TOP10 SPOILER
1. Ratatouille
2. Paris, Te Amo
3. Treze Homens e um Novo Segredo
4. Harry Potter e a Ordem do Fênix
5. O Despertar de uma Paixão
6. Zodíaco
7. Lady Vingança
8. Shrek Terceiro
9. Ventos da Liberdade
10. Homem-Aranha 3

TOP3 JANEIRO
1. Babel
2. Apocalypto
3. Diamante de Sangue

TOP3 FEVEREIRO
1. Pecados Íntimos
2. Cartas de Iwo Jima
3. A Rainha

TOP3 MARÇO
1. Notas Sobre um Escândalo
2. O Cheiro do Ralo
3. 300

TOP3 ABRIL
1. Vermelho como o Céu
2. Ventos da Liberdade
3. Miss Potter

TOP3 MAIO
1. Lady Vingança
2. Homem-Aranha 3
3. Nome de Família

TOP3 JUNHO
1. O Despertar de uma Paixão
2. Zodíaco
3. 13 Homens e Outro Segredo


TOP10 CURTAS
1. O Nosso Livro
2. As Coisas que Moram nas Coisas
3. Alguma Coisa Assim
4. Balada das Duas Mocinhas de Botafogo
5. Yansan
6. Crisálidas
7. Tyger
8. Aquele Cara
9. Lady Christhiny
10. Meu Namorado é Michê

15.7.07

O FIM DE UMA ERA



"O Brasil é uma república federativa cheia de árvores e gente dizendo adeus"
Oswald de Andrade
Chegou a hora...
Estou definhando e ainda tenho que enfrentar as horas...
Seria ótimo dizer que me arrependi...Seria fácil...mas o que isso significa? O que significa se arrepender quando não se tem escolha? É o que se pode aguentar...
Era a morte...Escolhi a vida! e enfim, conhece-la...Ama-la pelo que ela é! E depois descarta-la...
Sempre os anos que foram nossos...
Sempre os anos...
Sempre o amor...
Sempre as horas...
Nicole Kidman em "As Horas"


Foram mais de 1500 resenhas publicadas em 5 blogs distintos...

Foram mais de 3000 posts publicados, lidos e visitados por mais de 270000 visitantes...

Foi uma era de 3 anos e meio de pura magia...

Foi Spoiler...

Foi o SPOILER HAPPY das comédias, das animações, do riso...

Foi o SPOILER ACTION das ações, das aventuras, do terror, do suspense, da adrenalina...

Foi o SPOILER EMOTION do drama, das emoções, do romance...

Foi o SPOILER CLASSICS dos clássicos, do cinema nacional, da nostalgia...

Mais foi sobretudo SPOILER dos olhos deleitados, da magia do cinema...

É o fim de uma era, um adeus momentâneo, o último post de SPOILER no blogger nacional...

A partir de agora, domínio novo, blog novo...

Visite o novo SPOILER:




11.7.07

Harry Potter cresce e treina uma milícia


Os potterólogos e potter maníacos deverão se preparar para o que vem por aí. E os fãs menorzinhos vão ter de ficar de fora. "Harry Potter e a Ordem da Fênix", o quinto filme da série, estréia nesta semana com seqüências de ação e violência inusitados para o universo do ex-pequeno bruxo. O novo filme se aproxima em sangue e lutas com "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban", dirigido por Alfonso Cuarón. A diferença é que o roteiro de "A Ordem da Fênix" segue de perto o romance de J.K. Rowling, enquanto Cuarón viajou na guacamole. Dizem que a nova fidelidade veio por intecessão da própria autora, J.K. Rowling, que discordou das inovações introduzidas ao longo das quatro supreproduções. O resultado é um filme mais realista, em que a ação não encobre o principal, a busca do herói pela solução dos mistérios que envolvem sua jornada de aperfeiçoamento e formação.

Mais fiel a J.K. Rowling, o diretor David Yates, de 44 anos, trabalhou com a constatação de que os alunos do quinto ano da Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts já têm idade para missões arriscadas. Afinal, já estão pelos 16 anos e sabem diferenciar o bem do mal, a tirania da democracia. Há cenas ousadas. A do beijo entre Potter e Cho (Katie Leung) - a namorada de Potter é uma longa seqüência digna de comédia romântica. O até então tímido bruxo se sai desenvolto da empreitada. Também não foge à luta quando trava um duelo com os dementadores e a nova personagem do Mal, Bellatrix LesTrange (interpretada pela excelente Helena Bonham Carter, ultimamente condenada a interpretar a Noiva Cadáver ad nauseam), bruxa ligada aos Comensais da Morte que deverá fazer maldades nas duas seqüências que restam.

O tema central do filme é a transgressão. Começa com Harry usando a varinha para defender o primo de um ataque de dementadores - os guardas da prisão de Azkaban. Praticar magia diante de "trouxas" (aqueles que não têm sangue de bruxo) constituiu uma infração aos códigos da magia. Harry é convocado a comparecer na sede do Ministério da Magia em Londres, onde enfrenta um julgamento. Já pesava sobre ele a suspeita de ligações com as trevas, pois é ofidioglota (sabe falar língua das cobras, talento típico da magia negra) e, vez por outra, rompe os códigos de Hogwarts. No julgamento, seu advogado é Dumbledore em pessoa (Michael Gambon), diretor de Hogwarts e tutor de Harry. Abolvido com restrições, o bruxo pode voltar à escola.

Nesse ínterim, dá-se o ingresso de Harry, Hermione e Ron na Ordem da Fênix, sociedade secreta fundada por Dumbledore. Quando Dumbledore e vice-diretora Minerva McGonagall (Maggie Smith) são destituídos de seus cargos e substituídos pela tirânica Dolores Umbridge (Imelda Staunton, em ótima atuação), arma-se o caos na instituição. Dumbledore desaparece. Dolores, sob as ordens do despótico ministro da Magia Cornelius Fudge (Robert Hardy), pretende acabar com as práticas ilegais de magia negra dentro da escola. Dá aulas teóricas e constrange os alunos a seguir leis férreas. A intervenção abre espaço para que Lord Voldermort (Ralph Fiennes) e os Comensais da Morte tomem conta da escola. O objetivo de Voldemort é aniquilar Dumbledore e, por fim, matar Harry Potter, para evitar a profecia da Sibila, segundo a qual ele só poderia voltar a ter corpo e uma vida completa caso elimine o pequeno bruxo.

A profecia da Sibila Trelawney aparece em trechos no filme. Vale recorrer ao original: “Aquele com poder de vencer o Lorde das Trevas se aproxima... nascido dos que o desafiaram três vezes, nascido ao terminar o sétimo mês... e o Lorde das Trevas o marcará como seu igual, mas ele terá um poder que o Lorde das Trevas desconhece... e um dos dois deverá morrer na mão do outro pois nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver... aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas nascerá quando o sétimo mês terminar...”

Não há dúvida de que Harry vai experimentar um duelo final com Voldemort, no último filme da série. Mesmo assombrado pela imagem dos pais mortos, ele está menos auto-indulgente. Em geral, Harry é um personagem que remete a Oliver Twist e David Copperfield de Charles Dickens. São vítimas do destino, não conseguem nada de bom durante todas as aventuras. Harry também só colecionas misérias e tragédias. Não é nem o mais inteligente, nem o mais forte da turma. A predestinação é que faz dele um herói crível. O Harry desvitimizado dá início à atividade subversiva. Treina seus aliados a usar feitiços poderosos para formar uma milícia - o Exército de Dumbledore - e lutar na batalha que se aproxima. Junta-se a eles a maluqete Luna Lovegood - a nova personagem, interpretada pela estreante Evanna Lynch, escolhida entre 15 mil candidatas porque se identificou completamente com a persongem quando leu o livro de J.K. Rowling. O professor Severus Snape (Alan Rickman) mantém a postura ambivalente, e supostamente ensina Harry a se defender dos avanços de Voldemort. O senhor das Trevas costuma encarnar em corpos alheios para continuar a agir.

