesa contra, o fato de já ter ganho o OSCAR de maquiagem em 2002, pela "Sociedade do Anel". Nesse caso, as perspectivas é que "Piratas" receba o prêmio (de certa forma merecido, na caracterização dos témiveis piratas de Barbarrosa e principalmente a transformação de John Depp no hilário Jack Sparrow). 11.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Longa de Animação Procurando o OSCARA Associação de críticos de arte do site SPOILER acaba de divulgar o vencedor do prêmio SPOILER de melhor animação: Trata-se de "Procurando Nemo" da Pixar/Disney. O desenho narra as aventuras de um peixe palhaço em séria crise de auto-estima que junta-se a amiga brincalhona para descobrir o paradeiro de seu filho Nemo, pescado acidentalmente e levado para a Austrália. Seduzindo público e crítica com um road-movie inteligente e divertido, "Procurando Nemo" dispara como favorito ao OSCAR de longa de animação que conta também com "Irmão Urso" e "As bicicletas de Belleville" entre os indicados. Também pesa a favor de "Nemo", o fato de ter ganho o Annie Awards - o prêmio do sindicatos dos animadores e ser a nona maior bilheteria da história mundial do cinema. Um dos destaques de Cannes, "As bicicletas de Belleville" sobre um garoto adotado por sua avó que descobre sua paixão pelo ciclismo e "Irmão Urso" (confira resenha aqui) sobre um índio transformado em urso que para quebrar a maldição, acompanha um filhote numa jornada para encontrar sua mãe são meros azarões e não têm a menor chance. 10.2.04
SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Curta de Animação O clube dos desquitadosChegou ao fim um dos mais bem sucedidos e lucrativos casamentos de Hollywood: A Pixar Animation Studios rompeu contrato com a Walt Disney Co. em comunicado divulgado em janeiro. (O acordo entre ambas as empresas terminará assim que os dois últimos projetos - ''Os Incríveis'' (2004) e ''Cars'' (2005) - estiverem concluídos). A notícia esquenta mais ainda a disputadissíma categoria de Curta de Animação do OSCAR deste ano, já que os dois principais favoritos são destes estúdios, outrora parceiros. Numa categoria imprevísivel, o OSCAR indicou para este ano os desenhos: "Boudin" de Bud Luckey, "Destino" de Dominique Monfrey e Ron Edward, "Gone Nutty" de Carlos Saldanha e John Donkin, "Harvie Krumpet" de Adam Elliot e "Nibbles" de Chris Hinton. Mas o OSCAR deve se polarizar mesmo entre o vencedor do Annie Awards, "Boudin" da Pixar e "Destino" da Disney que foi roteirizado pelo ícone surrealista Salvador Dali. Os demais são azarões e tem remotas chances. Destaque para "Gone Nutty" que pode ser conferido no DVD de "A Era do Gelo". SPOILER ESPECIAL: OSCAR 2004 - Curta Metragem Globalização pulveriza categoria de Curtas MetragensUma das categorias mais dificéis de se fazer uma analíse é a de melhor curta metragem. Isso porque todos os cinco indicados são inéditos no Brasil e certamente permanecerão por um bom tempo (pelo menos até agosto com o 15º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo que sempre seleciona o vencedor do OSCAR em suas mostras). Numa categoria globalizada, o OSCAR indicou para este ano os curtas: "[A] Torsion"de Stefan Arsenijevic da Eslovânia, "The Red Jacket" de Florian Baxmeyer da Alemanha, "Squash" de Lionel Bailliu da França, "The Bridge" de Bobby Garabedian e William Zabka da Irlanda e "Two Soldiers" de Aaron Schneider e Andrew J. Sacks dos EUA. "Two Soldiers", sobre um menino pequeno determinado à alistar-se no exército junto com seu irmão mais velho, é o favorito. O filme é uma bela reconstrução de época de um conto de Willian Faulkner's. Pesa a favor, também, o fato de ser o único curta americano a ser indicado. Vejo com grandes chances também, o vencedor do Urso de Prata de melhor curta no Festival de Berlim 2003 - o inusitado "[A] Torsion" que conta a historia dos moradores de um vilarejo em Saravejo que durante um rigororoso inverno se locomovem por um túnel, até que um fazendeiro os implora a ajudar sua vaca ferida. "The Red Jacket" sobre a jornada milagrosa de uma jaqueta vermelha entre dois mundos. "Squash" sobre a perseguição psicológica durante um jogo de squash entre um empregado e seu chefe e o supreendente "The Bridge" (selecionado no Sundance 2004) sobre a historia de um pai e um filho na construção de uma ponte ferroviaria são azarões, mas numa categoria tão imprevisível, podem surprender. 9.2.04