O momento mais interessante do filme não está no festival de efeitos especiais espetaculares (sombras, espectros, tempestades, raios etc.), mas no encontro entre Voldemort, Dumbledore e Harry. Os dois velhos bruxos se defrontam num duelo de varinhas. Em certo momento, Voldemort se apossa do corpo de Harry, falando pela boca do herói: "Você está derrotado, velho!". É a cena paradigmática do filme para o que virá. Harry, desta vez, enfrentou as trevas e, em poucos segundos, foi tomado por ela.

Harry Potter e A Ordem da Fênix representa a restauração da estrutura profunda da saga de Harry Potter. Não há piadas, partidas de quadribol ou exibições inúteis de feitiçaria. O que reina é o confronto do bruxo com as forças obscuras. O resultado é um filme em que ação e ficção se casam como num passe de mágica. Como diria Potter: Estupefaça!

David Yates, fiel diretor de J.K. Rowling


Aos 44 anos, o diretor David Yates se destacou em minisséries premiadas da TV inglesa, como The Way We Live Now e State of Play. No cinema, fez alguns filmes alternativos. O produtor David Hayes o chamou por ser especialista em dirigir atores e em filmar cenas de ação. Ele falou a Spoile sobre o desafio de filmar uma obra literária.

Spoiler: J.K. Rowling fez muitas exigências durante as filmagens?
David Yates: Só as normais, como tirar um personagem e dar ênfase a outro. Luna, a nova aluna de Hogwarts, amiga de Harry, é uma personagem muito querida por Jo. Procurei destacar a presença dela. E a Evanna Lynch (atriz escolhida entre 15 mil candidatas) se mostrou perfeita para o papel. Afinal, ela incorporou o personagem de tal forma que ela quase acredita ser uma criação de Jo! É a personagem com que Jo mais se identifica.

Spoiler: Como foi dirigir esse elenco? Você trabalhou como educador?
Yates: Eles não precisam disso. Os meninos são atores excelentes. Eu procurei apenas orientá-lo em cenas mais difíceis que envolviam ação. A cena em que eles voam de vassoura sobre o Tâmisa foi ma delas. Outra cena foi a do beijo entre Daniel e Katie. Os dois ficaram um pouco tímidos no começo, mas nos isolamos e tudo correu muito bem.

Spoiler: Qual a sua contribuição para a história neste filme e no próximo?
Yates: O que eu fiz foi trazer mais realidade à ação. Antes os filmes eram bastante focados na fantasia. Eu resolvi botar todo mundo para atuar em locações reais. Foi a primeira vez que eles atuaram realmente nas ruas de Londres. A realidade é um aspecto importante nos livros que eu quis ressaltar. Também dirigi seqüências de luta e perseguição que lembram os filmes de ação. Espero que os potterólogos gostem!

Spoiler: Isso significa que o próximo filme de Harry Potter terá doses maiores de realismo?
Yates: Com certeza. Harry Potter and the Half-Blood Prince será bem mais sexo, drogas e rocn'n'roll. Mais ação, mais ousadia, uma dose de violência e um atitude adulta dos meninos em cdeena. Será um grande desafio! Vamos começar as filmagens em outubro. Nâo vejo a hora.

Spoiler: Você poderia explicar como enfatizou o aspecto político do script baseado no quinto volume?
Yates: A história é altamente política. É o momento em que Harry e amigos se dão conta de que o mundo da magia se rege por regras de poder e competição semelhantes às do mundo dos "trouxas". Eles atuam como subversores do establishment, no momento em que entram para a Ordem da Fênix e formam o Exército de Dumbledore para enfrentar os Comensais da Morte e o Ministro da Magia, Cornelius Fudge (interpretado por Robert Hardy). Fudge é um déspota à moda antiga. Ele quer impor uma ordem burocrática e a censura na escola de Hogwarts. E é contra isso que o Exército de Dumbledore se insurge. Harry Potter , afinal, é um democrata!

"Não tenho poderes mágicos", afirma Daniel Radcliffe


Daniel Radcliffe faz a contagem regressiva para completar 18 anos, dia 23. Baixo, com cabelo castanho claro, olhos esverdeados e bem falante, ele faz questão de não se parecer com o personagem que corporificou. Ele falou com exclusividade à Spoiler.

Spoiler: Você não acha que Potter vai marcá-lo para sempre?
Daniel Radcliffe: Não posso negar a importância dele na minha vida. Mas não posso passar a vida toda na pele dele. Eu acabo de fazer Equus (peça de Peter Schaffer, em que Daniel comparece nu ao palco, para contracenar com um cavalo e uma atriz, também nua) e pretendo seguir carreira no teatro e no cinema. Mas não me vejo como ator de outro blockbuster. Eu combino mais com o cinema alternativo. Sou um sujeito que gosta de estudar os papéis e construir os personagens. Mas, para falar a verdade, não vejo a série Harry Potter como blockbuster. A gente trabalhou com cuidado, consultando a autora e com grande apoio e tempo. Nada a ver, por exemplo, com Gladiador.

Spoiler: Como foi a cena longa de beijo com Cho Chang (personagem adaptada da Gina do livro e interpretada Katie Leung) neste filme?
Daniel: Foi o momento mais difícil das filmagens. Katie e eu nos isolamos no set para que o David (Yates) fizesse a seqüência. Devo dizer que beijar Katie foi maravilhoso!

Spoiler: Seu papel em Equus incluiu um nu. Foi difícil?
DaDaniel: Ficar nu foi bem mais fácil que a cena do beijo no filme. Não há nada mais fácil que tirar a roupa, não é verdade? Não me arrependo disso. Aliás, eu me orgulho de ter tomado parte da representação de um drama intenso, de um dos principais autores do século XX.

Spoiler: O fato de ter crescido diante das câmeras o afetou de alguma forma?
Daniel: Foi bom para a minha formação. Vida e cinema para mim estão entrelaçados. Emma, Rupert e eu somos e continuaremos a ser amigos. Temos uma relação absolutamente pessoal.

Spoiler: Como você se compara a Harry Potter?
Daniel: Não temos muita coisa em comum. Harry é um menino traumatizado, sozinho e não exatamente a figura do herói perfeito. Ele tem momentos de raiva, de impulsividade e de fraqueza também. Sua história é a da superação e da descoberta. É um personagem forte, de grande integridade e humanidade. Eu sou um cara normal, sem poderes mágicos!

  • PREMIUM: Confira a reformulação do site! Novo template, novas seções, novos links e a cobertura completa das edições de 1927/28, 1928/29 e 1929/30

    Por Luís Antônio Giron - Revista Época


  • 9.7.07

    "Paris, Te Amo" traz megalópole múltipla


    A reunião de histórias curtas em longas-metragens foi um expediente comum nos anos 60, principalmente entre produtores europeus - alguns exemplos marcantes foram "Os Sete Pecados Capitais" (1962), "Rogopag" (1963), e "Paris Vu Par..." (1965). "Paris, te Amo" recupera esse espírito oportunista (não necessariamente picareta) ao propor uma espécie de "remake" de "Paris Vu Par...", com duas grandes diferenças.

    Enquanto a versão de 1965 privilegiava o olhar interno, com seis episódios assinados por estrelas da nouvelle vague (Godard, Rohmer, Chabrol e Jean Rouch), o novo projeto dá prioridade a cineastas estrangeiros e assume riscos maiores, multiplicando-se por 18 curtas. Essa opção é curiosa. A superfragmentação, ao mesmo tempo em que acentua aquele problema irremediável dos filmes em episódios (a irregularidade), também se mostra mais adequada para somar uma visão múltipla, diversificada, de uma megalópole européia contemporânea como é Paris hoje.

    Na medida em que nenhum curta ultrapassa dez minutos, a experiência da "irregularidade" é suavizada. Os olhares estrangeiros ajudam a desmistificar Paris sem perder o amor pela cidade, e o corte final encontrado pelos produtores procura uma fluidez própria, gerando um mosaico de cadência própria em um conjunto relativamente bem-sucedido. Os caminhos propostos ora são mais previsíveis, ora surpreendentes. Foram mais bem-sucedidos aqueles que apostaram na síntese.

    Os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas, por exemplo, conseguiram fazer um "road movie" sem sair de Paris, acompanhando o caminho de uma jovem imigrante (Catalina Sandino Moreno) que atravessa a cidade - a pé, de ônibus, de metrô - até chegar a um apartamento elegante do 16º distrito onde cuida de um bebê a quem canta as canções de ninar que não tem tempo nem condições de cantar para seu filho, que deixou num berçário antes de iniciar a caminhada de toda manhã. Com pouquíssimo, dizem muito.

    Daniela conta que, inicialmente, Waltinho e ela queriam filmar em Belleville, um bairro multiétnico, no qual seria mais fácil situar a temática dos migrantes que o diretor queria desenvolver. Há muito Walter Salles é atraído pelo tema do desenraizamento, das pessoas que estão num lugar ao qual não pertencem. Belleville terminou sendo substituído pelo 16ème, a Paris Elegante - os Jardins de lá -, mas é uma ironia que só apareça no final, quando Catalina chega ao trabalho. Até lá, o que se vê é uma mulher em trânsito e uma cidade de trabalhadores anônimos. Foi uma filmagem tranqüila. A odisséia maior foi conseguir que Catalina viajasse dos EUA para a França, quando a primeira opção de Waltinho e Daniela - uma atriz brasileira, Cléo Pires - revelou-se inviável. Entraves burocráticos criaram um nó de empecilhos tão grande que só foi desfeito com a ajuda de diplomatas brasileiros e franceses, convocados pela outra produtora, Claudie Ossard.

    Gus van Sant dirige Le Marais, com o encontro insólito, misterioso, de dois jovens em uma galeria de arte no velho bairro do 4° distrito. Quais de Seine, de Gurinder Chadha, analisa a questão do relacionamento entre franceses e árabes quando um rapaz se encanta por uma mocinha com véu. Place des Victoires, de Nobuhiro Suwa, conta com a grande Juliette Binoche no papel de uma mãe que ouve o choro do seu filho morto e sai à rua à sua procura. Père Lachaise, de Wes Craven, faz uma original homenagem a Oscar Wilde, que está enterrado no famoso cemitério parisiense.

    Alguns cineastas que costumam gerar expectativa (como Gus Van Sant) realizaram peças burocráticas, enquanto outros, dos quais pouco podia se esperar (como Alexander Payne), surpreendem. O australiano Chritopher Doyle, diretor de fotografia dos filmes de Wong Kar Wai, radicaliza na excentricidade; a queniana Gurinder Chadha se afoga na necessidade de ser politicamente correta; Joel e Ethan Coen debocham do mau humor francês de forma estereotipada, porém hilariante, enquanto Olivier Assayas, com seus flagrantes de uma atriz americana em passagem por Paris, assina um dos melhores episódios.

    Para ficar com uma escolha muito pessoal, o mais forte me pareceu "Père-Lachaise", de Wes Craven, talvez porque cemitérios me pareçam desinteressantes, mesmo os que abrigam muitos cadáveres ilustres, como o Père Lachaise. Craven desmentiu essa crença, ao dar sentido, poesia e, por assim dizer, vida a uma visita ao túmulo de Oscar Wilde.

    A maior surpresa foi "Parc Monceau", de Alfonso Cuarón, onde dois personagens passeiam conversando apaixonadamente. Em poucos minutos, e com muita felicidade, Cuarón nos põe diante das complexidades da família contemporânea. O menos interessante vem do vampirismo de Vincenzo Natali em "Quartier de la Madeleine", com Elijah Wood.

    Há, no entanto, um capítulo que se impõe de forma avassaladora por um motivo simples: reúne Gena Rowlands e Ben Gazarra, os dois lendários atores de John Cassavetes, em torno de um roteiro radicalmente afetivo assinado por Rowlands. Em um café do Quartier Latin, um casal separado conversa sobre o rumo de suas vidas. É absolutamente emocionante testemunhar esse encontro de gigantes, registrado da forma mais simples possível pelos diretores Frédéric Auburtin e Gerard Depardieu.

    E, no episódio de fecho, e talvez o mais comovente deles, Alexander Payne mostra a turista americana que, finalmente, consegue realizar seu sonho de conhecer Paris. Talvez seja o que capte melhor a função que Paris ainda exerce no imaginário coletivo como cidade romântica, inteligente, sensual. Todos esses clichês estão presentes e, ao mesmo tempo, são desconstruídos.

    A impressão deixada foi de que, se ela tivesse percorrido o caminho inverso, o episódio teria sido mais bem-sucedido. Como está, mostra uma moça preocupada em não perder a hora. Feita a inversão, o filme poderia mostrar as transformações da paisagem e, com isso, a distância (geográfica, mas não só) entre o 16º e um subúrbio.

    Entre perdas e ganhos, "Paris, Te Amo" realiza a pretensão de trazer visões de uma Paris contemporânea, sem nostalgias, sem lamentos sobre o passado. Não desagradará a quem ama Paris.

    Por Pedro Butcher, Inácio Araujo (Folha de São Paulo), Luiz Carlos Merten & Luiz Zanin Oricchio (Estado de São Paulo)




    Qual é a sua lista?



    Há muito a ler nas entrelinhas da nova lista de 100 melhores filmes americanos do American Film Institute (AFI), anunciada há duas semanas e liderada mais uma vez por “Cidadão Kane”, com Steven Spielberg também novamente emplacando o maior número de títulos (cinco).

    Começando pelo início, apenas seis obras da era muda serem destacadas é um escárnio. Tudo bem que o cinema mudo deve tanto à produção alemã, francesa, italiana, nórdica e russa quanto ao nascente filme americano.

    Mas deixar de fora as contribuições do pioneiro Edwin S. Porter, da comédias de Mack Sennett e Harold Lloyd, e do revolucionário Erich von Stroheim, para ficar em quatro esquecidos, é francamente injusto.

    A era do estúdios, grosso modo entre 1930 e 1950, está bem representada, com pouco mais de um quarto dos títulos lembrados (27), mas a ausência de Ernst Lubitsch, no mínimo com o humor subversivo de “Ninotchka” (1939), é indesculpável. O caso John Ford também salta aos olhos. Apenas dois filmes (Rastros de Ódio e Vinhas da Ira) e nada de “No Tempo das Dilegências” (1939), “A Mocidade de Lincoln” (1939), “Paixão dos Fortes” (1942), ou do posterior e maiúsculo “O Homem que Matou o Facínora” (1962)?

    E Howard Hawks, lembrado com apenas um titulo? O humor anárquico de “Levada da Breca” (1938) merece o voto mas seria mesmo o maior Hawks, sobrebujando o definitivo filme de gânsgsteres “Scarface, a Vergonha de uma Nação” (1932), o encontro incandescente entre Bogart e Bacall em “Uma Aventura na Martinica” (1944) e um faroeste do porte de “Onde Começa o Inferno” (1959)? Fala sério.