Encante-se na "Terra dos Sonhos" Jim Sheridan é um subversivo. Peitou a Inglaterra duas vezes em "O Lutador" e "Em Nome do Pai", criou inimigos latifundiários com "Terra da Discórdia" e produz filmes irlandeses que explodem como bombas na Europa, caso do recente "Domingo Sangrento". E exatamente no momento em que o mundo assume uma posição antiamericana, o diretor de "Meu Pé Esquerdo" aparece com uma das mais lindas homenagens ao país já feitas pelo cinema. Terra de Sonhos é uma espécie de fábula urbana verídica, que mistura muito da vida de Sheridan com a dos seus pais: casal de irlandeses (Samantha Morton - indicada ao OSCAR de melhor atriz e Paddy Cosidine) imigram irregularmente para Nova York com as duas filhas na tentativa de mudar de vida após a morte do terceiro rebento. Passado na década de 80, o longa lembra os princípios básicos do sonho americano tão distorcido pelo governo Bush ao apresentar personagens delicados, como o pintor atormentado vivido por Djimon Hounsou (indicado ao OSCAR de melhor ator coadjuvante), uma figura poderosa.
Embora o filme pudesse retratar a experiência do emigrante nos EUA, não faz nada disso. É outro conto de fadas, onde todo mundo é muito bonzinho, até mesmo um único assaltante, que até pede desculpas por tentar roubar. Não ha polícia, problemas por serem imigrantes, por morarem ilegalmente. Ou seja, poderia se passar em qualquer lugar do mundo com o mesmo resultado. Não é nada realista, e, portanto, nem tem muita razão de ser. Mas tem realmente uma grande qualidade que é a presença de duas meninas atrizes realmente lindas e excelentes (e olhe que não sou nem um pouquinho ligado em criança). Parece que realmente são irmãs na vida real (Sarah e Emma Bolger). Nesse ponto, todo o conflito se esvai e sobra apenas o sentimentalismo - algo otimista, humano e tocante, mas ainda assim mero sentimentalismo. 8.2.04
Saboreie a Itália, "Sob o Sol da Toscana" Fazia tempo que não via um desses filmes que fazem propaganda de um determinado lugar, dando na gente tanta vontade de viajar que deveria logo vir junto com o ingresso, um cartão de uma agência de turismo. Não acredito nem mesmo que tenha havido merchandising: este ''Sob o Sol da Toscana'' é uma autêntica declaração de amor (mais uma, para dizer a verdade) dos americanos à Itália.
Só que desta vez com uma grande sacada: a paixão não é apenas pela Toscana, uma das mais belas partes daquele país, mas também pelo cinema italiano, em referências explícitas a filmes de Federico Fellini, como ''A Doce Vida'' e ''Cabíria'', ou mesmo à música de Nino Rota. Um personagem até chama o diretor carinhosamente de Fefe. E, ainda por cima, há a participação especial do grande cineasta Mario Monicelli, fazendo um personagem mudo mas fundamental (que ele interpreta com seu famoso mau humor). Na verdade, eu fiquei encantado com este filme certamente também porque gosto da Itália e, principalmente, do antigo cinema italiano. O longa foi inspirado em um livro de ficção de Frances Mayes. Ou seja, tudo que acontece na trama é imaginado; usa-se apenas como base real o cotidiano de uma escritora que compra uma vila na Toscana. Quem cuidou do script e da direção foi uma certa Audrey Wells, roteirista de ''George - O Rei da Floresta'' (e é por isso que o filme aparece numa certa hora, dublado em italiano). Ela também assina ''Feito Cães e Gatos'', ''Duas Vidas'' e o pouco conhecido ''Guinevere'' (1999), que também dirigiu. É, portanto, uma autora bem-humorada, com bom diálogo e capaz de criar situações inteligentes. Se o filme fosse com Julia Roberts, certamente seria campeão de bilheteria. Mas o papel central sobrou para Diane Lane, que acabara de ser indicada ao Oscar por ''Infidelidade''. Assim, para um orçamento de US$ 18 milhões, rendeu por volta de US$ 42 milhões, o que não é nada mal para o gênero (tipicamente feminino e para maiores de 25 