    O período de decadência do sistema de estúdios e da primavera dos independentes (1950-1979) impera na pesquisa, com metade dos títulos, mas as omissões não são menos gritantes. Na primeira fase, Otto Preminger ( O Homem do Braço de Ouro; Anatomia de um Crime) desafiou como poucos os limites morais estreitos do chamado “código Hays” de autocensura e ficou de fora. Na segunda, John Cassavetes oxigenou a cena com dramas amorosos libertários como “Shadows” (1960), “Faces” (1968) e “Os Maridos” (1970). Cadê?

    Francis Ford Coppola, Martin Scorsese e, até com certo exagero, o campeão de votos Steven Spielberg garantiram boa representação para os renovadores de Hollywood a partir dos anos 70. Mas onde está Brian DePalma e “Vestida para Matar” (1980), “Dublê de Corpo” (1984) ou, meu deus!, “Os Intocáveis” (1987)?

    Tudo somado, vale destacar que a lista ficou mais contemporânea e menos clássica, como que numa afirmação da Hollywood de hoje (ou recente) frente a da chamada era de ouro dos estúdios. Há uma certa ousadia ao reconhecer no cânone Frank Darabont (Um Sonho de Liberdade), M. Night Shyamalan (O Sexto Sentido), Peter Jackson (O Senhor dos Anéis –A Sociedade do Anel), Ridley Scott (Blade Runner) e Spike Lee (Faça a Coisa Certa). Contudo, a mesma coragem desaparece com o esquecimento de David Lynch, dos irmãos Joel e Ethan Coen e de Tim Burton. É dar tempo ao tempo.

    Parece-me muito salutar que haja algo de menos sisudo também, com a inclusão de Buster Keaton, de Fred Astaire, de Preston Sturges e até de “Toy Story” (1995), sendo agora duas animações, seis musicais e treze comédias. Na hora de reconhecimentos e premiações, uma ataque de amnésia parece apagar exatamente aqueles momentos em que fala mais alto o mero prazer no cinema.
    Basta ver que, no topo da lista, mais uma vez não há espaço para comédias –ainda que dois musicais tenham se imposto (Cantando na Chuva e O Mágico de Oz). Entre os cem, vale lembrar, onde está o reconhecimento às gargalhadas que nos foram ofertadas por Blake Edwards (A Pantera Cor-de-Rosa; Um Convidado Bem Trapalhão), Mel Brooks (O Jovem Frankenstein) ou o Woody Allen da primeira fase (O Dorminhoco)?

    Qual teria sido minha votação? Há cinco anos, na tradicional eleição pela revista britânica “Sight and Sound” dos maiores clássicos do cinema mundial, sete de meus favoritos eram americanos. Só dois ficaram entre os dez mais do AFI (Cidadão Kane e O Poderoso Chefão). Todos garantiram lugar entre os cem preferidos (Tempos Modernos, Crepúsculo dos Deuses, Janela Indiscreta, Rastros de Ódio e 2001, uma Odisséia no Espaço, em ordem cronológica).

    Restariam três vagas em aberto. “Intolerância” (1916) de David W. Griffith me parece incontornável. Mesmo mutilado pelos produtores (leia-se Irving Thalberg da MGM), “Ouro e ambição” (1925) de Erich von Stroheim me parece também ter catapultado o cinema a uma nova complexidade dramática e narrativa, ainda na subestimada era muda. Por fim, um musical merece vaga: “A roda da fortuna” (1953) de Vincente Minelli, com Fred Astaire e Cyd Charisse, é de todos meu favorito. Qual a sua lista?

  • CLASSICS: Confira a Lista da AFI - 1º ~ 25º
  • CLASSICS: Confira a Lista da AFI - 26º ~ 50º
  • CLASSICS: Confira a Lista da AFI - 51º ~ 75º
  • CLASSICS: Confira a Lista da AFI - 76º ~ 100º

    Por Amir Labaki - Valor Econômico


  • 6.7.07

    A maravilhosa cozinha do rato


    O rato quer ser chef, mas a figura fundamental de Ratatouille é o crítico, que reproduz um momento singular da arte


    Como toda animação da Pixar - e da Pixar/Disney -, Ratatouille, de Brad Bird, possui camadas de leitura. As crianças, que, desde o lendário Mickey Mouse, já viram muitos ratos na tela, poderão divertir-se com mais essa criaturinha da sarjeta que sonha ser chef. A situação é, em si, absurda, mesmo para quem quiser pensar realisticamente que já é um absurdo um rato falante na tela. Este é a vergonha da família, com seu paladar refinado que põe o grupo em perigo. No limite, ele é separado da família e vai cair no esgoto, sendo levado pelas águas até... Paris, a capital da gastronomia.

    O rato é o protagonista da história de Ratatouille e é muito engraçado esse roedor que, contra tudo e todos, quer mostrar que é o melhor de fogão. O acaso o leva ao restaurante, hoje decadente, cujo proprietário anterior havia escrito um livro com o sugestivo título de 'qualquer um pode cozinhar'. O crítico de gastronomia o odiava por isso. Porque, sendo um amante da boa cozinha e das iguarias elaboradas, ele não pode aceitar que todo esse refinamento esteja ao alcance de qualquer um. O crítico considera a gastronomia uma forma de arte e, como tal, espera que o chef seja um artista.

    São os dois personagens principais, mesmo que a participação do crítico seja relativamente curta dentro da trama. O rato faz a ponte de Ratatouille com as crianças. O crítico, por mais divertida que sua figura sinistra possa ser para o público infantil, destina-se aos adultos. Os demais personagens fazem a ligação entre os dois, tanto os animais quanto os humanos. O rato vai precisar de um aliado e ele será o ajudante de cozinha desastrado, que a gente descobre ser filho do antigo proprietário e, portanto, o dono do estabelecimento. Oprimido pelo chef, que não conhece sua identidade, o garoto recebe a tarefa de se livrar do rato, quando ele é descoberto na cozinha. Os dois fazem um pacto e, escondido no chapéu alto de chef, o rato é quem dá as cartas na cozinha, para que o outro desfrute a fama de ser o melhor. Isso, naturalmente, até o esperado confronto do chef com o crítico, para o qual converge toda a estrutura narrativa de Ratatouille, como a de Procurando Nemo, outra magistral criação da Pixar/Disney, que convergia para o reencontro do peixinho e seu pai que atravessa o oceano para localizá-lo.

    Há algo de profundamente belo, que uma criança talvez não tenha condições de avaliar, embora convenha não subestimar a sensibilidade do público infantil, apenas a sua falta de informação (que também acomete uma parcela do público adulto, é verdade). Há quase cem anos, num dia de 1908, faltando pouco para o Ano-Novo de 1909, um escritor que haveria de se tornar a figura dominante do romance francês do século 20 foi tomar chá na casa de uma amiga. Marcel Proust sonhava escrever um grande romance. Os sete livros que compõem Em Busca do Tempo Perdido mostram um personagem - o Narrador - que busca inutilmente a felicidade na vida mundana e na contemplação da arte. Ele a descobre no poder de evocação da memória que vai reunir passado e presente numa sensação reencontrada, quando o Narrador molha a madeleine (um biscoito) na xícara de chá, cujo sabor lhe evoca a infância.