anos). Ela está sempre bem, faz um bom trabalho e não tem culpa se não é carismática ou apaixonante (e apenas legal). O filme custa um pouco a deslanchar. Diane é uma crítica literária casada (nunca vemos o marido) que logo perde a casa em um divórcio. Mas ela fica com certo dinheiro e ganha de presente de um casal de amigas lésbicas uma viagem a Toscana, numa turnê gay. Acidentalmente, descobre uma vila em mau estado e num ímpeto resolve comprá-la. E aí a fita esquenta, quando começam os problemas com restaurações, bichos e principalmente solidão. Aos poucos ela reconstrói sua vida e até mesmo arranja um namorado (o italiano Raul Bova), se envolvendo também na vida dos vizinhos e dos operários de origem polonesa que fazem a reforma. Certamente a figura mais marcante é a amiga lésbica, que ficou grávida e foi abandonada pela parceira, vindo para a vila dela ter seu bebê. O papel foi escrito especialmente para Sandra Oh, que, como se pode ver já no trailer (que, como sempre, mostra os melhores momentos), tem um tipo e um timing todo especial (e acaba sendo a grande revelação da fita). Outra figura marcante é a atriz Lindsay Duncan (escocesa vista em ''O Marido Ideal'', ''City Hall - Conspiração no Alto Escalão'', ''Mansfield Park'', ''Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma''). Ela faz uma lady exilada que foi descoberta por Fellini quando tinha 16 anos e que vive citando sua filosofia de vida: é preciso manter o entusiasmo infantil mesmo na adversidade. Ela chega a reviver a cena da fonte de Anita Ekberg em ''A Doce Vida''. Sem cair no excesso de romantismo (ao contrário, é até realista enfatizando a escolha da família), mas caprichando no visual de cartão postal, o filme é um portifólio provocante das delícias do campo italiano - comida, bebida, estilo de vida. 7.2.04
"Seabiscuit" é uma banal história de cavalos Uma fita que me decepcionou muito (sendo um verdadeiro fracasso de bilheteria) e dá para entender o porquê. É lento, chato, arrastado, detalhado e com cara de documentário (o roteiro faz questão de situar a ação historicamente, na América de 1910 a 1940).
O cavalo do título original só entra na fita depois de quase uma hora de projeção, porque antes contam a história do treinador (o vencedor do Oscar Chris Cooper, que tem pouco a fazer), do dono do cavalo (Jeff Bridges, caricato demais) e do jóquei (Tobey Maguire, que é coprodutor e está mais magro e maquiado para parecer ruivo. Mas é o tipo do papel que não lhe traz nada, sem oferecer grandes chances). Quem escreveu e dirigiu foi Gary Ross, aquele do talentoso ''A Vida em Preto e Branco'' (também com Tobey), mas ele perdeu a mão, já que aparentemente os produtores Frank Marshall e Kathleen Kennedy não interferiram, o que fizeram mal. Pode ser que haja uma boa história por trás da lenda de um cavalo relativamente pequeno e sem raça pura, que se tornou campeão no fim dos anos 1930, quando o povo se identificou com ele (era ainda a Depressão e muitos tinham passado fome e estavam melhorando de vida), e o fato do pequeno rebelde se tornar vencedor (saiu em DVD a versão anterior da história com Shirley Temple, ''The Story of Seabiscuit''). Mas do jeito que está contado não funciona. Tudo é muito bem produzido, fotografado, com excelente reconstrução de época, mas já se sabe que logicamente o animal vai ganhar e o filme não tem tensão, suspense ou conflito. Os atores não convencem e não geram empatia com o público. Fica uma banal história de cavalo que não interessa a quem não curte o tema (muito menos aos espectadores adolescentes, que esnobaram a fita, embora os distribuidores ainda tenham esperança de que ela reaja. O que eu duvido). 6.2.04
Atrocidades "Em Nome de Deus" Era um dos filmes que eu aguardava com mais ansiedade, desde que ele ganhou o Leão de Ouro no festival de Veneza do ano passado. Primeiro, pela história, uma acusação frontal mas não gratuita nem exagerada contra a Igreja Católica da Irlanda. Até 1996, a Igreja permitiu que existissem casas dirigidas por freiras, para onde eram mandadas as jovens de famílias pobres que de alguma forma tinham pecado ou feito algo errado.