    Proust teve essa sensação e a reproduziu em seus livros. Luchino Visconti e Joseph Losey sonharam adaptar o monumento literário do grande autor para reencontrar esse momento que a animação agora reproduz, por meio do crítico. Tudo o que se pode dizer sobre a técnica de Ratatouille e a história da Pixar/Disney você encontra nos demais textos que compõem a edição. O respeito pela diferença, radicalizado num ser tão abjeto como o rato, é um tema tradicional da animação. Cria cenas divertidas - os ratos que tomam conta da cozinha, devidamente higienizados, para ajudar o herói. O tema é outro. Nem todo mundo pode ser um grande artista, mas a arte surge onde menos se espera. Ratatouille é sobre um rato que sonha ser chef e muito mais. É sobre memória, sobre arte e vida.

  • PREMIUM: Novas Previsões do Oscar 2008!

    Por Luis Carlos Merten - Estado de São Paulo


  • 2.7.07

    O Melhor Filme de todos os tempos no último semestre







    "Pecados Íntimos"
    Todd Field
    New Line Cinema

    "Em "Pecados Íntimos" as pequenas crianças do filme não estão correndo nos parques, ou sendo embaladas nos balanços, ou brincando na piscina... as pequenas crianças do título estão aprisionadas em seus corpos de adultos"

    Os Melhores Diretores...
    1. Todd Field por "Pecados Íntimos"
    2. Richard Eyre por "Notas Sobre um Escândalo"
    3. Clint Eastwood por "Cartas de Iwo Jima"
    4. Stephen Frears por "A Rainha"
    5. Alejandro González Iñárritu por "Babel"
    Os Melhores Atores...
    1. Luca Capriotti por "Vermelho como o Céu"
    2. Patrick Wilson por "Pecados Íntimos"
    3. James McAvoy por "O Último Rei da Escócia"
    4. Cillian Murph por "Ventos da Liberdade"
    5. Selton Mello por "O Cheiro do Ralo"







    "Notas Sobre um Escândalo"
    Richard Eyre
    Fox Searchlight Pictures

    "Notas Sobre um Escândalo" trata de relações nada delicadas envolvendo desejo, lesbianismo, sexo e família. No conjunto, é forte e excepcionalmente bem interpretado. Afinal, de Cate e Judi não se pode esperar menos do que grandes atuações."
    Luiz Carlos Merten

    As Melhores Atrizes...
    1. Helen Mirren por "A Rainha"
    2. Judi Dench por "Notas Sobre um Escândalo"
    3. Kate Winslet por "Pecados Íntimos"
    4. Naomi Watts por "O Despertar de uma Paixão"
    5. Medeea Marinescu por "Você é tão Bonito"
    Os Melhores Elencos...
    1. "Vermelho como o Céu"
    2. "Babel"
    3. "DreamGirls"
    4. "13 Homens e um Novo Segredo"
    5. "Dias de Glória"







    "O Despertar de uma Paixão"
    John Curran
    Warner Independent Pictures

    "Sobre um pano de fundo exótico, entre comentários políticos sobre a colonização britânica, "O Despertar de uma Paixão" mantém o foco no relacionamento humano, fazendo uma espécie de amor nos tempos do cólera mais intimista e sem chance de saídas mágicas"
    Pedro Butcher

    As Melhores Atrizes Coadjuvantes...
    1. Jennifer Hudson por “Dreamgirls”
    2. Cate Blanchet por "Notas Sobre um Escândalo"
    3. Adriana Barazza por "Babel"
    4. Rinko Kicuhci por "Babel"
    5. Diane Lane por "Hollywoodland"
    Os Melhores Atores Coadjuvantes...
    1. Forest Whitaker por “O Último Rei da Escócia”
    2. Jackie Earle Haley por "Pecados Íntimos"
    3. Djimon Hounsou por "Diamante de Sangue"
    4. Brad Pitt por "Babel"
    5. Simone Gullì por "Vermelho como o Céu"







    "Cartas de Iwo Jima"
    Clint Eastwood
    Warner Bros Pictures & DreamWorks Pictures

    "Clint Eastwood costura duas histórias dentro de uma única lógica. Uma termina onde a outra começa e ambas dialogam e se explicam mutuamente. Uma proposta sofisticada, que não teve uma grande resposta do público americano."
    Neusa Barbosa

    Os Melhores Roteiros Originais...
    1. "Vermelho como o Céu"
    2. "A Rainha"
    3. "Cartas de Iwo Jima"
    4. "Babel"
    5. "Mais Estranho que a Ficção"
    Os Melhores Roteiros Adaptados...
    1. "Pecados Íntimos"
    2. "Notas Sobre um Escândalo"
    3. "O Despertar de uma Paixão"
    4. "Zodíaco"
    5. "300"







    "A Rainha"
    Stephen Frears
    Pathé Pictures International

    "Existe em "A Rainha", uma indagação inquietante: o que é uma rainha? Não esses reis que Shakespeare tornou tão particulares -magníficos, geniais, cruéis, dementes. Não uma rainha capaz de marcar o mundo com sua presença, como Vitória, mas uma rainha, simplesmente, como Elizabeth 2ª. Por que, afinal, os britânicos a reverenciam tanto? O filme apanha a rainha na crise fundamental de seu reinado: a morte de Diana, que coincide com a chegada de um primeiro-ministro trabalhista disposto a marcar sua passagem pelo cargo como um iconoclasta, Tony Blair."
    Inácio Aráujo

    Os Melhores Filmes Brasileiros...
    1. "O Cheiro do Ralo"
    2. "Pro Dia Nascer Feliz"
    3. "Cartola"
    4. "Antônia"
    5. "Os 12 Trabalhos"
    Os Melhores Filmes de Estréia...
    A Definir...







    "Babel"
    Alejandro González Iñárritu
    Paramount Vantage

    "Nos filmes de Iñárritu, o mundo parece muitas vezes inapreensível e sujeito a desígnios superiores graças à dramaturgia e à combinação de imagens e música segundo movimentos errantes, voltados para deixar significados em aberto, sem conduzir a lugar nenhum específico. É o que ajuda a entender por que, no mercado norte-americano, ele foi vendido como o "filme sério" da temporada, preocupado com temas sociais urgentes e com uma visão artística incomum em Hollywood. De fato, a sobreposição de situações aponta para diversas idéias, algumas divergentes, mas o que sustenta mesmo "Babel" lembra a eloqüência dos contadores de história cuja contação é mais atraente do que a história em si."
    Sérgio Rizzo

    As Melhores Fotografias...
    1. "Cartas de Iwo Jima"
    2. "Babel"
    3. "DreamGirls"
    4. "O Despertar de uma Paixão"
    5. "300"
    As Melhores Edições...
    1. "Cartas de Iwo Jima"
    2. "A Rainha"
    3. "Notas sobre um Escândalo"
    4. "Apocalypto"
    5. "Diamante de Sangue"







    "DreamGirls"
    Bill Condon
    DreamWorks

    "É uma leitura luxuosa, no sentido carnavalesco, de um movimento histórico que incluiu sangue (os conflitos pela igualdade de direitos civis, os assassinatos de Martin Luther King e Malcolm X) e que ainda se manifesta hoje em episódios de tensão racial. Buscar esse lustre, o de drama de época com reverberações socioculturais, não o promove a nada muito mais nobre do que ser um bom musical sobre uma moça destinada a comer o pão que o ex-empresário e ex-amante (Jamie Foxx) amassou - e a dar a volta por cima."
    Sérgio Rizzo

    As Melhores Direção de Arte...
    1. "Apocalypto"
    2. "Maria Antonieta"
    3. "DreamGirls"
    4. "Piratas do Caribe no Fim do Mundo"
    5. "O Bom Pastor"
    Os Melhores Figurinos...
    1. "Maria Antonieta"
    2. "Piratas do Caribe ­ No Fim do Mundo"
    3. "A Rainha"
    4. "DreamGirls"
    5. "300"







    "Zodíaco"
    David Fincher
    Warner Bros. & Paramount Pictures

    "Estamos diante de um filme de crime em que, quanto mais caminhamos para a elucidação do mistério, mais entramos num emaranhado de sinais que parecem celebrar, mais do que tudo, o mistério do mundo: este mundo que, só por um gesto de ficção, nós acreditamos dominar. É esse gesto, a ficção, que "Zodíaco" questiona."
    Inácio Aráujo

    As Melhores Trilhas Musicais...
    1. "O Despertar de uma Paixão", de Alexandre Desplat
    2. "Babel", de Gustavo Santaolalla
    3. "Notas sobre um Escândalo", de Phillip Glass
    4. "A Rainha", de Alexandre Desplat
    5. "Cartas de Iwo Jima", de Clint Eastwood
    As Melhores Cenas...
    1. De "DreamGirls": "It´s All Over"
    2. De "Pecados Íntimos": "A piscina"
    3. De "300": "Consulta dos Oráculos"
    4. De "A Rainha": "O Cervo"
    5. De "Cartas de Iwo Jima": "O Suicídio Coletivo"







    "300"
    Zack Snyder
    Warner Bros. Pictures

    "Para transmitir seu conceito de herói, Frank Miller se utilizou de uma verdadeira carnificina visual de cores orquestrada nos mínimos detalhes. Poderia ter usado outras referências, mas ter exacerbado na violência foi um caminho e também uma maneira de torná-la superficial em relação à epístola."
    Mário Abbade
    As Melhores Canções...
    1. "Tu Me Acostumbraste", de Charvella Vargas para "Babel"
    2. "La Puera Fuente", para "O Despertar de uma Paixão"
    3. “O Kazakhstan”, para “Borat"
    4. “Listen”, para "DreamGirls"
    5. “Love You I Do”, para “DreamGirls"
    6. "A Place fou Us", para "Ponte para Terabítia"
    As Melhores Sonoplastia...
    1. "Vermelho como o Céu"
    2. "Cartas de Iwo Jima"
    3. "Piratas do Caribe no Fim do Mundo"
    4. "Homem-Aranha 3"
    5. "300"


    10º




    "13 Homens e Outro Segredo"
    Steven Soderbergh
    Warner Bros. Pictures

    "Usando trilha musical e efeitos visuais que lembram os bons tempos de Sinatra e seu Clã em Vegas, este Treze Homens é uma prova de que quando Hollywood se esforça e coloca dinheiro em gente talentosa, o resultado é visualmente esplendido."
    Rubens Ewald Filho

    As Melhores Maquiagens...
    1. "Apocalypto"
    2. "Piratas do Caribe ­ No Fim do Mundo"
    3. "300"
    Os Melhores Efeitos Visuais...
    1. "Homem-Aranha 3"
    2. "Piratas do Caribe no Fim do Mundo"
    3. "300"
    4. "Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado"
    5. "Cartas de Iwo Jima"
    E os Piores Filmes do Semestre...
    1. "Além do Desejo"
    2. "Turistas"
    3. "Número 23"
    4. "Motoqueiro Fantasma"
    5. "Caixa 2"




    27.6.07

    Cinema sem fim


    Os 100 maiores filmes de todos os tempos




    Difícil ordenar o pensamento com este tema tão complexo. O retrocesso faz lembrar o envolvimento de milhares de seres que contribuíram com suas criações em filmes, sonhos e manifestos que tanto nos estimularam. A história do cinema, graças aos seus inventores e obstinados criadores, foi a razão dessa lista da American Film Institute que este ano completa um ciclo ininterrupto de 10 anos. Escrevem-se histórias como se quer. As histórias podem ser manipuladas e aceitam a dialética e os caprichos de cada tempo. Mas o cinema é outra história. Ele é único e tem história própria. Só precisa de ajuda para chegar às suas platéias. Para resgatar auto-estimas. O cinema é a nossa motivação e energia para compreender um mundo que segue espantando por suas injustiças e pela falta de soluções. O cinema nos ensina e nos guia. Por suas luzes passamos a ser um pouco menos cegos. O cinema abre nossos olhos, enche-nos de sabedoria e energia. Transforma-nos em super-heróis sem que sejamos personagens de exceção. Com o cinema conseguimos viver histórias inesquecíveis. E, o melhor de tudo, vivemos histórias de cinema sem fim.

    Comemorando 40 anos de vida, o AFI resolveu revisar seus conceitos. "Cem anos, Cem filmes, Décimo aniversário" é o nome da premiação realizada. Críticos, historiadores e especialistas votaram para escolher os melhores filmes já realizados no cinema americano. Primeiro chegaram a 400 filmes e, destes, selecionaram os 100 mais importantes. E pela segunda vez, CIDADÃO KANE assumiu o primeiro lugar. O filme é baseado na vida do empresário William Randolph Hearst, que chegou a processar o cineasta Welles, então com 25 anos de idade. Indicado em nove categorias do Oscar, incluindo melhor filme e direção, levou apenas o de roteiro (Welles e Herman J. Mankiewicz).

    Logo atrás de CIDADÃO KANE aparece O PODEROSO CHEFÃO, assinado por Francis Ford Coppola. O interessante é que o filme estava em terceiro lugar há uma década. E roubou a posição que pertencia a outro clássico, CASABLANCA. Aliás, a lista do AFI neste ano foi um verdadeiro sobe-e-desce. TOURO INDOMÁVEL, de Martin Scorsese, antes ocupava o 20º posto e agora subiu para o quarto lugar da lista. UM CORPO QUE CAI, de Alfred Hitchcock, saiu da 61ª para a nona posição.

    E nesses anos saíram da lista outros clássicos como DR. JIVAGO (Posição Anterior 39), O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO (44), A UM PASSO DA ETERNIDADE (52), AMADEUS (53), SEM NOVIDADES NO FRONT (54), O TERCEIRO HOMEM (57), FANTASIA (58), JUVENTUDE TRANSVIADA (59), NO TEMPO DAS DILIGÊNCIAS (63), CONTATOS IMEDIATOS DE TERCEIRO GRAU (64), SOB O DOMINIO DO MAL (67), SINFONIA EM PARIS (68), O MORRO DOS VENTOS UIVANTES (73), DANÇA COM LOBOS (75), ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE (82), FARGO (84), O GRANDE MOTIM (86), FRANKESTEIN (87), PATTON - REBELDE OU HERÓI? (89), O CANTOR DE JAZZ (90), MY FAIR LADY (91), UM LUGAR AO SOL (92) e ADIVINHE QUEM VEM PARA O JANTAR (99).

    Steven Spielberg foi o diretor mais representado com 5 filmes: ET, TUBARÃO, CAÇADORES DA ARCA PERDIDA, O RESGATE DO SOLDADO RYAN e A LISTA DE SCHINDLER. Spielberg também foi o mais lembrado em 97 (Embora CONTATOS IMEDIATOS... tenha cedido espaço para RYAN). Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick e Billy Wilder tiveram cada um, quatro filmes na lista. Frank Capra, Charles Chaplin, Francis Ford Coppola, John Huston e Martin Scorsese classificaram 3 filmes de sua filmografia. Robert De Niro e James Stewart foram os atores mais lembrados com 5 filmes. Faye Dunaway, Katharine Hepburn e Diane Keaton foram as atrizes melhor classificadas, emplacando 3 filmes cada uma.

    Três anos foram grandes marcos do cinema: 1982 (E.T., TOOTSIE, BLADE RUNNER, A ESCOLHA DE SOFIA); 1976 (REDE DE INTRIGAS, TAXI DRIVER, ROCKY, TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE) e 1969 (BUTCH CASSIDY, PERDIDOS NA NOITE, SEM DESTINO e MEU ÓDIO SERÁ TUA HERANÇA). INTOLERÂNCIA é o filme mais antigo e O SENHOR DOS ANÉIS é o mais recente, aliás é o único representante desse milênio. A decáda de 70, que marcou o fim da Era dos Estúdios, emplacou 20 filmes na lista e o cinema mudo, quem diria, citou 4 fitas.