Ele é inspirado em fatos reais: três casos documentados de internas destas casas. Uma delas foi estuprada pelo primo; outra teve um filho bastardo que teve que dar para adoção; e uma terceira era apenas orfã criada num orfanato e a direção achou que ela tinha vocação para piranha. Ou seja, todas elas absolutamente inocentes e puras. E mesmo que não fossem, nada justificaria sua internação num convento como escravas, trabalhando sem ganhar, sem poder sair, sendo açoitadas e forçadas a viver muitos anos sem liberdade à vista, porque alguém simplesmente achou que elas eram pecadoras. O convento é um festival de clichês podres da Igreja Católica, com tudo de mau que já foi dito que aconteceu dentro de um convento até hoje. Não faltam espancamentos, violações sexuais, cárcere privado, trabalhos forçados, maus tratos, lavagem cerebral, etc. Por conta dessas cenas, a Igreja e alguns de seus seguidores mais fervorosos trataram de fazer uma campanha contra a obra do diretor Peter Mullan. Porém, dois jornais italianos enviaram repórteres à Irlanda, que puderam comprovar a existência de tais locais e das atrocidades lá cometidas, todas relatadas por sobreviventes. Outro motivo pelo qual queria ver o filme é o ator Peter Mullan (''Meu Nome é Joe'' e ''Senhorita Julia''), que tinha estreado na direção muito bem com ''Os Órfãos''. Seu talento se confirma neste grande filme, que evita qualquer tipo de melodrama - vide toda a seqüência inicial sem diálogos, mostrando como uma das garotas é estuprada e a reação da família. "Em nome de Deus" é um filme-denúncia dos mais interessantes, trabalha com atores quase todos desconhecidos, menos no papel da Madre Superiora, onde brilha uma figura doce e terrível feita por Geraldine McEwan. As atrizes dão um banho de interpretação e conseguem passar ao espectador todo o sofrimento causado às suas personagens. E não estamos falando de pouca coisa. É totalmente sério, honesto, direto, sem buscar efeitos fáceis. Também não procura fazer escândalo. Não tem cenas de nudez ou chamariz para o público. Enfim é um excelente trabalho de um diretor que promete. 4.2.04
"Encantadora de Baleias" confronta rejeição e triunfo Realizado por uma mulher na Nova Zelândia, a bela Niki Caro, o filme é uma história sensível, um pouco lenta, sobre uma garotinha nativa Maori, chamada Pai ou Paikea. Ela é rejeitada pelo pai, porque a mãe e um irmão morreram no parto, e pelo avô que a criou, porque a tradição de sua raça não aceita mulheres nos rituais sagrados.