    Como a mudança de várias posições chama atenção, o próprio AFI se encarregou de publicar uma explicação. De acordo com o Instituto, "o cinema americano reflete o momento atual do país e que algumas mudanças se devem ao mercado do DVD". A questão é que alguns clássicos, antes esquecidos, acabam sendo descobertos quando ganham a versão em DVD. Um exemplo dado pelo AFI é RASTROS DE ÓDIO, estrelado por John Wayne, considerado um dos maiores clássicos do faroeste e um dos mais importantes na carreira do diretor John Ford. Como o filme ganhou uma edição especial em DVD, restaurada, ele subiu do posto número 96 para o 12º lugar.

    A lista foi revelada na semana passada e já foi publicada em vários sites e blogs. Parece notícia velha, e na verdade é. Mas contrariando a pauta aqui do blog, resolvi fazer algo diferente e só consegui terminar a edição do post hoje. No Spoiler Classics, você leitor, confere cada um dos 100 filmes resenhados e com o logotipo original. Na realidade é um Potpourri de resenhas de jornalistas como Roger Ebert, Rubens Ewald Filho, Leon Cakoff, Fernando Albagli, Inácio Araujo e de alguns membros da Liga dos Blogs Cinematográficos. Além de resenhas pessoais minhas já publicadas no ínicio do blog, dentro do projeto Mosaico.

  • CLASSICS: Confira a Lista da AFI - 1º ~ 25º
  • CLASSICS: Confira a Lista da AFI - 26º ~ 50º
  • CLASSICS: Confira a Lista da AFI - 51º ~ 75º
  • CLASSICS: Confira a Lista da AFI - 76º ~ 100º

    Introdução de Leon Cakoff (Mostra SP) - Comentários de Marfil


  • 22.6.07

    Boas atuações fortalecem trama densa de amor


    Apesar do jeitão esnobe, "O Despertar de uma Paixão" tem lá seu encanto. As credenciais apontam para o filão, quase sempre estéril, da superprodução de época de estirpe nobre, legitimada pela base literária (no caso, o romance "O Véu Pintado", de W. Somerset Maugham). Mas detalhes permitem ao resultado ir além do filme-à-caça-de-Oscar.

    Aliás, "O Despertar de uma Paixão" foi praticamente ignorado, limitando-se a ganhar um Globo de Ouro de trilha sonora. O filme decepciona quem espera puro academicismo, talvez pela estrutura um pouco truncada, pela substância densa que permeia a relação entre os personagens e pela forma corajosa com que os atores os defendem.

    Edward Norton e Naomi Watts apresentam trabalhos de rara sutileza. Não fazem questão de tornar seus personagens simpáticos à primeira vista. Watts, sobretudo: sua Kitty é uma garota cheia de caprichos, que se casa por puro medo de quebrar convenções sociais. Na primeira parte do filme ela é desagradável e desinteressante -uma atuação sem concessões.

    De família rica, Kitty cede à pressão da mãe e aceita se casar com o biólogo classe-média Walter (Norton). Vai para a China, onde ele trabalha, e lá não demora a se envolver com o vice-cônsul Charlie Towsend (Liev Schrieber). Walter descobre e, para se vingar, aceita o posto na direção de um hospital numa cidade do interior assolada por uma epidemia de cólera. A experiência será redentora.

    Não só para Kitty mas também para Walter, que assume sua responsabilidade pelo fracasso do casamento. O personagem mais interessante é Waddington (Toby Jones), um típico britânico decadente que chegou à China pelas vias do colonialismo e há anos vive ali com uma concubina chinesa. É ele quem conduz a melhor seqüência, uma estranha noite regada a bebida e ópio, em que Walter e Kitty enfim se descobrem.

    É esse caminho narrativo inverso -um casamento que começa errado e se descobre possível; o amor que nasce das ruínas- um dos aspectos que fazem a diferença de "O Despertar de uma Paixão" (péssimo título genérico para uma história substancial). O diretor John Curran, que estreou com o pequeno "Tentação", tem dificuldade em orquestrar um filme grandioso. Mas, sabiamente, abre espaço para que o longa respire pelo trabalho dos atores. Sobre um pano de fundo exótico, entre comentários políticos sobre a colonização britânica, mantém o foco no relacionamento humano, fazendo uma espécie de amor nos tempos do cólera mais intimista e sem chance de saídas mágicas.

  • NEWS: Relacione filme e clássicos com suas trilhas musicais num quiz alucinante!
  • HAPPY: Pernille Christensen raspa a panela do que sobrou do Dogma 95 em "Além do Desejo

    Por Pedro Butcher - Folha de São Paulo


  • 20.6.07

    Nostalgia em Las Vegas


    "13 Homens e um Novo Segredo" revive bons tempos de Sinatra e seu Clã em Vegas


    Quebrando a tradição desta temporada, este terceiro filme da série "Homens e Segredo" é melhor do que o anterior, que foi uma continuação indulgente, boba e descartável. O terceiro capítulo tem muitas qualidades, inclusive uma produção excepcional, com um desenho de produção (direção de arte), figurinos e fotografia geniais que, entre outros feitos, recria inteiramente em estúdio um cassino moderno de Las Vegas, com todo o requinte possível, indo do uniforme dos empregados a diferente decoração dos quartos, sempre com detalhes orientais. Pode ser que seja meio confuso, tenha excesso de piadas internas (inside jokes, mais divertidas para os atores do que para o publico) e leve um tempo enorme - mais de uma hora - de exposição do projeto e discussões obscuras, ainda assim é uma diversão sofisticada e inteligente. E por que não dizer, charmosa e agradável.

    Não espere, porém nada de muito novo ou brilhante. O diretor Steven Soderbergh caprichou na realização e em deixar seus amigos atores completamente à vontade. Sejam veteranos ou pouco conhecidos. Astros ou coadjuvantes, todos tem seu momento. Mas os que importam são George Clooney (como o líder do grupo de assaltantes) e seu comparsa Brad Pitt, ambos extremamente relax, à vontade, com enorme naturalidade (mas sem perder o timing de humor). Curiosamente ambos não se preocupam em esconder as primeiras rugas e marcas debaixo dos olhos. Até os deuses envelhecem.

    O mérito do roteiro novo de Brian Koppelman e David Levien ("Cartas na Mesa") é mostrar que além de mero ladrões e vigaristas, os 11 amigos se importam um com o outro, a ponto de se reunirem quando um deles, Elliot Gould (Reuben) tem um enfarto e fica à beira da morte quando é enganado por um gangster dono de um novo cassino (Al Pacino). Todos então estão de volta para a elaborada e dispendiosa vingança, que irá incluir também o antigo inimigo Terry Benedict (Andy Garcia) em parte por ciúme de ter um rival no ramo de hotéis, em parte porque vê ali a chance de roubar uma fortuna em diamantes. Desta vez, praticamente não há mulheres com importância na trama, nem mesmo Ellen Barkin que faz Abigail, a mulher de confiança de Pacino.

    Usando trilha musical e efeitos visuais (até no letreiros) que lembram os bons tempos de Sinatra e seu Clã em Vegas, este Treze Homens é uma prova de que quando Hollywood se esforça e coloca dinheiro em gente talentosa, o resulta é visualmente esplendido, digno de ser lembrado na época dos Oscars.

  • PREMIUM: Hollywood sofre uma invasão de Trailers!