Não adianta ela tentar provar que tem garra para ser a futura líder da tribo, aquela que, segundo a lenda, irá montada numa baleia e conduzi-los para a glória. O avô é durão e não lhe dá atenção nem mesmo quando ela recusa ir para a Europa com o pai. Até o dia em que a menina (que é a narradora da história) encontra na praia um bando de baleias encalhadas que estão ali para morrer. O filme vêm arrebatando vários prêmios da critica ( entre eles, o premio do juri do Festival de São Paulo, o Festival de Rotterdam e o Sundance). Além disso, Keisha Castle-Hughes, de 13 anos passou a ser a mais jovem atriz a disputar o Oscar nesta categoria. ( Já houve atrizes mais jovens concorrendo e vencendo o Oscar, mas em outras categorias. Em 1974, Tatum O´Neal, aos 10 anos, recebeu o prêmio de coadjuvante por Paper Moon. Shirley Temple, aos 5, ganhou seu Oscar honorário em 1934. Mas na categoria de atriz principal, o título de mais jovem candidata pertencia a Isabelle Adjani, que tinha 19 anos quando concorreu por A História de Adele H., de François Truffaut, em 1975. A mais jovem a vencer o troféu foi Marlee Matlin, em 86, por Children of a Lesser God. Tinha 21 anos). De fato, o filme dá a impressão de que deveria ter um final trágico e simbólico, mas optaram por outra solução, ao que parece, motivo para o êxito da fita. É basicamente uma história de amor familiar, rejeição, triunfo e aceitação. Os americanos adoraram (principalmente o público feminino que se identificou com a personagem central). Não fiquei tão entusiasmado mas sem dúvida é um bom filme. Dos melhores do momento 3.2.04
Meu nome é Zé Pequeno!Com quatro indicações ao Oscar, "Cidade de Deus" reestréia em 70 salas Impossível sair da sala sem ficar pertubado. Até porque a fita não tem pretensões a se fazer leituras políticas partidárias ou simplificações. Inspirado num livro de Paulo Lins, altamente autobiográfico, o filme mostra de forma brilhante a trajetória de um moleque, Buscape, que sonha em ser fotógrafo (já começa com ele numa situação de perigo, para depois retornar ao passado com ele como narrador em off; e como está na moda, brincando com a narrativa, dizendo coisas como ''esse depois vai entrar na história'', ''depois eu conto daquele'' e coisas assim). O filme então, fica dividido em décadas. Começa no fim dos anos 60, quando Buscape tinha 11 anos, e já existia o Dadinho, que está se revelando um perigoso assassino que nos anos 70, assume o controle do tráfico de drogas (virando Zé Pequeno). Mas no começo dos anos 80, a situação se complica quando há outro, o Manu Galinha, que depois de ser vítima de um ataque parte para uma vingança pessoal e abre uma verdadeira guerra (ao final da fita, além do nome do ator e personagem, aparece também a foto do verdadeiro sujeito).
Se já houve outros filmes sobre quadrilhas e traficantes, nada era parecido com este. Embora a violência nunca seja explícita - não se vê a carne ferida ou cabeças explodindo, mas há momentos quase insuportáveis. E é isso mesmo que sucede no Brasil (e não nos enganemos, no resto da América Latina e em todo o Terceiro Mundo também). Embora seja uma ficção, este filme mostra a realidade e ela é assustadora. E há mais: o filme é tecnicamente espetacular. A fotografia é um arraso (foi feita por Cesar Charlone, Indicado ao OSCAR de fotografia). A edição, ou uso de músicas, é digno mesmo de uma indicação ao Oscar, realmente ''state of the art''. E a direção de atores é uma coisa impressionante. Fernando Meirelles (indicado ao OSCAR de direção) tem uma co-diretora, Katia Lund, com quem ele fez antes o curta ''Palace II''. Não sei bem até agora quem fez o quê. Mas é facil supor que Katia tenha cuidado da preparação de atores, quase todos amadores (há duas exceções: Matheus Nachtergaele, que faz um chefe traficante, e Graziela Moretto, que fez um dos papéis principais do filme anterior do diretor, ''Domésticas, o Filme'', interpretando uma jornalista que ajuda Buscapé e transa com ele dando margem a uma ótima piada no final quando ele comenta ''sabe como é, jornalista não transa bem nem, né...) Todos os amadores passaram por uma oficina de preparação dos atores. E sabendo como brasileiro é meio canastrão, não é natural diante das câmeras como os italianos, por exemplo, o resultado é fantástico, todos estão excelentes.. Tão uniformes que não dá nem para destacar nenhum. Mas se o filme é tão impressionante, porque essa relutância em assumir isso? Talvez porque eu (e os outros) não gostemos de saber que O Rei esta Nu (como na fábula), não queiramos enfrentar nossos problemas de frente. E talvez esconder a cabeça como avestruz seja mais fácil. Isso ainda vai dar pano para manga (hoje resolvi desenterrar as velhas expressões). O que importa é que o Brasil está superbem representado no Oscar este ano, e Fernando Meirelles realmente se inscreve com esta fita na primeira linha do cinema brasileiro. Quanto mais penso no filme mais gosto. E tremo só em pensar no trabalho que deve ter dado para fazer, para rodar nos locais autênticos, sempre com a permissão dos traficantes, sempre com medo de balas e revides. Foi um risco de vida, mas certamente valeu a pena. |