    Por Rubens Ewald Filho


  • 19.6.07

    A crise existencial do ogro Shrek


    No terceiro filme da série, ele se recusa a se tornar rei e, ao lado do Burro e do Gato de Botas, sai em busca do sucessor ideal


    No primeiro filme, Shrek conhece e se casa com Fiona. No segundo, ele conhece melhor os pais dela e descobre como é viver em um palácio. 'Era natural que a história seguisse seu curso e Shrek assumisse o trono e virasse papai', conta Chris Miller, diretor de Shrek Terceiro, continuação de uma das mais rendosas franchise do cinema de animação. 'Mais que a técnica, era importante um cuidadoso desenvolvimento do roteiro.'

    De fato, de solitário morador de um pântano a rei e pai de família, Shrek sofre com as mudanças tão repentinas em sua rotina o que, claro, provoca situações engraçadas. 'Fiona é muito madura e isso naturalmente tinha de acontecer', comenta Cameron Diaz, que dubla a personagem no original. Ela, assim como Miller e parte do elenco de dubladores, conversou com Spoiler e outros representantes da imprensa internacional, em um hotel de Los Angeles, no início de maio. O filme ainda não havia estreado nos Estados Unidos e o temor era grande: e se não figurasse entre os grandes sucessos da temporada? O suspiro veio com a boa receptividade da animação nas telas americanas, onde o filme já arrecadou mais de US$ 281 milhões, ocupando atualmente a quinta posição no ranking das maiores bilheterias.

    A história, segundo as críticas, foi um dos trunfos: após a morte do rei Harold (voz de John Cleese), pai de Fiona, Shrek repentinamente precisa virar rei. Em crise existencial e não se sentindo preparado para o cargo, ele, o Burro (Eddie Murphy) e o Gato de Botas (Antonio Banderas) precisam encontrar alguém para assumir o trono no Reino Tão, Tão Distante. Para substituí-lo, o principal candidato é o primo de Fiona, Artie (Justin Timberlake), um cavaleiro fracassado e frouxo.

    'O acirramento entre a relação do Burro com o Gato de Botas foi um dos assuntos acentuados nessa continuação', comenta Antonio Banderas que, segundo suas contas, a série tem fôlego para mais dois filmes. 'A graça de Shrek está em ressaltar a contracultura ao ironizar as fábulas infantis e isso graças a personagens fantásticos, como o Gato de Botas, que é manipulador e irreverente.'

    Sua ligação com o personagem, na verdade, vai além do divertimento: 'Com o dinheiro que ganho com Shrek, eu posso fazer meus filmes, aqueles que não serão exibidos nos Estados Unidos'. Dono da produtora Green Moon, ele prepara um roteiro em que deverá atuar sozinho, além de se interessar em produzir curtas-metragens em Andaluzia, na Espanha. Banderas também pretende investir na Broadway, 'on e off', ao lado da mulher, a atriz Melanie Griffith. Uma independência que o fez recusar, por exemplo, a participar de dois filmes de seu primeiro guru, Pedro Almodóvar, Kika e Má Educação, simplesmente 'por não gostar do roteiro'.

    Trabalhar em Shrek, de fato, é um bom negócio para os atores, pois o trabalho de dublagem ocupa entre 8 e 9 dias. E eles não se encontram no estúdio, atuando individualmente. O que evitou o constrangimento de Cameron Diaz rever Justin Timberlake, logo depois de sua separação. 'Na verdade, nós nos vimos durante a divulgação do filme e nos cumprimentamos civilizadamente', disse Cameron, visivelmente interessada em botar um ponto final na fofoca.

    Divertindo-se com as histórias dentro e fora do filme, Julie Andrews, cuja magnífica voz dá vida à rainha, elogia sua personagem. 'Afinal, como não gostar de uma mulher que se casou com um sapo antes de ele se transformar em rei e que tem um ogro como genro?', ri ela, disposta a continuar em ação no cinema. 'Antigamente, atores mais velhos faziam mais filmes, agora é mais difícil', conta Julie, que vai contar muitas dessas histórias na autobiografia que lança em abril do ano que vem.

    Série também entra em crise de meia-idade


    Depois de Homem-Aranha e Piratas do Caribe, chegou a vez de Shrek provar se sua terceira aventura nas telas tem gás para levar adiante a mais bem-sucedida franquia de animação na história do cinema. Shrek Terceiro chega no dia 15 ao Brasil com 570 cópias, grande expectativa e um currículo tão robusto quanto o ogro verde. As duas primeiras fitas renderam aos estúdios DreamWorks cerca de US$ 1,4 bilhão nas bilheterias, vendas de 90 milhões de DVDs e um Oscar de melhor animação. No fim de semana de estréia, nos Estados Unidos, o longa faturou incríveis US$ 122 milhões, um recorde na área de animação. Com o dinheiro, porém, vieram críticas de que o filme ameaça a sobrevivência dos contos de fada e ajuda a criar uma geração de miniadultos de 7 anos. Shrek Terceiro continua trazendo divertidas paródias de clássicos infantis e coloca personagens como a Bela Adormecida em enrascadas pouco comuns às edulcoradas versões tradicionais. Mas seria mesmo o fim do faz-de-conta?

    Segundo a psicanalista Diana Corso, autora do livro Fadas no Divã com o marido, Mário Corso, as críticas não procedem. "É importante para as crianças de hoje sentir-se representadas em seus defeitinhos", diz. "Todo mundo solta pum, tem frieira, calcinha meio suja ou irmão meio zarolho. Toda menina, além de querer ser a Barbie, sabe que é uma Fiona, e ela gosta de ter uma representação disso."

    Então está bem. Esse é um falso problema. Mas há outro, verdadeiro: as piadas sem graça. Se antes provocava gargalhadas fáceis, agora o ogro suscita sorrisos amarelos em uma aventura meio frouxa. Se você quiser se divertir com "Shrek Terceiro", saia depois de passados os primeiros dez minutos. Ali estão as situações mais engraçadas, pelo menos para os pais. A morte do "rei-sapo", cuja voz é de John Cleese, é puro Monty Phyton, antigo grupo do comediante.

    É seguida por uma "orquestra" tocando "Live and Let Die", música de um filme de James Bond, composta por Paul McCartney. O segredo do sucesso de "Shrek" sempre foi o duplo sentido, piadas adultas que só os pais entenderão e situações universais para que as crianças se entretenham. O exemplo perfeito são esses primeiros minutos. É por isso que é a cinessérie de animação mais bem-sucedida da história. Que concorreu à Palma de Ouro em Cannes, quando surgiu. Que criou um modelo de "meta-animação" que vem sendo repetido à exaustão. Etc.

    Mas, como o próprio ogro em "Shrek Terceiro", a coisa toda começa a mostrar sinais da idade. Ou pelo menos uma crise de meia-idade. Aqui, ele foge da responsabilidade de ser rei depois da morte do sogro. Para tanto, parte em busca de um possível herdeiro-substituto (Artie, voz de Justin Timberlake, que vem se revelando um bom ator). A acompanhá-lo, os inseparáveis Gato de Botas (Antonio Banderas) e Burro (Eddie Murphy), ainda responsáveis pela maior parte das risadas.
    Momentos antes de o marido partir, Fiona (voz de Cameron Diaz, no filme em que a personagem tem menos cenas importantes) revela que está grávida. Enquanto procura escapar da sucessão, Shrek (voz de Mike Myers) tenta aceitar o inevitável: sua própria linha sucessória. Conseguirá? Só saberá quem agüentar mais 82 minutos...

    Por Ubiratan Brasil (Estado de São Paulo), Sérgio Dávila (Folha de São Paulo) & Denerval Ferraro Jr. (Revista Época)